A leitora que esqueceu sua história
9 A fuga
Notas iniciais
Meus olhos estão ardendo de sono, estamos à 2 horas caminhando; O Gabriel disse que a saída para 2016 era bloqueada, a melhor saída era pela minha outra janela, que é colada na fronteira. Pulamos a janela que dava no meio do nada, não tínhamos ajuda, transporte, então caminhamos, ele disse que assim que acharmos um lugar vamos parar, espero que seja logo, minhas pernas estão vacilando e eu não comi nada antes de sair.
Não falamos muito, é estranho, ele me conhece e eu não sei o que dizer...
—Cassandra,- paro de encarar o chão e olho para ele- posso te chamar de Cassie, né?- concordo com a cabeça — como você está?
—Bem, eu acho, to meio perdida
—Nós estamos- ele solta uma risada
— Você não entendeu- seguro no braço dele, fazendo-o parar e me olhar- Você pode me contar algumas coisas que acha que eu preciso saber?
—Nós estávamos namorando -solto o braço dele por impulso, meu sangue sobe até a cabeça, ruborizando minhas bochechas que demonstram meu nervosismo, ele rapidamente pega minha mão que eu havia tirado do seu braço na dele- desculpa dizer assim, estou querendo te contar desde que nos reencontramos, não imagina o quanto está sendo difícil ficar de boca fechada, eu queria esperar você lembrar.
—Tudo bem, eu que deveria me desculpar por não lembrar de você, de nós, do que vivemos e tudo mais.
—Vamos fingir que eu não contei isso para você, ok? E eu vou te contar algumas histórias nossas, mas precisamos continuar a caminhar e quando for a hora certa, retornamos neste assunto.
—Obrigada!-sorrio de alivio
Caminhamos mais uma meia hora até encontrarmos um bar de beira da estrada, com sua tipica placa de luz vermelha queimada dizendo "drinking with Betto", não estávamos com vontade de beber com o Betto, mas estávamos cansados o suficiente para pagarmos uma porção de fritas gordurosas e deliciosas. Apesar do cansaço, da fome, de eu ter fugido de casa, de eu não conhecer a pessoa com que eu estou fugindo, esta está sendo a maior e melhor aventura da minha vida, considerando que eu não lembro de nada da minha vida. O Gabriel disse que ia ver se conseguia um lugar para a gente dormir, dificilmente conseguirá levando em conta que tudo o que tem aqui em volta é mato, asfalto e mais mato, o garçom fica me olhando e eu estou perto de cair de cara no prato, quando alguém senta no meu lado e eu viro o rosto.
—Nossa, você ta bem? Ta com uma cara.
—Só cansada, quem é você?
—Ta bom, trabalho aqui, o Gabriel pediu para chamar você- ela olhou para trás e apontou uma porta verde atras do balcão- ele ta lá atras
—Ok, obrigada.
Levanto caminho até a porta, atravesso ela, ela dá para os fundo do bar, ele ta na ponta da mata e me chama. Vou até ele e me escoro no seu braço.
—Você ta legal, Cassie? Olha, só precisamos caminhar uns 10 metros, o dono do bar disse que podemos dormir na cabana dele, ta vazia já que ele ta se mudando, mas pelo menos não vamos dormir no mato.
—Gabriel, sei que você ta cansado e devido a conversa de hoje isso pode ser meio estranho, mas você poderia me carregar?
—Cassie?-pisco e as coisas saem de foco, por que ele simplesmente não me pega no colo?
—Acho que vou des...
—Cassie!
—ma...maiar
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