A nova vida de Annabeth Chase- HIATUS
19 Capítulo 32
Notas iniciais
Annabeth conferiu sua roupa no espelho mais uma vez, e embora Piper já tivesse dito-lhe mil vezes que estava bem vestida, a loira ainda tinha suas dúvidas. Geralmente, ela não ligava muito para roupas, mas hoje era diferente. O tema escolhido para a morte de Annabeth fora “morrer fazendo um monumento que dure séculos”, por isso escolhera se vestir como uma arquiteta. Usava uma calça pantalona azul, com estampas. Usava também uma blusa branca acinturada e blazer azul. Além disso, detinha de saltos altos pretos,um colar prata com a palavra hope gravada, brincos pequenos e delicados de pérola e um anel. O cabelo estava em um penteado semi preso, o rosto fora contornado com uma leve maquiagem e batom vermelho. Parecia com uma versão loira e mais nova de sua mãe.
Saindo da frente do espelho, ela pegou o presente de Thalia – Um All Star com a estampa de um dos discos do Green Day – e se dirigiu para a sala de estar, esperando pelo telefonema de Piper, sua carona para a festa.
— Uau! — Atena se impressionou. Pinte meu cabelo de loiro, me faça andar novamente e rejuvenesça-me em algumas dezenas de anos e serei você. Somos quase iguais, filha.
“Eu não odeio os Jackson’s”, pensou a loira.
— Pois é, mamãe. — Annabeth disse. Ultimamente, vinha tentando reconquistar a confiança de Atena,por isso a chamava carinhosamente de “mamãe”.
— Afrodite vai te dar uma carona?
— Foi o que Piper disse-me.
— Bom, use o cinto de segurança, ela não dirigia muito bem na adolescência.
Às vezes, Annabeth se esquecia de que a mãe e diversos outros pais de seus amigos estudaram na mesma escola.
— Usarei.
Fez-se um minuto de silêncio até que a Chase mais velha o quebrasse.
— Não volte tarde, ficarei esperando acordada.
— Ok.
O telefone da loira vibrou, era uma mensagem de Piper dizendo que estava na rua do prédio de Annabeth.
— Já é hora de descer. Tchau, Mãe. — Despediu-se.
— Tchau. Não se esqueça de curtir a festa, mas tome cuidado com os exageros, não quero filha bêbada e muito menos grávida.
— Vou curtir, mas não voltarei como nenhuma dessas duas coisas.
Caminhou até a mãe, que lhe beijou a testa. Após isso, despediu-se mais uma vez e saiu rapidamente de casa, com o presente sob o braço. Entrou no elevador, esperou para que parasse no andar térreo e saiu apressadamente. Em um segundo, o carro de Afrodite estacionou. Annabeth abriu a porta traseira e sentou-se no banco de couro.
Exteriormente, parecia-se com o carro de qualquer pessoa sã mentalmente, mas interiormente era uma zona. Roupas emboladas e sacolas de lojas de grife estavam espalhadas pelo banco traseiro, bem como uma maleta enorme de maquiagem que deixaria qualquer um com inveja. Piper estava escondida atrás de uma pilha de roupas.
— Oi, Annie. — Cumprimentou. — Não repare na bagunça, a culpa é de Drew.
Drew, a meia irmã metida de Piper, estava mexendo em seu celular no banco do passageiro.
— Pelo menos estou bonita, ao contrário de você. — Resmungou a garota.
— Meninas, sem briga! — Afrodite disse, sem sua habitual voz suave. — Ou então abandono vocês duas em algum beco de Nova Iorque. Oi, Annabeth, desculpe por essas duas mal educadas.
— Não é nada que eu nunca tenha visto, Senhora.
Afrodite assustou-se, desviando sua atenção do trânsito.
— Senhora? Eu pareço ser sua avó?
— De modo algum.
— Então me chame de Afrodite.
Algum carro buzinou e ela retomou a atenção.
— Annie, você está fabulosa. — Elogiou Piper.
— Quem me dera, Pipes. Queria estar pelo menos metade do quão maravilhosa você está vestindo esse pijama. Sério,tenha dó das meras mortais.
Piper sorriu, mas Annabeth tinha que admitir que a amiga estivesse belíssima. Piper nunca precisara de maquiagem ou roupas caras para que ficasse bonita, conseguia tal feito até, literalmente, vestindo blusa branca com a estampa da Hello Kitty e o shorts de bolinhas brancas no tecido preto que complementava o pijama. O sinal abriu e a mãe de Piper acelerou o carro. Annabeth sentiu uma vontade imensa de ligar para a mãe e perguntar como a mulher tinha conseguido uma carteira de motorista. Ela fazia zigues-zagues, mudava de faixas sem pensar duas vezes e recebia buzinadas por todos os lados. Terrível era o adjetivo que a definia no trânsito.
— Acho que a maioria das pessoas vai de pijama na festa. — Piper falou. — A maioria quer morrer dormindo. Só espero que Jason não olhe para as garotas. — Ele seria um tonto se olhasse.
— Bom, digo o mesmo sobre o Percy.
Continuamos a conversar por todo o percurso.
* * *
A casa dos Grace — pelo menos do lado exterior — estava incrivelmente silenciosa e normal, não parecia que quase todo o colégio estava lá dentro. Jason havia dito que era uma festa surpresa para Thalia, mas à essa altura Annabeth já imaginara que alguém havia contado para sua amiga sobre a festa.
Ela, Drew e Piper desceram do carro ao mesmo tempo em que Silena e Charles Beckendorf chegaram caminhando.
— Olá, garotas. — Cumprimentou Silena, que estava vestindo um longo vestido branco. — Será que somos as primeiras a chegar à festa?
— Silena. — Cumprimentou Piper, abraçando a outra meia-irmã. — Jason me disse por mensagem que quase metade dos convidados já estavam aqui.
— Uau, quem diria que esses animais que chamamos de colegas de classe sabem calar a boca. — Drew disse, gesticulando com as mãos.
— E quem diria que minha irmãzinha usaria um vestido de prostituta. — Silena disse. — Francamente, você está muito vulgar. Quer morrer como?
— Sendo uma diva.
— Bom, isso não me parece uma roupa de diva. Pelo o que eu saiba, divas se vestem com classe, e não com um micro vestido vermelho com um mega decote.
Drew corou, vermelha como um pimentão, estava claramente irritada.
— Os caras gostam disso. — Rebateu.
— Na verdade, a maioria não gosta. — Charles se pronunciou pela primeira vez. — Garotas como Silena, Piper, Annabeth, Hazel, Reyna e até mesmo Rachel são bem mais valorizadas. Pelo menos entre os caras bons, sabe? Os não-safados.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Drew saiu batendo os pés e tocou a campainha da casa.
Após um segundo, Jason abriu a porta. Mais que imediatamente, Piper os amigos caminharam até a porta também.
— Olá, Drew. — Disse ele. — Seja bem-vinda. Onde está Piper?
Drew deu um beijo na bochecha de Jason, recebendo um olhar ameaçador de Piper.
— Aquela sem graça da sua namorada? Está ali atrás. Sinceramente, gato, você tem o ouro e o latão em suas mãos, por que insiste em escolher o latão?
— Talvez porque o latão saiba usar o cérebro. — Piper disse, com os braços cruzados, em seguida correu até onde estava Jason e depositou um beijo em seus lábios. — Sentiu minha falta?
— Não imagina o quanto. — Disse o loiro, sorrindo.
Annabeth, Silena e Charles passaram rapidamente pelo casal para não fazerem papel de vela.Ao contrário da calma do lado exterior da casa, o lado de dentro estava uma bagunça total. Vários alunos e outros amigos dos Grace mais jovens estavam distribuídos por todos os cantos, não havia lugar no sofá, no chão ou nas paredes para se escorar. Annabeth vasculhou o ambiente em busca de Percy, mas não o encontrou. Ao invés disso, avistou Rachel conversando com um cara de cabelos loiros claríssimos. Resolveu caminhar até eles.
— Oi. —Cumprimentou
O cara loiro de expressão amarga saiu, deixando Annabeth no vácuo.
— Obrigada. — Agradeceu Rachel. — Aquele cara estava me enchendo o saco com seus assuntos babacas.
— Por nada. — Disse Annabeth, sorrindo. Lembrou-se de quando Rachel se trancara no banheiro após ter visto ela e Percy se beijando, a situação parecia ter ocorrido anos atrás.
— Onde está Percy? — Indagou a ruiva, com brilho nos olhos.
— Ainda não o encontrei, na verdade.
Tão momentaneamente quando surgira, o brilho do olhar desapareceu.
— E então, qual é a dessa roupa? — A outra indagou.
— Ah, eu quero morrer construído um monumento que dure séculos.
— Não era melhor ter vindo vestida de estátua da liberdade?
— Infelizmente, não estava muito criativa. E você?
— Morrer fazendo o que eu gosto, que é pintar.
E, realmente, toda a roupa de Rachel estava manchada de tinta. Além disso, ela usava uma boina.
Alguém gritou o nome de Annabeth, e sua cabeça girou instantaneamente. Era Percy, usando o uniforme do Aquaman, mas era Percy.
Ele correu até Annabeth, e após cumprimentar Rachel, abraçou a loira com avidez.
— Você está linda. — Elogiou.
— Tirando esse uniforme, você também. — Disse, sorrindo.
Rachel, que antes estivera ali, havia saído sem que ninguém percebesse.
O casal estava conversando quando Jason gritou para que todos se escondessem, Thalia estava chegando.
Todas as luzes foram apagadas, as vozes foram caladas e todos se esconderam em algum lugar seguro. Ouviu-se o barulho de chaves e um instante depois Thalia entrou na casa. Trancou a porta pelo lado de dentro e quando se virou, todos gritaram em coro:
— Surpresa!
Porém , a reação da morena não foi das melhores. Ela se assustou e caiu no chão, depois gritou uma centena de palavrões.
A maioria dos presentes estava rindo com a cena, mas Thalia estava com aquele olhar “parem de rir ou todos vão morrer sem piedade alguma”.
Realmente, a garota não gostava de surpresas.
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