A loba do Norte

2 Na estrada com Melisandre


Notas iniciais
Depois de ser expulsa do norte por Jon Snow, Melisandre ajuda outra Stark

As imagens que Melisandre viu pareciam confusas, mas ela julgou estar correta em suas interpretações. Ela não se virou, mas sentiu os olhos de Arya Stark queimando suas costas.

A garota cavalgava logo atrás, seguindo-a para o local que Melisandre afirmara ver um velho conhecido de ambas.

— Bem, é aqui. – disse a Mulher Vermelha. – Atalaia da Viúva.

Arya mordeu os lábios. Não tão boa quanto a irmã em decorar nomes de terras, lordes e famílias, e não tinha certeza de que lado da guerra estavam os Flint, embora tivesse visto um estandarte da casa nas Gêmeas. Lançou uma olhadela à Melisandre e, pela décima sétima vez, perguntou-se por que arriscava segui-la.

— Por que o levou?

Depois de tanto tempo em silêncio, a Mulher Vermelha estranhou a pergunta.

— O que disse?

— Por que levou o Gendry?

— Sangue nobre tem poder.

Arya bufou.

— Sangue nobre?

A Mulher Vermelha balançou a cabeça. A garota nunca entenderia. Não se pode entender certos sacrifícios quando não se conhece o deus, e alguns sacrifícios simplesmente tem que ser feitos, pensou ela. A vida do garoto bastardo tinha sido substituída pela vida de uma garotinha, uma criança que lhe custou a confiança de Jon Snow. Outro Stark que nunca entenderia.

Desceram dos cavalos em frente a uma pequena construção entre duas casas. A luz das chamas refletia nas paredes de pedra e o barulho do metal sobrepunha ao das carroças que levavam mantimentos para o castelo. Uma ferraria.

Arya respirou fundo antes de entrar. O calor na ferraria fazia gotas de suor brotarem em sua testa. Pigarreou ao ver o homem de costas, trabalhando em uma arma.

— Quanto custa a espada?

Surpreso com o passo leve da garota, o rapaz virou-se. O sorriso de falsa surpresa de Arya transformou-se numa careta decepcionada. Embora tivesse as costas largas e os braços fortes, aquele homem não era nada parecido com Gendry.

— É uma peça encomendada por lorde Edwin Flint, em pessoa. Não está à venda. – o ferreiro resfriou a arma e a depositou sobre um balcão. Sequer notou o olhar rancoroso que Arya trocou com Melisandre.

— Bem, obrigada, de qualquer jeito. – ela virou-se para sair. E então viu o elmo.

Era um capacete particularmente bem forjado, com o formato de um touro. Melisandre quase sorriu ao reconhece-lo, e lançou um olhar vitorioso à garota.

— Vou levar o elmo.

— Na verdade também não está... – o ferreiro parou ao ver que Arya depositava uma grande quantia em moedas na sua frente. — É todo seu.

— Onde o achou? – perguntou Melisandre.

— Foi feito por um aprendiz que trabalhou aqui antes de mim.

— Onde ele...? – Arya iria perguntar, mas alguém entrou na ferraria.

— Imagino que minha nova espada esteja pronta.

O ferreiro fez uma breve reverência.

— Está sim, milorde.

Arya e Melisandre deram meia volta para sair, mas o homem barrou sua passagem.

— Eu conheço você – ele apontou Arya, como se tentasse relembrar.

Ela o reconhecia. Edwin Flint frequentemente aparecia em Winterfell, sempre ao lado dos Bolton, que, como a Coroa, tinham declarado guerra contra os Stark.

— Lady Arya Stark! – ele segurou seu braço, com uma gargalhada de quem acabara de ganhar um torneio.

— Deve estar me confundindo com outra pessoa, meu lorde. – afastou-se ela, enquanto Edwin, por sua vez, aproximava-se.

Arya sacou Agulha.

— Vou repetir, meu lorde. Deve estar me confundindo com outra pessoa. – e quando Flint avançou, ela o atacou na costela.

Edwin caiu, com uma careta de dor, enquanto Arya seguia de volta para o cavalo, com Melisandre em seu encalço.

— Seu destino é Winterfel, e nossos caminhos se separam aqui. – disse a Mulher Vermelha – nos encontraremos novamente.

Arya não respondeu, e cavalgou para fora da cidade com a impressão de que as previsões de Melisandre eram sempre um tanto vagas.

Quatro homens dos Flint a seguiram. Com o cavalo cansado, ela não correu muito até que a alcançassem. Arya sacou Agulha, tentando decidir qual homem atacar primeiro.

E então, os cavalos recuaram. Um uivo terrível preencheu a estrada, e uma massa disforme de pelos pulou sobre um dos homens.

A garota não esperou que o lobo terminasse para atacar o próximo homem, e enfiou agulha em sua barriga. Um dos homens recuou e, em pouco tempo, a loba e a menina haviam derrubado os três restantes.

Arya desceu do cavalo e encarou demoradamente a imensa loba branca e cinzenta. Ela aproximou-se, com a mão estendida e, na falta de reação da canina, envolveu-a com os braços.

— Nymeria. – ela enterrou o rosto em seus pelos quando uma gota de lágrima escorreu por seu rosto – Me perdoa.

Em resposta, a loba uivou.

Notas finais
Próximo capítulo: Jon Snow
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.