A marca

1 A marca


Notas iniciais
Ei, pessoal! Cá estou com mais uma oneshot. Dessa vez, o par é Reyna e Annabeth! Espero muito que gostem e deixem seus comentários. #oneshot #Reynabeth Betado pela Srta With! Flor, brigadão! Boa leitura!

A marca

Annabeth estava inquieta. Dali a algumas horas, Reyna, Nico e o treinador Hedge partiriam com a estátua gigante de Atena. A loira não queria admitir, mas estava preocupada com a pretora.

Quer dizer, ela sabia que Reyna era durona, e estava extremamente agradecida pelo fato da outra ter acreditado nela. A pretora arriscou muito cruzando o Atlântico até as terras antigas. Seu cargo, deserção, traição. Reyna poderia ser acusada disso tudo pelos romanos, e seria acusada caso fosse pega por Octavian.

Agora, tanto gregos como romanos poderiam encará-la com hostilidade. E aquilo, além de preocupar a loira, estava a deixando confusa.

“Por que Reyna se arriscara a tal ponto?”, era a pergunta que não saía da cabeça da filha de Atena. E não havia algo mais frustrante para Annabeth do que não saber a resposta de algo. Ela sabia que havia algo na atitude de Reyna além de desespero e vontade de unir os dois acampamentos.

Decidida, a loira saiu dos seus aposentos no Argo II e dirigiu-se até os de Reyna. Ela imaginava que talvez a pretora estivesse dormindo, e não queria incomodar. Mas, se ela não perguntasse Reyna agora, talvez ela nunca mais tivesse a chance.

Annabeth bateu à porta e esperou. A voz forte de Reyna a mandou entrar. A loira viu a expressão de Reyna suavizar ao perceber que era ela e não um outro tripulante do Argo II.

– Achei que estivesse dormindo. – Annabeth tentou puxar assunto. – Descansar para sua viagem.

– Não consegui dormir muito. – Reyna respondeu, encarando a loira seriamente. Seus olhos continuavam vermelhos por conta do choro.

– Pesadelos? – Annabeth aproveitou e se sentou ao lado da morena na cama.

– Alguns. Típico de semideuses. – Reyna lhe disse. – O que quer, Annabeth? Você não viria aqui só para me perguntar sobre minha insônia.

Annabeth riu. Reyna era extremamente perspicaz. Era mais uma das qualidades que ela admirava na romana.

– Por que atendeu ao meu chamado? – A loira decidiu ser direta. Um silêncio longo se apoderou delas e os olhos castanhos de Reyna de repente se cansaram de encarar os cinzentos da filha de Atena.

– Pelo bem dos acampamentos. – Annabeth sabia que aquela resposta fora ensaiada. Talvez Reyna tivesse ideia de que seria questionada. A loira aguardou em silencio até ter algo a dizer.

– O treinador Hedge me contou sobre seu pégaso, Cipião. – Annabeth viu o olhar de Reyna ganhar um tom triste.

– Você foi muito brava. – Annabeth continuou, diante o silêncio de Reyna. – Não deixou Hedge sacrificá-lo.

– Cipião foi o único bravo. – Reyna disse ríspida e desviou os olhos dos da loira. – Eu só fiz o necessário.

– Se sobrevivermos... – A loira colocou sua mão por cima da de Reyna com suavidade. Reyna se afastou um pouco, claramente incomodada com o contato. – Vou te dar um filhote de Blackjack.

– Blackjack? – A pretora perguntou. Annabeth sentia a mão debaixo da sua ficar cada vez mais fria.

– É nosso melhor pégaso. Adora Percy. Assim que ele cruzar, vou te presentear. – A filha de Atena apertou a mão da romana e sorriu.

– Não precisa se incomodar, Annabeth. – Reyna disse e retirou sua mão da de Annabeth.

– É o mínimo que posso fazer pela pretora que arriscou seu cargo por um graecus. – Annabeth viu Reyna sorrir levemente ao ouvir o nome que os romanos chamavam os gregos.

“Ótimo”, a loira pensou. Sinal de que a romana estava um pouco mais relaxada.

– Você saiu do Tártaro. – Reyna rebateu. Annie notou que a romana não gostava muito de ser elogiada.

– E você cruzou o Mare Nostrum. – A loira enfatizou o nome romano dado ao Mediterrâneo.

– Vamos mesmo discutir nossos feitos, filha da sabedoria? – Havia um brilho divertido e desafiador no olhar de Reyna.

– Te contaram a profecia? – Annabeth riu.

– “A filha da sabedoria caminha solitária...?’’ – Reyna disse num tom irônico. – Posso repeti-la tanto quanto aquela harpia pode repetir os livros sibilinos.

– Muitas vezes, então. – Reyna apenas assentiu e se levantou. Annabeth entendeu que era o jeito da pretora dizer que a conversa delas estava encerrada. Mas Annie não se daria por vencida.

– Bom, vou deixá-la descansar agora. – A loira se levantou e se aproximou de Reyna.

A pretora lhe lançou um olhar confuso antes de Annabeth a prender num abraço. Assim como antes ela sentiu a mão de Reyna gelar sob o contato, agora era a vez da loira sentir o corpo todo da romana se esfriar e se contrair.

– Boa sorte. – Annabeth sussurrou no ouvido da morena enquanto Reyna a abraçava de volta, de uma forma meio dura e desajeitada.

As garotas dividiram o abraço por um tempo. Annabeth podia sentir o cheiro que vinha dos cabelos negros, podia sentir, aos poucos, a tensão se dissipando do corpo de Reyna.

A loira já ia sair do abraço. Talvez não houvesse mesmo um motivo maior para Reyna ter cruzado o Atlântico além da paz entre os acampamentos. Entretanto algo a assustou. Annabeth se deu conta de que Reyna estava absurdamente quieta.

Foi quando Annabeth sentiu algo molhado percorrer seu ombro. O coração da filha de Atena se apertou. Reyna estava chorando?

– Reyna... – A loira a chamou, mas a pretora continuou quieta, com a cabeça deitada no ombro de Annabeth. – Reyna? – A grega a chamou de novo, dessa vez obtendo um resmungo abafado como resposta.

– Reyna? – Annabeth decidiu chamar mais uma vez, entretanto ao invés de palavras, a loira sentiu os braços de Reyna se apertarem ainda mais contra seu corpo.

A força que vinha de Reyna era incrível. Annabeth mal conseguia respirar dentro do abraço. Entretanto, a loira se permitiu ficar ali. Pelo menos até que Reyna se acalmasse. Quando sentiu os espasmos vindos do corpo da morena diminuírem, e o aperto em torno do seu corpo enfraquecer, Annabeth decidiu falar.

Ela sussurrou algo no ouvido de Reyna, que suavemente tirou o rosto do ombro da loira. Por um instante muito pequeno, os olhos castanhos da outra engoliram os cinzas de Annabeth e, quando a filha de Atena deu por si, ela tinha o rosto nas mãos de Reyna e os lábios da romana sobre os seus.

De início, Annabeth se assustou e seu reflexo foi se afastar, mas os braços da pretora ao redor da sua cintura não a deixaram. Aos poucos, a loira sentiu seu controle ateniense se esvair. Um leve tremor percorreu seu corpo. Era como se, inconscientemente, ela gostasse de estar sob o domínio de Reyna.

Timidamente, ela pousou as mãos nos ombros da romana e permitiu que a língua exigente da outra explorasse sua boca. Ela podia sentir Reyna por todo seu corpo. As mãos da pretora preenchiam um caminho dos fios loiros até a barra da camiseta laranja que Annabeth usava.

Dentro da boca quente de Reyna, sentindo o perfume forte da romana, Annabeth não conseguiu segurar um gemido. A loira sentiu o sorriso se formar nos lábios da romana e o rubor tomar conta de sua face. O que estava acontecendo com ela? Nem Percy a fazia se sentir daquele jeito.

À hora de Reyna partir já se aproximava. Annabeth olhou para a figura morena deitada ao seu lado na pequena cama. O rosto bonito e forte de Reyna quase escondia a preocupação que a pretora estava sentindo.

Annabeth deitou a cabeça no colo da outra, chamando a atenção de Reyna para si. Ela viu o relance de um sorriso cruzar o rosto da romana. Meio sem jeito, Reyna parecia se distrair acariciando os fios loiros de Annabeth.

Quando o silêncio se tornou pesado, a filha de Atena decidiu quebrá-lo. Ela segurou as mãos de Reyna e as levou aos lábios, depositando um beijo suave nas costas de cada uma.

Ela encorajou a pretora a olhar para ela e a sustentar seu olhar.

– Você vai conseguir. Nós vamos conseguir. – Annabeth disse, depositando toda sua esperança e coragem nessas palavras. Reyna apenas assentiu.

– Iremos. É uma promessa. – A pretora respondeu e se inclinou para beijar a loira quando Annabeth rolou pra fora da cama. – O que houve? – A expressão calma na face de Reyna havia dado lugar para uma quase ferida.

– Quero te entregar algo. – A loira vasculhou os bolsos de seu short, sem se importar com o fato de estar nua num quarto com Reyna e, a qualquer momento, um de seus amigos poderiam entrar ali.

– Me entregar algo? Além de uma estátua gigante de sua mãe? – Reyna disse irônica enquanto via a grega voltar em sua direção.

– Sim. – A loira tinha uma das mãos fechadas.

Annabeth tomou os lábios de Reyna num beijo necessitado – talvez o último das duas – e depositou o que procurava na mão da romana. Quando se separaram, a primeira coisa que a romana fez foi abrir a mão e olhar com surpresa o que Annabeth tinha deixado lá.

– Uma moeda? – A pretora perguntou.

– Olhe com atenção. – Reyna fez como lhe foi dito e pareceu entender. – Foi a moeda que recebi de Atena. A marca de Atena agora é sua.

– E a filha dela? – Reyna sussurrou a pergunta e Annabeth sentiu seu coração se apertar, mas se viu respondendo de maneira firme.

– A filha dela também é sua.

A pretora sorriu abertamente e Annabeth se perguntou por quanto tempo aquele sorriso não adornava mais o rosto da outra. A loira beijou Reyna uma última vez antes de vestir suas roupas e sair dali. Quando fechou a porta, se escorou nela, sentindo seus olhos marejarem.

Uma brisa suave a lembrou do perfume de Reyna em sua roupa e Annabeth rezou aos deuses para que eles a deixassem cumprir sua promessa.

Notas finais
E a? O que acharam? Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!