A melhor derrota de Son Goten
4 Mais de 8.000
Notas iniciais
TREINAMENTO
Após chacoalhar inúmeras vezes a cabeça tentando apagar da memória aquele sonho pra lá de tosco, Bra desliga o chuveiro, terminando seu banho quente.
Sai do banheiro enrolada numa toalha, abre seu guarda-roupa e passa a vasculhá-lo em busca de alguma roupa que pudesse usar para treinar. Uma vez que ela nunca tivera interesse em lutar, como consequência, sua mãe jamais lhe havia feito um traje de batalha.
Ela apanhou seu uniforme de quando era do time das líderes de torcida no colégio no ano passado. Analisou-o procurando sinais de rasgões, mofo... É. Ainda servia nela. Ia usar.
Quando vestida, admirou-se no espelho sem conter um sorriso. O uniforme era rosa-claro com detalhes em branco. Nas costas, um grande número 1 logo abaixo do nome “Princesa Bra”. Na frente, “Cats from hell” estampado. Aquela roupa caia muito bem nela. Não era a toa que quando desfilava nos corredores da escola vestida assim, os garotos até suspiravam.
Secou o cabelo e o prendeu num coque.
Bra olhou pegou o celular que estava jogado na cama para conferir as horas. 03h34min. Fez um rápido alongamento. Catou um de seus sapatos com um par de meias – calçaria na sala de gravidade mesmo – e saiu do quarto nas pontas dos pés.
Entrou na câmara de gravidade. Trancou a porta da mesma pelo lado de dentro e apertou um interruptor para ligar as luzes. Usou cerca de dois minutos para observar atentamente o espaço que, na verdade, estava pouco familiarizada. Afinal só tinha entrado neste lugar no máximo cinco vezes.
Calçou os sapatos.
Caminhou até ficar frente ao painel de controle, cheio de botões. Apertou o de cor verde e observou as luzes do painel acenderem e algumas piscarem. A menina de cabelos azuis quase caiu para trás. 930.000G mostrava um pequeno visor. Esse devia ser o valor que seu irmão e seu pai treinavam atualmente, certeza. A altura do número foi algo inesperado demais. Foi como tivesse levado um soco no estômago e perdido todo o ar de seus pulmões.
Bateu desespero. Ô desespero.
“Ai, por kamisama... E agora...?!?!”,ela pensava enquanto todo seu corpo tremia. Apesar de ter certeza que o filho de Kakarotto não suportava esse nível, era preciso encarar o fato de que ele não devia estar TÃO abaixo assim. Com certeza ele também já estava na casa dos 100.000. Na real, ela se sentia uma estúpida por tê-lo chamado de fraco ontem. Devia ter olhado para o próprio nariz antes de se meter onde agora estava metida. Infelizmente, como o pai, teimava em aceitar certas realidades.
Voltar para seu quarto, pegar o celular, enviar uma mensagem para a Marron e Pan declarando sua desistência e implorando o cancelamento das apostas era a ideia que passava pela sua cabeça, não negaria.
Não. Ela jamais se humilharia dessa forma. Era orgulhosa demais para tanto, além de ter amor próprio, lógico. Ia dar um jeito. Ia se virar. Quem sabe se se ajoelhasse no milho e fizesse orações à kamisama, ele não lhe fizesse um milagre.
Ela precisava tentar. Se não derrotaria o Goten, então que desse trabalho, que vendesse caro a vitória. Ao menos ganharia respeito...
“Ok. Respira. O primeiro passo é descobrir até onde eu aguento...”, refletiu já pressionando o botão o qual regulava os valores do visor. De 930.000G diminuiu até 200G. Hesitou por um segundo. Diminuiu para 150G. Apertou o botão metálico com alguma determinação e nervosismo. As luzes se tornaram alaranjadas, ela sentiu o ar pesar e, então, pôde sentir uma grande pressão contra o seu corpo, sobretudo, sob sua cabeça, tentando empurra-la para baixo. E, pior, estava quase conseguindo.
Bra cerrou os dentes, os punhos. Todos os músculos de seu corpo se contraiam, tentando mantê-la de pé. Passaram-se 10 minutos. Mantinha-se de pé, porém sequer conseguia se mexer ainda.
“Vamos! Vamos! Um passo! Dê... Um passo só!”,ela gritava em pensamento consigo mesma para se automotivar.
Arrastou o pé direito para frente, depois o pé esquerdo. Os braços flexionados, junto ao peito. Com mãos fechadas fazia tanta força que podia sentir suas unhas começando a rasgar a pele. Pé direito, pé esquerdo. Todavia, arrastar não contava. Levantava perna por perna com imensa dificuldade. As solas dos sapatos em dois segundos alcançavam pesadamente o chão produzindo um baque maciço.
Estipulou que já haviam se passado pelo menos 40 minutos. Bra andou uma distância equivalente a três metros. Escorria filetes de sangue de suas mãos. Decidiu que ia cortar as unhas e nunca mais ia deixá-las crescer, além de furtar uma das luvas de seu irmão, é claro.
A garota de cabelos azuis perdeu a noção do tempo. Não tinha ideia de quanto tempo estava ali na câmara de gravidade, mas era possível ver seu progresso. Já conseguia andar, mesmo que ainda meio devagar e incerta, com medo de tropeçar, cair e não ter forças para se levantar novamente.
– Boys call you sexy, and you don't care what they say. You see everytime you turn around they screaming my name. Boys call you sexy, and you don't care what they say…You see everytime you turn around they screaming my name*... – cantava na tentativa de ignorar a dor pulsante a qual tomava cada vez mais conta de seu corpo.
*recorte da letra da música When I grow up, the pussycat dolls.
Ela parou de cantar quando sentiu um ki familiar se aproximando. Era o do seu irmão. “Ai. Não posso deixar ele me ver quase morrendo com míseros 150G. Depressa! Depressa!”, pensou reunindo forças para acelerar sua caminhada. “Sim! Sim! Quase lá...”.
Alcançou o painel de controle. Desligou-o certificando-se que o registro da gravidade usado por ela não fosse salvo e acabasse por aparecer quando outra pessoa ligasse a máquina.
Bra se sentiu flutuar assim que aquela pressão toda se desfez. Toda suada, respirava rápida e profundamente, todos os músculos do corpo gritavam. Dor. Dor. Muita dor. Era como se tivesse levado uma surra. Quando Trunks abriu a porta e entrou na sala, a garota fez um esforço descomunal para disfarçar seu esgotamento. Enxugou o suor do rosto com a gola do uniforme e controlou sua respiração, permitindo-se ficar com a boca discretamente entreaberta. Além de esconder atrás de si as mãos com sangue ressecado.
– Ora, ora... Você por aqui, hein – Trunks disse com um tom irônico. – E pelo seu estado, vejo que já anda treinando há um tempo. Então, quantas Gs está usando?
– Não é da sua conta! – A menina de olhos azuis falou irritada. – O que quer?!
– Tá. Tá. É que já são 08:00h, não quer tomar café-da-manhã?! Nossos pais e avós estão estranhando não terem ouvido sua voz “cantante” ainda.
Já eram 08:00h da manhã do primeiro dos três dias.
– Sim. Vou querer comer algo, sim – Bra comentou indo de encontro ao irmão e estranhando a enorme facilidade com a qual conseguia se mover no momento. Ao menos, progredir, ela progrediu um pouquinho. – Mas pretendo voltar!
– Imagino que sim. É bom você falar com o papai para comunicar o aluguel da câmara de gravidade. Provavelmente ele vai ficar bastante aborrecido de não poder usar esse lugar o dia todo. Vai usá-la o dia todo, né? – O rapaz de cabelo lilás advertiu seguindo a irmã e fechando a porta da sala de treinamento atrás de si.
– Sim. E nos próximos 3 dias – Bra discorreu sem olhar para o irmão.
– Entendo. É bom mesmo você dar todo o gás que puder nesses treinos, pois embora não queira me dizer quanto de gravidade você aguenta, eu sinto-me no dever de avisar que o Goten suporta mais de 8.000G...
– Ver-verdade? – A garota Briefs até engoliu em seco.
– Espera. Eu disse 8.000? Quis dizer um pouco mais de 800.000 – Trunks riu da cara da irmã. Os olhos dela se arregalaram.
– É mentira sua! – Bra retrucou, mesmo seu coração dizendo que lógica e infelizmente não era.
– Ah. Não é não. É muito verdade – O rapaz declarou com um tom sincero, mesmo sorrindo. – Mas calma. Já lutei milhares de vezes contra ele. Conheço todos os golpes dele. Quem sabe eu possa te ajudar...
Bra sabia que mesmo sabendo dos golpes, não teria muita chance, pois Goten era muito mais forte, rápido, ágil e experiente. Porém ela era mais inteligente e toda ajuda era bem vinda para a criação de estratégias.
– Vai me ajudar mesmo?
– Claro. Sou seu irmão mais velho, não sou?
– Quero a verdade – Bra parou de andar — os dois já estavam na sala de estar do casarão – e olhou seriamente para o irmão.
– Nada demais. Só imagino que se você ganhar dele, posso zoar muito – Trunks deu um enorme sorriso. – Farei ele jamais esquecer dessa.
– Ham. Que belo amigo você é...
– Meninos, venham logo antes que o mal-educado do pai de vocês coma tudo sozinho!! – Os dois Briefs ouviram Bulma gritar da cozinha.
– Então... – O rapaz mais velho olhou para a irmã.
– Aceito a ajuda – Bra proferiu por fim.
– Excelente escolha. Agora vamos comer e depois podemos reiniciar seu treinamento. Estou de folga do serviço da empresa por hoje. Hehe.
Ou seja, seu irmão mais velho só poderia lhe ajudar hoje. Nos outros dois dias estaria sozinha outra vez. Bem... Melhor que nada.
Enfim, os dois meio-sayajin seguiram até a agitada cozinha.
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