A new beginning.
1 E que comece o ano letivo.
Estava em um sono tranquilo até o relógio despertar praticamente na matina. Como sempre, levei a mão até o mesmo assim o desligando e sentei na cama esfregando os olhos ainda com certo ar de sonolência. Só de pensar que hoje seria um dia meio depressivo, minha vontade de sair da cama se reduzia a zero.
Prazer, meu nome é Dawn. E hoje, dia 02 de Fevereiro, vou começar meu ano letivo em uma faculdade totalmente nova. Isso é ruim, pelo menos pra mim. O ponto positivo é que a turma parece ser nova, o que significa que ninguém se conhece. E também o local era totalmente novo, afinal, a inauguração foi ontem. E nem pra isso eu estava feliz, por isso não fui. Era ridículo pensar em ver um monte de pessoas e adolescentes felizes, reunidos para uma inauguração de faculdade onde os alunos eram trancafiados e só voltariam para suas casas final do ano. Sim, era aquele tipo de faculdade na qual se tem dormitórios para os alunos.
Levantei da cama quase me arrastando e fui ao banheiro fazer minhas higienes pessoais. Logo, sai do mesmo para vestir o uniforme. Uma saia na cor preta na qual achei meio sem graça, e uma camisa branca que era acompanhada de um casaco da mesma cor da saia, e por fim, uma gravata vermelha. Fui em frente ao espelho ver como havia ficado e fiz uma careta não gostando muito do resultado, mas não queria ser chata, por isso dei os ombros em um suspiro longo e fui escovar meu cabelo.
– DAWN, DESÇA LOGO OU VAI SE ATRASAR! – Gritou minha mãe lá da cozinha.
Revirei um pouco os olhos em tom de ironia, como se estivesse com muita vontade de ir pra faculdade. Borrifei o perfume em meu pescoço e logo o coloquei na mala, junto com as outras roupas e objetos pessoais que eu teria de levar junto comigo. Levantei o olhar para o quarto vendo se eu não esquecera nada, e logo levantei-me do chão, peguei a alça da mala e desci.
“Vou sentir saudades, quarto.”
Deixei minha mala no canto da porta e sentei-me em volta da mesa para tomar café. Preparei minha xícara do jeito que eu gostava e peguei algumas bolachas para acompanhar.
– Pegou tudo o que devia? – Perguntou minha mãe enquanto terminava de arrumar a pia.
– Sim.
– E os papéis de matrícula?
– Também.
– Sabe que tem que falar com a diretora antes de qualquer coisa, não é?
– Eu sei sim mãe, não precisa se preocupar, já conversamos sobre isso ontem.
– Desculpe, Dawn. Sabe como eu fico emotiva com essas coisas..
– É, eu sei. Mas ligarei toda a semana e qualquer coisa a senhora me visita, certo? Então, sem problemas.
– Que emoção, ver minha garotinha partir assim, lembre-se que estou orgulhosa.
Suspirei e sorri para ela. Era minha mãe afinal. Talvez, nem todas as mães fossem assim tão emotivas, ou dramáticas, mas, mãe é mãe.
Depois de alguns minutos, com o café já tomado, olhei uma ultima vez para a minha casa. Já não seria mais meu aconchego até o final do ano, e isso me deixava um pouco nervosa. Estar longe do meu canto, onde eu estaria segura sempre me deixava um pouco amedrontada. Porém, sabia que teria que ser forte e superar aquilo, então, entrei no carro para começasse uma nova vida dentro daquela a qual seria minha nova casa agora.
Os minutos dentro do carro foram silenciosos. Passamos por ruas que estavam vazias, coisa que só era possível naquela hora da matina. A paisagem era a de sempre, a cidade sempre fora grande naquela região da avenida principal, e seus prédios invadiam a natureza por ali, juntamente com ruas, casas, e algumas pistas para bicicletas. Havia algumas pontes que serviam para atravessar os pequenos rios que ainda existiam. Pessoas caminhavam pelas calçadas, com certeza as que gostavam de acordar cedo e andar pela tranquilidade que as ruas exaltavam naquela manhã.
Passou-se o tempo e logo em vista já dava para ver o grande prédio da faculdade. Era meio afastado da cidade. Uma placa indicava o caminho a seguir, mostrando o nome da faculdade e a quantidade de quilômetros que o carro deveria andar para chegar. Não demorou muito e lá estava o estacionamento do local. Tinha alguns carros já parados, o que devia indicar que alguns alunos já haviam chegado.
– Aqui estamos... Vai mesmo ficar bem? Não quer que a mamãe entre junto?
– Mãe, está tudo bem, eu consigo fazer isso sozinha. – Dei um pequeno sorriso a ela, não tentando demonstrar o ar de nervosismo que eu sentia naquele momento.
– Então está bem... Irei te ligar assim que puder, e qualquer coisa já sabe, meu telefone...
– Sempre está à disposição, qualquer hora em que eu precisar. Acho que já ouvi essa frase umas mil vezes...
Ela sorriu e me deu um longo abraço que duraram alguns minutos. Naquele momento, foi reconfortante, pois eu sabia que minha mãe sempre me protegeria de tudo e todos, mas agora, eu estaria sozinha em um lugar totalmente desconhecido para mim.
– Eu te amo, mãe...
– Eu também te amo, Dawn. Se cuide, ouviu?
– Claro.
Suspirei e olhei para ela uma ultima vez antes de sair do carro. Por fim, abri a porta e no banco de trás peguei minha mala. Acenei para minha mãe enquanto ela dirigia para fora do estacionamento. Quando o carro saiu do meu ponto de visão, olhei para a porta de entrada da faculdade e entrei.
***
Lá dentro o ambiente era bem diferente. Pra começar o guarda da porta de entrada revisou todas as minhas coisas em busca de drogas, armas, bebidas alcoólicas e coisas do tipo. Como se eu me envolvesse com essas coisas. Mas como sempre tem adolescentes de cabeça virada, então não duvido de nada. Após essa revisão ele me deu bom dia e me desejou boas vindas e bom começo de ano letivo. Agradeci, e segui pelo corredor e de cara vi vários quadros pendurados na parede. Alguns com certificados de "faculdade renomada" e outros com fotos de professores e coordenadores. Não ia perder meu tempo vendo aquilo então segui em frente.
Já tinham alunos andando por ali, mas já dava para imaginar que aquilo ia lotar logo, logo. Deparei-me com um tipo de hall e nele havia várias portas pra diversos corredores, e me vi perdida naquele espaço.
– Porque fazerem uma coisa tão complicada...
– É um tipo de organização minha jovem. E também se o local tivesse apenas um só corredor, como todos os alunos iam passar quando estivessem em alguma situação mais crítica?
Virei rapidamente para trás. A mulher a qual havia dirigido à palavra a mim estava parada de mãos para trás, me olhando por cima dos óculos. Era alta, com porte sério, e devia ter aproximadamente 50 anos.
– E-Eu... desculpe...
– Não se preocupe senhorita, é o que todos os alunos falam quando chegam. – Ela riu brincando e logo foi seguindo a um corredor.
Fiquei parada olhando para a mesma até que ela parou de andar e mirou-me de novo
– Venha! Vou mostrar onde ficam os quartos, garanto que sua mala deve estar pesada.
Olhei para os lados e vi que não tinha escolha, afinal eu não queria ficar perdida ali. Então passei a seguir aquela mulher, silenciosamente, enquanto olhava para os lados tentando gravar o caminho caso me perdesse.
– Qual seu nome senhorita?
– Dawn... muito prazer.
– Ah sim, o prazer é todo meu. Pode me chamar de senhora Yamamoto. Sou a diretora desse centro de ensino.
– D-Diretora!?
– Ah sim, algum problema?
– N-Não! É que... nunca pensei que encontraria a diretora logo assim de cara...
– E não ia encontrar mesmo. Só sai da sala para buscar um papel importante, porém vi a senhorita perdida no meio do caminho.
– É que... bom...
– Mas sem problemas. Chegamos.
Olhei para frente e havia dois corredores. Eram muitos quartos e eram separados em ala masculina e ala feminina.
– Você pode escolher o quarto que quiser por enquanto. Os papeis com as placas dos nomes de cada aluno já estão sendo providenciadas, e quando tiver em mãos, coloque-a no espaço ao lado da porta, assim cada quarto será identificado depois.
– Ah, certo...
– E como deve saber, lendo as fichas de regras entregadas quando cada pai veio fazer a matricula, serão hospedadas duas garotas em cada quarto. E não é permitido de maneira alguma que meninos entrem em quartos de meninas e vice versa.
“Regras? Minha mãe não me entregou nada disso. Ótimo, se eu fizer algo errado sem saber estarei encrencada.”
– E por último, nada de algazarras ou brigas, não serão permitidos infantilidades por aqui.
– Sim senhora...
– Bem, a deixarei se hospedar. Fique a vontade. E quando bater o sinal, entre para a sala para que as aulas comessem.
– Sim, senhora Yamamoto.
– Ótimo. Alguma pergunta a mais?
– Não senhora... D-DIGO! Minha mãe pediu para entregar-lhe esses papeis de matricula... – Peguei os devidos papéis e entreguei nas mãos dela.
Ela analisou os papéis ali mesmo, lendo-os por cima dos óculos. Pergunto-me o porquê disso. Se ela usa óculos, porque não os usa de maneira adequada?
– Ah sim, os papéis que pedi sobre os alunos. Muito bem, mais alguma coisa?
– Não senhora.
– Então até mais ver senhorita Dawn.
– Até...
A vi saindo do local, ainda analisando os papéis. Depois que a mesma saiu totalmente, olhei para aquele enorme corredor. Agora teria a função de escolher um quarto e me adaptar a aquele lugar. E ainda por cima dividir o quarto com sei lá quem fosse.
Suspirei e fui indo, olhando cada porta. Não era tão difícil escolher já que todos os quartos eram exatamente iguais. Então, fui até a última porta do último quarto e entrei. Pelo menos ali não teria tantas “vizinhas” me incomodando. Eu não era daquelas que gostava se se enturmar muito, então o local serviria para mim. Entrei no quarto e vi duas camas arrumadas com um lençol e um travesseiro. Escolhi a do canto em que a parede do lado dava para o nada. Então para marcar meu lugar, tirei da mala meu ursinho de pelúcia e o coloquei na cabeceira.
Podem achar que sou infantil, mas durmo sim com um ursinho, é meu único conforto a noite. Obviamente ali seria também. Sentei na cama, e olhei ao meio de ambas onde tinha uma porta. Era um banheiro. Pergunto-me o quanto de água e luz vão gastar com tudo isso.
Olhei pra frente e vi um guarda roupa enorme. Eu não fazia questão, qualquer coisa guardava na mala mesmo... Espero que a minha colega de quarto não seja tão chata a ponto de brigar para dividir as coisas.
Depois de analisar todo o quarto, suspirei e deitei-me na cama olhando para o teto. Agora, eu teria que encarar o que estava por vir. Algo desconhecido. Medo? É, naquele momento eu estava com medo sim, mas sabia que teria que encara-lo, porque as coisas só estavam começando.
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