Notas iniciais
Postagem: 2021/01/23 23:35 Revisão: 2025/12/11 15:37

Myuka estava séria, olhando para o horizonte, mas um enorme sorriso apareceu quando ela me viu.

Ela estava sentada no parapeito que continuava do corrimão da escada da estalagem.

Com um pulo, ela desceu do parapeito e veio em minha direção quase que saltitando.


— Dinus! Eu encontrei. Eu me encontrei com Mayi! — Ela disse contente com um grande sorriso.

— Verdade? Que ótimo! — Eu abri um sorrisão também.

— Sim! Eu consegui combinar com ela para nos encontrarmos amanhã de manhã.


Mesmo que trabalhando para o reino, Mayi tinha um tempo para ela nos dias de descanso.

Myuka encontrou ela fazendo compras nesse momento.

Aproveitou a oportunidade e descobriu onde ela estava hospedada.

Mayi não contou para Myuka onde ela estava, pois isso era um segredo, mas Myuka acabou descobrindo por que seguiu Mayi até o local.

De qualquer maneira Myuka e Mayi combinaram de se encontrar em uma praça no dia seguinte.


Myuka e eu conversamos bastante antes de finalmente ir dormir.

Ela acabou me contanto como a conheceu quando Mayi ainda era jovem e que ela até viu o dragão que Mayi derrotou, apesar de Myuka não ter lutado contra ele.

Em sua juventude Mayi usava grandes magias que poderiam destruir uma cidade inteira e até alterar o terreno a sua volta, como tornados, terremotos e ondas gigantes.

O maior feito mágico de Mayi foi arremessar uma enorme rocha para os céus e dele fazer um meteoro.

Foi inclusive essa magia que matou o dragão que atacava o império e o reino nessa época.

Mayi não fazia parte do reino, mas sim do império, sendo ex-maga da corte e uma das maiores magas da história.

Eu digo mago, mas pode significar feiticeiro, bruxo ou algo assim, já que no idioma de Oriohn existia apenas uma palavra para definir o praticante de magia.


A noite passou e o dia do encontro com Mayi chegou.

Eu estava super ansioso, pois eu tinha muito carinho por Mayi e fazia muito tempo que não a via.

Myuka foi comigo, mas pouco antes de chegarmos no local, ela me falou para continuar sozinho, pois ela queria ver a reação de Mayi ao reencontrar comigo.

Então ela me falou que não havia dito à Mayi que eu iria, nem tinha mencionado meu nome.

Mayi não sabia que eu estaria lá.

Eu também fiquei animado com a ideia e queria ver a reação de Mayi.

Então eu cheguei na mesma praça que eu havia visitado no dia anterior.

Aquela com o chafariz.


Mayi estava lá.

Nenhum dia parecia ter se passado para ela.

Ela continuava parecendo bastante velha, mas não parecia ter envelhecido nada mais.

Quantos anos foram? 6 ou 7 anos?

Ela parecia estar da mesma maneira do dia que eu deixei a casa dela.

Com o corpo um pouco arcado, cabelos brancos, nariz rechonchudo, olhos esmaecidos e apoiada em seu cajado.

Exatamente o mesmo cajado de anos atrás.

Ela não percebeu a minha aproximação.


— Bom dia, Mayi. Tudo bem? — Eu disse gentilmente.

— Bom dia, meu jovem. Estou bem e você, como está? — Ela respondeu gentilmente de volta, eu nem me lembrava que a sua voz era tão rouca.

— Estou bem também. — Eu sorri. — Podemos conversar?

— Podemos sim, eu estou esperando uma pessoa, se você não se importar. — Ela respondeu.

— Sim, Myuka chegará em breve.

— Então você é conhecido dela? — Ela perguntou e eu comecei a perceber que ela não se lembrava de mim.

— Você se lembra de mim? — Eu perguntei, chegando um pouquinho mais perto para ver se ajudava.

— Hmm. Eu já vi alguém semelhante, mas a pessoa era muito mais velha, eu não me lembro direito. — Ela me encarou e pensou um pouco. — Mesmo assim, um Elfo Negro tão jovem por aqui? Que incomum.

— Entendo. — Então eu dei uma pequena pausa e respondi sorrindo. — Meu nome é Dinus de Khuma.

— Dinus? — Ela pensou um pouco. — Dinus! Sim! Eu me lembro. Então você sobreviveu... A doença de Estil é cruel, eu nunca soube de alguém que conseguiu superar ela.

— Sim! Foi graças ao seu tratamento e treinamento que eu consegui.

— Fico muito feliz em ouvir isso. — Ela me encarou de cima até embaixo. — Você cresceu hein! Bem mais do que deveria. Como está se sentindo?

— Estou ótimo! Existem dias que minha magia até se esgota. — Eu respondi alegre por ela ter se lembrado de mim.

— Se esgota? Hmm? Isso não é bom. Pode ser perigoso. Deixe me ver. — Ela colocou seu cajado para frente em minha direção. — Você comeu a fruta hoje?

— Sim. Assim que acordei, antes da meditação. — Eu respondi.

— Vamos ver então. Coloque sua mão no cajado. — Ela posicionou a esfera do cajado na altura do meu rosto, como ela fez no dia que nos conhecemos.


Eu coloquei a mão na esfera, que já era bem menor para mim em comparação a quando eu fiz anos atrás.

A esfera começou a mudar de cor, passando por cores como laranja, azul, verde, vermelho, roxo e preto.

Então ela voltou a sua cor original.


— Falta de magia? Você está com a magia tão fraca que mais um pouco você irá desmaiar! — Ela respondeu preocupada.

— Falta? Mas eu me sinto bem. Eu faço isso todos os dias e continuo conseguindo lançar magias sem problemas. — Eu respondi.

— Consegue? Então tente lançar uma magia para que eu possa analisar.

— Sim. — Eu usei a magia de proteção, em seguida a jato de água.

— Eu até havia me esquecido que você conseguia usar magia sem encantamentos. — Mayi falou enquanto a água saía de minha mão. — Parece que está tudo bem mesmo, mas eu recomendo você a não comer mais a fruta Kojo, pode ser que sua magia acabe antes do previsto.

— Eu posso parar de comer a fruta? Que ótimo! — Fiquei feliz em ouvir isso.

— Sim. Eu me lembro de ter dito que você teria que comer até ficar adulto, mas parece que a sua meditação já é o suficiente.

— Vamos nos sentar para conversar? — Eu ofereci, pois havia muita coisa que eu queria falar com ela.

— Claro! — Mayi e eu nos sentamos em um dos bancos que existia na praça. — Já que você está aqui, você deve ter viajado bastante, né?

— Sim, eu passei por várias cidades e aldeias até aqui.

— Imagino. Conte para mim sobre isso. Como um Elfo Negro que viaja é extremamente raro, eu estou curiosa.

— Sim. Eu vou contar.


Nesse momento Myuka apareceu atrás de nós.

Ela estava com um grande sorriso no rosto.

Como de alguém que fez alguma brincadeira com o amigo.


— Olá Mayi! Gostou da criança que eu trouxe? — Myuka me assustou, mas Mayi nem reagiu.

— Bom dia, Myuka! Adorei. Fazia tempo que não via esse menino. É muito bom ver que ele está saudável e tão crescido.

— Que bom que gostou. Então... Eu vou deixar vocês conversando e vou passear um pouco.

— Você não ficará conosco? — Eu perguntei.

— Acho que vocês têm muito o que conversar. Fica para outra hora. — Myuka respondeu, já se afastando e dando tchau.

— Essa Myuka, sempre muito ativa. — Mayi falou com um pequeno sorriso, olhando Myuka ir embora.

— Eu devo muito a ela. Eu queria muito te encontrar e ela fez todo um esforço para que isso acontecesse.

— Sim. Ela é assim mesmo. — Mayi então olhou para mim. — Mas me conta. Como foi sua viagem até aqui? Eu fiquei sabendo recentemente que a aldeia de Khuma conseguiu um dragão como guarda. Vendo você aqui agora, acredito que você deva estar envolvido, não é?

— Éé... — Eu fiquei envergonhado na hora. — Isso realmente aconteceu...

— Eu imaginei, mas não esperava vê-lo fora de Khuma tão cedo. Como você conseguiu convencer seus pais a deixarem viajar?

— Certo!


Então eu comecei a contar.

Contei que eu comecei a treinar para me tornar caçador pouco tempo depois que voltei para a vila.

Contei do teste que meu pai colocou como desafio e que eu passei no teste.

Claro que não contei que eu molhei minhas calças, né? Essa parte eu deixei em segredo.

Contei que fui para Trucia e que lá eu consegui o serviço de guarda de carga com Myuka e os amigos dela.

Sobre a luta dos Renegados e por fim o encontro com Umbaku.


— Então, quando eu senti uma presença muito forte, mas que eu não conhecia, eu fui ver sozinho se nós poderíamos passar despercebidos. Quando eu vi que era um dragão e senti que a magia dos magia dos renegados estava corrompendo-o, eu agi sem pensar muito e suguei a energia maligna dele.

— Você o quê? — Mayi se espantou. — Como assim sugou a energia dele? Eu não conheço uma técnica para isso.

— Então. Eu também não sabia se funcionaria. Eu usei a técnica de meditação, mas no sentido oposto e focando apenas na energia maligna do corpo dele. Felizmente deu certo. Agora que o dragão está curado, graças à minha mãe, ele mora na minha casa em Khuma.

— Isso é impossível, teoricamente. — Ela começou a pensar. — Para sugar a magia dessa maneira você teria que saber exatamente como é a magia que está no outro corpo. Isso só deve ter sido possível para você apenas pelo fato de você sentir a energia a sua volta. Acho que só você consegue fazer isso, que eu saiba.

— Eu também nunca encontrei alguém que pudesse sentir a magia como eu. Será que o príncipe consegue? — Eu não pensei antes de falar e acabei soltando que já sabia sobre o príncipe.

— Bom, eu não posso falar sobre esse assunto, mas eu acho que poderia usar a sua ajuda.

— Minha ajuda?

— Essa criança, ela não é como você, ela não sabe falar ainda, está sempre com febre e não posso ensinar ela a meditar.

— Então, mesmo com a mesma doença, nós somos bem diferentes. — Eu não sabia se eu poderia falar para Mayi que eu nasci com uma mente adulta, mas percebi que isso não estava relacionado com a doença.

— Exato! Como ele não consegue fazer igual a você, eu não consigo controlar a quantidade de magia no corpo dele da mesma maneira que fiz contigo.

— Mas eu poderia tirar esse excesso de magia dele! — Eu concluí por ela.

— Sim, é isso mesmo que eu pensei, mas eu precisaria falar com a rainha primeiro, e é muito arriscado.

— Eu entendo, mas eu estou disposto a ajudar se você precisar, mestra Mayi.

— Mestra? — Ela riu. — Não precisa me chamar de mestra. Eu não posso te ensinar magia como eu gostaria.

— Eu só estou vivo graças a você e seus ensinamentos. — Eu sorri enquanto falava. — Nenhum outro mestre poderia ter me salvado desse jeito.

— Entendo. Tudo bem, então. Parece que eu não conseguirei te convencer. — Mayi levantou-se. — Vou me apressar e solicitar uma conferência com a rainha, onde eu posso te encontrar?

— Eu estou hospedado na Sereia-Tímida.

— Sereia-Tímida hein? Tudo bem. Eu entrarei em contato. — Mayi colocou a mão no meu ombro. — Além disso, há algo importante que eu preciso te dizer, então eu irei te visitar daqui uma semana.


Mayi então se despediu e saiu andando.

Eu queria acompanhá-la, mas ela me disse que eu não podia chegar perto da casa do príncipe por enquanto.

Então nosso reencontro acabou.

Muito tempo havia passado e era quase hora do almoço.

Eu voltei para a estalagem para me arrumar e ir para o treino de espada.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.