A vida de Hannah tinha mudado muito desde que descobriu que sua mãe, Christie, era seguidora de um criminoso. Ela primeiro foi morar com o seu vizinho Lupin e, uma semana depois, foi morar com um amigo dele. Assim, ela fez, pela primeira vez, amigos de uma idade parecida com a dela. Ela fez amizade com Fred, Gina, Rony, Jorge, (todos irmãos) e Hermione. Rony e Hermione tinham a idade dela, Gina era um ano mais nova e os gêmeos já tinham 17 anos, ou seja, já eram maiores de idade.

Ela se deu melhor com Rony, Hermione e Gina, até que se dava bem com os gêmeos, até eles colocarem uma barata de brinquedo nas suas coisas, eles levaram uma bronca e tanto da Sra. Weasley, depois disso eles até continuaram amigos, mas agora Hannah sempre olha direitinho suas coisas antes de sair mexendo nelas.

Como já havia passado um mês, todos eles se já estavam bem amigos, e naquele dia, Hannah, Fred, Jorge e Gina estavam jogando um jogo de cartas trouxa que Lupin deu para eles terem alguma coisa legal pra fazer, eles estavam até que se divertindo bastante.

— Ei! Você está roubando! – Acusou Gina quando viu Fred olhando as cartas de Hannah

— Eu? Nunca seria capaz – Pelo tom que ele fez, Hannah foi um pouco pro lado para ele não olhar mas suas cartas, e quando ele percebeu que ela fez isso, bufou – Poxa Gina, tinha que ter falado?

Gina riu da cara dele, e depois continuaram jogando. Aparentemente, o Harry Potter que a Hannah tinha escutado um monte de gente xingando ia para aquela casa hoje, e então, como Hermione e Rony eram grandes amigos dele, estavam em outro quarto esperando por ele. De repente, Gina começou a parecer que estava gritando internamente, e quando chegou sua vez, ela realmente gritou

— UNO! E BA-

— ENTÃO VOCÊS NÃO TEM PARTICIPADO DAS REUNIÕES, GRANDE COISA – Alguém gritou mais alto que Gina e assustou todo mundo, Hannah não conhecia essa voz, mas os outros pareciam que saber de quem era essa voz.

— Acho que o Harry ficou realmente estressado sobre não ter notícias sobre Você-Sabe-Quem – Disse Fred, Hannah até sabia que esse Harry estava com raiva, pois a alguns dias viu uma coruja branca atacando o Rony e a Hermione, e aparentemente essa coruja era dele, então, quando falaram que esse era o Harry Potter, Hannah não ficou supressa

— Acho melhor irmos ver se eles ainda estão vivos – Disse o Jorge quando os gritos pararam, e assim aparataram, deixando Gina e Hannah sozinhas

— Isso não foi bem uma boa impressão.... – Comentou Hannah

— Relaxa, ele não é assim sempre, ele deve estar apenas muito nervoso. – Gina percebeu que Fred e Jorge levaram as orelhas extensíveis – Acho melhor vermos se a porta está imperturbada ou não, se não, é capaz da mamãe pegar eles no pulo

Tonks ensinou para as duas como ver isso, se jogar alguma coisa e ela voltar, a porta foi imperturbada, Hannah estava indo normalmente, mas assim que viu que Gina pegou bombas de bosta, já estava se arrependendo. Quando chegaram na porta, não estavam escutando nada, até que a Gina jogou as bombas de bosta da escada, mas infelizmente, elas voltaram, bem na direção delas, e por pouco não vai bem na cara delas.

— Acho melhor a gente sair daqui – Disse Hannah olhando fixamente para as bombas de bostas caindo na escada

— Concordo plenamente – Disse Gina, também olhando para elas, e no segundo seguinte, elas saíram correndo para o mais longe possível, só parando na porta de um quarto qualquer. Elas pararam ofegantes naquela porta e escutaram a voz do Rony falando para alguém ter cuidado com alguma coisa, e elas perceberam que eles estavam falando das orelhas extensíveis

— Seria bom avisar para eles não? – Perguntou Hannah e Gina concordou. Elas entraram no quarto, e nele estava: Fred, Jorge, Rony, Hermione e Harry Potter, e ele assim que a viu, ficou claramente confuso, mas Gina ficou realmente feliz em ver ele que nem percebeu

— Ah, olá, Harry! Pensei que tivesse ouvido sua voz. – Virando-se para Fred e Jorge, informou – Pode esquecer as Orelhas, ela lançou um Feitiço da Imperturbabilidade na porta da cozinha.

— Como é que vocês sabem? – Perguntou Jorge, desapontado

— Tonks nos ensinou como descobrir. A gente atira uma coisa contra a porta e se a coisa não bate é porque a porta foi “imperturbada”, ai a Gina jogou umas bombas de bosta do alto da escada e elas simplesmente voaram de volta, então não tem como as Orelhas Extensíveis entrarem por baixo. – Explicou Hannah para eles e os dois ficaram extremamente chateados, até que eles olharam para o Harry perceberam que ele estava realmente curioso sobre Hannah e ele estava a encarando, até que a Hermione decidiu explicar para ele

— Ah! Essa é a Hannah Hollister, afilhada do Lupin. Ele falou que ela ia ficar aqui por um tempo

— O Lupin tem uma afilhada? – É a primeira coisa que ele pergunta, e todos concordam com a cabeça.

– De qualquer maneira, eu realmente queria de saber o que é que o Snape está fazendo.

— Snape! – exclamou Harry imediatamente. – Ele está aqui?

Pelo pouco que Hannah tinha visto de Snape, ele não era muito amigável, e por algum motivo, ele não gostava dela, toda vez que a via parecia pensar em alguma coisa e a olhava de cara feia

— Tá – confirmou Jorge, fechando cuidadosamente a porta e se sentando em uma das camas. Fred, Gina e Hannah o acompanharam. – Fazendo um relatório. Ultrassecreto.

— Babaca – disse Fred, só por dizer.

— Ele agora está do nosso lado – disse Hermione, desaprovando o amigo, fazendo Rony rir.

— Mas vai continuar sendo babaca. O jeito com que olha para a gente quando nos encontra, e por algum motivo não gosta da Hannah, vocês já se encontraram antes?

— Pior que não. – Respondeu Hannah – Acho que ele só não vai com a minha cara

— Gui também não gosta dele – disse Gina, como se isso decidisse a questão.

Harry Potter parecia mais calmo, talvez Gina estivesse certa sobre ele não ser raivoso

— Gui está aqui? – perguntou ele sentando-se na cama em frente aos amigos – Pensei que estivesse trabalhando no Egito.

— Ele se candidatou a uma função burocrática para poder voltar para casa e trabalhar na Ordem. Diz que sente falta das tumbas – Fred deu uma risadinha –, mas tem suas compensações.

— Como assim?

— Você se lembra da Fleur Delacour? – perguntou Jorge. – Ela arranjou um emprego no Gringotes para aperrfeiçoarr o iinglês...

A única coisa que poderia resumir a mente de Hannah naquele momento é “???”

— E o Gui está dando muitas aulas particulares a ela – caçoou Fred.

— Carlinhos também entrou na Ordem – disse Jorge –, mas continua na Romênia. Dumbledore quer atrair o maior número possível de bruxos estrangeiros, por isso Carlinhos está tentando fazer contatos nos dias de folga.

— O Percy não podia fazer isso? – perguntou Harry. Ao ouvirem as palavras de Harry, os Weasley, Hermione e Hannah trocaram olhares carregados de significação.

— Diga o que quiser, mas não mencione o Percy na frente da mamãe e do papai – disse Rony com a voz tensa.

— Por que não?

— Porque todas as vezes que ouvem o nome dele, papai quebra o que estiver segurando e mamãe começa a chorar – explicou Fred.

— Tem sido horrível – comentou Gina com tristeza.

— Acho que podemos passar sem ele – disse Jorge, com uma expressão de ameaça nada característica.

— Que aconteceu? – perguntou Harry.

— Percy e papai brigaram – contou Fred. – Nunca vi papai brigar com alguém daquele jeito. Em geral é mamãe que berra.

— Foi na primeira semana de férias quando terminou o trimestre – disse Rony. – Íamos entrar para a Ordem. Percy chegou e contou que tinha sido promovido.

— Você tá brincando – admirou-se Harry.

Hannah não chegou a conhecer esse Percy, mas tinha uma noção de que ele não era, como diria os trouxas, flor que se cheire

— Pois é, todos ficamos surpresos – continuou Jorge –, Percy tinha se metido em grandes confusões por causa de Crouch, houve até um inquérito e tudo. A conclusão foi que Percy devia ter percebido que Crouch não estava batendo bem e informado ao seu superior. Mas você conhece Percy, Crouch o tinha deixado na chefia, e ele não ia reclamar.

— Então como foi que ganhou a promoção?

— É exatamente o que nos perguntamos – disse Rony, que parecia muito ansioso para sustentar uma conversa normal. – Percy voltou para casa realmente satisfeito com ele mesmo... ainda mais satisfeito do que o normal, se é que dá para imaginar... e disse ao papai que tinham lhe oferecido um cargo no gabinete do próprio Fudge. Um cargo realmente bom para alguém que tinha terminado Hogwarts fazia só um ano, Assistente júnior do ministro. Acho que esperava que papai ficasse impressionado.

— Só que papai não ficou – disse Fred sério.

— Por que não? –questionou Harry.

— Bom, parece que Fudge tinha percorrido o Ministério enfurecido para se certificar de que os funcionários não tivessem contato com Dumbledore – disse Jorge.

– No Ministério, o nome de Dumbledore virou lixo, ultimamente, entende – esclareceu Fred.

— Todos pensam que ele está só criando problemas quando diz que Você-Sabe-Quem voltou. Papai falou que Fudge deixou muito claro que qualquer um que estivesse relacionado com Dumbledore podia desocupar a escrivaninha – disse Jorge.

— O problema é que Fudge suspeita de papai, sabe que é amigo de Dumbledore, e sempre achou papai meio excêntrico por causa da obsessão que ele tem pelos trouxas.

— Mas que é que isso tem a ver com o Percy? – perguntou Harry, confuso.

— Vou chegar lá. Papai desconfia que Fudge só quer Percy no gabinete, porque quer usar o mano para espionar a família... e Dumbledore.

Harry soltou um assobio.

— Aposto como Percy adorou. – Rony deu uma risada meio rouca. – Ele perdeu completamente a cabeça. Disse... bem, uma porção de coisas horríveis. Disse que está enfrentando a péssima reputação do papai desde que entrou no Ministério e que papai não tem ambição e que é por isso que sempre fomos, sabe, sempre tivemos pouco dinheiro, quero dizer...

— Quê? – disse Harry, incrédulo, ao mesmo tempo que Gina bufava feito um gato enraivecido.

— Eu sei – disse Rony em voz baixa. – E ficou pior. Disse que papai era um idiota de andar com Dumbledore, que Dumbledore ia se meter em uma baita encrenca e papai ia cair junto, e que ele, Percy, sabia a quem devia ser leal, e era ao Ministério. E se mamãe e papai iam trair o Ministério, iria se empenhar para que todo o mundo soubesse que ele não pertencia mais à nossa família. E fez as malas na mesma noite e foi embora. Agora está morando aqui em Londres.

Hannah não gostava de escutar sobre essa história, pois, ela mesma já teve um relacionamento péssimo com sua mãe e não queria escutar filhos que simplesmente quiseram virar um idiota com os pais

— Mamãe está danada da vida – Continuou Rony. – Sabe, chora, essas coisas. Veio a Londres para tentar falar com Percy, mas ele bateu a porta na cara dela. Não sei como ele faz quando encontra papai no trabalho: acho que finge que não vê.

— Mas Percy deve saber que Voldemort voltou – disse Harry lentamente. – Ele não é burro, deve saber que sua mãe e seu pai não arriscariam tudo sem provas.

— É, bom, o seu nome também entrou na briga – disse Rony, lançando a Harry um olhar furtivo. – Percy disse que a única prova que havia era a sua palavra e.... não sei... ele achava que não era suficiente.

— Percy leva o Profeta Diário a sério – comentou Hermione, claramente raivosa.

— Do que é que vocês estão falando? – perguntou Harry, passando os olhos por todos. Hannah já estava nervosa, pois ele poderia ficar com raiva e gritar, de novo

— Você não tem recebido o Profeta Diário? – perguntou Hermione nervosa.

— Tenho.

— Você não tem lido todas as notícias? – perguntou Hermione ainda mais ansiosa.

— Não da primeira à última página – respondeu Harry na defensiva. – Se houvesse alguma notícia sobre Voldemort, sairia em manchete, não?

Todos se contraíram ao ouvir o nome. Hermione continuou depressa:

— Você precisaria ler da primeira à última página para perceber, mas eles, bom, eles mencionam seu nome algumas vezes por semana.

— Mas eu não vi...

— Se andou lendo só a primeira página, não iria ver – disse Hermione, sacudindo a cabeça. – Não estou falando de notícia grande. Eles incluem seu nome aqui e ali, como se você fosse a piada da vez.

— Como...?

— Na verdade é bem maldoso – disse Hermione procurando manter a voz calma. – Estão usando só o material que a Rita publicou.

— Mas ela não está mais escrevendo para o Profeta, está?

— Ah, não, ela tem cumprido a promessa que fez: não que tivesse outra opção – acrescentou Hermione satisfeita, e Hannah queria saber sobre o que é essa história e quem é essa mulher. – Mas lançou as bases para o que estão tentando fazer agora.

— E que é o quê? – perguntou Harry, impaciente.

— O.k., você sabe que ela escreveu que você estava caindo por aí, se queixando que sua cicatriz estava doendo e tudo o mais?

— Sei – respondeu Harry.

— Bom, estão pintando você como uma pessoa fantasiosa e sedenta de atenção, que acha que é um grande herói trágico ou qualquer coisa assim – contou Hermione, muito depressa, como se fosse menos desagradável para o amigo saber desses fatos em menos tempo. – Eles não param de incluir comentários irônicos sobre você. Se aparece uma história mirabolante, escrevem mais ou menos assim: “Uma história digna de Harry Potter”, e se alguém tem um acidente estranho ou coisa parecida dizem: “Vamos fazer votos para que ele não fique com uma cicatriz na testa ou vão nos pedir para venerá-lo”

— Eu não quero que ninguém me venere... – começou Harry indignado.

— Eu sei que não – disse Hermione depressa, parecendo assustada. – Eu sei, Harry. Mas você percebe o que eles estão fazendo? Querem transformar você em uma pessoa em que ninguém acredita. Fudge está por trás de tudo, aposto o que você quiser. Eles querem que os bruxos pensem que você não passa de um garoto burro, que é meio engraçado e conta histórias ridículas porque adora ser famoso e quer continuar sendo.

— Eu não pedi... eu não quis... Voldemort matou meus pais! – protestou Harry, cuspindo as palavras. – Fiquei famoso porque ele assassinou minha família, mas não conseguiu me matar! Quem quer ser famoso por uma coisa dessas? Será que não pensam que eu preferia que nunca...

— Nós sabemos, Harry – disse Gina com sinceridade.

— E, é claro que não publicaram nem uma palavra sobre o ataque dos dementadores a você – acrescentou Hermione. – Alguém mandou abafar o caso. Teria sido uma história e tanto, dementadores escapam ao controle do governo. Nem ao menos noticiaram que você violou o Estatuto Internacional do Sigilo em Magia. Pensamos que noticiariam, porque combinava com a sua imagem de exibicionista idiota. Achamos que estão aguardando você ser expulso, então vão realmente botar pra quebrar, quero dizer, se você for expulso, é óbvio – apressou-se Hermione a acrescentar. – Na realidade, não deverá ser, não se o Ministério respeitar as próprias leis, não há caso contra você.

Hannah tinha até escutado sobre isso, que ele tinha sido atacado por dementadores e foi se defender, mas ele acabou sendo expulso, coisa que ela achou uma injustiça muito grande. Provavelmente iriam conversar mais, mas escutaram o barulho de alguém subindo as escadas

— Ah, ah. – Fred deu um puxão na Orelha Extensível e ouviu-se outro estalo forte, e ele e Jorge desapareceram. Segundos depois, a Sra. Weasley apareceu à porta do quarto.

— A reunião terminou, podem descer para jantar agora. Todo o mundo está doido para ver você, Harry. E quem foi que largou todas aquelas Bombas de Bosta na porta da cozinha?

Se fosse para Hannah responder, já teria se enrolado toda, mas Gina assumiu essa missão

— O Bichento. Ele adora brincar com bombas.

— Ah! Pensei que talvez fosse o Monstro, ele está sempre fazendo essas coisas estranhas. Agora não se esqueçam de falar baixo no corredor. Gina, suas mãos estão imundas, que é que você andou fazendo? Por favor, vá lavá-las antes de jantar. – Gina fez careta para os outros e acompanhou a mãe na saída do quarto, e Hannah se apressou para sair daquele quarto, pois aquele menino estava fazendo uma cara muito estranha para ela.

Hannah ficou um tempo só andando pelo andar, esperando eles trancarem a porta, assim que trancou, ela desceu para a cozinha, e ao olhar para trás, percebeu que os outros estavam a acompanhando. Ao chegar, encontraram lupin e os outros trancando muitas fechaduras.

— Vamos comer na cozinha – sussurrou a Sra. Weasley, indo ao encontro dos garotos ao pé da escada. – Harry, querido, se você atravessar em silêncio o corredor, é aquela porta ali.

TRABUM!

— Tonks! – exclamou a Sra. Weasley, desesperada, virando-se para olhar às suas costas.

— Me desculpe! – lamentou Tonks, que caíra estatelada no chão. – É a droga desse porta-guarda-chuvas, é a segunda vez que tropeço nele...

Mas o fim da frase de Tonks foi abafada por um guincho medonho de furar os ouvidos e congelar o sangue. O quadro da Sra. Black foi acordado, e ela começou a gritar insultos a todos.

Lupin e a Sra. Weasley correram para tentar fechar a cortina que fazia a velha ficar quieta, mas não conseguiam e ela guinchava com mais vontade, brandindo as mãos em garras como se quisesse estraçalhar os rostos deles.

— Ralé! Escória! Filhos da sordidez e da maldade! Mestiços, mutantes, monstros, sumam deste lugar! Como se atrevem a macular a casa dos meus antepassados...

Tonks não parava de pedir desculpas, repondo a pesada perna de trasgo na posição original, a Sra. Weasley desistiu das tentativas para fechar as cortinas e corria de uma ponta a outra do corredor com a varinha em punho, lançando um Feitiço Estuporante em cada quadro, até que Sirius apareceu para dar um basta nessa situação.

— Cale a boca, sua bruxa horrorosa, CALE A BOCA! – berrou ele, agarrando a cortina que a Sra. Weasley abandonara.

A mulher empalideceu

— Vocêêêêêê! – urrou ela, os olhos saltando das órbitas ao ver Sirius. – Traidor do próprio sangue, abominação, vergonha da minha carne!

— Eu... mandei... calar... a.... BOCA! – gritava Sirius com a mulher, e, com um estupendo esforço, ele e Lupin conseguiram fazer as cortinas fecharem.

Os gritos da mulher morreram e sobreveio um silêncio ressonante.

Um pouco ofegante e afastando dos olhos os longos cabelos negros, Sirius, voltou-se para olhar o Harry

— Olá, Harry – disse muito sério. – Vejo que acabou de conhecer minha mãe.

Sirius foi explicar para Harry Potter sobre a casa, pois ele estava mais perdido que Hannah quando foram atualizar ele das notícias, e em quanto explicavam, eles iam para a cozinha.

Muitas cadeiras tinham sido amontoadas no aposento para a reunião e no meio havia uma longa mesa de madeira, coalhada de rolos de pergaminho, cálices, garrafas de vinho vazias e algo que parecia uma pilha de trapos. O Sr. Weasley e Gui estavam conversando em voz baixa com as cabeças juntas a uma ponta da mesa. A Sra. Weasley pigarreou e seu marido olhou para os lados e imediatamente se levantou para cumprimentar o Harry

Enquanto isso, Gui enrolava as folhas de pergaminho que sobraram da reunião, e logo depois, chegou Tonks para ajudar Gui, mas acabou virando uma vela encima dos rolos, que a senhora Weasley conseguiu consertar, e durante o feitiço, Hannah reparou em alguma coisa de construção na mesa, mas a Sra. Weasley percebeu que repararam e colocou nos braços do Gui

— Essas coisas deveriam ser retiradas assim que terminam as reuniões – disse com rispidez, antes de se dirigir em grandes passadas a um armário antigo de onde começou a retirar pratos de jantar.

Gui puxou a própria varinha e murmurou “Evanesco!”, e os rolos desapareceram. Sirius tentou falar com um tal de Mundungo, mas não deu certo, e o próprio acabou revelando que estava dormindo durante a reunião, o que fez Gina rir.

— A reunião terminou, Dunga – avisou Sirius, enquanto todos se acomodavam ao redor da mesa. – Harry chegou.

— Hein? – disse Mundungo, espiando malignamente por entre os cabelos ruivos embaraçados. – Não é que chegou mesmo! Caramba... você está bem, Arry?

— Estou.

Mundungo apalpou os bolsos, nervoso, ainda olhando para Harry, e puxou o cachimbo dele, Hannah odiava esse cachimbo, e ele acendeu, fazendo uma fumaça fedorenta envolver todos

— Estou devendo desculpas a você – grunhiu Mundungo no meio da nuvem de fumaça fedorenta.

— Pela última vez, Mundungo – chamou a Sra. Weasley – por favor, não fume essa coisa na cozinha, principalmente antes de comermos!

— Ah! – exclamou o bruxo. – Certo. Desculpe, Molly.

A nuvem de fumaça desapareceu no que Mundungo repôs o cachimbo no bolso, mas um cheiro horrível continuou no ar.

— E se vocês quiserem comer antes da meia-noite, vou precisar de ajuda – anunciou a Sra. Weasley a todos na cozinha. – Não, você pode ficar onde está, Harry querido, fez uma viagem muito longa.

— Em que posso ajudar, Molly? – perguntou Tonks, adiantando-se entusiasmada.

A Sra. Weasley hesitou, parecendo apreensiva.

— Hum... não, tudo bem, Tonks, você também precisa descansar, já fez o suficiente hoje.

— Não, não, quero ajudar! – insistiu a bruxa, animada, derrubando uma cadeira ao se precipitar para o armário, no qual Gina apanhava talheres.

Hannah se preparou para ajudar, pois ela já teve que cozinhar muito para sua mãe, e querendo ou não, ela até gostava de ajudar. Logo, uma coleção de facas estava cortando carne e hortaliças sozinhas, supervisadas pela Sra. Weasley, enquanto ela mexia um caldeirão pendurado sobre as chamas e os demais apanhavam, na despensa, pratos, mais cálices e comida. Estava tudo indo bem, até Fred e Jorge decidiram usar magia para levar algumas coisas para mesa

— Fred... Jorge... NÃO, É SÓ PARA CARREGAR AS COISAS! – gritou a Sra. Weasley.

O caldeirão que eles enfeitiçaram deslizou por toda a extensão da mesa e parou quase na ponta, deixando uma longa queimadura negra em sua superfície; a jarra caiu com estrépito, espalhando o conteúdo pela cozinha; a faca de pão escorregou da tábua e aterrissou, de ponta para baixo, agitando-se ameaçadoramente, no ponto exato em que a mão de Sirius estivera momentos antes.

— PELO AMOR DE DEUS! – bradou a Sra. Weasley. – NÃO HAVIA A MENOR NECESSIDADE... PARA MIM JÁ CHEGA... SÓ PORQUE AGORA VOCÊS TÊM PERMISSÃO PARA USAR MAGIA, NÃO PRECISAM PUXAR A VARINHA PARA TUDO!

— Só estamos tentando economizar tempo! – respondeu Fred, correndo a arrancar a faca de pão da mesa. – Desculpe, cara – disse a Sirius –, não tive...

— Meninos – disse o Sr. Weasley, repondo o caldeirão no centro da mesa –, sua mãe tem razão, espera-se que vocês demonstrem responsabilidade, agora que são maiores de idade...

— Nenhum dos seus irmãos criou esse tipo de problema! – ralhou a Sra. Weasley com os gêmeos, batendo uma nova jarra de cerveja amanteigada na mesa com tanta força que quase derramou a mesma quantidade do líquido que os garotos. – Gui não sentia necessidade de aparatar a cada metro! Carlinhos não enfeitiçava tudo que via! Percy...

Ela parou de repente, para tomar fôlego, e lançou um olhar assustado ao marido, cuja expressão enrijecera repentinamente.

— Vamos comer – disse Gui depressa.

— Está com uma cara ótima Molly – disse Lupin, servindo uma concha do ensopado em um prato e passando-o a ela, sentada à sua frente na mesa.

Durante alguns minutos fez-se silêncio, quebrado apenas pelo ruído dos pratos, talheres e cadeiras à medida que as pessoas se acomodavam para comer. Então a Sra. Weasley se dirigiu a Sirius.

— Estou querendo lhe falar há dias, tem alguma coisa presa na escrivaninha da sala de visitas, não para de chocalhar e vibrar. É claro que pode ser apenas um bicho-papão, mas pensei que talvez devêssemos pedir a Alastor para dar uma espiada antes de soltarmos o que quer que seja.

— Como quiser – respondeu Sirius, indiferente.

— As cortinas de lá também estão cheias de fadas mordentes, pensei que a gente talvez pudesse tentar resolver o problema amanhã. – continuou a Sra. Weasley.

— Estou ansioso para começar – disse Sirius.

Enquanto eles comiam, Tonks brincava com Hannah, Hermione e Gina, transformando o nariz em várias formas diferente a cada garfada, e as três estavam pedindo para ela fazer os narizes que mais gostavam. Hannah estava tão distraída que se assustou quando várias pessoas começaram a rir. Fred e Jorge enfiaram a cara nos cálices de cerveja amanteigada, Jorge estava com soluço. Depois de alguns pratos, todos estavam satisfeitos e descontraídos, e Hannah estava ansiosa para subir, pois ela estava quase terminando de ler um romance trouxa, ela ama esse tipo de livro, e ficou muito felz quando a Sra. Weasley disse cansada:

— Acho que está chegando a hora de dormir.

— Ainda não, Molly – pediu Sirius, afastando o prato para olhar Harry de frente. – Sabe, estou surpreso com você. Pensei que a primeira coisa que faria ao chegar era perguntar sobre o Voldemort.

A atmosfera na sala mudou rapidamente. Se segundos antes estava sonolenta e descontraída, agora ficara alerta e até tensa. Correu um arrepio pela mesa à menção do nome de Voldemort. Lupin, que ia tomar um gole de vinho, baixou o cálice lentamente, com ar de preocupação.

— Perguntei! – exclamou Harry, indignado. – Perguntei a Rony e Hermione, mas eles disseram que não podíamos participar da Ordem, então...

— E têm toda a razão – disse a Sra. Weasley. – Vocês são muito jovens.

A bruxa se empertigou na cadeira, as mãos fechadas sobre os braços, sem o menor vestígio de sono, e deixou Hannah chateada, pois iria demorar para ela conseguir terminar seu livro

— Desde quando alguém precisa pertencer à Ordem da Fênix para fazer perguntas? – indagou Sirius. – Harry ficou preso naquela casa de trouxas um mês inteiro. Tem o direito de saber o que andou acontecendo...

— Calma aí! – interrompeu-o Jorge, em voz alta.

— Por que é que o Harry recebe respostas às perguntas dele? – protestou Fred aborrecido.

— Faz um mês que tentamos tirar informações de você e não conseguimos absolutamente nada! – disse Jorge.

— Você é jovem demais, não pertence à Ordem – disse Fred, com uma voz esganiçada que lembrava estranhamente a da mãe. – E Harry não é nem maior de idade!

— Não tenho culpa se ninguém lhe contou nada que a Ordem tem feito – respondeu Sirius calmamente. – Isso é uma decisão dos seus pais. Por outro lado, o Harry...

— Não cabe a você decidir o que é bom para o Harry! – retrucou a Sra. Weasley com aspereza. A expressão em seu rosto, normalmente bondoso, parecia perigosa. – Suponho que ainda se lembre do que Dumbledore disse?

— Que parte? – perguntou Sirius educadamente, mas com o ar de um homem que se prepara para uma briga.

— A parte em que disse para não contar a Harry mais do que ele precisa saber – disse a Sra. Weasley, sublinhando as duas últimas palavras.

As cabeças de Rony, Hermione, Hannah, Fred e Jorge giravam de Sirius para a Sra. Weasley. Gina estava ajoelhada em meio a uma pilha de rolhas de cerveja, observando a conversa com a boca entreaberta. Os olhos de Lupin estavam pregados em Sirius. A discussão começou a ficar seria depois de um tempo e Lupin teve que intervir

— Por mim – disse Lupin em voz baixa, só então afastando o olhar de Sirius, ao mesmo tempo que a Sra. Weasley se virava para ele, na esperança de ter finalmente conseguido um aliado –, acho melhor que Harry conheça, por nosso intermédio, os fatos, não todos, Molly, mas o quadro geral, em vez de ouvir uma versão truncada pela boca de... outros.

Sua expressão era suave, mas Hannah o conhecia, ela sabia que ele sabia que uma ou duas orelhas extensíveis tinham sobrevivido

— Bom – começou Molly, dando um longo suspiro e olhando ao redor à procura de um apoio que não veio –, bom... estou vendo que vou perder. Mas vou dizer só uma coisa: Dumbledore deve ter tido suas razões para não querer que Harry soubesse demais, e falando como alguém que quer o melhor para Harry...

— Ele não é seu filho – disse Sirius em voz baixa.

— É como se fosse – respondeu ela ferozmente. – Quem mais ele tem?

— Tem a mim!

— Tem – concordou a Sra. Weasley, crispando a boca –, o problema é que foi bastante difícil para você cuidar dele enquanto esteve trancafiado em Azkaban, não foi?

Sirius começou a se erguer da cadeira, e Hannah já estava quase indo para o quarto, junto com Hermione, subindo para o quarto.

— Molly, você não é a única pessoa nesta mesa que se importa com o Harry – disse Lupin secamente. – Sirius, sente-se.

O lábio inferior da Sra. Weasley estava tremendo. Sirius tornou a se sentar lentamente em sua cadeira, o rosto estava branco.

— Acho que devíamos deixar Harry dar a opinião dele sobre o assunto – continuou Lupin – ele já tem idade para decidir sozinho.

— Eu quero saber o que está acontecendo – disse o garoto imediatamente.

— Muito bem – disse a Sra. Weasley com a voz falhando. – Gina... Rony... Hermione... Hannah…Fred... Jorge... quero vocês fora desta cozinha, agora. – Houve um tumulto instantâneo, que apenas Hannah e Hermione não participaram.

— Somos maiores de idade! – berraram Fred e Jorge juntos.

— Se Harry pode, por que eu não posso? – gritou Rony.

— Mamãe, eu quero ouvir! – choramingou Gina.

— NÃO! – bradou a Sra. Weasley, pondo-se de pé, os olhos demasiado brilhantes. – Eu proíbo terminantemente...

— Molly, você não pode impedir Fred e Jorge – disse o Sr. Weasley, cansado. – Eles são maiores de idade.

— Ainda são estudantes.

— Mas agora são legalmente adultos – disse o Sr. Weasley, com a mesma voz cansada.

A Sra. Weasley ficou escarlate.

— Eu... ah, está bem, então, Fred e Jorge podem ficar, mas Rony...

— De qualquer jeito Harry vai contar a mim e a Hermione tudo que disserem! – falou o garoto, zangado. – Não vai... não vai? – acrescentou, inseguro, procurando os olhos de Harry.

— Claro que vou – confirmou Harry e Rony e Hermione abriram largos sorrisos. Hannah, que já estava cansada de toda essa discussão, conseguiu sair de fininho para o quarto onde dorme para terminar seu livro.