A nova vida de uma alma sem lembranças

49 Capítulo 49 - Extensão do meu corpo.


Notas iniciais
Postagem 2021/01/31 20:23 Revisão: 2025/12/11 15:38

Um novo dia raiou em Oriohn.

A luz do amanhecer entrou pela minha janela e me acordou.

Eu ainda estava cansado, mas não estava mais exausto.

Não existia algo como café para tirar o sono em Oriohn.

O máximo que eu poderia fazer era tomar um banho bem gelado.

E foi o que eu fiz.


Eu quase comi uma fruta Kojo nessa manhã.

Mas lembrei do que Mayi disse.

Eu deveria ter meditado durante o banho, mas como eu havia esquecido, eu acabei parando para meditar antes de tomar café.

Depois da meditação eu já estava sem sono e com disposição novamente.

Tomei meu café da manhã e fui para a escola.

Nessa manhã eu comecei a contar para as crianças sobre uma luta qualquer, mas elas pareciam um pouco entediadas, então eu pulei para a luta contra os Renegados.

Os olhos delas brilhavam, mas quando eu terminei de contar a maioria ficou chocada por conta do que aconteceu com Kurio.


— Mas ele ficou bem? Ele está vivo, né? — Uma criança humana com a pele branca e o cabelo preto, parecendo um italiano ou espanhol perguntou.

— Sim! Myuka e o quarto integrante conseguiram remover o veneno do corpo dele, agora ele está se recuperando em sua casa aqui na cidade. — Eu respondi. — Eles estão esperando a recuperação de Kurio para voltar a trabalhar.


Só então as crianças que estavam preocupadas ficaram aliviadas.


— E o que aconteceu com o misterioso? — Outra criança perguntou, eles chamavam o membro misterioso que eu criei apenas como "Misterioso".

— O que aconteceu com ele...? — Eu pensei no que dizer, mas eu queria terminar de contar sobre a viagem antes de falar sobre o que aconteceu com ele.

— Vamos começar a aula! — A professora me salvou e nos colocou em ordem para a aula de hoje.


A aula foi tranquila novamente.

Como as crianças precisavam de prática e repetição para aprender, hoje ela não passou nada novo e acabou revisando o que ela já havia ensinado.

Eu não achei ruim, praticar sempre é bom, até porque eu ainda não escrevo o básico tão bem, então eu sempre me esforço para melhorar.

O método de ensino dela é bom e fácil de aprender.

Deve ser uma técnica de ensino desenvolvida pelos próprios Elfos da Planície.

Eles fizeram com que a aula não ficasse chata tão facilmente e nem cansativa demais.


No fim da manhã a professora me mostrou um mapa continental de Oriohn.

Fora do continente existiam várias ilhas gigantescas, algumas de tamanho de estados inteiros, mas essas ilhas não eram habitadas pelos povos do continente, apenas pelos Elfos do Mar.

Eles usavam essas grandes ilhas para conseguir aquilo que eles não podiam no fundo do mar.

Apesar disso, eles também tinham um bom comércio com os povos do continente e nas cidades portuárias do Oeste e do Leste era facilmente possível encontrar um Elfo do Mar em solo firme.

As histórias desses Elfos me interessaram muito, eu fiquei muito curioso e com vontade de conhecê-los logo.


No fim eu voltei para a estalagem, me arrumei e fui para o treino.

Necifran me deu meu almoço como de costume.

Uma comida com gosto ruim, mas para quem estava acostumado a comer aquele morango horrível, a comida dele ainda era razoável.

De qualquer maneira aquela comida me dava forças para treinar, eu podia sentir isso, então eu gostava de comê-la, mesmo apesar do sabor.

Quando eu terminei de comer, Necifran me entregou um pacote.


— Aqui está, Morek passou aqui essa manhã. — O Elfo colocou uma embalagem na mesa, na minha frente. — Eu paguei a sua segunda metade, então eu preciso que me devolva o dinheiro.

— Ah sim! — Eu percebi que era a minha espada, então peguei minha bolsa de dinheiro para devolver o dinheiro de Necifran. — São 3 moedas de prata, certo?

— Sim. Mas dê uma olhada na espada primeiro. Veja se ficou boa para você. — Ele esperou um pouco para continuar. — Eu já a analisei e está boa, mas ninguém melhor que você mesmo para dizer.

— Certo.


Eu abri a embalagem.

Havia muita embalagem de pano para proteger a lâmina.

Não sabia que ela era tão frágil assim para que precisasse ser protegida.

Quando eu terminei de abrir foi que eu entendi.

A lâmina era linda, perfeita e muito limpa.

Parecia um espelho.

Eu podia ver o reflexo do meu rosto nela.

Nada que eu houvesse olhado nesse mundo era tão reflexivo dessa maneira.

Isso sem contar a qualidade da empunhadura e todos os mínimos detalhes da espada.

Ela era pequena, mas perfeita, no tamanho ideal para a minha altura atual.


— Aquele anão...É impressionante, não é? — Necifran comentou, enquanto eu admirava a minha espada. — Mesmo entre nós (Elfos), não há um ferreiro que consiga atingir essa qualidade.

— É linda. Eu... — Fiquei sem palavras enquanto me olhava no reflexo, foi a primeira vez que eu vi a cor avermelhada do meu próprio olho.

— Então você acha que vale o preço? — Necifran me trouxe de volta a realidade.

— Sim! — Eu peguei 3 moedas de prata e entreguei para Necifran. — Aqui está.

— Certo. — Ele guardou as moedas em algum lugar. — Hoje nós vamos treinar com ela.

— JÁ? — Eu quase pulei. — Estou animado.


Então nós começamos o treinamento.

Mais uma vez foi um treinamento de bases.

Dessa vez eu devia manter a base com a espada empunhada erguida.

Isso era muito difícil, pois essa espada pesava cerca de 5 vezes mais que a minha de garra do urso.

Acho que ela deve pesar algo entre 1 quilo e 1,5 quilos, isso por ser uma espada pequena.

A minha espada de garra era leve como um pedaço de madeira do mesmo tamanho.

Manter o braço erguido com essa espada era demasiadamente cansativo.

Em uma das bases eu precisava manter a espada na vertical, acima de minha cabeça, segurando-a com as minhas duas mãos.

Eu tinha certeza de que ficaria com exaustão nos braços depois desse treino.


— A espada é uma extensão do seu braço, você deve acostumar-se com ela a ponto de se tornar parte do seu corpo. — Ele dizia enquanto eu praticava a base com a espada. — Ela deve estar ligada a você pelos seus dedos e pela sua palma e você deve sentir o que ela toca, como se estivesse tocando com suas próprias mãos. Você tem que sentir o ar passando na ponta da espada conforme você a movimenta.


Minha base estava um pouco melhor já.

O mestre já não corrigia minhas pernas o tempo todo.

Agora ele corrigia a postura dos meus braços, erguendo-os, já que sempre abaixavam um pouco com o tempo e cansaço.

Apesar do peso adicional, minhas pernas não se cansaram tanto dessa vez.

Todo o treino foi assim, não movimentei a espada como corte em nenhum momento hoje.

Apenas treinei para me acostumar com o peso dela e me acostumar a ficar nas bases corretamente com a espada em mãos.


— No próximo treino você irá aplicar as esquivas que já treinou, agora com a espada. — Necifran disse enquanto eu me arrumava após o treino.

— Certo. Estou empolgado. — Eu respondi.

— Você tem alguma coisa para dizer? — Ele fez uma pergunta estranha. Eu não sei o que ele queria dizer com aquilo.

— Alguma coisa...? — Eu pensei um pouco antes de responder. — Ah sim! Claro... Muito obrigado por dispor do seu tempo para me ensinar.


Então eu me curvei e agradeci profundamente como era no costume de Oriohn.

Necifran ficou me olhando com sua expressão séria de sempre, como se ele não estivesse pensando em nada.

Então a expressão dele pareceu mudar para algo complexo, mas continuou com o a mesma expressão no final.


— Tudo bem. Pode levantar sua cabeça. — Ele fez um pouco de silêncio. — Você é um bom aluno afinal.


Um elogio? Do Necifran?

Que inesperado.

O que aconteceu?

Será que a resposta que eu dei não era o que ele esperava?

Talvez ele quisesse que eu reclamasse do treinamento.

Tenho certeza de que qualquer criança da minha idade estaria reclamando.

Até adultos não acostumados com isso poderiam reclamar do treinamento de Necifran.

Não só pela dificuldade, mas se a pessoa não tiver disciplina ficará ansiosa para manusear a espada e reclamaria.

Será que é isso? Ele estava esperando por alguma reclamação?

Enquanto eu estava perdido em pensamentos, eu terminei de me arrumar e já estava pronto para voltar para a estalagem, quando Necifran falou.


— Você está com o seu passaporte, certo? Me acompanhe. — Ele me levou a uma outra sala da casa dele, algo como um escritório com uma mesa, escrivaninha e várias prateleiras com livros, cartas e pergaminhos nelas. — Empreste-me seu passaporte.

— Sim.


Ele pegou o passaporte da minha mão e levou até a um objeto que estava em sua escrivaninha.

Esse objeto era muito parecido com o que estava no portão da cidade para gravar minhas informações na plaqueta de madeira.

Necifran colocou meu passaporte no objeto e recitou uma curta magia, então ele me devolveu a plaqueta.


— Agora você é oficialmente um aprendiz de espadachim.


Meu passaporte foi atualizado e onde antes estava em branco agora estava escrito.

Profissão: Aprendiz de espadachim por Necifran de Vegúrlia.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.