A mulher do meu destino

64 Le coeur sans peur Peut coire de l'espoir Meme s'il fait noir


Notas iniciais
Le coeur sans peur Peut coire de l'espoir Meme s'il fait noir = O coração, tão puro que vê a esperança renascendo mesmo quando o tempo está tão escuro. - trecho da música Dans la nuit da Sarah Brightman. Olá meninas.. Mais uma vez quase que o capítulo não sai.. Foi árduo escrever essa semana.. Eu estou em semana de prova e ando tão cansada.. u_u Além disso fiquei tão triste escrevendo esse capítulo que parei várias vezes.. Sentia uma saudade, um desespero e parava.. Motivo? Sei lá... o.o Obrigada a todos os comentários!! São meu balsamo quando acho que não vou conseguir escrever... Obrigado especial a FabiAzevedo que recomendou a fic!! XD Amo recomendações!! Sobre o capítulo.. Bemmmmm Temos algumas surpresas e, a pedidos, uma "noite" muito esperada... Palavra-chave "algemas". hehehehe 160 mil palavras!!! o/ Boa leitura..

Os três guerreiros me acompanharam até o salão do trono. Lá Aredhel se juntou a nós para ouvir o que eles tinham a dizer sobre a missão.

— Meu rei... — começou Fandral. — Nós seguimos as fugitivas até a outra Midgard, mas chegando lá perdemos o rastro delas. Tudo o que conseguimos descobrir naquele lugar foi que elas estão de certa forma envolvidas com o povo de lá e com Thanos — revelou.

— Disso nós, infelizmente, já sabemos. Depois de vocês partiram aconteceram muitas coisas — olhei para Aredhel e ela fitou o chão. — Descobrimos que Thor estava sendo controlado por Thanos e que foi ele quem facilitou a fuga de Lorelei, além de entregar a elas o Tesseract e o Aether — expliquei resumidamente.

— Thor? Por Odin... — murmurou Hogun, visivelmente espantado.

— E o que houve com ele? — perguntou Volstagg preocupado. — Está preso? Ainda está sob o controle dele?

— Ele está bem, Volstagg — falou Aredhel. — Loki e Thor lutaram e — olhou-me de soslaio —, depois de desmaiar, Thor recobrou a consciência. Foi ele mesmo que contou qual era o plano inicial. Ele foi mandado para roubar as Joias, ajudar na fuga e matar Loki.

— E onde ele está agora? — Fandral interpelou.

Aredhel me olhou e depois olhou para os guerreiros.

— Ele está na Terra — começou Aredhel. — Bem… Como vocês já sabem, o tempo passa de maneira diferente nas duas realidades… Um bom tempo já se passou aqui. Thor e Jane se casaram já tem quase um mês e ela espera um filho. Ele convidou vocês para o casamento, mas como vocês estavam em missão, não conseguimos avisar.

— Mas que boa nova! — riu Volstagg. — Thor casou! E já espera um herdeiro! Essa diferença na passagem de tempo é espantosa. Lá mal passamos algumas horas — comentou.

— E Sif? Onde ela está? — perguntou Aredhel.

— Sif resolveu ficar — disse Hogun. — Ela não quer descansar enquanto não pegar Lorelei.

— Bem, eu contava com o retorno de Sif também, mas não poderemos esperar que ela retorne. Tenho outra missão para vocês — fui direto.

Comecei a explicar para os três o meu plano de me passar por James e conseguir descobrir o que planejam na outra Midgard.

— Então aquele gentil midgardian ficará em seu lugar, meu rei? Cuidado. Podemos preferir que ele fique de vez em seu lugar. Vai que a rainha o prefira também — ironizou Fandral.

— Eu também irei pra a outra Terra — cortou Aredhel.

— Mas eles não podem desconfiar? A rainha deixar Asgard e ir junto com o amigo, assim sem um motivo aparente? — questionou Hogun.

Aredhel me olhou e eu desviei o olhar.

— Tem algumas coisas que vocês precisam saber sobre aquela noite — murmurou Aredhel com um semblante triste.

A rainha contou brevemente que durante a luta que ela tentou interferir e acabou machucada, mas não entrou em detalhes. Fandral olhava de mim para ela meio desconfiado. Ela frisou que como Thanos sabia da luta usaria a desculpa de eu tê-la machucado para voltar para a casa dos pais e investigar a participação deles. Fandral, Hogun e Volstagg pareceram ficar surpresos ao saber da participação da família dela no ocorrido. Tentaram disfarçar, mas olhavam para ela com pesar.

Depois da longa conversa, todos se retiraram. No fim da tarde Fandral voltou a me procurar.

— Loki, o que aconteceu naquela noite? — indagou me fitando desconfiado. Sabia que ele não tinha engolido a história narrada por Aredhel.

— Aconteceu o que minha esposa contou — falei secamente.

— Loki, os servos não falam em outra coisa se não que a rainha morreu e voltou à vida — rebateu rispidamente. — Há uma espécia de aura de mistério e medo quando se fala daquela noite. Os servos pareceram muito nervosos quando toquei no assunto. Eles estão assombrados com algo. Afinal que história é essa? Thor está mesmo em Midgard? Eu não engoli essa história de que ela só saiu machucada e que Thor despertou...

— Eu a matei! — rosnei e ele olhou chocado. — Era isso que queria saber? Eu matei a minha mulher naquela noite! — confessei exasperado.

— C-como assim, você a matou? — indagou pasmo.

— Logo quando soou o alarme, fui buscar Thor e o encontrei a beijando. Avancei sobre Thor e, no meio da luta, ela tentou evitar que eu o matasse — cerrei os olhos e assisti tudo se repetir em minha memória. — Eu a joguei contra um espelho do quarto de Thor e depois quase a matei estrangulada — minha voz falhou. — Por fim ataquei Thor com a Gungnir e ele desmaiou. Foi nesse momento que ele recobrou a memória, mas eu o ataquei novamente antes que ele pudesse explicar algo. Aredhel se teletransportou para frente de Thor e eu a matei!

Fandral ouviu tudo boquiaberto. Parecia confuso e perplexo ao mesmo tempo.

— Pelos deuses… — murmurou aturdido. — Mas… Como ela está viva? Como ela voltou à vida?

Eu me sentei no trono e suspirei. Reviver aquela noite sempre me deixava esgotado.

— Acredito que foi Hela que a trouxe de volta — revelei. — Durante os preparativos do funeral da rainha, Hela foi se despedir da mãe e de repente Aredhel voltou à vida. Ainda não sei ao certo como isso aconteceu. Tentei fazer Hela repetir o feito, mas não conseguiu — fui sincero. — Thor contou para todos no palácio que Aredhel havia sido morta durante a fuga das duas e que ela voltara à vida por milagre — dei um suspiro triste. — Não tem um dia que eu não recorde daquela noite. Eu nunca vou me perdoar pelo que fiz — confessei.

— Entendo... — meneou a cabeça e ficou em silêncio por um tempo.

— Não comente que sabe da verdade com Aredhel. Ela não gosta de falar sobre isso — comentei entristecido.

— Não se preocupe, não falarei nada à rainha — o olhar dele era de pena. — E vamos manter a versão de Thor. Ninguém saberá o que aconteceu. Tem a minha palavra, meu rei — afirmou em seguida se retirou.

Dias depois chegou o aniversário de Aredhel. Eu no início não entendia o motivo dos midgardians comemoraram essas datas, afinal, para mim, era como comemorar sua proximidade da morte. Mas depois do ocorrido com Aredhel eu comecei a ver o real significado disso. Era mais um ano que a pessoa passava em convívio de seus entes queridos. Dessa vez o aniversário de Aredhel, mais do que nunca, era especial para mim, pois se não fosse por Hela, eu não teria nada o que comemorar. Era mais um ano que tinha Aredhel ao meu lado.

Como de costume as crianças fizeram uma surpresa no café da manhã. Presentearam-na com flores e um bolo. Aredhel ficou emocionada com o carinho de todos, chegou a chorar. Eu mesmo preparei uma surpresa para minha esposa. Segui a sugestão de James e tirei o dia para levá-la para um passeio, somente ela e eu. Ele me sugeriu que fizesse um piquenique com ela e pacientemente me explicou como fazê-lo. Deixei as crianças aos cuidados de Greta e James, o qual não desgrudava da serviçal. Começava a crer que Aredhel estava certa, ele parecia ter um real interesse por Greta.

Eu desejava que tudo desse certo. Apesar de já fazer anos desde o acontecido, e de Aredhel montar com maestria depois de todos esses anos, ainda não havia esquecido que ela quebrou o tornozelo e quase morreu afogada depois de uma queda de cavalo. Então, para evitar incidentes, resolvi que a levaria comigo em meu cavalo. Queria mostrar a ela uma cachoeira que era isolada, um local que eu visitava quando jovem.

Partimos pela floresta e depois de meia hora cavalgando, chegamos ao local. Aredhel ficou encantada com a beleza de lá. Havia uma pequena cachoeira, com água cristalina, cuja queda d’água formava pequenos arco-íris naquela manhã ensolarada. O ar do local era levemente perfumado pelas flores que tinham ao redor, cujas cores eram de uma suavidade infinita. Era um cenário divino que ficou perfeito aos meus olhos quando vi a mulher que eu amava sentada naquela grama sorrindo para mim.

Sentei-me ao seu lado e lá ficamos conversando à sombra de uma árvore frondosa. No passado passei um ano inteiro apenas conversando com Aredhel. E com o passar do tempo fui gostando cada vez mais de sua companhia. No silêncio duro e frio daquelas masmorras comecei a me apaixonar por aquela flor, que revelou a verdade de meu coração: eu era capaz de amar. Eu não sabia dizer o que mais amava naquela mulher, mas sabia o que mais admirava. Sua esperança. Sempre achei que ter o coração mole era um defeito, uma fraqueza, mas a forma como Aredhel encarava a vida me deixava sem palavras. Apesar de se achar pessimista, ela tinha um coração tão puro que conseguia visualizar a esperança renascendo mesmo em tempos tão escuros. Acredito que foi essa esperança que a fez confiar em mim desde o começo e que, no final, acabou me modificando. Aredhel sempre teve fé de que eu poderia voltar a ser uma pessoa menos amarga e má. E, de fato, foi por amor a ela que eu mudei.

Depois de comermos deitei a cabeça em seu colo e Aredhel começou a cantar uma canção. Ela me fitava nos olhos sorrindo enquanto brincava com as mechas de meu cabelo.

— Et quand dans la nuit tout s'endormit... Je vis les cieux devant mes yeux fermes... Dans le silence... J'avais trouve la verite comme une fleur... Qui ressemble a mon coeur... — cantava.

Aos poucos fui adormecendo. Apesar da tranquilidade do local não tive um sono sereno. Sonhei primeiro com todas as vezes que quase perdi Aredhel. O pesadelo parecia não ter fim. Mas a parte mais assustadora foi quando vi minha mulher e meus filhos mortos. Ao fundo podia ouvir a risada de Thanos. Então, ainda no sonho, peguei a Gem do Tempo e voltei para a noite em que Aredhel fora para a minha realidade. Eu a encontrei na floresta antes de entrar na luz. Ela me olhou surpresa e sorriu para mim, então eu ergui a mão, dei-lhe uma bofetada no rosto e disse “Fique longe da luz roxa sua Midgardian imunda”. Depois lembro de vê-la diante de mim no laboratório da S.H.I.E.L.D, com o rosto e os lábios machucados, me oferecendo ajuda e dizendo ser vidente. E novamente repetia-se a cena dela e de nossos filhos mortos aos meus pés.

Acordei do pesadelo assustado. Já estávamos no início da tarde. Um suor frio descia por minha testa e meu coração batia acelerado. Olhei para o meu lado e a vi dormindo. Passei as mãos pelos cabelos dela, ainda aturdido pelo sonho sombrio. Fiquei pensando no que sonhara e cheguei à conclusão de que realmente seria capaz de fazer aquilo para mantê-la segura e que Aredhel provavelmente faria a mesma coisa do sonho. Ela seria teimosa o suficiente para ir atrás da luz roxa, mesmo que eu me apresentasse como uma ameaça a ela desde o começo. Senti-me grato por não ter os mesmos poderes sensitivos dela e o que sonhei ser apenas o que era: um pesadelo. Eu não deixaria que fizessem nenhum mal a minha esposa e filhos.

Depositei um beijo no rosto de Aredhel e ela acordou. Ela olhou ao redor e depois para o céu.

— Oi amor... — murmurou se espreguiçando. — Acho de dormimos por mais ou menos uma hora — fez uma espécie de ronronado e encostou a cabeça no meu ombro.

— É. Acredito que sim — beijei-lhe o topo.

Ela se levantou e começou a tirar a roupa, ficando apenas com as peças íntimas. Olhou ao redor e pareceu ficar indecisa.

— Pode tirar tudo. Não vem ninguém aqui — falei calmamente.

Aredhel ficou nua, correu para o riacho e mergulhou. Levantei-me, também me despi e mergulhei em seguida. Nadei até ela, abracei-a pelas costas e a levei em direção a algumas pedras onde conseguíamos ficar de pé dentro d'água. Agarrei sua cintura e comecei a beijar a sua nuca e pescoço. Subi uma das mãos e agarrei seu seio. Com a outra mão ainda em sua cintura a apertei contra meu corpo. Ela se virou de frente para mim e beijou-me delicadamente, depois riu e se afastou nadando.

— Aguarde até a noite. Tenho uma surpresa — sorriu maliciosamente.

Aproximei-me novamente dela.

— Minha Aredhel... — dei um beijo em seus lábios. — Vou aguardar ansiosamente... — murmurei.

Ficamos mais um tempo na água apenas trocando beijos e carícias, mas com o tempo eu não conseguia mais me controlar.

— Aredhel, eu não suporto mais... — murmurei a encostando com cuidado, contra uma pedra. — Prometo que terei fôlego para essa noite. Afinal, sou insaciável... — sussurrei aos seus ouvidos.

Aredhel deu um sorriso lascivo e cruzou as pernas em volta de minha cintura. Com uma das mãos eu segurei a cintura dela e com a outra a puxei pela nuca selando meus lábios nos dela. Ela se entregou e desci a mão pelas costas dela. Pressionando o corpo de Aredhel contra a minha mão e a pedra, nós nos amamos.

Passado mais algum tempo nos arrumamos e retornarmos para o palácio. Chegamos logo após o jantar. Encontramos Váli lendo um livro para os irmãos e amigos. Aredhel aproximou-se de Váli e cochichou algo em seu ouvido. Ele olhou para a mãe e meneou a cabeça afirmativamente. A mãe saiu toda sorridente em direção ao nosso quarto. Eu a segui, mas no caminho pedi que levassem o nosso jantar no quarto.

— O que você cochichou com Váli? — perguntei curioso.

— Ah... — deu uma risadinha. — Perguntei a ele se Jimmy estava com a Greta — seu sorriso se alargou.

— Então é verdade. James realmente está interessado na moça?

— Está — afirmou empolgada. — Ele mesmo já havia me dito. Só não sabia se Greta corresponderia.

— Ah, então ele já havia lhe confessado? — sorri de leve. — Melhor assim. Eu sempre pensei que ele tivesse interesse por você. Agora posso ficar aliviado — brinquei.

— Loki! — Aredhel balançou a cabeça negativamente. — Você sabe que ele é como um irmão para mim — ralhou.

— Para você... — lembrei-a. — Eu sempre soube que você não tinha interesse nele. Mas até então eu não tinha certeza dos reais sentimentos dele para com você — alertei.

— Enfim — revirou os olhos. — Agora você já sabe que somos apenas amigos e confidentes. E só isso — falou séria.

— Não fique assim… Não estou acusando ninguém de nada. Eu confio em você, meu amor — abracei-a. — E estou começando a confiar nele — ri.

Jantamos e tomei um banho. Aredhel também se arrumou para ir para a cama. Eu estava deitado lendo um livro quando ela se sentou em minha cintura. Baixei o livro e vi que ela estava com uma roupa íntima diferente. Era uma camisola preta, aberta na frente até a altura dos seios, totalmente transparente e usava uma calcinha também preta que amarrava nas laterais de seus quadris. Abri um largo sorriso. Imediatamente fechei o livro e o joguei na mesinha ao lado da cama. Eu aproximei minhas mãos de suas coxas, mas Aredhel pegou meus pulsos e, em um piscar de olhos, surgiram algemas neles.

— Aredhel! — ri.

— Calado! — ordenou e deu-me uma bofetada. — Hoje eu sou sua dona!

Olhei para ela pasmo, mas, ao mesmo tempo, excitado. Não pude deixar de sorrir. Eu gostava daqueles jogos de dominação e ela sempre soube disso. Dominante e dominado, nossa eterna favorita fantasia sexual. Fazia tempo que ela não tomava o controle da situação e percebi a falta que sentia dessas iniciativas dela quando levei a bofetada. Aredhel pendurou meus pulsos algemados na cama. Deu-me um beijo ardentemente demorado que me deixou sem fôlego. Depois desceu por meu pescoço e peito. Ela sorvia e mordia minha pele, deixando marcas e arranhava as minhas costas e ombros. As algemas estalavam, pois instintivamente minhas mãos ansiavam por tocar nela. Também queria deslizar meus dedos por seu corpo e apertá-la contra mim.

Ela continuou descendo até chegar ao meu membro. Fechei os olhos e um gemido alto percorreu a minha garganta. A habilidade de Aredhel em me dar prazer com seus lábios era inquestionável. Eu perdia totalmente o controle e não conseguia conter meus gemidos. Já estava próximo do ápice quando ela parou e encarou-me. Aredhel sorriu maliciosamente, aproximou os quadris de meu rosto e colocou as pontas dos laços de sua calcinha na minha boca.

— Puxe, meu rei — disse com a voz carregada de malícia.

Puxei rapidamente desamarrando os laços. Ela voltou a descer, posicionou meu membro em sua intimidade e aos poucos foi sentando sobre ele. Soltei alguns gemidos ao sentir meu membro abrindo caminho dentro dela. Minha amada era deliciosamente apertada. Ela começou a cavalgar e debruçou-se sobre meu peito continuando a sugar e mordiscar meu peito e mamilos. Eu grunhia de prazer. Aredhel acelerou os movimentos, gemendo cada vez mais alto e eu me derramei dentro dela. Passado mais alguns segundos ela também chegou ao clímax e desabou arfante sobre meu peito. Ela, ainda muito ofegante, esticou-se um pouco, soltou as algemas de meus pulsos e voltou a desabar sobre meu peito.

Passado algum tempo, após recuperar minha lucidez daquele poço de arrebatamento no qual mergulhei, tirei-a delicadamente de cima de mim. Eu estava feliz, extasiado, todo marcado e arranhado, mas longe de estar satisfeito. Queria mais. Sempre mais. Praticamente arranquei a sua camisola, peguei as algemas e prendi os pulsos dela.

— Agora é a vez de seu rei, minha rainha. Hoje eu vou acabar com você... — sussurrei ao seu ouvido.

— Promessa é dívida! — ela deu uma risada.

Coloquei-a de joelhos na cama de costas para mim e pendurei as algemas em um ponto mais alto da cabeceira da cama. Deslizei minhas mãos por seu corpo e massageei com a palma da mão o bico dos seus seios enquanto eu mordia sua nuca e pescoço. Ela respondeu com gemidos e rebolando seu bumbum contra meu quadril. Como eu amava aquela mulher!

Desci uma das mãos e apertei sua cintura contra mim, colando suas costas em meu peito. Posicionei meu membro em sua intimidade e penetrei-a. Não me contive. Movia-me com violência, desejava possuir Aredhel sofregamente. Queria devorá-la. Podia ouvir os gemidos melodiosos dela enquanto eu gemia desesperadamente em seus ouvidos. Estávamos em sincronia perfeita. Continuei com aquele movimento ávido até me esvaziar nela. Ouvi-a chegar ao seu segundo orgasmo, dando um suspiro fraco e estremecendo inteira. Eu a soltei da cama e a amei por mais duas vezes, até que ela desmaiou em meus braços. Exausto acabei caindo no sono também.

Acordei no dia seguinte, olhei para o lado e Aredhel dormia de costas para mim. Tinha pequenos arranhões em suas costas, os quais não me lembrava de tê-los feito. Ponderei um pouco e me lembrei da pedra grande na qual a encostei na cachoeira. Embora tivesse usado a minha mão para protegê-la, vi que não foi o suficiente. Passei os dedos sobre os arranhões, Aredhel se mexeu um pouco, virando-se para mim. Deixei escapar um assovio. Mais uma vez Aredhel estava coberta de marcas avermelhadas pelo pescoço, colo e seios, mas isso não era o mais surpreendente. O chocante era que Aredhel ainda estava com uma das mãos algemada. Acredito que com o cansaço, esqueci-me de tirá-la. Tirei as algemas do pulso dela e o massageei. Deixei Aredhel dormindo e levantei-me. Ao me olhar no espelho também vi que estava coberto de marcas e tinha alguns arranhões nas costas. Na verdade, dessa vez, eu tinha bem mais marcas que ela. Ri sozinho pensando “Minha Aredhel é tão selvagem quanto eu ou até mais”.

Depois do banho, desci para o café da manhã e encontrei James comendo sozinho. Parecia pensativo e até meio triste.

— Pronto para “cuidar” de Asgard na minha ausência? — ironizei.

— Bom dia, Loki — sorriu de leve. — Como não vou administrar nada de verdade, estou pronto. Já interpretei você três vezes — riu.

— Fato. Só não terá a minha rainha ao seu lado, mas soube que tem uma substituta — brinquei.

— Não é algo tão simples — murmurou amargurado.

— E qual seria o problema? Pensei que sua conversa melosa fizesse as mulheres caírem aos seus pés — provoquei e me sentei.

James bufou e revirou os olhos.

— Eu não uso isso para conseguir mulheres. Só as trato como devem ser tratadas. Sou... — deu um suspiro irritado — ...antiquado.

— Não me leve a mal. Mas é que estou acostumado a ver — ou fazer, pensei — pessoas agirem dessa forma apenas para conseguir vantagens. Adulação sempre foi a melhor arma dos mentirosos.

— Não sei porque essa afirmação soa tão irônica, vindo de você — ele arqueou as sobrancelhas.

— Touché — peguei a indireta.

— Acredito que as mulheres não podem ser tratadas como um pedaço de carne — continuou —, mas com respeito e cortesia, como princesas. Principalmente se for a mulher que você ama.

— Quanto a isso concordo plenamente com você — comecei a me servir.

— E por pensar assim, é que não sei se devo me aproximar de Greta — franziu o cenho.

— Mas se suas intenções são boas, qual o problema?

— Ela não poderia viver comigo lá. Greta é uma de vocês, está acostuma com os costumes daqui e viverá por milhares de anos. Se eu a levasse, o que seria dela depois que eu morresse? E eu não sei se conseguiria viver aqui. Tudo que aprendi é ligado às profissões que existem na Terra. Não sei se teria alguma utilidade aqui. Além do mais, sei que minha volta para meu mundo está complicada no momento, mas ainda tenho esperanças de ter a minha vida de volta — falou entristecido.

— Então a coisa é séria mesmo. Você está realmente interessado em Greta. Eu já havia comentado com Aredhel sobre a dificuldade que vocês teriam em construir um relacionamento, vez que pertencem a mundos diferentes — confessei. — Aredhel e eu demos certo porque ela abriu mão de viver na outra realidade.

— Sim... — meneou a cabeça, pensativo. — Eu gosto dela. Greta é muito inteligente e meiga. Ela adora ler. Conversamos muito sobre a Terra e os costumes de lá. A curiosidade dela lembra um pouco a de Aredhel — riu. — Além do mais, eu acho a acho muito atraente — murmurou com o rosto corando.

— Entendo... Confesso que fiquei aliviado ao saber que não tem interesse em minha esposa — ri.

— Você é ciumento e paranóico — bufou. — Somos apenas amigos. O único lugar no qual eu seria uma ameça ao seu relacionamento é na sua cabeça. Lembre-se disso, Loki… O único inimigo da relação de vocês é você mesmo.

Odiava saber que ele estava certo a esse respeito.

— E Greta lhe corresponde? — mudei de assunto.

— Bem… — voltou a ficar rubro. — Segundo Aredhel, sim — ergueu os ombros.

— Parece que você tem uma importante decisão a tomar — dei de ombros. — Sugiro que espere até essa situação com Thanos terminar. Principalmente se realmente acredita que possa amá-la — alertei.

— É... Eu sei... — deu um longo suspiro.

Até o meio da manhã Aredhel ainda não havia levantado. Fui até o quarto e a encontrei ainda na cama. Sentei-me na beira da cama e acariciei seu rosto.

— Meu amor... Acorde, já é tarde — chamei, sacudindo-a de leve.

Ela piscou os olhos longamente e deu um sorriso fraco.

— Você está bem? — perguntei preocupado.

— Estou... — murmurou sonolenta e se espreguiçou. — Você acabou comigo... Eu precisava desse descanso... — riu.

Dei um beijo em seus lábios e ela em seguida se levantou.

— Hoje vamos fazer algumas mudanças em você e no Jim. Amanhã é o grande dia — comentou enquanto ia para o banheiro.

— Mudanças? — indaguei confuso.

Eu mal podia imaginar o que seriam essas mudanças. Depois do almoço, Aredhel reuniu James e eu em um dos banheiros do palácio e veio com algumas misturas de cheiro forte.

— Hora de mudar o visual de vocês — sorriu.

James pareceu ficar indiferente, apenas sentou-se em uma das cadeiras e esperou calmamente. Aredhel primeiro passou uma das misturas nos cabelos dele e em seguida mandou eu sentar na outra cadeira.

— Afinal o que é isso? — olhei confuso.

— Tintura de cabelo. Vou descolorir os seus cabelos e tingir os de Jimmy — explicou apontando com um pincel largo.

— Não seria mais fácil fazer isso com magia? E por quê eu deveria deixar você descolorir os meus? Não preciso disso para me disfarçar — questionei meio impaciente.

— Primeiramente, achei melhor mudar o visual de vocês da forma tradicional. Tingir cabelos com magia não deu muito certo. Afinal, até hoje a Sif tem cabelos escuros — ela olhou-me com reprovação. — Só vou usar magia para fazer os cabelos do Jimmy crescer. Por segundo… — fez-me sentar na outra cadeira. — Acho melhor você não usar seus poderes. Não sabemos os que pode acontecer lá. Você pode ter que manter sua imagem alterada por muito tempo. Tenho receio que se desconcentre e acabe se revelando. Isso colocaria todo o nosso plano a perder.

— Acho que ela tem razão — murmurou o outro. — E se acidentalmente você desfizer a ilusão?

— Não acho que eu cometeria um erro tão idiota — rebati.

— Não custa nada prevenirmos — Aredhel fez um biquinho. — Não há necessidade de usar seus truques. Vocês são praticamente iguais fisicamente. Só precisamos alterar o cabelo. Vai ser fácil tingir seus cabelos e vou fazê-los crescer novamente — uniu as mãos. — Prometo.

— Acho que você está sendo medrosa demais, mas tanto faz — dei de ombros.

Depois de um tempo com aquela mistura nos cabelos, Aredhel lavou nossos cabelos e cortou os meus. Passou algo estranho e meio gelado e amassou meu cabelo. Olhei no espelho e meu cabelo estava loiro e com pequenas ondulações. Eu estava igual a James. Ela fez uma magia e o cabelo dele, agora preto, foi ficando comprido. Olhei para o ator e ele estava idêntico a mim. Por fim, Aredhel entregou a James um traje igual ao meu e a mim entregou uma roupa de midgardians.

— Pode usar as roupas de Loki enquanto estivermos fora. Vocês vestem o mesmo tamanho — ela sorriu para James.

— E você, Loki, pode usar as minhas — ele se dirigiu a mim. — Se bem que, sei que vocês não demorarão muito por lá.

— Exato — anuí. — Teremos pouco tempo para agir.

Ao sairmos do banheiro Aredhel olhou de mim para o outro com uma expressão confusa.

— Se eu mesma não tivesse mexido nos cabelos de vocês, confesso que perguntaria se já tinham trocado de roupa… — murmurou meio sem jeito.

Seguimos para o salão principal e no caminho nos encontramos com as crianças. Meus filhos nem perceberam a troca. Greta, após cochichar algo com Aredhel, olhou para nós dois e corou. Minha mulher apenas ria da situação.

Pela noite, depois do jantar, reuni-me com Fandral, Heimdall, Hogun, Volstagg e James. Expliquei a eles os últimos detalhes e como o ator fingiria ser eu na minha ausência. Para todos os efeitos ninguém, além deles, Greta e Váli, saberia da troca.

Depois discretamente segui para o nosso quarto. Entrei no quarto e Aredhel já estava na cama lendo um livro. Depois de me trocar sentei-me ao seu lado, acariciei seu rosto e inclinei-me para beijá-la. Ela se afastou e me olhou meio sem jeito.

— O que foi Aredhel? — encarei-a confuso.

— Nada… — corou. — Só preciso me acostumar com a mudança — deu um sorriso fraco.

— Ah... A mudança... — bufei contrariado.

Demorei a perceber que realmente seria meio estranho para Aredhel dormir comigo esta noite. Todos, inclusive ela, olhavam para mim e viam James. Ela fechou o livro e ficou meio pensativa por um tempo.

— Só espero que Greta não se acostume com o visual do Jimmy... — fez um muxoxo.

— Você está com ciúmes da minha aparência? — provoquei enquanto puxava a coberta. — Eu continuo sendo o seu Loki e o James continua sendo ele — dei um beijo em seus lábios.

— Eu sei... — sorriu. — É apenas estranho… — deu de ombros.

Chegara o dia de partir e pôr em prática nosso plano. Na manhã seguinte, ao acordar, Aredhel já estava de pé. Olhei para a sacada e chovia. O céu estava escuro.

— Bom dia, meu amor — beijou-me de um jeito casto.

— Bom dia, Aredhel — murmurei. Não sei se o desconforto dela em me beijar me deixava mais frustrado ou mais feliz.

— Loki... Tenho uma coisa para lhe pedir — sentou-se na cama e me encarou seriamente. — Aconteça o que acontecer você continuará fingindo que é o Jim, certo? Prometa-me que não sairá do personagem por nada. Só o fará quando eu lhe chamar por seu nome. Certo? — foi incisiva.

— Por que isso? Você sonhou com algo? — perguntei desconfiado.

— Sim, Loki… — ela mordeu os lábios perdida em pensamentos. — Mas é meio confuso. O que sei é que tudo vai dar certo se você conseguir se controlar. Lembre-se disso — agarrou a minha mão. — Controle sua raiva e continue fingindo até que eu lhe chame de Loki. Prometa-me — insistiu.

— Está bem... Prometo — concordei meio contrariado.

— Não se preocupe, meu amor — ela se levantou e caminhou até a sacada, olhando para o céu escuro. — Tudo dará certo — balançava a cabeça, pensativa.

Conhecendo Aredhel, eu sabia que isso era mau sinal. Fiquei imaginando o que poderia acontecer para ela me pedir tal coisa. Lembrei-me de meu pesadelo e prometi a mim mesmo que seguiria as instruções de Aredhel para evitar que algo como aquilo acontecesse.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. * NOTA: Tradução do trecho da música que Aredhel canta. "E quando, à noite, todos caíram no sono eu vi os céus em frente aos meus olhos fechados No silêncio Eu encontrei a verdade como uma flor que se assemelha a meu coração." É um trecho da música Dans la nuit (Composição: Frédéric Chopin)