A nova vida de uma alma sem lembranças
65 Capítulo 65 - Dinus de Vegúrlia e Seti.
Notas iniciais
— Como cidadão de honra de Vegúrlia você recebe o direito de adquirir uma propriedade em qualquer região da metrópole, além de poder identificar-se como Dinus de Vegúrlia. — O imperador levantou ainda mais a sua voz, para todos escutarem perfeitamente. — Como Imperador Perius Moris Vegúrlia eu espero que um Elfo jovem e tão promissor como você possa continuar nos fascinando e que nossos descendentes contem histórias de seus grandes feitos.
Uma salva de palmas inundou o ambiente.
Foi tão alvoroçada quanto quando Grumer recebeu sua medalha.
Assim que tudo se aquietou novamente, a Rainha se aproximou da plataforma e ficou entre mim e o imperador, olhando para mim.
— Como gratificação pelo suporte à Família Real de Seti, eu convido Dinus de Khuma e Vegúrlia à uma audiência no Castelo "Velar" na capital real de Seti, para que receba de nós sua recompensa. — A Rainha começou a falar com uma voz mágica. — Também aproveito o momento para conceder à Dinus o título de Cavaleiro do reino de Seti. Podendo assim identificar-se como Sir Dinus de Seti e recebendo a permissão de adquirir propriedades na capital real.
Novamente uma salva de palmas iniciou-se, porém mais curta dessa vez.
A rainha cumprimentou o imperador e se afastou de nós.
Pela primeira vez, o imperador desceu da plataforma e se aproximou de mim.
Perius estendeu a mão em minha direção e pediu para me levantar.
— É um prazer conhecê-lo, garoto. — Nós apertamos as mãos. Ele ainda parecia bravo, mas ele estava sorrindo. — Agora você está dispensado.
O imperador não era tão alto quanto parecia.
Ele parecia ter a mesma altura que outros Elfos da Planície.
Seus olhos eram cinza parecendo aço.
De perto, suas roupas eram bastante simples, para um imperador, mas eram bastante luxuosas.
Eu cumprimentei a todos que estavam na plataforma e o imperador, então eu voltei para o meu lugar.
— Eu agradeço a presença de todos que disponibilizaram um tempo de seu dia para estar aqui hoje. Para aqueles que ainda tiverem mais um tempo, nós preparamos um pequeno café da manhã como comemoração. Estejam todos convidados. — O imperador concluiu a audiência e deixou a sala com rapidez.
— Filho. — Meu pai me chamou baixinho no meio da confusão de pessoas que agora estavam deixando a sala de audiências. — Eu voltarei para o quarto agora, mas eu sei que você gosta de se enturmar e conversar com as pessoas, e que você deve ter vários conhecidos entre as pessoas que estarão nesse café, então não se preocupe comigo e vá se divertir. Eu estarei a tua espera para voltarmos à Khuma.
— Muito obrigado, pai. — Eu me animei um pouco, depois de um dia tedioso e uma audiência que me deixou ansioso. — Prometo não demorar.
Meu pai sorriu para mim e simplesmente sumiu no meio das pessoas, indo em direção ao quarto.
Eu não sabia onde seria o café, então eu apenas segui o fluxo.
Faror e Kurio me encontraram perdido em meio a um mar de pessoas e me guiaram até o lugar.
— Dinus! Meus parabéns pela medalha. — Faror me estendeu a mão sorrindo. — Eu acho que foi bem-merecido, mas ganhar essa medalha, permanecer vivo e ainda com a sua idade... Você certamente já entrou para a história.
— Você diz isso, mas sentindo magia da maneira que eu sinto, qualquer um conseguiria realizar isso. — Eu respondi o aperto de mão e o sorriso.
— Pode ser que sim, mas dificilmente na sua idade. — Kurio falou e colocou a mão em meu ombro, também sorrindo.
— Bom... Posso dizer que tive muita sorte em ter ótimas pessoas ao meu redor que me possibilitaram ganhar essa medalha. — Eu tentei jogar um pouco de crédito a eles também.
— Só você mesmo, não é? — Kurio sorriu e estendeu a mão para me cumprimentar também. — Então. Vamos comer?
Eles me levaram até o refeitório.
Era tudo muito simples, mas também muito bonito.
Acredito que não era costume enfeitar muito a comida, então poderia não parecer algo grandioso se comparado com as festas extravagantes da nobreza da terra, mas posso dizer que a comida era deliciosa.
Notei que, além de Elfos entre os funcionários do palácio, existiam humanos, zoantropos e até alguns seres mais baixinhos, parecido com anões, mas que não tinham barba.
Eles trabalhavam e conversavam entre si e entre os outros funcionários Elfos sem discriminação nenhuma.
Embora eu ainda estivesse com vergonha de todos que me cumprimentavam com sorriso no rosto e me parabenizavam pelas condecorações, eu estava um pouco mais à vontade agora.
Acabou que eu fiquei com um pouco de fome e me juntei a todos para comer.
Nessa ocasião não havia cadeiras para se sentar, existiam várias mesas com comidas e as pessoas pegavam e comiam de pé mesmo, porém era possível ver que o refeitório também permitia as pessoas de comer sentado à mesa normalmente e só estava organizado dessa maneira por conta da "festa".
Myuka e Louyi vieram me cumprimentar.
Eles estavam entre as muitas pessoas que permaneceram na lateral da sala de audiência e, por não possuírem tanta influência, não foram chamadas para depor em frente ao imperador.
Necifran estava lá também, com sua expressão séria de costume, mas me parabenizou pela condecoração.
Ele me disse que ouviu sobre eu entrar na academia mágica e me perguntou o que eu queria fazer com as aulas de espada.
Como eu só entraria na academia no próximo ano, e eu pouco sabia sobre o como seria, eu não soube responder.
Então ele me explicou que eu só teria minhas noites livres, mas que se eu quisesse, nós poderíamos treinar nesse horário, do qual eu concordei e combinei que voltaria à Vegúrlia no próximo ano.
Mayi também apareceu para me cumprimentar, me dizendo que a Rainha esperava por meu contato para agendar o dia para a minha audiência em Seti.
Quando todos estavam à minha volta e conversando entre si, eu reparei que o imperador não estava no refeitório.
— Sua Majestade o Imperador não participa desse café? — Eu perguntei para Louyi, que estava próximo a mim sem conversar com ninguém naquele momento.
— Sua Majestade? — Ele riu e então respondeu. — Você usa esse "honorífico" apenas quando for falar diretamente com ele. Entre nós você pode usar apenas "o Imperador". E não, geralmente ele apenas participa se houver algum outro Imperador, Rei, "Presidente", "Senador" ou "Pai".
— Entendi. A Rainha de Seti não está participando também, e como não tem ninguém com um alto cargo como o dele, não tem motivos de ele estar aqui. É isso? — Embora Louyi usou palavras que eu não conhecia, eu entendi que são altos cargos em outras regiões.
— Isso mesmo. — Louyi respondeu com um sorriso no rosto.
Entre as palavras que Louyi utilizou, Pai me chamou muito a atenção, pois ele usou a mesma palavra que eu conhecia, então eu não entendi se era o pai do Imperador ou se mais uma vez a palavra Pai era usada para mais alguma coisa.
Ele me explicou que "Pai", nesse caso, era o chefe de todos os Elfos do céu, que era considerado uma "Irmandade".
O "Pai" dos Elfos do Céu vivia em uma ilha flutuante no céu e era difícil vê-lo em terra firme.
Eu já havia ouvido falar dessa ilha, então me bateu novamente a vontade de viajar por Oriohn para conhecer todos esses lugares que eu escutava.
Foi quando eu lembrei que meu pai me esperava no quarto, então eu me despedi de todos e deixei o refeitório.
Por sorte eu já sabia o caminho para o quarto e não precisei de ajuda para encontrá-lo.
Então eu arrumei minhas coisas e, junto ao meu pai, deixamos a capital imperial para voltar à Khuma.
Quando passamos pelo portão, um guarda sorriu e nos cumprimentou.
— Tenha uma boa viagem, Herói Dinus. Que os guardiões olhem pelo seu caminho. — O guarda do portão disse logo ao passarmos por ele.
— Herói Dinus. — Meu pai caçoou baixinho para mim. — Parece que você está se tornando bem famoso.
— Você também é bastante famoso. — Eu caçoei de volta. — Você parecia estar familiarizado com a Metrópole, com o primeiro-ministro e com o Imperador.
— É que essa já é a segunda vez que eu sou condecorado. — Ele respondeu seriamente. Então ele viu minha expressão de surpresa, soltou um sorriso e começou a contar. — Faz uns 30 anos, eu lutei contra os Renegados em uma situação parecida e fui reconhecido pelo general Lounis a receber uma Medalha de Bravura.
— Então você já tinha uma medalha antes? Por que você nunca contou? — Eu fiquei surpreso e admirado.
— É que eu não ligo para essas coisas, então eu acabei esquecendo que eu tenho, mas a medalha está guardada lá em casa. — Então ele colocou a mão na minha boina e me fez um cafuné. — Quem diria que você ganharia uma também.
— Tal pai tal filho! — Eu sorri e fiz essa piada.
Nós continuamos andando pela estrada na planície de Vegúrlia, acompanhado de Huskie, voltando para casa.
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