A loba de ferro

1 A última noite


Notas iniciais
Olá pessoas! Estou postando mais uma one depois de um longo tempo sem postar nada de ASOIAF, então estou meio insegura, principalmente porque o ship é meio odiado. Justamente por isso fiz uma coisa mais leve, mas dependendo da recepção de vocês, posso acrescentar mais uns capítulos dos dois aqui, com mais detalhes e tal, por isso não marquei como terminada. Enfim, boa leitura a todos e todas, espero que gostem (:

A futura rainha, deitada em sua cama, observava o transcorrer da noite sem conseguir dormir, à espera do dia seguinte. Queria sentir seu lar por mais aquele momento, sabia que tudo aquilo estava prestes a acabar. Partiriam para Porto Real no dia seguinte, e lá tudo era diferente. Seria lindo, como nas canções, seria cheio de vida e cor e de cavaleiros galantes, que não existiam em Winterfell. Mas, ainda assim, não seria sua casa. O Norte estava nela, assim como a mãe e os irmãos que ficariam, e os jovens sonhos de criança. Seria mulher agora, seria rainha. Não havia mais espaço para brincadeiras e diversões. Muitos dos homens que os acompanhariam ainda corriam no pátio, procurando pertences, pessoas, arrumando as bagagens necessárias, mas Sansa sabia que nem tudo de que se precisaria poderia ser levado. A mãe ficaria, a mulher em quem confiava, assim como os irmãos. Robb sempre a protegia, e não estaria lá agora. Bran e Rickon cresceriam sem que ela pudesse vê-los. E tão importante quanto os irmãos, mas de um modo diferente, estava ele. Seus olhos azuis cheios de segredos e pensamentos indizíveis não a acompanhariam, e seus sentimentos seriam agora mais secretos do que nunca.

O vento entrava frio em seu quarto pelas portas abertas da varanda, mas ela o achava revigorante, aquilo era um pouco mais do Norte que ela deixaria. Mas e o azul? Límpido e brilhante, contudo às vezes mais sujo e inquietante que qualquer silêncio ou ressoar de conflitos. O azul de seus olhos. Sansa pouco tivera tempo de encontrá-lo no dia, seus contatos não passaram de breves olhares, sempre escondidos, sempre proibidos. Habitaria apenas sua memória agora, e mesmo ali deveria ser controlado, oculto. E, quem sabe, um dia esquecido. A jovem estremeceu com o pensamento, cobrindo o rosto para negar o ímpeto que havia tido. Seria capaz de um dia esquecê-lo? Pelo que sabia, pessoas tendiam a expulsar das memórias os momentos de dor, mágoa, sofrimento, não os de felicidade, amor. As dúvidas que todos os sentimentos lhe causavam fizeram-na querer chorar, e até isso deveria ser baixo, e escondido. O choro silencioso da futura rainha.

Seus pensamentos foram interrompidos quando escutou a porta de seu quarto se abrindo. Como se soubesse onde estava sua mente, ele havia ido vê-la. Os olhos azuis de Theon reluziam na escuridão do quarto pouco iluminado pelo luar. Já haviam se encontrado furtivamente inúmeras vezes, mas nunca em seu quarto e nunca com uma expectativa tão grande caindo em seus ombros. Sansa sentou-se na cama, e as peles que a cobriam caíram, deixando que o vento que entrava pela janela percorresse seu corpo suavemente coberto por uma leve camisola. A visão para Theon foi da mais pura beleza e inocência. Os fios rubros da jovem balançavam ao vento, e ele pôde ver seus mamilos eriçados marcando o tecido claro. Ele aproximou-se da cama suavemente, como que temendo quebrar a pureza da menina. Mas em seu íntimo, era tudo o que queria.

— Não consegui esperar até amanhã, perdoe-me. — Ele permaneceu de pé, imóvel.

— Agrada-me que tenha vindo. — Sansa sentia-se levemente exposta sob o olhar lascivo de Theon, mas não se incomodou. Aqueles olhos azuis luxuriosos eram velhos conhecidos de todos, mas não o que estava abaixo deles. Sansa navegara por debaixo daquela máscara zombeteira, por muitas vezes havia se afundado nas memórias e palavras, e apenas ela. Havia se afogado na dedicação e no carinho delicado, no amor suprimido. Em sentimentos puros, contrastantes com a malícia externa das feições do jovem. Ela sabia que ali existia um outro Theon, que só a ela pertencia.

— Amanhã não teremos tempo algum. — A jovem Stark continuou.

— Eu sei. Partirão ao nascer do sol. — Ele se sentou na ponta do colchão de penas da jovem.

Theon respondeu sem qualquer afetação, mas sua calma apenas encobria uma mente em polvorosa, um mar furioso, revoltoso com a simplicidade de seus desejos pela garota, e também pela complexidade de não poder chamá-la de sua ou impedir sua partida. Era apenas Theon, o refém. Não queria se deixar levar pela tristeza do momento, mas Sansa era a única que o conhecia de outros modos. Ela conhecia o mar de pensamentos e memórias que ele era, ainda que pouco falassem disso. Ele, então, ergueu os olhos, encarando a jovem, e neles ela viu pequenas lágrimas se acumulando, doces e tristes como o mar depois de uma tempestade. Suavemente ela colocou a pequena mão no rosto dele, e aquilo bastou. Ao mesmo tempo em que o a torrente de lágrimas aumentou, Theon tornou-se decidido de sua última noite. Segurou a face de Sansa e a tomou num silencioso e profundo beijo. Talvez aquele tenha sido o gesto mais pessoal entre os dois. Foi como se o momento tivesse parado, e tudo houvesse emudecido à sua volta. O beijo mais doce e ao mesmo tempo sentimental da filha do lobo e do filho da lula. A jovem não conseguia suportar o peso do gesto, e também por isso deixou-se cair sobre a cama, com o corpo de Theon colado ao seu. Sentiu o peso do homem comprimindo-a contra o colchão, e tinha dificuldade para respirar, mas achava que esse efeito não era apenas pelo peso dele. Theon beijou o pescoço alvo de Sansa com suavidade, e ouviu-a gemer delicadamente com o gesto. A garota estava com os olhos fechados e corria os dedos pela escuridão dos cabelos negros de Theon. Suspirou, e gemeu, entregou-se a ele, e ele entregou seu coração.

— Por favor, não vá. — Ele a olhou profundamente, levantando o rosto, seus olhos azuis se encontrando.

— Eu devo ir Theon. Não posso escolher.

— Mas e se pudesse? Ficaria? — Theon questionou, afastando-se dela suavemente para melhor observá-la.

Sansa pesou as palavras, o passado secreto e apaixonado com ele e o futuro glorioso como rainha. Quando o olhou novamente, Theon pôde sentir o pesar de modo quase palpável nos olhos dela. Endireitou-se na cama, quebrando todo contato com Sansa. Ele era acostumado a brincar com as jovens de Winterfell, e sentir que agora ele era a peça atingiu seu orgulho, sentiu-se como se fosse para a loba apenas um passatempo até que um futuro glorioso chegasse. Como se fosse feito de extremos, todo o carinho e sutileza de Theon deram lugar à raiva e ao instinto. Aproximou-se com ainda mais sede da menina, e a beijou, mas sem qualquer delicadeza dessa vez. Segurou os braços da jovem ao lado de seu rosto, e seus lábios percorriam o pescoço e o colo dela furiosamente. Sansa parecia querer protestar, mas os sentidos que ele despertava com seus toques impediam-na, e ele não a machucava. Theon soltou uma das mãos da jovem e agarrou seu seio, olhando-a com atenção enquanto descia o toque. Desacelerou o movimento da mão, e percorreu vagarosamente o corpo da jovem. Sansa suspirava e gemia, e quando ele alcançou sua intimidade, ela imediatamente abriu os olhos, encontrando dois mares azuis lascivos. Theon colou os lábios aos ouvidos dela, e suavemente sussurrou:

— Leve isso de mim para Porto Real. Esqueça todo o resto.

O jovem levantou-se, sem continuar qualquer ação, deixando Sansa ansiosa sobre as cobertas, e com todas as memórias mais avivadas do que nunca, marcadas a fogo em sua mente. Fechou os olhos para superar o conflito de emoções que sentia, e quando os abriu novamente, estava sozinha, e a porta de seu quarto, fechada, como se ninguém houvesse entrado por ela, feito-a se sentir uma mulher e depois abandonado-a em sua própria indecisão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.