A new beginning.
3 As 5 perguntas.
Notas iniciais
Virei minha cabeça em direção da janela para respirar fundo e tentar relaxar nesses 5 segundos que eu teria antes de me juntar com Shinji. Sabia que teria que ter uma paciência do tamanho de um bonde antes que eu surtasse com as grosserias do mesmo.
Logo após meu pequeno descanso, retomei minha visão para frente e senti um olhar me penetrando de maneira incomodativa. Olhei para a direção de onde vinha o incomodo e pude perceber que ele estava me olhando de modo frio. Retribui o olhar, e assim ficamos por alguns minutos até ouvi-lo bufar, com certeza não gostando muito do fato de ter que se juntar a mim para fazer o trabalho.
– O que está esperando? Que a carteira crie pernas? – Falou com tom grosseiro, como sempre.
– Ora, você quer tudo de mão dada? Seria mais fácil você vir até aqui!
– Se eu soubesse que teria que me juntar a uma garota patética teria vindo mais cedo e pegado outro lugar.
– Não é minha culpa se você é tão irresponsável.
– Não fale asneiras como se soubesse de tudo, garotinha irritante.
Bufei. Já é a segunda vez que ele me chama de “garotinha irritante” sem ao menos me conhecer. Esse cara é um completo imbecil.
– Algum problema aqui pra vocês ainda não terem se juntado?
Olhei para frente e ali estava o professor, de pé, olhando para mim e para Shinji, tentando descobrir o motivo da discussão.
– Ele não quer se juntar.
– Ela não quer fazer o favor de arrastar um pouco da mesa até aqui. Deve ser preguiçosa ou fraca demais pra isso.
– E você é tão grosseiro e estúpido a ponto de não saber falar sem ter que cortar as pessoas toda hora!
– E você acha que me importo com o que diz? – Deu os ombros sem se importar com nada.
– Vejo que vocês dois terão um sério problema de convivência. – O professor suspirou e puxou a minha mesa e depois um pouco da de Shinji, fazendo as duas se encostarem. – Pronto. Não foi tão difícil, foi?
Resmunguei baixinho enquanto o professor saia para olhar como estavam os outros trabalhos.
– É MISTY!
Olhei para frente e ali estavam Misty e Ash, tentando aprender a conviver. Tentando.
– Ah desculpa aí, é que eu estava distraído quando você falou...
– Eu já falei meu nome mais de mil vezes! Será que é tão difícil gravar?
– Pode deixar que agora eu gravo.
– Acho bom! E agora, temos que fazer perguntas um para o outro.
– E que tipo de pergunta você quer fazer para mim?
– As mais fáceis e que as respostas sejam apenas um sim ou um não. Assim você responde de maneira clara e eu não preciso ter que soletrar o que você escreve.
– Minha letra não é tão feia...
– Não? – Ela pegou o papel e posicionou-o na frente do rosto. – Ash Ket... Ketcha... Ketchv...
– Qualé! Está brincando!
– Só consegui ler porque já sabia seu sobrenome! Sua letra é um garrancho!
– E queria que fosse como? Frufru igual a sua?
– Frufru?
– É, toda ajeitadinha e com coisinha de menina.
– Deve ser porque EU SOU menina.
– E eu sou menino, se minha letra é um garrancho não tenho culpa.
– Ah claro, até porque isso é uma desculpa para você ter a letra desse jeito né.
Eu ri um pouco daquilo. Era engraçado como os dois conviviam. Eu acho que preferiria mil vezes sentar com o Ash do que com o Shinji. Falando nele...
– Então... Quem começa?
– Quem começa o que?
– A perguntar.
Ele revirou os olhos.
– Tanto faz, quanto mais cedo terminar essa atividade idiota melhor.
– Tá bom...
Respirei fundo e fiquei pensativa por um momento. Teria que pensar em boas perguntas e lidar com ele não ia ser moleza. Abri meu caderno e fui anotando as que eu achava que seriam boas para eu estudar depois e apresentar para a classe o que aprendi com aquilo tudo.
– São cinco perguntas, não deve ser difícil.
– Ótimo.
– Então... A primeira é... O que faz para se divertir quando está entediado?
– Ficou toda pensativa para formular esse tipo de pergunta? Que patético.
– Só responde, quando mais cedo terminar melhor, você mesmo quem disse.
– Eu fico na minha, longe de pessoas estúpidas.
– Isso não responde muito bem...
– Se divertir é para idiotas.
– Caramba em, tudo pra você é estúpido, idiota ou patético?
– Olha só, uma vez na vida você pensou de modo inteligente.
Fiz certa careta irritada e me concentrei no caderno, anotando o que o mesmo dissera como resposta.
– Segunda pergunta. Porque se acha superior a todos?
Ele riu com certa ironia.
– Todos são patéticos. Um bom exemplo disso é esse tal de Ash. Se eu não me achasse superior a ele, eu seria um tolo.
– Nem todas as pessoas são assim...
– E se elas forem assim como você então o mundo estará perdido.
“Esse cara não deve ter amigos. Isso é um fato.”
– Vamos passar pra outra pergunta... Porque decidiu estudar aqui?
– Eu não decidi nada.
– Então... ?
– Vim porque minha mãe quis.
– E ela tem algum motivo pra isso?
– Talvez porque me queira longe.
“Eu não duvido disso. Se ele é grosso com todos, deve ser com a mãe também.”
– Quarta pergunta. Já teve alguma relação de amizade ou de outro modo, com alguma pessoa?
– Amigos pra que? Não preciso de amigos.
– Todo mundo precisa de amigos!
– Eu não faço parte desse “todo mundo”. Quando menos se espera eles viram as costas pra você e te traem. Viver sozinho é melhor.
– Isso não é verdade! Você está errado!
– Não preciso da sua opinião. Termina logo.
– Não dá pra acreditar numa coisa dessas... Tá, quinta pergunta. Você já pensou em mudar seu jeito, ser menos grosso ou algo assim?
– Fala sério, essas perguntas são tão...
– Responde e acaba!
Ele revirou os olhos novamente.
– Não, e nunca vou mudar, goste você ou não.
Soltei um pequeno suspiro e anotei as ultimas palavras que precisava. Através daquilo, teria que formar alguma coisa, e depois falar o que aprendi. Sinceramente não aprendi quase nada.
Em seguida foi à vez dele de fazer as perguntas. Fiquei meio apreensiva com aquilo, e também com certa ansiosidade, querendo saber que tipo de pergunta ele faria.
– Vamos logo com isso. Porque sempre quer ter razão e ser meter em tudo? – Perguntou o mesmo enquanto fazia anotações no caderno.
– O que? Isso não é pergunta!
– Depois daquelas que você me fez vale tudo.
– Você é um... – Bufei. — Você me vê assim. Eu não sou desse tipo, não mesmo!
– Você quem sabe. – Ele anotou a minha resposta, enquanto eu tentava achar paciência para aguentar aquilo. – Você sempre foi irritante assim?
– Sério mesmo que vai ser perguntas desse tipo!?
– O objetivo da atividade é aprender sobre você.
– Não com perguntas desse tipo!
– Responde logo e acaba.
– Ugh! Eu não sou irritante!
– No meu ponto de vista é bastante. – Ele sorriu com sarcasmo.
– No seu ponto de vista todos são.
– Você ganha de todos, de lavada. Qual seu objetivo depois daqui?
– Seu... ugh. Meu objetivo? Nossa, até que enfim uma pergunta coerente.
– Então responde logo.
– Eu quero me formar e... Bem, eu não decidi o que quero ser no futuro...
– Era de se esperar de você.
– O que quis dizer com isso?
– Despreparada pra vida.
– Eu só não me decidi ainda!
– Próxima pergunta. Se dissessem para se definir em uma palavra o que seria?
– Me surpreende uma pergunta assim vinda de um sabe tudo. – Falei com certa ironia.
– Vai logo, está tomando meu tempo.
– Hum... Acho que confiança.
Eu não falei nada após a risadinha sarcástica que ele deu quando respondi, senão com certeza seria motivo para discussão novamente.
– Ultima pergunta e você sai de perto de mim.
– Como se eu quisesse ficar aqui!
– Qual sua cor favorita?
– Que? – Segurei a risada. — Você? Fazendo uma pergunta assim?
– É pra terminar logo essa atividade patética.
– Ou falta de criatividade.
– Pense como quiser, só responda e volte pro seu lugar.
– Azul. – Levantei-me e puxei a carteira para o canto novamente.
Ele anotou e puxou a carteira para o lado ao qual estava seu lugar. Depois daquilo, não trocamos mais nenhuma palavra.
Após mais algumas aulas, o sinal soou, indicando o termino. Alguns minutos depois já seria o almoço, e fiquei feliz por aquilo afinal minha barriga já estava roncando. Fora a aula de sociologia, teve inglês, matemática e japonês, matéria a qual achei estranho ter na grade, mas era legal então eu não me opus a isso.
– Dawn! – Chamou Misty, que estava na porta me esperando.
– Já estou indo! – Arrumei minhas coisas e logo fui de encontro a ela.
– Estou com fome, será que o almoço demora muito?
– Acho que não. – Respondi olhando no celular para ver as horas.
– E como foi a atividade? Se deu bem com Shinji?
– Foi um horror, a única coisa que aprendi é que ele realmente quer ficar longe das pessoas e que vai ser um grosso pra sempre. E você?
– Nossa, então ele é pior do que imaginei... Eu? Bem, digamos que o Ash não é Einstein, e muito menos sábio. E a letra dele, parecia um monte de rabiscos que uma criança de 5 anos escreveu.
Ri um pouco com o comentário da mesma.
– Deve ter sido um horror também. Porém não tanto quanto Shinji.
– É...
Estávamos nos encaminhando para o nosso quarto, porém quando entramos no corredor feminino, trombamos com outras duas meninas. Não eram desconhecidas... Eram May e Sakura. Ambas estudavam na mesma sala que a gente.
– Nossa, desculpa... – Falei juntando meus materiais que caíram no chão com a trombada.
– A gente não viu vocês vindo... – Misty falou me ajudando a juntar as coisas.
– Então tratem de comprar um óculos! – May falou em tom arrogante.
– Cada gentinha que aparece por aqui... – Sakura falou revirando os olhos.
– Vamos Sakura, melhor deixar essas novatas pra lá.
– Certo.
– Esperem! Quem vocês acham que são pra falarem assim? – Levantei e olhei pras mesmas.
– A gente pediu desculpa! –Misty falou logo atrás.
– A gente não é surda queridinha.
– E se estivéssemos nos seus lugares, sairíamos quietinhas sem discussão. – Sakura riu.
– Porém não estão! E não precisam ser tão nojentas assim sabiam? – Misty falou em tom sério.
– Nojentas? Olha aqui ferrugem, tá pensando que é quem? – May virou-se pra ela.
– Certas pessoas não valem absolutamente nada...
– Falou a avatar. – Sakura riu novamente.
– ESCUTEM AQUI.
– Ui, ela se irritou.
– May, estou com medo, o que faremos? – Sakura ironizou a frase.
– VOCÊS SÃO TÃO RIDÍCULAS! – Misty gritou também.
– O que acontece com essas mocinhas aqui?
Eu conhecia aquela voz. Quando cheguei, foi a mesma voz que me mostrou tudo na escola. Ah não, era a diretora. E uma de suas regras era... Não brigar ou discutir no corredor. Ótimo. Só faltava eu ser expulsa logo no primeiro dia.
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