Notas iniciais
E se passou um tempo, e alguns acontecimentos perdidos. Boa leitura!

Já faz um tempo que estou deitada na mesma cama, olhando fixamente para o pontinho preto ao lado da lampada, já faz um tempo que não ouço vozes, desde que acordei não me mexi, não olhei para o lado, portanto não sei onde estou, que horas são, não sei o dia, muito menos lembro de algo, não sei quem sou.

Na noite de ontem eu tive um sonho. Olhos pretos carvão flutuavam no nada, tinha um corredor comprido, muitas flores no chão, ouvi gritos e quando acordei eu corri, corri pelo corredor do hospital em busca do corredor do sonho, corri até não ter mais forças e depois foi só escuridão.
Pelo canto do olho vejo vultos e viro o rosto, o quarto tem paredes brancas, não há quadros, nem tapetes, o chão é quadriculado bege e a porta da para um corredor, de onde vem umas três pessoas. Elas me levantam, a mulher me veste no banheiro, a menina nos acompanha até o carro, elas me colocam no banco de trás enquanto o homem está sentado atrás do volante, a menina entra novamente no prédio, a mulher senta ao lado do homem e ele dirige. Acho que estou surda, só escuto um chiado, o casal não parou de mexer a boca e gesticular desde que chegamos a uma casa, a casa é grande e fica encostada em um muro gigante, tipo uma divisa, que está em todo o lado da cidade, eles entram comigo na casa e me levam até o sofá e lá fico sentada. Estou consciente, só não escuto e conforme eles me puxam para lá e cá eu me deixo ser puxada, deve ser porque estou em choque, realmente, estou com medo do que podem me fazer, com medo de nunca lembrar ou saber nada e de descobrir tudo, com medo de não ser ninguém ou ser alguém que eu não gostaria de ser, só quero acordar deste pesadelo. E então eu apago.
—CASSIE!
Eu acordo com meu próprio grito, sinto arrepios e meu corpo esta suado, lágrimas grossas caem convulsamente de meus olhos e não consigo controla-las até a chegada dos meus pais. A mamãe corre até minha cama e me abraça, passa a mão pelos meus ombros repetidas vezes e diz:
—Cassandra, estou aqui com você!
Eu a escuto, estou tão grata por escuta-la e ela disse, disse meu nome, este é meu nome, agora me sinto em casa. Ele se aproxima da cama, fica de joelhos ao lado dela, pega minhas mãos e as beija.
—Estava com saudades, Cas!
Então eu acordo. Estou sozinha na cama. Está frio e oco. Eu espero que eles apareçam novamente, espero para escutar meu nome novamente, por aquele calor no corpo da presença daquelas pessoas, mas nada acontece.

3 horas depois...
São 5:27 da manhã, eu levanto da cama, sinto como se ela estivesse me empurrando para fora. Dou passo lentos no piso gelado até alcançar a mesa de escrivaninha, tenho uma incrível necessidade de escrever, e é o que eu faço, abro a agenda e escrevo, escrevo o que vem me acontecendo, que não faz muito sentido, escrevo mais sobre meus sentimentos, o medo, a vontade de lembrar tudo, e ao mesmo tempo medo de saber a verdade, a vontade que tenho que ter novamente a sensação que tive no sonho de lar. Escuto um barulho na janela, não a janela que da para o muro, a outra, então me aproximo e abro a cortina. A escuridão, o vazio e o vento predominam lá fora, e só, então a fecho novamente, fecho a agenda e volto para a cama.

Notas finais
O que você acha? Tem alguém vigiando a Cass ou ela ta biruta? Onde está o Theo? Tudo isso ta fazendo algum sentido? Desculpa, não é para fazer sentido. —K