A lenda de Alice
15 A fuga
Notas iniciais
Alice
Contamos detalhadamente o que aconteceu na Amazônia à Kaezzy e quando chego na parte da morte de Kelsey ela fica com uma expressão triste e surpresa, ela arregala seus olhos que perdem o brilho meio que instantaneamente, como se ela não tivesse mais motivos para viver, seus labios começam a tremer e percebo que sua respiração fica pesada, ela perde o equilíbrio e põe uma das mãos onde se localiza o coração e a outra ela usa para se segurar em sua mesa, impedindo que caisse, seus olhos já estavam cheios de água quase que transbordando por alguma razão não permite que as lagrimas saiam como se estivesse em choque demais para conseguir chorar.
–Eu sinto muito Kaezzy, mas eu estava fraca demais para impedir que aquele homem a matasse.
–O-obrigada....A-alice...pelo menos você recuperou a pedra...- ela fala gaguejando e enxuga o rosto com a palma da mão -Por que você não vai falar com a Raven? Ela está mor.... com muitas de saudades. Me deem licença- ela sai da sala, com o rosto já enxarcado por lágrimas,deixando eu e arthur a sos.
–É muito triste o que aconteceu com Kelsey...- Arthur fala com a cabeça baixa e mãos nos bolsos.
–Também achei, pensei que Bia e Kelsey fossem amigas mas ela a atacou, e no final apareceu aquele homem.
–Que homem?- ele pergunta bem curioso.
–Bom, ele aparentava ter uns 23 anos, não deu para ver muita coisa- nos dirigimos para fora da casa de Kaezzy enquanto conversávamos -E no fim de tudo ele se transformou em dragão saiu voando.
–Pode ser o Seiryu.
–O deus dragão da madeira?
–Como você sabe?- ele fez cara de confuso.
–Sinto como se eu sempre soubesse, acho que quando recuperei parte de meus poderes também recuperei minhas memórias.
–Interessante- continuamos a falar e fomos a casa de Raven, faz quase uma semana que não vejo essa garotinha problemática.
Batemos na porta, ela estava aberta então entramos sem mais nem menos, encontramos ela deitada com a cabeça para baixo no sofá.
–Olá para vocês, porque demoraram tanto? Quando vamos a China? — Raven fala totalmente sem interesse na nossa chegada, como se estivesse com raiva.
–China? Como assim? -pergunto, acabei de chegar e já vou sair de novo?
–É onde a proxima pedra vai estar, e acho que temos que ir logo, ao kuang é uma pessoa muito difícil de negociar, além do mais, é provável que Genbu vai estar lá.
–Ao kuang? Genbu? Raven você não está falando coisa com coisa.
–Ao kuang é quase um aliado seu na sua vida passada, um dos deuses dragões dos rios chineses, ele é do leste se não me engano — Arthur fala -E Genbu é quase seu inimigo mortal porque você pegou uma das pernas de tartaruga dele e usou para num sei o que...- tartaruga, dragão, a pedra azul...agora o sonho começa a fazer um pouco de sentido, ainda não contei a eles sobre meu sonho, não acho que eles precisam saber.
–Até hoje ele é alejado- Raven interrompe Arthur para fazer gracinha e ri com isso.
–Eu só sei uma coisa, eu cheguei agora aqui e pretendo ficar mais um pouco, faz uma semana que não vejo a minha avó...
–Quanto a isso, ela ja foi a China — Raven mostra a língua.
–O que?
–Quando ela soube que ia ser na China ela não quis te esperar — legal, parece que minha avó não mudou nada.
–Bom, ja que não temos muitas escolhas...-Arthur fala enquanto põe seu braço no meu ombro.
–Você eu não sei, mas eu tenho escolha sim! Não é porque eu te beijei que agora somos um casal que tem que seguir o mesmo caminho- saio de lá e bato a porta com força.
–Ela te beijou? — antes de bater a porta escuto a voz de Raven.
Ando por ai tentando me acalmar "Que revolta foi essa Alice?" ouço a voz de Simon me perguntando, "Por que esta com raiva?"
–Eu não sei Simon! Eu só ainda não me acostumei com isso! — me sento em um banquinho de frente ao lago, na minha mente visualizo um local que eu possa conversar com Simon sem parecer que estou falando sozinha ou que sou louca.
–Como assim não se acostumou com isso?
–Você ainda não entendeu? Não faz nem um mês desde que soube que eu era a reencarnação de uma deusa super poderosa, a partir dai todos cobram muito de mim, não entendem que só tenho 16 anos e que preciso descansar um pouco.
–Mas desde o começo você sempre aceitou muito bem...
–Eu tentei aceitar, essa era a única explicação que eu tinha para as esquisitices que aconteciam comigo...-suspiro -Talvez eu só estivesse tentando me convencer que era mais importante ou que eu era especial. Mas na real, eu estou com medo do que possa acontecer..
–Medo de que mais alguém morra?
–...E se dessa vez for o Arthur? Ou a Raven? Ou até mesmo minha avó?
–Você não se preocupa em morrer também?- dou mais um leve suspiro.
–Me preocupo tanto com eles...acho que não sobrou muito para pensar em mim...
Tio Felype
Enquanto isso nos aposentos de Raven, arthur continua a conversar com ela a respeito de Alice.
–Sei que estamos cobrando muito da Alice, mas ela nunca demostrou esse estresse, acho que é muito para uma garota de 16 anos absorver em um mês.
–Mas ela não faz aniversário daqui a 3 meses?
–Isso não muda nada Raven!
–É, eu sei, desculpa. Devia ter esperado vocês se acomodarem para eu ir direto ao assunto.
–Você não sabia que isso ia acontecer? Você sempre sabe quase tudo que vai acontecer- ela suspira.
–Sinto que meus poderes estam... diminuindo...- o clima entre eles fica meio tenso.
–Como assim?
–Eu não sei!- ela bate a mão na mesa da sala, frustrada -Está assim desde que vocês viajaram...eu mal consigo ver o futuro sobre nós, especialmente com a Alice, é como...se ela não tivesse futuro- Arthur arregala os olhos e balança a cabeça para os lados tentando não acreditar nas palavras que ouvira.
–Não pode ser..-uma lágrima cai dos olhos de Arthur, sem pensar muito ele cria um portal no chão e vai embora, deixando Raven sozinha e zangada.
O resto da tarde os três ficam sem se ver.
O dia tem seu fim, todos voltam para as suas casas e vão dormir, exceto uma pessoa, Alice. Ela está em sua casa arrumando uma monchila e colocando certas coisas: roupas, calçados, livros, dinheiro....a pedra da floresta.
–Talvez eu precise dela, não é certeza que só o poder de meus braceletes deem conta do recado -Alice fala séria e receiosa.
–Pensei que você estivesse com medo do que poderia acontecer — Simon fala tentando entender.
–Eu tenho, se eu for junto com Arthur e Raven temo o que possa acontecer. Mas se eu não fizer nada é provável que esses deuses comecem uma guerra novamente atrás de mais poder e com isso muitos iriam morrer. E se eu tiver que me sacrificar por isso, que seja, não quero que ninguém morra por mim — Simon se cala.
Ela termina de arrumar suas coisas e sai de casa. Silenciosamente invade a casa de Arthur, vai até o armário dele que contém suas esferas de teleporte rápido, quebra o cadeado e pega 8 das esfera azuis, fecha o armário de forma que ninguém perceba nada, no caminho da saída vê Arthur dormindo tranquilamente.
–Own, é tão fofinhoo- ela fala baixinho e saí de lá com o mesmo silêncio com que entrou.
Quando ja está fora ela visualiza a muralha da China, o único lugar que ela realmente sabe onde fica da China, joga a bolinha no chão que se quebra com o impacto, a poeira que sai cria-se um portal.
–Tem certeza que quer fazer isso Alice? — Simon pergunta preocupado.
–Sim, tenho certeza.
Ela respira bem fundo, pensa no que está fazendo, visualiza a grande construção e entra no portal.
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