A nova vida de uma alma sem lembranças

35 Capítulo 35 - Uma noite mal dormida.


Notas iniciais
Postagem: 2020/12/26 19:52 Revisão: 2025/12/11 15:31

Eu não conseguia dormir direito.

Definitivamente eu estava exausto da viagem, mas ao mesmo tempo estava ansioso.

Para piorar, a enorme quantidade de presenças mágicas me perturbava mesmo sem utilizar a detecção mágica.

Quando eu estava acordado eu até me acostumei com a sensação, mas enquanto dormia a sensação passou a ser um incômodo e eu acho que tive alguns pesadelos.

Eu já havia acordado assustado outras duas vezes durante o sono.

Agora eu havia desistido de tentar dormir novamente.

Pelo menos por enquanto.

Então eu bebi um copo d'água.

Percebi que a havia uma varanda no meu quarto, que ficava no segundo andar, virado para uma das ruas da cidade.

Decidi respirar um "ar fresco" na varanda.


— Não consegue dormir também? — Tomei um susto quando ouvi Myuka no meu lado.


A varanda interligava todos os quartos desse lado do andar, separando-os com o parapeito.

O parapeito feito de madeira, com peças grossas, mas havia finos vãos nele onde era possível enxergar através.

Como o quarto dela era ao lado do meu, apenas um parapeito separava nossas varandas.


— Eu estava inquieto, até consegui dormir um pouco, mas acabei acordando. — Respondi, olhando para a rua pelo vão do parapeito.

— Também está preocupado com Kurio? — Ela perguntou, após um suspiro, olhando também na mesma direção que eu.

— É... — Eu não estava preocupado com isso, mas preferi concordar e mostrar um pouco de simpatia. — Estou... Também.


Quando eu olhei para ela, enquanto ela olhava profundamente para a cidade, notei uma lágrima escorrendo pela bochecha dela.

Novamente eu não sabia o que dizer ou fazer.

Sem prensar muito sobre isso, acabei me oferecendo para tentar ajudá-la a dormir.

Eu pensei em massagem em suas costas, mas eu também não sabia a palavra para massagem, então eu disse.


— Myuka, eu queria tentar uma coisa. Será que eu poderia ir ao seu quarto um minuto?


Ela me encarou com uma expressão difícil de desconfiança e surpresa por um momento.

Não sei o que ela entendeu com a minha frase, mas eu precisava dizer alguma outra coisa.


— Eu acho que você vai gostar. Não é nada ruim, eu juro. — Eu disse meio às pressas com um sorriso meio sem jeito. Mas deu certo, pois a expressão dela relaxou.

— Sim, tudo bem, eu vou abrir a porta para você.


Eu fui para o quarto dela.

Quando nós dormíamos durante a viagem, nós mantínhamos parte do nosso equipamento de proteção para caso houvesse algum ataque noturno, mas na cidade nós podíamos dormir com roupas mais leves.

Foi a primeira vez que eu a vi com roupas que não eram sua armadura.

Eram finas como seda, mas o toque dele parecia como o do algodão.

Nós temos um tecido de algodão em Oriohn, eu acho.

A planta é extremamente parecida visualmente com o algodão, mas eu não posso ter certeza se a sensação do toque é o mesmo, pois eu não sei como é tocar um tecido de algodão terrestre, a única diferença é que era possível plantar ela usando magia, assim o tecido se tornaria mágico também.

De qualquer maneira, a roupa era tão fina que, se não fosse o fato de estar escuro, eu provavelmente conseguiria ver através dela.


Pedi para ela se sentar na cama enquanto fiquei ajoelhado na cama atrás dela.

Eu ajoelhado ficava mais ou menos da mesma altura que ela sentada e eu teria que deixar minhas mãos um pouco altas para alcançar o ombro dela.


— Tenta relaxar um pouco o ombro enquanto eu fizer. — Eu disse ao colocar minhas mãos no ombro dela e perceber que os músculos estavam contraídos.

— Certo. — Ela respondeu baixinho.


Eu comecei a fazer massagem no ombro dela.

Do pescoço para o ombro, pressionando o musculo no começo dele e percorrendo no sentido que o musculo ia.

Com um pouco de força, mas de forma gentil.

Acho que eu não era bom nisso, mas eu tinha uma pequena noção de como funcionava.

Com o tempo ela foi relaxando um pouco mais e provavelmente melhorando.


— Isso é bom! — Ela comentou.


Depois disso eu comecei a descer um pouco para as costas.

Por cima da roupa, pois mesmo atrapalhando um pouco ainda era possível fazer a massagem.

Embora de tamanhos diferentes, os músculos dos elfos eram basicamente os mesmos dos humanos, então não me era difícil para saber onde pressionar, pois eu me lembrava da fisionomia humana.

Myuka foi ficando cada vez mais relaxada.


— Que técnica é essa que você está usando? — Ela perguntou, ainda falando baixinho.

— Eu não sei o nome disso, eu apenas faço aliviar os músculos aplicando pressão de maneira correta. — Eu não sabia se existia uma palavra para massagem em Oriohn, então eu apenas tentei explicar o que era.

— Isso é muito bom. Dá para fazer isso comigo deitada?

— Até dá, mas nós ficaríamos em uma posição meio... Desconfortável. — Eu respondi meio sem jeito.

— Desconfortável como? — Ela perguntou com um pequeno riso.

— Eu teria que ficar sentado nas suas costas.

— Eu confio em você, então eu não me importo. Se você não se importar... — Ela disse pausadamente.

— Tudo bem então.


Ela se deitou de bruços e eu me posicionei nas costas dela.

Aparentemente ficou melhor ainda, pois a expressão de relaxamento ficou aparente em seu rosto.

Eu continuei fazendo massagem nas costas inteira dela, até que eu reparei que ela havia caído no sono.

Eu gentilmente saí de cima dela e estava deixando o quarto quando ela me chamou.


— Dinus... Eu sei que é meio estranho, mas será que você poderia dormir comigo essa noite? — Myuka me olhava com o rosto todo vermelho.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.