Edward ficou ali com a filha por alguns minutos, acariciando seu cabelo enquanto a sentia se acalmar. O silêncio do quarto era confortável. A noite lá fora parecia suspensa, como se o tempo tivesse diminuído o ritmo só para dar espaço a esse instante.

— Você está mais calma? — ele perguntou em voz baixa.

Renesmee assentiu com um murmúrio. Edward beijou sua testa e disse:

— Vou buscar sua mãe. Esse momento... deveria ser nosso.

Saiu do quarto com passos leves e desceu até a sala. Bella estava sentada no sofá, revisando alguns documentos escolares e anotações que Alice havia feito sobre os possíveis colegas de Renesmee na nova cidade.

— Amor — Edward se aproximou com um meio sorriso —, vem comigo?

Bella o olhou, um pouco surpresa com o tom de convite.

— Está tudo bem?

— Está. Só... — ele suspirou e abaixou o tom. — Senti falta de dormirmos juntos com ela. De estarmos ali, só nós três. Nessie teve um dia difícil. E eu percebi o quanto isso aqui... — ele gesticulou suavemente ao redor — ainda é o melhor que a eternidade pode nos dar: uma família.

Bella sorriu, com os olhos já marejados pela sensibilidade do momento. Levantou-se e entrelaçou os dedos aos dele.

— Vamos, então. Antes que ela durma sem a gente.

No quarto, Renesmee ainda estava acordada, embora os olhos pesassem. Quando viu os dois, se ajeitou mais no centro da cama.

— Vocês vieram — murmurou, satisfeita.

Bella se deitou de um lado, Edward do outro. Os três se entrelaçaram em um abraço silencioso, o quarto iluminado apenas pela luz fraca da luminária.

— Sabe, Nessie — disse Bella, com a cabeça encostada na da filha —, você é a melhor parte de nós dois. E eu nunca vou deixar você passar por nada sozinha.

— Eu tenho sorte, né? — sussurrou a garota, os olhos quase fechados. — De ter vocês.

Edward beijou o topo de sua cabeça.

— Nós é que temos.

Pouco tempo depois, Renesmee adormeceu tranquila entre os dois. Edward e Bella permaneceram ali, observando a filha dormir.

— Lembra quando ela era só um bebê? — Bella perguntou, com a voz presa na garganta.

— Sim. E ainda assim, de alguma forma, era intensa. Sempre foi. Acho que puxou isso de você.

Bella sorriu.

— E essa teimosia? Toda sua.

Os dois riram, com aquele riso abafado de pais que não querem acordar o filho. Depois, Edward ficou mais sério.

— Ela está crescendo, Bella. E mesmo com todo nosso preparo, ainda é arriscado. O mundo humano é perigoso de um jeito diferente. Não se trata só de segredos... é emocional. Ela vai se sentir deslocada, pressionada. Às vezes, ferida.

— Eu sei. E dói pensar nisso. Mas se quisermos deixá-la viver, de verdade... vamos ter que permitir isso também. Ela vai tropeçar. E vamos estar aqui pra ajudar a levantar.

Edward a olhou com ternura.

— E você sempre me parece tão forte, mesmo quando está com medo.

— Porque você está aqui. — Ela segurou sua mão com firmeza. — Sempre estivemos juntos nisso.

Ficaram ali, até o som da respiração de Renesmee se tornar mais profunda. Edward beijou Bella de leve, e os dois permaneceram ao lado da filha a noite toda.