A mulher do meu destino

22 No one ever said it would be this hard


Notas iniciais
* No one ever said it would be this hard = Ninguém disse que seria tão difícil. - trecho da música "The Scientist" da banda Coldplay Olá!! Mais um capítulo! Obrigada pelos comentários!! São minha inspiração!! Tenho um aviso para dar. Muito provavelmente eu demore mais para postar. Minha aulas começaram e vou ficar mais atarefada no trabalho também, sendo assim, vou ficar com menos tempo para escrever. Mas prometo não demorar muito, no máximo uma semana. Se os capítulos ficarem prontos antes, eu posto logo. Ok?

Semanas depois já estávamos seguindo nossas rotinas. Uma manhã Thor me procurou.

— Irmão tenho um pedido para lhe fazer — falou com uma expressão sombria.

— Sou todo ouvidos. Ajudarei no que for possível — tentei parecer o mais solícito o possível.

Vinha me esforçando ao máximo para parecer redimido e arrependido. Eu ainda queria o trono de Asgard e faria de tudo para consegui-lo. Parecer o “bom irmão conselheiro” não estava sendo fácil. A espera por minha oportunidade de governar definitivamente Asgard estava sendo longa demais.

— Eu preciso ir a Midgard ver Jane — começou a falar com aquele seu jeito apaixonado. — Sendo assim, preciso que fique no meu lugar. Que cuide de tudo e tome as decisões necessárias em meu lugar — revelou. — Espero poder contar com sua ajuda — o tom pareceu levemente receoso.

Fiquei surpreso. Thor iria pela primeira vez confiar a mim, voluntariamente, o poder sobre Asgard. Quase deixei escapar um sorriso vitorioso. Seria a oportunidade perfeita para demonstrar a minha “mudança”.

— Claro que posso cuidar de tudo — abri um sorriso tímido, tentando conter minha empolgação. — Você sabe que sei administrar Asgard — lembrei-o.

— Lembre-se de que se tentar me trair, não terei piedade — alertou-me. — Nem Aredhel poderá lhe salvar. Pense nela, que é sua esposa e confia tanto em você.

— Já que não confia em mim, acredite, pelo menos, em meu trabalho — rebati. — Sabes muito bem que eu soube conduzir divinamente o governo de Asgard depois que Odin entrou em seu sono — afirmei convicto.

— É exatamente em suas habilidades de governança que estou depositando minha confiança — encarou-me visivelmente desconfiado.

— Garanto que não se arrependerá — falei calmamente.

— Assim espero — retrucou.



No dia seguinte, Thor me entregou a Gungnir de Odin. Mal podia conter a excitação. Aredhel, Sif, Fandral e Volstagg estavam lá nesse momento, tinham ido se despedir de Thor. Todos, com exceção de Aredhel, me olhavam de soslaio, claramente desconfiados.

— Diga a Jane que mandei um abraço — disse Aredhel para Thor e lhe deu um abraço.

— Direi, pequena... — ele sorriu de volta.

— Não se preocupe, ficaremos de olho em seu irmãozinho — Volstagg soou sarcástico.

— Se não confia nele, então confie no que eu digo — interferiu Aredhel. — Ele não o decepcionará — declarou austera.

— Obrigado a todos. Até breve — respondeu Thor se encaminhando para a Bifrost.



Mais tarde naquele dia eu estava sentado no trono com o pensamento distante, quando Aredhel entrou.

— Então — deu seu característico sorriso cínico —, como é estar novamente sentado neste trono? — cruzou as mãos à frente do corpo e me encarou.

— Igual — dei de ombros. — Ele continua não sendo meu. A única diferença é que dessa vez não estou fingindo ser outra pessoa. Bom... Não muito... — disse ironicamente.

— Sei — ela riu de leve. — Esse seu jeitinho conformado nunca me enganou. Pense que, pelo menos, isso o aproxima de seu objetivo — fez uma pausa com um semblante pensativo. — Acho que sei algo que poderá acelerar essa sua escalada ao poder — lançou-me um sorriso cínico e se aproximou.

— Continue — pedi curioso.

— Você já pensou na possibilidade de devolver a Casket para Asgard? — perguntou arqueando uma sobrancelha com um brilho malicioso no olhar.

— E por que eu faria isso? — inclinei-me na direção dela e estreitei os olhos.

— Bom, acredito que Thor ficaria impressionado com sua atitude — começou a falar de um jeito displicente. — Diria até orgulhoso — fez um floreio com as mãos. — Você não precisa dela. E ela ficando em Asgard, logo estaria sob seu comando, assim que virasse rei — explicou.

A astúcia de Aredhel às vezes me surpreendia. Lembrei-me dos livros de Midgard que ela me deu para ler. A sua maioria eram de estratégia e domínio. Eu tinha que admitir, os Midgardians eram mais espertos do que eu imaginava. Eu os subestimei demais. Poderiam ser bem menos inteligentes e mais atrasados, mas alguns deles eram dotados de uma perspicácia superior aos dos demais, que os tornavam levemente interessantes.

— Bom... — dei um pigarro. — Talvez dê certo — concordei pensativo. — Thor é bobo o suficiente para não enxergar as reais intenções por trás deste ato — não contive a ironia.

— Não devia falar assim dele — ralhou. — Ele é seu irmão e ama você. Quer confiar em você — meneou a cabeça.

— Eu sei Aredhel — deixei escapar um suspiro impaciente.

Por mais que eu tivesse “mudado” meu comportamento, meu relacionamento com Thor não voltara ser o que era antes. Aredhel esforçava para nos aproximarmos, mas, na verdade, eu duvidava que um dia voltaríamos a ser como éramos quando mais jovens.

— Mesmo não tendo tido a intenção — ela prossegui —, fiquei feliz de você ajudar seu irmão. Ele sofre muito por viver distante de Jane — comentou.

— Ele sofre porque quer — bufei. — No lugar dele eu já a teria trazido à força.

— Ah! — espantou-se. — Então se fosse eu na Terra, você teria me trazido a força? — perguntou meio rindo.

— Aredhel... Você não faz ideia do quanto eu queria tomá-la para mim... — ri. — Eu nunca lhe contei, mas antes de lhe trazerem de volta, eu já estava planejando seu sequestro. Eu já tinha decidido, iria até seu mundo trazê-la de volta. Você seria minha. Custasse o que custasse — confessei.

Aredhel fitou-me surpresa.

— Custasse o que custasse? — repetiu. — O que você quer dizer com isso? — perguntou estreitando os olhos.

— Você sabe — falei calmamente e ela continuou me encarando aturdida. — Faria tudo. Não importaria se você se oporia ou não... Se ainda me amava ou me esquecera... Querendo ou não, eu a teria — fui sincero. — Como seu povo diz... Os fins justificariam os meios — sorri.

Ela ficou boquiaberta, visivelmente chocada.

— Você me conhece — aproximei meu rosto do dela. — Desistiria de minha alma por você.

Ela engoliu em seco, deu um suspiro e depois ficou meio pensativa.

— Então — falou repentinamente —, vai entregar a Casket?

— Vou — revirei os olhos. — Tomara que seu plano dê certo. Vamos esperar Thor retornar.





Nos dias seguintes estive bem ocupado, mas, ainda assim, notei certa mudança no comportamento de Aredhel. Ela andava sombria e melancólica. Ao entrar no quarto uma noite a encontrei sentada na varanda olhando para o céu com um semblante triste.

— Quando você vai me dizer porque anda tão distante? — surpreendi-a.

Aredhel virou-se de supetão e forçou um sorriso para mim.

— Eu não estou distante, estou bem — respondeu desviando o olhar do meu.

Aproximei-me dela e ergui seu rosto fazendo-a me encarar.

— Aredhel, você mente tão mal — meneei a cabeça. — O que anda lhe deixando tão triste?

— Meu aniversário... — murmurou — Ele está chegando... — revelou tristonha.

— Humm. Costume dos Midgardians — fiz um muxoxo. — E quando será?

— Sexta-feira — disse cabisbaixa.

— Mas vocês não costumam comemorar? Não entendo sua tristeza.

— Vou fazer vinte e nove anos — bufou meio contrariada.

— E qual é o problema? — perguntei meio impaciente com aquele mistério todo.

— Só agora percebi uma coisa — ela parou e me olhou. — Eu vou envelhecer mais rápido que você — franziu o cenho. — Agora já não sei se quero viver muito — deu de ombros e riu nervosamente.

— Isso não importa. E não fale besteiras — retruquei irritado e abracei-a.

Ela ficou quieta e pensativa. Eu, por outro lado, fiquei angustiado.

— Eu vou continuar te amando — sussurrei ao seu ouvido —, mesmo velhinha — beijei sua fronte.





Chegara o dia do aniversário de Aredhel. Levantei-me cedo e saí para procurar algumas flores para Aredhel. Colhi as que eu sabia que Aredhel gostava, como jasmim e rosas e fiz um grande buquê. Também aproveitei para lhe presentear com outras que só existiam em Asgard. Ordenei que preparassem um café da manhã especial e levassem para o quarto.

Aredhel ainda estava dormindo quando retornei dos preparativos. O café já esperava em uma mesinha. Sentei-me na cama e acariciei seu rosto.

— Aredhel, acorde... — chamei-a baixinho.

Ela acordou meio sonolenta, mas logo me deu um sorriso.

— Bom dia amor — murmurou se espreguiçando.

— Feliz aniversário — falei em meio a um sorriso e entreguei as flores.

Ela abriu um largo sorriso. Radiante como o sol. Pegou as flores e as cheirou, toda corada.

— Obrigada Loki... São lindas... — murmurou envolvendo o buquê como se o abraçasse.

Sentamos para tomar café juntos. Ela também adorou essa parte da surpresa. Fiquei feliz de vê-la tão animada e diferente do que estava nos dias anteriores. Era bom poder esquecer da efemeridade dela, mesmo que fosse por um dia.

Infelizmente, terminado o café, passei o resto do dia sem vê-la, pois estava muito atarefado. À noite, quando finalmente poderia reencontrá-la, ela já estava dormindo. Senti-me meio culpado por passar esse dia, tão especial para ela, longe. Prometi a mim mesmo recompensá-la depois.

Passei o resto dos dias, até o retorno de Thor, extremamente ocupado. Acabei deixando de lado tanto Aredhel quanto minhas visitas à biblioteca. A arrumação dos livros ficou suspensa mais uma vez, assim como a busca pela longevidade de Aredhel.





Duas semanas depois de partir, Thor retornou. Conforme o combinado eu entreguei a Casket a ele. Thor recebeu a relíquia de forma animada, chegou a me dar um abraço, todo orgulhoso de meu ato. Isso me deu a certeza de que eu avançava mais rumo a minha meta: a conquista do trono.

Após seu retorno, Thor me deu um dia de folga. Como estava em dívida com Aredhel pelo aniversário, aproveitei a ocasião para compensá-la. Pensei em levá-la para passear na floresta próxima ao palácio. Ela já vinha montando a cavalo regularmente, mas só no local de treinamento dos cavalos, então imaginei que era hora dela ganhar mais confiança e constatar o que aprendera.

— Que tal um passeio na floresta? — sugeri. — Quero ver como está montando e o quanto evoluiu.

— Ah! Eu adoraria! — respondeu toda sorridente.

Fomos até o estábulo e pegamos os cavalos. Saímos despreocupadamente trotando pela floresta. Aredhel, mais uma vez, estava encantada com a paisagem. Ela pouco saía do palácio. Vivia estudando e treinando muito.

Aos poucos fomos aumentando a velocidade e ela demonstrava dominar bem o animal. Cheguei a ficar surpreso ao vê-la correndo em zigue-zague por entre as árvores, sem perder a postura. Mais do que parecer à vontade, ela parecia livre e feliz.

Ao final do passeio, na saída da floresta, paramos por um tempo à sombra de uma árvore frondosa.

— Estou muito orgulhoso de você — disse com sinceridade. — Antes era toda medrosa, tinha medo dos animais. Agora já corre — comentei empolgado.

— Eu disse que ia me esforçar — falou orgulhosa. — Aprendi a gostar da sensação de liberdade que sinto quando estou montando. Além disso, eu amo velocidade.

— Por falar nisso... Você já corre muito bem Aredhel. Que tal apostarmos uma corrida até o estábulo? — sugeri.

— Não é justo — fez uma careta. — Você já monta a mais tempo que eu. Muito mais tempo — deu ênfase a palavra “tempo”. — Vai ganhar com certeza — fez um muxoxo.

— Eu lhe dou uma pequena vantagem... Alguns segundos...

— Sendo assim, o que vamos apostar? — questionou esfuziante.

— Um desejo. Quem perder terá que fazer o que o outro pedir — dei um sorriso provocativo.

— Qualquer coisa? — perguntou com um brilho cínico no olhar.

— Qualquer coisa! — confirmei.

— Certo! Então está apostado! — sorriu maliciosamente.

Alinhamo-nos e Aredhel partiu na frente. Segundos depois eu disparei em seu encalço. Ela seguia bem a minha frente, mas aos poucos a vantagem foi sendo reduzida, até que, alguns metros antes de uma ponte, eu a ultrapassei com facilidade.

Eu já estava quase chegando aos estábulos quando ouvi um cavalo relinchar, seguido de um baque surdo e o barulho de algo caindo na água. Olhei para trás e vi o cavalo de Aredhel sozinho na ponte.

Senti uma pontada no peito e um calafrio percorrer minha espinha. Rapidamente presumi que ela caíra no rio. Aquilo não estava acontecendo. Dei meia-volta e cavalguei desesperadamente em direção da ponte. Repetia mentalmente para mim “Que ela esteja bem”, tentando conter meu desespero. Eu não poderia perdê-la.

Notas finais
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