A história de Molly
1 Contando um pouquinho sobre mim
Notas iniciais
Bom, meu nome é Molly, tenho 16 anos. Hoje, aparentemente eu sou uma pessoa normal, sem parecer que um dia eu já sofri muito. Sou magra, tenho olhos castanhos, cabelos curtos, lisos e pretos com mechas castanhas. Algumas pessoas dizem que me acham linda, mas eu sei que eu não sou. Talvez seja só eu que pense assim, mas acho que não. Tem muitas pessoas que, com certeza, tem sua opinião sobre mim também, pessoas com opiniões boas e pessoas com opiniões ruins. Mas isso não importa, não mais. Tem quem diz que eu seja alegre, uma pessoa que ri de tudo. Tem outras que me acham chata por esse motivo. Enfim, quem liga pras opiniões dos outros não é? Ok, talvez eu ligue um pouquinho hoje ainda. Mas não muito. Existe tantas garotas tão lindas, tão maravilhosas, tão perfeitas na escola, e por que ainda tem gente que da a opinião dela pra mim? Será que deve ser porque essa gente sabe que eu sou sensível? Que eu vou me atingir com essas palavras? Deve ser... e realmente, eu me importo com o que eles dizem de mim. Eu não sou perfeita, e nem chego perto de ser, mas eu tento. Tento muito, até que as vezes eu penso em que gostaria de ser uma dessas garotas populares, que até elas próprias sabem que são lindas. Deve ser legal ser uma delas. Ter fama, várias curtidas, todos os garotos gostando. Mas infelizmente, nem todos tem a mesma sorte que elas, e eu fui uma delas que não teve. Não é fácil seguir vivendo em uma vida onde a maioria das pessoas não se importa com a sua existência. Sabe, eu já tive muitas amigas/colegas. Mas com o tempo, nós vamos conhecendo pouco a pouco as pessoas e vendo quem realmente elas são. Elas vão embora devagar, vão me deixando, e o que mais dói não é a saudade, é ver toda a confiança indo embora, era o amor de uma amizade acabando, é ver a importância que você pensava ter para aquela pessoa, não existir. Mas aos poucos a gente se “acostuma” com a dor. Nunca tive tantas também, nunca tive o meu “grupo”, como a maioria da escola tem. Nunca participei de nenhum também. Sempre fui mais fechada, ao passar dos anos, eu fui me abrindo mais, bem devagar. Já riram de mim quando eu tava na quinta serie. Só porque eu tinha um cabelo bem grosso, cheio, cacheado e ondulado, não tinha os dentes muito certos ainda, e usava tiara colorida na cabeça. Fui alvo de humilhação, de comédia, de dizerem que eu era infantil, de que era feia. E o pior era que eu sempre contava pra professora e ela não fazia nada, ela simplesmente pedia pra eu ignorar. Eu tentava, mas quando eu chegava em casa eu ia correndo pro meu quarto chorar, sem ninguém da minha família ver, porque eu tinha vergonha, e ainda tenho, de contar tudo o que eu passava.
As vezes me pego perguntando pra mim mesma, porque alguém teria interesse em mim? Sério, eu não sou nada demais, na verdade, eu não sou nada. Não tem o que as pessoas olharem em mim. Eu gosto de um menino, que um dia, também já foi meu melhor amigo, mas como eu disse, o tempo passa e... pois é. Não é fácil também se apaixonar pelo melhor amigo, umas das coisas mais clichês. Eu sei que ele nunca vai olhar pra mim de novo, mas só não acho certo ele me esquecer tão rápido. Porque antes ele não era nada também, ele ficou “famosinho” da noite pro dia. Ele não tinha ninguém, quase sem amigos, mas eu sempre estive aqui e ainda estou. E quando ele começou a ganhar curtida, foi parando de falar comigo devagar. Hoje, duas pessoas que eram melhores amigos, não passam de apenas dois conhecidos. Na verdade, não é bem assim, pelo menos pra mim não. Ele foi o primeiro menino que eu amei na vida, foi com ele que eu aprendi realmente o que significa a palavra “amor”. Dói ter que esconder que eu gosto dele, guardar só pra mim não é fácil. Eu guardo porque eu não quero que hoje ele saiba tudo o que sinto por ele. Eu guardo porque fofoca na minha escola corre rápido. Eu guardo porque eu não confio em NINGUÉM daquela escola. Eu guardo porque ainda não estou preparada, mesmo gostando dele desde 2014. Tenho tantos motivos pra guardar só pra mim, mas mesmo assim é horrível, ninguém te entende, ninguém sabe o que você ta passando, tem gente que só sabe meu nome já acha que sabe da minha vida e que tenho que contar tudo pra ela. Então, já que eu não posso falar nada, eu escrevo. Escrever é o meu passa tempo favorito, depois de ouvir música. Eu tento escrever tudo o que eu sinto, eu meio que me desabafo com o papel ou computador. É impressionante o jeito que a gente escreve quando está apaixonado. Mas o mais triste disso tudo, é que depois que a gente se apaixona, a nossa vida nunca vai voltar ao normal, mesmo que um dia esse sentimento passe. Quando isso acontece, nós só conseguimos pensar só naquela pessoa, dormir pensando nela, sonhar com ela, acordar com ela no pensamento também. Começamos a ler a conversa com ela também, a gente pode até saber a conversa de cor, mas sempre daremos aquele sorrisinho bobo ao se lembrar do momento. É mágico essa sensação. Mas é mais mágico ainda, quando esse amor for correspondido. Ah, e já me iludi várias vezes também, e não só por esse. Teve uma época que eu queria tentar esquecer dele, não aguentava mais, e tentei gostar de um menino, o filho da amiga da minha irmã que trabalha com ela. Só que ele não existia, quer dizer, existe, mas naquele tempo, pras minhas amigas não. Eu dizia pra elas que esse menino era lindo, que eu gostava dele, sendo que eu nunca falei e nem o vi pessoalmente. Eu falava isso pra ninguém desconfiar que eu gostava de outro. Eu tive essa ideia, porque a minha irmã sempre falava dele, e essas minhas “amigas” precisavam saber que eu gostava de alguém antes de inventarem outra coisa. Só que essas meninas queriam ver alguma foto dele e eu sempre enrolava elas. Mas o tempo passou e eu fui deixando essa historia de lado. Ano passado, foi o meu último ano estudando de tarde, esse ano já passei pra de manhã, e quando eu passei pra de manhã, eu recebi a noticia vinda da minha irmã, de que esse menino passaria pra minha escola, só que estudando de tarde, e eu novamente voltei a falar dele. Até que um dia, a minha amiga resolveu me convidar pra ir de tarde até a escola ver esse menino que eu tanto falava, e eu nem sabia se ele era bonito ou não.
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