A nova vida de uma alma sem lembranças

27 Capítulo 27 - Separação temporária.


Notas iniciais
Postagem: 2020/11/10 13:12 Revisão: 2025/12/11 15:26

Eu estou acampado fora do baluarte.

Taime e os guardas estão dentro do baluarte.

Taime está fazendo negócios, enquanto o grupo está tratando as feridas de Kurio e reportando a aparição de Renegados.

Chegamos à conclusão de que seria desastroso se o dragão Umbaku entrasse no baluarte Orc, então, para não o deixar dormir sozinho, eu acampei com ele essa noite.

Nós deixaremos o baluarte no dia seguinte de qualquer maneira.


— Umbaku. Como você está se sentindo? Eu ainda posso sentir alguns vestígios da energia maligna em você. — Perguntei a ele.

— Sim, eu posso sentir que ainda há algo errado comigo, mas está suportável. — Ele respondeu, transformando-se de volta à forma de dragão. — Existe uma curandeira especializada em energia maligna em Maali.

— Você conhece o povo de Maali?

— Sim, mas quem me disse sobre a curandeira foi um outro dragão há aproximadamente 50 anos atrás, antes de eu entrar em estado de "hibernação". Na verdade, eu ainda conheço poucos Elfos Negros. — Ele me olhou por um momento em silêncio. — Eu ainda não sou um dragão adulto, tenho pouco mais de 300 anos, além disso, há tempos que os dragões começaram a evitar contato com outros seres.

— "Hibernação"?

— Isso, nós dragões passamos muito tempo dormindo após nos alimentar para repor nossas energias. Eu estava hibernando quando fui afetado pela energia maligna. Por isso preciso encontrar essa curandeira o mais cedo possível.

— Então você irá para Maali? Quando?

— Eu irei assim que vocês partirem de Fargath. — Respondeu o dragão, enquanto ele se ajeitava próximo à minha barraca.

— É... é possível eu te acompanhar?

— Bom, é possível sim, eu conseguiria te carregar enquanto eu voo. Mas você não é um guarda de carga?

— Eu só estou fazendo esse serviço para poder viajar com Taime. — Na verdade eu estava preocupado com Umbaku e queria estar por perto para ajudá-lo.


Nós continuamos conversando, ele me contou sobre a sua vida, que era relativamente curta para um dragão, já que eles passavam mais tempo dormindo que acordados.

Ele me contou que sua mãe viveu em uma época em que os dragões mantinham relações com os Elfos Negros e que alguns desastres com a energia maligna fizeram os dragões se exilarem.

Ele estava vivendo em uma caverna no interior do vulcão da qual vivíamos ao encosto.

Embora os dragões fossem territorialistas, eles não atacavam uns aos outros quando se encontravam, até passavam um tempo conversando, só existia um conflito entre eles se eles tentassem tomar o território um do outro.

Umbaku me contou que os dragões foram criados por Ekir, mesmo guardião que criou os humanos, Orcs e várias criaturas pensantes, por esse motivo os dragões tinham simpatia mútua com os Elfos Negros, já que Ekir era o guardião do elemento fogo e os Elfos Negros eram basicamente os Elfos do Fogo.

Decidi que viajaria com Umbaku, mas precisaria conversar com Taime, então no dia seguinte me reuni com o pessoal para conversar sobre minha saída do grupo.


— Bom dia, Louyi. Todos dormiram bem?

— Bom dia, garoto. Nós não temos boas notícias. — Respondeu Louyi com uma expressão triste.

— O que houve?

— O braço de Kurio está paralisado, o veneno acabou deixando sequelas e talvez ele não consiga voltar a mexer.


Minha ideia de viajar com Umbaku foi por água abaixo.

Acabei achando melhor acompanhá-los, já que estavam com um a menos.


— E agora? Há algo que possamos fazer?

— Na Metrópole de Vegúrlia há vários curandeiros e médicos que podem ter alguma solução. — Respondeu Myuka, aproximando-se de nós.

— Sim, são oito dias de viagem ao sul daqui, é nosso destino final de qualquer maneira. — Louyi adicionou.


Eu fiz um pouco de silencio enquanto pensava.


— Vocês podem aguardar aqui em Fargath por alguns dias?

— O que você tem em mente? — Perguntou Louyi.

— Umbaku também não está completamente curado, ele irá procurar ajuda em Maali e eu gostaria de ir com ele para caso aconteça algo, mas assim que estiver tudo pronto eu volto para cá para seguirmos viagem.

— Precisaremos verificar com Taime, pois nós estamos trabalhando para ele. — Respondeu Myuka.


Nós conversamos com Taime e ele aceitou dar uma pausa na viagem até eu resolver o problema de Umbaku.

Mesmo ele sendo bem sério, ele parecia animado em ter a história que nós salvamos um dragão para contar aos outros.

Além disso ele poderia aproveitar para encomendar algumas ferramentas e armas do Orcs que ele não encontrou disponível quando chegamos.

Vegúrlia possuía um grande comercio e sempre comprava produtos dos Orcs de Fargath.

Então nós nos encontramos com Umbaku fora do Baluarte para nos programar.

Ao nos encontrar com Umbaku, todos se assustaram, pois o dragão estava em sua forma original, mas logo o susto se transformou em ânimo e começamos a conversar.


— Quanto tempo você leva para chegar em Maali levando Dinus contigo? — Perguntou Louyi, com grande tremedeira ao encarar Umbaku em sua forma dragão.


O dragão mostrou o sinal de 2 com sua pata.


— Dois dias? Mas a Vila fica apenas a 3 dias de viagem daqui. — Comentou Myuka, também tremendo.


Então o dragão negou, pediu para que eu me aproximasse e disse baixinho para mim.


— Ele disse que são 2 Sizen — Eu respondi a todos, sendo que 2 Sizen eram aproximadamente 5 horas.

— 2 Sizen? — Disse Taime surpreso. — Então você demorará menos de 1 dia para voltar.

— Ele acredita que o tratamento poderá ser demorado, mas acredita que em até 3 dias ele deve estar de volta. — Eu respondi por Umbaku novamente.


Nós chegamos a um acordo então.

Eles esperariam até 5 dias para nossa volta, então depois do prazo eles deixariam Fargath para continuar a viagem, pois a viagem a partir de Fargath era mais segura e eles poderiam ir sem mim.

Se nós voltássemos mais cedo, nós esperaríamos apenas as encomendas ficarem prontas.

Assim que terminamos de conversar nós já nos preparamos para sair.

Eu levaria apenas minhas armas, comida e algumas frutas de Kojo, deixando o resto em Fargath.

Assim eu saí viajando com Umbaku.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.