A mulher do meu destino

4 E o que me importa é não estar vencido


Notas iniciais
*E o que me importa é não estar vencido - Trecho da música "Sangue Latino" de Ney Matogrosso. Olá! Mais um capítulo para vocês! Um pouco mais longo! Obrigada pelos comentários. São eles que me estimulam a continuar escrevendo. Já estamos chegando na parte em a narrativa começa a ficar diferente da contada pela Aredhel. Aguardem os próximos capítulos! Boa leitura.

Passado algum tempo, o local todo foi abalado por uma explosão. Presumi que meu plano de ação continuava em andamento. Barton e a sua equipe finalmente vieram me resgatar. Minutos depois eu ouvi o rugir da criatura. Deixei escapar um sorriso de vitória. Tudo estava saindo conforme o planejado.

Um dos soldados que Barton havia recrutado veio abrir a minha cela. Neste mesmo momento Thor chegou. Ele veio correndo em direção a mim. Bom, não exatamente eu. Ele correu em direção à porta da cela e passou através de uma cópia minha e caiu dentro da cela. Eu, que já havia me teletransportado para fora da prisão, o tranquei lá dentro.

— Você nunca vai parar de cair nessa? — perguntei com ironia.

Thor tentou quebrar o vidro da cela com o martelo, mas surpreendentemente o vidro apenas rachou. A jaula ameaçava desabar. Eu comecei a rir.

— Os humanos acham que somos imortais. Deveríamos testar isso? — perguntei a Thor me aproximando do painel de controle da cela.

De repente o soldado que havia me libertado caiu feito uma árvore no chão. Olhei e vi o agente Coulson apontando uma arma estranha para mim. Ele mandou eu me afastar do painel e explicou que a arma era um protótipo criado depois que enviei o Destroyer para Midgard. Como se aquilo fosse me impressionar.

Mal ele sabia que era outra vítima de mais uma ilusão minha. O tolo não sabia de minhas habilidades de teletransporte. Eu o apunhalei com o cetro pelas costas. Thor gritou. Joguei o tal agente contra a parede, um inseto a menos. Segui para o painel de controle e abri a escotilha. Dei uma última olhada em Thor, que me fitava com receio. Aquilo era uma visão muito empolgante. Apertei o botão e a cela caiu da aeronave. Um a menos para me atrapalhar naquele momento. Olhei para baixo vendo a jaula de vidro cair, fechei a escotilha e segui para partir.

— Você vai perder... — falou Coulson agonizando.

— Irei? — perguntei me voltando para ele.

— Está na sua natureza — respondeu.

— Seus heróis são dispersos. Sua fortaleza flutuante está caindo do céu... Onde está a minha desvantagem? — perguntei com ironia.

— Você não tem convicção... — respondeu.

— Eu não acho que eu... — comecei, mas fui interrompido.

Coulson disparou a tal arma contra mim me arremessando através da parede. Levantei-me furioso, mas eu não tinha mais tempo a perder com bobagens e aqueles idiotas. Logo a fortaleza deles cairia. Recuperei meu cetro e segui para embarcar na aeronave que me aguardava e parti com o que sobrara da equipe de Barton. Quanto a ele, deixei-o para trás, não precisava mais dele.





Ao retornamos para a base apressei Selvig para a nossa partida. Fui até um dos corredores e encontrei Aredhel sentada no chão. Estava meio torta, com o braço pendurado e todo esticado. As algemas eram a que mantinham o rosto dela distante do chão. Ela estava dormindo.

Sorri. Eu não podia esconder a minha satisfação de que meu plano havia sido bem-sucedido até aquele momento.

— Aredhel... — murmurei empurrando sua cabeça.

Ela continuou dormindo. Chamei-a pelo nome uma segunda vez e então ela acordou.

— E ai? Como foi? — perguntou meio sonolenta.

— Exatamente como você havia dito e conforme o planejado — respondi sorrindo.

— Será que poderia me soltar ou trocar as algemas de pulso? — fez um careta e ergueu a mão algemada. — Afinal agora nada e nem ninguém conseguirá impedir a abertura do portal — deu um longo suspiro.

Ela não havia mentido. Tinha sido muito útil até aquele momento e não teria como fugir de mim. Não seria problema deixá-la sem as algemas. Retirei as algemas e não pude deixar de notar que haviam feito certo estrago em seu pulso, ele sangrava. Lembrei-me do quanto ela havia me desafiado. Esperava que aquele ferimento servisse de lição a ela por me desafiar. Ela olhou o ferimento por um tempo, puxou a manga do vestido, o cobriu e não falou nada. Isso me surpreendeu, pensei que fosse choramingar.

— Vamos! Tenho um reino para conquistar — peguei-a pelo braço.

Aredhel revirou os olhos e me acompanhou sem reclamações. Seguimos de volta a aeronave. Selvig já havia preparado tudo para nossa partida. O nosso destino era a Torre Stark, como era chamada. O único local capaz de fornecer energia para o equipamento construído por Selvig abrir o portal e que serviria de palco para minha ascensão.





Chegamos ao local e seguimos para o andar onde havia uma sacada externa. Selvig foi para o terraço do edifício para montar o equipamento. Aproveitei para avisar à Aredhel que não saísse daquele andar e, muito menos, tentasse fugir.

— Você me será muito útil quando eu for rei de Midgard. Você disse que nada me impedirá de abrir o portal, certo? — perguntei.

— Sim, seu exército virá e com ele trará a destruição — falou meio contrariada.

Aquilo estava parecendo fácil demais. Depois de tentar me persuadir veementemente, agora ela parecia passiva demais. Isso estava estranho em demasia.

— Então eu mudei o futuro? Ainda me vê derrotado? — perguntei.

— Sim... Você o mudou — murmurou baixando os olhos.

Ela estava mentindo.

— É mesmo? Então o que fiz para mudar o destino? — perguntei encarando-a.

Aredhel ficou calada e eu podia ver o nervosismo em seus olhos. O que ela estava escondendo? Aproximei-me dela e quando ia obrigá-la a falar ouvi um estrondo vindo de fora. Fui para fora ver o que era. Vi que era Iron Man tentando desativar a máquina construída por Selvig. Não pude deixar de sorrir com o fracasso daquele humano idiota.

Iron Man se aproximou e pousou na plataforma que havia na sacada externa. Aos poucos foi retirando sua armadura.

— Por favor... Diga que vai apelar para minha humanidade — falei ironicamente.

— Na verdade planejo ameaçar você — falou Stark e olhou para Aredhel. — Corrigindo... Vocês...

Aredhel ergueu as mãos e parecia querer dizer algo, mas desistiu e voltou a cruzar os braços.

— Se ia fazer isso, era melhor ter ficado com a armadura — retruquei.

— Sei... Mas ela já estava muito rodada, e você está com o bastão do destino — disse enquanto seguia para o bar do local — Quer uma bebida?

— Bajular-me não mudará nada — respondi.

— E você? — olhou para Aredhel e apenas recebeu uma negativa silenciosa.

Stark, mais uma vez, disse que estava me ameaçando. Falei a ele que os Chitauri estavam chegando e que não havia nada que ele pudesse fazer para evitar. Perguntei o que eu tinha a temer.

— Os Avengers — respondeu.

Fiz uma cara de dúvida e de repente Aredhel ficou agitada. Ele explicou que era assim que se autodenominavam, ele e aquele grupinho de heróis, dos quais Thor também fazia parte agora. Falou que eu os havia irritado. Como se isso não fizesse parte de meu plano.

Disse que meu plano havia sido falho, pois eles viriam atrás de mim.

— Eu tenho um exército — falei.

— Nós temos Hulk — retrucou.

— Pensei que a fera tivesse partido — falei calmamente.

— Não é essa a questão. Não há trono. Não há uma versão na qual você ganhe. Talvez seu exército venha e talvez eles sejam demais para nós. Mas iremos atrás de você! Se não pudermos proteger a terra, tenha a certeza de que, pelo menos, a vingaremos! — revidou Stark.

Eu já estava ficando impaciente com aquela conversa toda. Aproximei-me dele.

— Como seus amigos terão tempo para mim, se estarão ocupados lutando contra você? — perguntei o tocando com o cetro.

Não deu certo.

— Oh! — exclamou Aredhel em tom visível de ironia.

Tentei novamente e nada.

— Isso normalmente funciona — fiquei confuso.

— Bem, problemas de desempenho... — ele fez uma careta. — Não são incomuns... — ouvi claramente Aredhel tentando segurar o riso atrás de mim. — Um em cada cinco... — continuou.

Perdi a paciência. Agarrei Stark pelo pescoço e o arremessei ao chão.

— Loki não! Pare! — gritou Aredhel.

— Jarvis, quando quiser — ele murmurou.

Agarrei-o novamente.

— Não faça isso, Loki! — ela pediu.

— Todos você cairão perante mim — encarei-o.

— Acionar! — gemeu Iron Man.

Atirei-o pela janela.

— Não! Tony! — ela gritou e correu para perto da janela.

Olhei para ver a queda dele, mas segundos depois uma coisa saiu voando de dentro do local e passou ao meu lado. Era outra armadura e ele conseguiu vesti-la em pleno ar.

— Graças a Deus! — arfou Aredhel.

Em segundos Iron Man retornou.

— E tem outra pessoa que você irritou! O nome dele era Phil! — gritou Stark.

— Tony, não! — a outra gritou.

Então Stark atirou contra mim. Ouvi um novo estrondo. Era o portal que se abria. O meu exército estava vindo. Aredhel correu para meu lado e ofereceu-me ajuda para levantar.

— Você está bem? — ela franziu o cenho.

Afinal, de que lado estava aquela mulher? Ora defendia aqueles humanos, ora tentava me ajudar.

— Você é louca? — encarei-a incrédulo.

— Eu só estou tentando lhe ajudar... Fazer o que é melhor para você — bufou.

— Não diga besteiras — empurrei a mão que ela oferecia com impaciência.

Levantei-me, fui até a varanda e pude observar a glória de chegada do exército Chitauri. Havia pânico nas ruas, mas minha vitória era certa.

— Loki... Era isso que eu queria evitar... — ouvi Aredhel murmurar observando chocada o caos. — Meu Deus... Isso é real...

Pouco tempo depois chegou Thor. Isso não me surpreendeu, mas não havia nada que ele pudesse fazer para me atrapalhar. Ele já chegou fazendo exigências. Exigiu que eu desligasse o Tesseract ou então ele o destruiria. Destruir? Ele não fazia ideia do que dizia.

— Você não pode. Não há como parar agora. Só há a guerra!

— Que assim seja — Thor me encarou.

Avancei sobre ele e começamos a lutar.

— Vocês dois! Parem com isso! — berrou Aredhel. — Pelo amor de Deus! Vocês são irmãos!

Ignorando as súplicas tolas de Aredhel, prosseguimos nosso embate. Algum tempo depois apareceu uma daquelas aeronaves atirando em mim. Eu os atingi com meu cetro e livrei-me deles. O caos era generalizado. Cada vez chegavam mais Chitauri e a destruição aumentava. Thor voltou a questionar.

— Olhe isto! Olhe ao seu redor! Você acha que essa loucura terminará sob seu comando? — gritou Thor para mim.

— É tarde demais. É tarde demais para parar.

Sentimentalista. Ele veio com aquela velha conversa de lutarmos juntos. Isso era patético. Eu seria rei de Midgard e ele já estava me atrapalhando demais.

— Thor cuidado! — Aredhel tentou alertá-lo em vão.

Golpeei Thor com uma de minhas pequenas adagas. Thor caiu aos meus pés. O sentimentalismo e a ingenuidade de Thor continuavam sendo suas maiores fraquezas.

— Sentimento — sorri.

— Por favor, parem... — implorou a voz irritante feminina.

Thor se levantou furioso, chutou-me e, erguendo-me do chão, arremessou-me. Em seguida resolvi rolar pelo pátio e fugir. Não perderia tempo com Thor. Pulei em uma das aeronaves pequenas dos Chitauri e afastei-me de lá.

Segui na aeronave atacando os humanos e auxiliando os Chitauri em seu combate. Vi os Avengers destruírem uma das gigantes aeronaves Chitauri. Aquele grupinho de heróis já estava esgotando minha parca paciência. Mandei que enviassem o resto do exército. Eu eliminaria todos!

Após algum tempo vi Romanoff em uma das aeronaves Chitauri. Fui em seu encalço e comecei a atacá-la. Não demorou muito tempo para que aquele arqueiro apaixonado viesse em socorro dela. Ele atirou uma flecha em minha direção. Obviamente que consegui pegá-la no ar. Mas fui pego de surpresa quando esta flecha explodiu e lançou-me de volta à torre Stark.

Eu havia acabado de me levantar quando a besta-fera agarrou-me e atirou-me através da janela. Aquilo já era demais! Eu já estava cansado das tentativas daquele grupinho inferior de me intimidar. Ergui-me e o monstro vinha em minha direção.

— Basta! Vocês são todos inferiores a mim! — gritei. — Eu sou um deus, sua criatura tola. E eu não serei intimidado.... — comecei a falar.

Hulk agarrou meu pé e arremessou-me várias vezes ao chão, feito um boneco. Até me jogar uma última vez e deixar-me lá no buraco criado pelo impacto.

— Deus insignificante — rosnou a tal criatura se retirando.

Fiquei por um longo tempo sentindo muita dor. Até que juntei forças para me mexer novamente. Do nada apareceu Aredhel correndo, toda descomposta. Ela se aproximou e estendeu a mão direita para me ajudar novamente. Naquele momento pude ver claramente o pulso machucado dela. Estava pior que antes.

— Eu tentei lhe avisar para seu próprio bem. Eu não queria que você terminasse assim — falou com um semblante triste.

Eu não a entendia! Ela visivelmente estava preocupada com Midgard e os tais heróis. Eu a havia feito minha refém. No entanto, ela se mostrava amigável e preocupada comigo. Parecia realmente sentir pena de mim. Aredhel era uma mulher estranha.

Peguei sua mão. Ela começou a me erguer quando vi atrás dela que toda a tropa havia retornado. Tudo levava a crer que eu havia sido derrotado.

— Se a proposta ainda estiver de pé.... Eu aceitaria aquele drinque... — murmurei em tom de ironia.

— Acho que também vou precisar... — Aredhel disse com a voz fraca.





Nem me deixaram beber o drinque. Levaram Aredhel e eu presos para a fortaleza flutuante da S.H.I.E.L.D. Colocaram-me em uma nova cela e não soube o que fizeram de Aredhel. Na verdade pouco me importava o que fizessem com ela. Só lamentava perder uma “arma” tão poderosa.

Não demorou muito tempo para Thor vir me encher de ameaças e me avisar que seria levado para Asgard, onde seria julgado por Odin. Realmente as coisas não poderiam ter ficado piores.

— Você tem ideia de todo o caos que gerou aqui em Midgard? — rosnou Thor.

— Eu só queria governá-los — respondi calmamente.

Thor bufou.

— Você voltará para Asgard comigo! Lá você será julgado por nossas leis e nosso pai decidirá sobre seu destino! — vociferou Thor.

— Seu pai.... — murmurei impaciente. — Seus amiguinhos Midgardians já, pelo menos, descobriram como utilizar o Tesseract para retornarmos? Ou se esqueceu de que a Bifrost não existe mais? — perguntei com ironia.

— Você não escapará de seu destino. O doutor Banner e Selvig já estão trabalhando nisso. Em breve partiremos e levaremos você e o Tesseract de volta para Asgard! — falou e em seguida se retirou.

— Selvig deveria estar grato por eu ter expandido seus conhecimentos. Sem isso ele levaria uma eternidade para saber mais sobre o Tesseract — comentei ironicamente.

Thor me agarrou pela roupa e ficou me encarando por um tempo, depois se retirou.



Tive que aguardar preso por mais alguns dias. Passado esse tempo, finalmente, Thor veio me buscar. Ele me algemou e veio com uma mordaça em mãos.

— É sério isso? Acha mesmo necessário? — perguntei meio irritado.

— Sim. Para evitar que você continue falando disparates — falou Thor rindo.

Bufei.

— Ah... Ia esquecendo. Sua amiga também irá para Asgard — falou Thor.

— Quem? Aredhel? Por quê? — perguntei.

— Ela não pertence a este reino, então não pode ficar aqui. Assim como você, ela também será julgada por nosso pai — explicou.

— Ela também não pertence a Asgard, mas tanto faz. Só acredito que a sorte dela acabou. A benevolência de Odin é notória — falei ironicamente.

Thor balançou a cabeça em desaprovação.

— Ela ainda tentou lhe defender — revelou.

Dei de ombros, francamente, ela pouco me importava.

— Essa mulher é louca — resmunguei.

Thor me algemou, colocou a mordaça e em seguida nos retiramos.





Chegando ao local de partida Thor foi se despedir dos Avengers. Eu já estava impaciente com toda aquela situação. Apesar de também estar algemada, vi Aredhel toda sociável com um dos Avengers. Estava conversando com Stark e a vi comentar algo a baixa voz com ele. O Iron Man pareceu ficar meio agitado.

— O que você viu? Algo vai me acontecer? E... Eu sou arrogante? — ele arqueou as sobrancelhas.

Trinquei os dentes. Aquela traidora já estava usando suas habilidades novamente. Torci para que também estivesse mentindo para ele, afinal ela era uma manipuladora.

Thor me conduziu até o centro do local pré-definido, Aredhel segurou em uma de minhas mãos. Com a outra mão segurei o receptáculo do Tesseract e Thor segurou a outra ponta. Giramos a chave do Tesseract e finalmente deixamos Midgard. Ao ver Heimdall tive a certeza de que havia retornado a Asgard. Agora teria que enfrentar a fúria de Odin.

Notas finais
E ai? Estão gostando? Deixem seus comentários. Eles é que me motivam a continuar escrevendo.