A humanidade de Renesmee
21 A Mesa Continua Posta
O silêncio confortável entre Renesmee e Edward foi quebrado por uma batida gentil à porta. Logo em seguida, a figura calorosa de Esme apareceu no batente, segurando uma bandeja com um novo jantar.
— Interrompo? — perguntou com um sorriso suave, já entrando no quarto.
— Nunca — respondeu Edward, se levantando para dar espaço à matriarca da casa.
— Trouxe algo mais leve, Nessie. Uma sopa caseira de legumes, com pão fresco. E um chá de camomila, caso você queira relaxar antes de dormir — disse Esme, colocando a bandeja na mesa lateral do quarto.
Renesmee se sentou devagar, olhando para a avó com ternura. — Obrigada, vó. De verdade. — O cheiro da sopa era reconfortante, mesmo que ela soubesse que não saciaria da mesma forma que caçar.
— Essa noite eu vou ficar — disse Esme, passando a mão nos cabelos da neta com carinho. — Seu avô, tios e seus pais precisam sair. Caçar em grupo tem funcionado bem para mantê-los fortes… e discretos.
Edward assentiu ao lado da porta. — Vamos sair assim que você estiver bem aqui. Voltamos antes do amanhecer.
Esme se virou para a neta, com aquele tom que só uma avó conseguiria usar — doce e ao mesmo tempo decidido:
— E quando essa rotina se ajeitar, eu faço questão de que voltemos todos a comer juntos à mesa. Não importa o que esteja no prato, o importante é estarmos em volta dela. A mesa une, ainda mais em tempos de mudança.
Renesmee sorriu com os olhos marejados, sentindo-se acolhida como só Esme sabia fazer.
— Eu vou tomar um banho, e depois como com você — disse a menina, levantando-se devagar.
— Perfeito — disse Esme. — Vou colocar a sopa no aquecedor. Quero que coma quente.
Edward se aproximou da filha e lhe deu um beijo na testa.
— Tenha uma boa noite, pequena. Confio em você. — E se virou para Esme. — Cuide bem da nossa menina.
— Sempre — respondeu Esme com orgulho.
Enquanto Edward deixava o quarto e Renesmee seguia para o banho, o ambiente se enchia de uma calma aconchegante. Ao voltar, vestindo seu pijama preferido e com os cabelos ainda úmidos, encontrou a avó já a esperando com a bandeja pronta e o chá perfumando o ar.
As duas sentaram-se juntas, lado a lado no sofá do quarto. Enquanto Renesmee comia devagar, Esme contava pequenas histórias de antigas mudanças da família, de como cada cidade deixava uma marca, um cheiro, um detalhe.
Era um momento simples, mas que preenchia muito mais que o estômago — preenchia o coração.
Lá fora, os outros Cullens partiam para a floresta, preparados para a caça. Mas ali dentro, entre uma colherada de sopa e um sorriso afetuoso, Renesmee descobria que crescer entre vampiros talvez fosse mais sobre manter viva a humanidade que havia nela — e que em sua família, ela jamais estaria sozinha.
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