A menina estranha.
1 Chapter one.
- Como assim Tókio? E a nossa casa? E os nosso amigos? — Eu reclamava com minha mãe, achava que ela estava louca.
- Amaya, por favor entenda, não tem como eu arrumar um emprego e cuidar dessa casa ao mesmo tempo. Essa proposta é nossa única opção!
- Mesmo assim, eu ainda acho uma idiotice nós sairmos da casa do papai. — Cruzei os braços como uma criança teimosa.
- Larga de ser teimosa menina! Seu pai não nos deixou nada, apenas DIVIDAS e mais DIVIDAS!
Eu me calei, não queria discutir, mas minha vontade não muda em questão.
- Arrume suas malas, nosso voo embarca as 10h. — O relógio marcava 09h10min. Minha mãe saiu do quarto para arrumar suas roupas.
Fiz o que ela pediu, mas não por vontade própria, e sim, obrigação.
Me senti confusa, não entendia porquê deveríamos deixar a casa do papai.
- Porquê ele tinha que morrer, porquê? — Eu cai em lágrimas. - Eu só tenho 14 anos! Isso não é justo! — Socava o travesseiro.
Aquele chilique me aliviou um pouco, respirei fundo e fechei minha mala que meu pai dera. Sai e tranquei a porta do quarto, colocando a chave no bolso esquerdo.
- Está pronta Amaya? Vamos sair! — Minha mãe gritou lá de fora.
- Sim mãe. — Andei vagarosamente até o táxi e entrei.
Coloquei meus fones de ouvido e fechei os olhos, não queria ver nossa vida passar diante de meus olhos.
Cheguei a cochilar ao som de G-Dragon, estava tão bom aquele soninho! Até que minha mãe me chacoalhou igual um boneco de posto.
- Acorda Amaya! Chegamos no aeroporto.
- Não faça isso de novo. — Lancei meu olhar 43 e ela riu.
Sra. Masako pagou o taxista e caminhamos até a entrada do aeroporto do Colorado. Mal pisei dentro do lugar e um menino de aparentemente 5 anos, passou com a rodinha da mala no meu pé.
Se não fosse um lugar público eu juro que dava uma voadora nele. Enfim, fingi que não tinha doído e me sentei nas cadeiras para esperar enquanto minha mãe conversava com uma aeromoça.
Olhava em volta, algumas pessoas me olhavam estranho, pois eu usava uma joia antiga da minha mãe, que parecia uma coroa. Ah, que se danem todos!
Jogava em meu celular para passar o tempo. Até que uma voz super irritante disse nos alto-falantes : Atenção! Passageiros do voo 56-RA em destino á Tókio — Japão, o avião vai partir em 5 minutos!
Minha mãe me puxou pelo braço e correu na velocidade da luz até a área de embarque para entregar as passagens. Entramos no avião e sentamos nos lugares marcados. Pra falar a verdade, eu nunca viajei de avião, sentia borboletas no estômago.
Isso passou, quando uma aeromoça loira passou com um carrinho de bolinhos e latas de refrigerantes. Eu rapidamente ataquei a bandeja, sequestrando dois bolinhos de baunilha e uma latinha de Fanta Uva.
Comi em 3 segundos igual uma sem-teto. Minha mãe me olhou com uma cara de : Não conheço essa pessoa, só tou sentada do lado dela.
Eu acabei dormindo grande parte do voo, quando acordei já estavam desembarcando no aeroporto principal de Tókio.
Quando desci, me perguntei porquê estava tão escuro se eram apenas 11h.
- Amaya, aqui está escuro porquê é 23h, e não 11h da manhã. — Aquilo me confundiu, mas fingi que entendi.
Depois me toquei que não precisaria ir a escola pois era de noite. Um sorriso sinistro se abriu em meu rosto e minha mãe me olhou estranho.
Quando pisei fora do aeroporto, vi aquela cidade iluminada, parecia uma árvore de natal. Eu ria quando via um grupo de japoneses andando juntos, não dava para saber quem era mulher (risos).
- Agora, precisamos encontrar seu tio na lanchonete ... éh... — Minha mãe não conseguia ler o nome escrito no papel. — Lê isso aqui Amaya.
- Lanchonete Yapunasa. — Pelo menos foi isso que eu entendi. — Rua Fiziko Namori nº 49. — Ela continuou lendo. — Credo, cada nome engraçado. — Rimos.
Pegamos um ônibus, ou sei lá o que parecia aquilo. As pessoas nos olhavam como se já soubessem que somos estrangeiras. Isso era desconfortável.
Quase gritei ''aleluia'' quando chegamos a tal rua. A lanchonete exalava um cheiro muito bom de hambúrguer e batata frita. Pelo menos alguma coisa americana nesse lugar estranho!
Ouvimos a voz de nosso tio nos chamando para sentar na mesa com ele e sua família. Os cumprimentamos e sentamos.
- Vocês querem pedir alguma coisa? — Ofereceu-nos.
- Eu quero batata frita! Um saquinho bem grande! — Rimos.
- Quero um refrigerante e um X-Salada. — Pediu minha mãe, fresca como sempre.
Logo o garçom nos trouxe o pedido, eu não tenho certeza, mas acho que ele piscou para mim. Mas eu nem liguei, comi minhas batatas como uma esfomeada que nunca viu comida na vida. Os filhos de meu tio riam de tudo que eu fazia.
Conversamos um pouco, quando me dei conta, já era meia-noite.
- Vamos embora, já está tarde e vocês precisam dormir. — Ele disse algumas palavras estranhas, acho que ele disse ''Fechem a conta!'' ou alguma coisa parecida.
Meu tio pagou e nós, á pé mesmo, caminhamos até a casa dele, pois era perto, dizia ele. Não demorou mais que cinco minutos para chegar. A casa era bem simpática.
Estava meio bagunçada por dentro, mas isso não é problema. Eu só penso em que escola eu vou ter que estudar. E o pior, é que eu não sei NADA de japonês, vou precisar de aulas. Mas que droga, não passei nem vinte minutos nessa cidade e já estou irritada.
Meu tio Yavi nos levou até o quarto de hóspedes, com duas camas de solteiro e um guarda-roupa E N O R M E.
Guardei minhas roupas no lado esquerdo e minha mãe no direito. Tomei um banho morno e me deitei, dormindo logo em seguida pois estava muito cansada.
Acordei por volta das 6h da manhã, mas que raios...
- Acorda filha! Temos que ir na escola fazer sua matrícula pra ter tempo de você ir hoje.
''Que merda'' pensei. Não posso nem dormir direito?
Me troquei com má vontade e desci para tomar café. Meu tio e sua família já estavam sentados.
- Que copos engraçados. — Me sentei.
- Moro aqui á 6 anos e ainda acho a mesma coisa. — Disse Naomi, esposa de meu tio.
Minha mãe comeu e ficou me apressando para podermos chegar mais rápido na escola. Eu mal sabia o nome da tal.
Mal comi e minha mãe saiu correndo me puxando pelos cabelos até chegarmos na escola. Era estranho, pois ninguém estava usando uniforme.
Confesso, achei um ou dois carinhas bonitos. Mas acho que eles nem me perceberam. A diretora tinha uma cara engraçada, parecia uma batata amassada (risos).
Minha mãe finalizou a matrícula, eu nem sei como a japa entendeu o que ela dizia, enfim.
Voltamos pra casa, e meu tio me deu algumas aulas sobre o básico do japonês. Ele escrevia algumas frases em um bloco amarelo e as lia em japonês pra mim, depois ele dava a tradução.
- Anata no namae wa nan to iimasu ka?
- Que? — Que língua louca. Jesus.
- Como você se chama? — Ele escreveu.
- Ah, entendi. — Rimos.
No relógio marcava 12h30.
- Amaya! Vá se arrumar pra ir pra escola. — Droga.
Subi as escadas para me trocar, vesti meu ''vestido armadura'' como chamava minha mãe.
Penteei meu cabelo e amarrei dois lacinhos. Calcei minhas botas de couro e desci. Arrumei minha mochila, que só tinha um caderno e um estojo.
Entrar no meio do ano é um saco. Definitivamente. Vou passar vergonha com certeza. Fui a pé á escola, pois minha mãe precisava arrumar um trabalho.
Levei comigo o bloco de notas amarelo que meu tio dera. Como meus olhos são grandes e não fechados iguais os deles, eles sabem que eu sou estrangeira.
Tirei o papel que minha mãe me deu do meu bolso que dizia a sala e o corredor em que eu estava. Subi duas escadas e entrei na sala 05 do corredor 3. Todos pararam o que estavam fazendo e os olhares se direcionaram pra mim.
Ignorei aquela atenção desnecessária e me sentei na última carteira, três garotos vieram na minha direção. ''Mas que raios, não posso ter paz um segundo nessa maldita cidade?'' Pensei furiosa.
- E então gatinha, como você se chama? — O que? eles falavam minha língua?
- Amaya. — Disse seco, nem estava interessada em saber o nome deles.
- O meu é Shitsu, e esses são meus amigos Nassoki e Takoi.
- Como vocês falam a minha língua?
- Ah Ah. Isso é muito simples, essa é uma sala específica criada apenas para alunos americanos. — Sério que eu estudei tudo isso para eles falarem a minha língua? Porra.
Olhei para Shitsu sem querer... Mas... Mas é, o carinha da lanchonete!
- Ei, eu te conheço de algum lugar.
- Da lanchonete? — Em cheio!
- Sim.
- Eu lembro de você, é a menina que pediu o maior saquinho de batatas fritas e comeu sozinha né?
- Batata frita é vida. — Eu sorri.
- O dono da lanchonete considerou aquilo um recorde sabia? Ninguém tinha conseguido comer tudo daquele jeito até agora.
- Recorde por comer? Nossa que legal. — Quem sabe eu posso bater mais recordes como este.
Todos rimos, conversamos até o professor chegar. Os amigos de Shitsu e ele sentavam-se bem ao meu lado.
De vez em quando, faziam piadas e eu ria baixinho. O senhor de óculos saiu para ir ao banheiro e Shitsu puxou a cadeira para se sentar do meu lado e cochichar algo no meu ouvido.
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