A maldição do gato
3 O começo e o fim
Notas iniciais
Adrien e Marinette estavam no parque em um banco. Marinette sorria sem parar e estava muito aliviada que seu amado estava junto dela. Já Adrien, fazia um esforço imensurável para prestar atenção em tudo o que dizia sua suposta Lady ao invés de cair em prantos.
Marinette sabia que as dores de cabeça iriam acabar por expulsar ele de lá logo, então para prendê-lo com ela, Marinette contava algumas histórias de seus momentos juntos. Adrien parecia muito interessado em saber sobre ela e isso aliviava a coitada.
—Você era sempre um piadista quando enfrentamos os akumatizados. — contou Marinette sorrindo –E como era irritante!
—Se era tão irritante assim, porque sorri com as lembranças, My Lady? — perguntou convencido
—Gatinho bobo! — disse ela sorrindo
Adrien aparentava estar voltando a ser ele mesmo, ser o Chat Noir que Marinette estava esperando que voltasse a ser. Contar sues momentos juntos fora uma boa ideia afinal, mas nada dele se lembrar. Torcia para ter conquistado ele novamente, porque senão ele não suportaria mais nenhuma dor de cabeça para ficar perto dela.
Ela precisava descobrir o ativador logo, além disso prejudicar seu relacionamento prejudicava a lutar contra os akumas também. Chat Noir tentava ficar o mais afastado possível de Ladybug, ela nem se lembrava com clareza a última vez que fizeram seu toque... Lembrava Marinette entristecida.
—O que houve, Princesa? Alguém tão nobre quanto você não deveria entristecer... — perguntou preocupado
—Tudo bem comigo, não se preocupe – mentiu ela
—Marinette — disse Adrien com veemência -Eu sei que acha que o fato de eu ter me esquecido de você fará com que nos separemos. Mas nesse tempo, eu redescobri você e você é incrível! — disse com os olhos brilhando –Tenho certeza que uma das coisas que fizermos hoje será o ativador e eu vou me lembrar de todas essas coisas legais que você diz que fizemos.
Marinette corou ao ouvir isso. Esse era o Adrien de quem se lembrava, aquele quem amava. E ele ainda a amava. Ela sorriu e foram juntos para outro lugar, em busca de alguma inspiração para o ativador.
—O que poderá ser? — perguntou Adrien que sofria com as fortes dores
—Eu... eu não sei. É algo que marca que tudo está bem, o que mais poderá marcar que tudo está bem? — ela se desesperava por dentro
—Só vamos relaxar, acontecerá naturalmente. Vem comigo, esqueça isso. Acontecerá naturalmente, afinal uma hora não poderá mais resistir a mim e fará seja lá o que eu escolhi como ativador... — disse sorrindo maliciosamente
—Nunca fizemos nada disso que está pensando... — dissse Marinettte muito vermelha
—Eu não pensei em nada, My Lady. Esqueceu que eu esqueci? Quem pensou foi você. — disse convencido
Marinette, para desviar do assunto, chamou Adrien para dançar um pouco. Havia visto alguém tocando na praça por alguns trocados. Deu umas moedas para o saxofonista e pediu para ele tocar alguma coisa para os dois. Ela lembra-se das vezes que dançou com Adrien como se tivessem acontecido a poucos minutos e essa não foi menos mágica. Mesmo assim, não conseguia sorrir com as caras de dor que Adrien fazia devido a sua proximidade.
Depois de Marinette não conseguir mais sentir prazer em dançar por ver o quanto Adrien sofria para estar dançando com ela, simplesmente parou e começou a andar para longe dele. Inicialmente, ela pôde ver o alívio quando a dor passou ao ficarem longe. Mas logo ele foi atrás dela.
—Ué?! Por que paramos? — Adrien estava confuso
—Não consigo dançar vendo você sofrer, gatinho. Vamos comer um pouco.
—Ué... Eu não consigo saciar sua fome...?
—Estou falando sério — disse Marinette irritada
Marinette não percebeu o que aconteceria até realmente acontecer. Se aquilo não era o ativador, ela não sabia o que era. Adrien Agreste a estava beijando. Ela sentia nas nuvens. Não que isso não tivesse acontecido antes, mas ela sentia-se tão pesada com a perda de memória de seu gatinho e agora se sentia tão leve.
Ela estava se deliciando tanto que não percebeu que ele não estava. A dor de cabeça que ele sentia ao estar perto dela provavelmente estava em seu máximo e ele não conseguia aguentar. Marinette só parou quando viu que Adrien desmaiara de dor. Não perdeu tempo, imediatamente Ladybug carregava ele até o Mestre Fu. Era um trabalho difícil, pois ela tinha que manter a maior distância possível para tentar diminuir sua dor e acabar com sua inconsciência.
...
Adrien estava se afastando de Marinette desde o dia em que o resgataram da prisão do Hawkmoth, o único momento em que ela pôde estar com ele fora naquele dia no parque. O único momento que ela tinha para descobrir o ativador e acabar com sua amnésia. Mas depois daquilo, ela tinha quase certeza que nunca mais estaria com ele novamente. Foi um dos momentos mais felizes de sua vida o que ele falou que queria vê-la mais uma vez.
Os dois se encontraram e Ladybug tinha os olhos brilhando de expectativa. Talvez ela tivesse conseguido reacender o amor de Chat Noir mesmo com suas fortes dores. Em algum momento o ativador aconteceria e eles seriam felizes como antes.
Adrien não parecia tão animado quanto ela, talvez só estivesse preocupado com o quanto as dores de cabeça o afetariam. Devia ser bem complicado para ele, ela temia que ele estivesse se culpando pelo ativador não ter acontecido ainda.
Eles estavam no alto da Torre Eiffel, o que fez várias lembranças invadirem a mente de Ladybug. Chat Noir já tinha preparado algumas surpresas para ela ali, será que o ativador havia finalmente acontecido e Chat Noir lembrava-se de tudo? O lugar estava realmente todo arrumado, mas pela cara de seu gatinho não conseguia acreditar nisso.
—Ladybug, eu andei pensando e... — começou hesitante sob o olhar preocupado de Ladybug –Eu fiquei longe de você desde o resgate para tentar evitar de sentir aquela dor, eu achei que não era certo considerando o que nós erámos e dei a chance a um encontro... — estava cada vez mais cauteloso –Eu consigo compreender por que gostava de você, mas... — ela engoliu em seco –Eu não consigo, não depois daquilo... — Chat Noir lhe entregou uma rosa, como se fosse fazer a angústia de Ladybug diminuir –Eu quero terminar. — disse enfim
Ladybug se consumiu em prantos. Ela imaginava que algo assim poderia acontecer, mas esperava que o amor de Adrien fosse mais forte do que isso. Ela já tinha aceitado que Adrien não gostava dela, porém no momento que descobriu que isso não procedia ela se tornou incapaz de viver sem ele.
Chat Noir tentou chegar perto dela e envolvê-la em um abraço reconfortante, entretanto assim que chegou perto, a dor invadiu com toda a força e ele cambaleou. Lembrou-se de porquê terminara com Ladybug e se manteve firme nessa solução. Ao perceber toda a cena, Ladybug engoliu em seco e respondeu com firmeza.
—Tudo bem, podemos terminar. Mas quando o ativador acontecer e você livrar-se de sua dor e lembrar-se de que me ama e não consegue ficar longe de mim como eu não consigo me distanciar de você agora, eu não vou voltar atrás.
—Não precisará — Chat Noir respondeu firme já sem esperança do ativador acontecer
—Não esquecerei disso. — reafirmou Ladybug e foi para longe dali
...
Marinette foi buscar consolo com a única pessoa capaz de consola-la naquele momento, Luka.
Ela lembrou-se do dia em que Adrien afirmou gostar de Kagami. Antigamente, ao lembrar-se desse dia ela só conseguia rir. Adrien só dissera aquilo pois tinha acabado de ser rejeitado por Ladybug e estava tentando “mudar o alvo” como Kagami dissera para fazer.
Naquele dia, ao pensar em tais acontecimentos, só se lembrava do quanto Luka fora legal com ela naquele dia. Estava tão abalada, pensava que perdera Adrien para sempre. Sentia-se do mesmo jeito que se sentia naquele momento.
—Marinette?! — Luka estava surpreso em ver a garota ali
—Oi – ela forçou um sorriso
—O que houve? — ele estava preocupado –Entra.
Marinette sentou em algum banco que havia no convés da casa barco onde ele morava com a mãe e a irmã. Aparentemente, ele estava praticando guitarra antes dela chegar. Ela sabia que ele gostava de se expressar por meio da música e que ouvi-lo um pouco acalmaria seus nervos.
—Sabe Marinette, pela sua expressão eu diria que você está se sentindo assim – ele tocou uma sequência de acordes menores, considerados os acordes “tristes” -Mas uma garota legal como você merece se sentir assim – ele tocou uma sequência com acordes mais alegres
Marinette não sabia porquê, porém ouvir Luka tocando sempre acalmava o seu espírito. Ela já se sentia completa novamente. Luka era o único garoto que podia fazer ela se esquecer de Adrien momentaneamente e ficava feliz em pensar que ele também gostava muito dela.
Marinette sabia que o que Luka sentia por ela chegava a ser mais do que gostar muito. Porém ela jamais trairia o seu gatinho e Luka, sendo o cavalheiro que era, sempre compreendeu que seu amor era de outro... Agora, Marinette tinha alguma esperança de passar por cima.
—O Adrien... Nós terminamos. — Marinette não queria mais ser forte e segurar as lágrimas, só queria se aconchegar no colo de Luka e ser consolada
—Marinette, lembre-se de que você é uma garota extraordinária. Clara como uma nota musical, sincera como uma melodia, é a canção que está na minha cabeça desde que nos conhecemos. Eu estou aqui, não se esqueça.
Marinette sorriu por dentro, sentiu que o fogo que se apagara quando Adrien a deixou fora aceso novamente naquele momento. Ela ainda amava Adrien e achava que jamais conseguiria esquecer o seu gatinho, mas poderia tentar. Sabia que sentia alguma coisa por Luka lá no fundo.
—Lembra aquele dia em que fomos patinar com o Adrien e a Kagami? Você achou divertido, não achou? Nós podíamos ir lá novamente, aposto que vai ser legal. — Luka sugeriu vendo a cara pensativa de Marinette
—Tudo bem. — talvez ficar um tempo com Luka fosse o suficiente para tirar Adrien da cabeça um pouco
...
Dennis estava frustrado. Depois de meses de pesquisa em grande parte Guiana Francesa, seu livro sobre as jaguatiricas não foi aceito por nenhuma editora da França. Dennis estava muito preocupado com a situação dos indivíduos dessa espécie, com risco de extinção. Nesse ritmo, logo não haveria mais jaguatiricas vivas.
—Eles se recusam a ajudar as jaguatiricas, pois eu lhe dou o poder de fazê-los se preocuparem. Afinal, eles serão as jaguatiricas! Mas para isso eu preciso de uma coisa em troca...
—Sim, Hawkmoth.
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