Notas iniciais
Postagem: 2020/11/29 20:02 Revisão: 2025/12/11 15:27

— Está tudo bem com você criança?

— Sim, está tudo bem. — Eu respondi Umbaku enquanto ele voava comigo em suas costas.


Umbaku começou voando um pouco devagar por estar me carregando, pois eu podia ser levado pelo vento, mas eu criei uma magia de vento em minha volta me protegendo, criando uma "bolha" de ar, então agora ele estava viajando em sua velocidade máxima.


— Não é incômodo para você carregar alguém em suas costas? — Eu perguntei à Umbaku.

— Não vou mentir e dizer que não é, mas como você é meu salvador e é relativamente leve, eu não me sinto incomodado no momento.

— Salvador? — Eu fiz um breve silêncio. — Veja, não quero que me interprete mal, mas se tiver algo que eu tenha feito ou dito que acabe te incomodando, pode me avisar, eu não gostaria de fazer algo ruim e não ficar sabendo.

— Há! Entendi. Pode deixar criança, se algo me incomodar eu avisarei.


Depois disso nós ficamos alguns minutos em silêncio.

Eu estava admirando a paisagem em nossa volta, pois estávamos relativamente alto e era possível ver até longa distância.

A montanha à nossa direita crescia majestosa e imponente.

Ela era verde em sua base por conta da vegetação, mas era marrom em quase todo o seu corpo, enquanto o seu topo era acinzentado.

Ao Sul era possível ver além da floresta, onde se estendia uma vasta planície, e após a planície havia mais uma floresta.

Nessa planície era possível ver um pequeno detalhe branco, como uma grande mancha no cenário, aparentemente era a Metrópole que Louyi havia comentado.

Um par de rios rasgava a planície, um vindo da floresta ao sul e outro indo de nossa direção, o rio do sul ia em direção à Metrópole, passando por dentro dela e depois fazia uma curva para o leste, enquanto o outro ia inclinado em direção ao sudoeste e então apontava para o oeste, perdendo-se de vista no horizonte.

Foi então que eu notei a velocidade que viajávamos.


— Umbaku. Você sabe me dizer qual a velocidade que estamos voando?

— Não sei dizer com exatidão, mas acredito que algo próximo de 12 San'o por Fizen — Isso seria algo perto de 300 km/h, sendo que San'o é a unidade de medida de Oriohn e eu acho que equivale quase a mesma coisa de 1 metro.

— 12? Isso é bem rápido. — Eu fiquei pensando por algum tempo. — Existe algo mais rápido que isso?

— Existem alguns dragões que devem chegar a pouco mais de 16 S/F, mais rápido que isso começa a ferir nossos corpos. No mar também tem seres que são mais rápidos nadando que dragões voando.

— Que legal! Será que algo conseguiria atingir 50 S/F?

— 50? Acho que isso é impossível. Por que atingir essa velocidade toda?

— Eu estava pensando, eu acho que é mais ou menos essa a velocidade do som.

— A velocidade do som? Como assim?

— Você já reparou que o som leva um tempo para chegar até nós? Por exemplo, quando um cai um raio muito longe, você pode vê-lo, mas só escutará depois de um tempo.

— É verdade. Eu não havia parado para pensar nisso. Mas como você sabe que 50 S/F é a velocidade do som?

— Eu não sei, eu apenas acho que é algo perto disso, mas eu posso estar errado.

— Sabe. Desculpe dizer isso, mas você tem pensamentos estranhos para alguém da sua idade.

— Tudo bem, estou acostumado a ouvir isso.


Então nós seguimos viagem quietos, comigo apreciando a paisagem.

Mais rápido que eu esperava, nós começamos a ver uma vila ao pé da montanha, exatamente igual à Khuma.

Eu sabia que não era Khuma, pois os arredores eram diferentes, mas se dependesse apenas da aparência da vila, eu confundiria facilmente, mesmo eu tendo nascido e morado em Khuma.

Nós pousamos alguns metros de distância do portão da vila e já havia alguns elfos para nos receber, pois eles nos avistaram enquanto voávamos.

Antes que pudéssemos dizer algo já começou a amontar um monte de elfos para nos ver.

Eu me aproximei daquele que eu acreditei ser o responsável por conversar com estrangeiros, já que os chefes das vilas não necessariamente eram responsáveis por isso, e cumprimentei com o movimento padrão que eu conhecia.

Ele me cumprimentou de volta e então curvou-se para Umbaku.

Umbaku prontamente começou a encantar a magia de transmutação, para mudar para o corpo humanoide.


— Muito prazer, me chamo Dinus de Khuma. — Me apresentei assim que Umbaku o cumprimentou de volta.

— O prazer é meu, me chamo Namek e sou o Recepcionista de Maali.

— Meu nome é Umbaku, muito prazer. — Umbaku conseguia conversar com eles, já que eram todos elfos negros.

— O que me traz a enorme honra de presenciar um dragão? — Perguntou Namek.

— Eu vim atrás do curandeiro dessa vila. — Respondeu o dragão. — Eu ouvi falar dele a muito tempo.

— Sim, sei de quem diz. Mieva está em sua casa, por favor, eu acompanharei vocês. — Então Namek mostrou o caminho com o braço para nos guiar.

— O chefe da vila está? Gostaria de deixar meus cumprimentos a ele. — Perguntou Umbaku.

— O chefe Batu está caçando um monstro no momento. — Respondeu Namek.

— O pequeno Batu se tornou o chefe? Incrível! Deixe minhas memórias para ele. — Era uma frase de Oriohn para dizer que estava com saudades, já que a palavra "saudades" não existia.


Nós entramos na vila Maali, enquanto vários elfos negros nos seguiam.

Estar junto a um dragão numa vila de elfos negros era parecido com acompanhar uma celebridade em um lugar público.

Foi uma boa sensação não ser o centro das atenções para variar.

Como os dragões estão cada vez mais isolados dos seres de Oriohn, é bastante raro para alguém presenciar um em sua vida, mesmo entre os elfos negros.

Apenas mais tarde eu entendi o quão sortudo eu fui em conseguir a amizade de Umbaku.


As casas de Maali eram extremamente semelhantes com as de Khuma. Eu até notava as pequenas diferenças, mas alguém não acostumado poderia achar que as duas vilas eram iguais.

Os rostos também eram bastante familiares, talvez porque deve haver parentes que entre vilas.

Eu ouvi dizer que Maali e Khuma costumam caçar juntos grandes monstros e Renegados, mas aparentemente isso não acontece desde antes do meu nascimento.


Nós chegamos a uma casa, onde Namek chamou por Mieva.

Então minha mãe saiu pela porta.

Mas essa não era minha mãe.

Era incrivelmente parecida, os traços do rosto, o formato do nariz e as ondulações do cabelo.

Mas o cabelo era mais curto, com uma cor mais escura sem o tom azulado e ela era pouca coisa mais alta que minha mãe.

Eu cumprimentei e me apresentei.

Ela fez o mesmo, curvou-se para o dragão e então Umbaku apresentou-se.

Eu acabei entendendo que nós cumprimentamos os dragões de maneira diferente.


— O que me traz a honra de receber um dragão em minha casa. — Disse Mieva, basicamente da mesma maneira que Namek.

— Preciso da sua magia de "descontaminação" — A palavra que Umbaku usou era nova para mim.

— Descontaminação? Você está afetado por magia maligna? — Perguntou Mieva.

— Isso mesmo. Eu estava próximo de perder o controle quando esse garoto apareceu e me salvou, mas essa não é a especialidade dele e ele não pode limpar por completo essa "contaminação". — A mesma palavra de antes, mas sem o auxiliar de negação.

— Desculpe, eu sou a curandeira mágica da vila, mas eu não tenho essa especialidade também. — Então ela deu um sorriso muito parecido com o da minha mãe. — Você deve ter ouvido falar da minha filha, que também é curandeira, mas ela se mudou para Khuma faz quase 20 anos.

— Para Khuma? — Eu perguntei. — Eu sou de Khuma! Qual o nome da sua filha?

— Ela se chama Miena. — Respondeu Mieva inclinando a cabeça um pouco para o lado com uma expressão confusa.

— Miena? — Eu respondi um pouco alto. — Ela é... A minha mãe.

— Ora. Jura? — Ela se abaixou um pouco para ficar na minha altura, com um belo sorriso no rosto. — Então eu sou a sua "avó".

— Muito prazer em conhecê-la, avó — Eu abracei-a, como abraçava minha mãe.


Como no meu subconsciente avós eram pessoas mais velhas, era incomum para mim uma pessoa com aparência tão jovem ser minha avó, até porque minha mãe já estava com algo perto dos 70 anos, então imaginar algum familiar mais velho que isso e com um rosto jovem também não era normal, pelo menos para mim.

Eu não perguntaria a idade dela por respeito, mas uma grande curiosidade surgiu em mim na hora.

Além disso, ainda havia muitas pessoas em nossa volta tão surpresas quanto eu em descobrir que eu era neto dela.


— Eu tenho tantas coisas para perguntar, mas vamos começar com o que meu "neto" faz aqui em Maali? — Então ela olhou para Umbaku. — Principalmente, acompanhando um dragão.

— Eu estava viajando como um guarda de carga quando encontrei Umbaku cheio de energia maligna. — Eu evitei falar que eu sentia magia, pois sabia que isso iria gerar mais dúvidas. — Então eu estou ajudando-o.

— Viajando? Então aquele Targo criou um filho aventureiro, hein? — Em seu rosto se mantinha aquele sorriso lindo muito parecido com o que minha mãe tinha. — Vocês não querem entrar para conversar melhor? Tomar uma bebida talvez?

— Desculpe interromper esse belo momento de encontro familiar, mas acredito que agora nós precisaremos ir para Khuma. — Umbaku colocou sua mão em meu ombro.

— É verdade! Desculpe me empolgar tanto. Precisaremos seguir viagem para Khuma agora. — Eu abracei minha avó novamente. — Eu voltarei para conversarmos mais. Tudo bem?

— Mas é claro, meu neto. — Ela passou a mão em meu cabelo. — Volte sempre que quiser.


Foi um encontro curto, mas eu estava extremamente feliz em ir para Maali e conhecer minha avó.

Estava muito empolgado na vontade de conhecer também o meu avô.

Minha mãe nunca havia comentado sobre eles, mas eu acredito que foi apenas por não ter tido a oportunidade.

Então eu notei que até então eu não sabia a profissão de minha mãe.

Ela era curandeira mágica.

Diferente do médico, o curandeiro mágico usava magia para curar doenças e maldições.

Uma ferida como corte ou contusão, precisava de primeiros socorros comuns e magia até ajudava e acelerava a cicatrização, mas não servia para curá-los, apenas para tratar doenças como resfriados é que era usado magia.


Mieva nos acompanhou até a entrada da vila, onde Umbaku voltou para sua forma original e nos despedimos de todos que nos acompanhavam.

Voltamos a viajar pelos céus em direção à Khuma.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.