A história nunca foi tão diferente!Não me aguentei

1 Capítulo 1: Continuação Capítulo 4


Notas iniciais
nada a declarar

Capítulo 1: Introdução

Tudo começa no ano de 1943, durante o fim da segunda guerra mundial surgiram ali muitas franquias, contudo, naquele ano surgia o estabelecimento conhecido como Fredbear´s Family Dinner. O primeiro restaurante se tornou popular entre crianças e adultos pelo jeito como eles conseguiam criar um entretenimento, usando fantasias de pano bem simples e colocando seus funcionários para entreter o publico. A maior magica ali era nenhuma criança ou adulto desconfiava da vestimenta e não tinham noção de como as fantasias se moviam.

Dando um toque bem mais harmonioso e magico. Infelizmente com as fortes disputas empresariais deu fim a franquia e o lugar foi comprado, porém isso são apenas boatos, coisas ditas ao povo sem provas ou fundamento, esses boatos foram usados para encobrir algo maior, o assassinato de uma criança em frente ao local, nunca se soube a arma do crime, nem o responsável, nem muito menos os motivos. Só se sabia uma coisa, que aquele ato era responsabilidade do dono do local, que hoje já não se tem noticias.

Trinta e três anos depois, o estabelecimento reabriu, após fechar suas portas em 1943 e reabri-las em 1976, porém dessa vez sendo filial de outra empresa e responsabilidade de outro senhor de negócios, além de possuir agora uma nova aparência e um novo método de entretenimento, que na época estava fazendo muito sucesso e a responsabilidade pelo sucesso feito se dava agora não ao uso de fantasias de trapos, mas sim ao uso de fantasias mecanizadas e o uso de robôs para a alegria de todo o publico.

O criador daquelas fantasias mecanizadas já havia trabalhado no primeiro estabelecimento e junto com o administrador atual da empresa os dois fundiram suas ideias mirabolantes com o uso das fantasias de pano, com isso criando os primeiros animatronics conhecidos, eles foram apelidados de Fredbear e Spring Bonnie e tanto eram fantasias, tanto quanto eram robôs, algo que deixava muitas pessoas curiosas e sem compreenderem a mente brilhante do homem de 39 anos. Claramente ele não criou os animatronics sozinho, pois também teve a ajuda de um de seus colegas de trabalho, chamado Willian Afton, o agora dono financeiramente da empresa mãe, a Fazbear entertaiment, além de pioneiro na produção de robôs o mesmo gostava de trabalhar ao lado de seu companheiro, Fundador da empresa e um dos personagens mais icônicos dessa história, Henry Fazbear.

Infelizmente essa história de robôs teve um triste fim.

O homem conhecido como William Afton não tinha as mesmas ambições que seu colega, certa vez William viu quatro crianças jogarem um rapaz qualquer na boca de Fredbear, sem reconhecê-lo achou que fosse apenas uma brincadeira, mas de repente ele começou a esmagar e mastigar a cabeça daquele garoto. Algo nele dizia que aquilo deveria acontecer. A culpa então foi dada ao robô que muito em breve seria tirado dos shows.

Mas o tempo o moldou em algo pior, pesadelos que ele tinha com o garoto o fizeram sequestrar aquelas crianças, as mesmas quatro e mais uma, inocente, mas que sempre andava com aqueles moleques.

—Ana! Você viu aquilo? –Mal sabiam eles que haviam acabado de presenciar o homem fantasiado que lhe tiraria a vida.

—Venham aqui garotos, tenho algo de especial para lhes dar. –Pouco a pouco eles iam se aproximando, mas já era tarde caso quisessem voltar, os robôs do palco começaram a dar erro, assim chamando atenção suficiente para o assassinato perfeito.

—Agora vocês já podem morrer. –Um medo subiu na espinha de todos eles, o homem então os nocauteou e os arrastou até uma sala, aonde nem mesmo os funcionários podiam ir, por não ser autorizado, o show já havia acabado e os animatronics precisavam ser reajustados por Henry. Por sorte do mesmo, naquele dia ele saiu mais cedo e foi descansar em casa, já imaginando que seu filho e filha estivem por lá, mas sem saber de metade do que acontecia nos fundos do lugar.

—Então, enfim as ovelhas negras vieram para o abatedouro. –O homem olhou novamente o sangue escorrendo pelo chão e entre seus dedos e voltou à realidade. –O que foi que eu fiz?–Ele chorava muito, mas então a voz veio de longe o chamando. –Quem está ai?... Por favor, não entre aqui, eu imploro.

—Por favor, não chore, você não fez isso... Nós fizemos. –Ele olhava confuso e quando conseguiu sair de seus pensamentos perguntou uma pergunta que o assombrou durante alguns minutos, que mais pareciam séculos. –Quem é você?

O homem viu seu reflexo na poça de sangue e reparou que ele estava dialogando consigo mesmo, e quando aquela voz aparecia de seu interior ele soltava pequenos deboches. –A loucura William sempre foi sua maior característica, mas você sempre me manteve guardada, mas agora você é apenas uma marionete em meu bolso. –A silhueta de William começou a mudar e sua aparência no reflexo mostrava seu verdadeiro eu, o monstro que sempre habitou nele... Sua maior obra, responsável pelo fim de seu autor.

—Os maiores artistas sempre começam assim, não é, e agora juntos iremos pintar todas as filiais com o sangue vermelho grifado nas paredes e quando virem isso se lembraram de nós. –O homem que um dia foi responsável por grandes criações já havia sumido, ali restava apenas uma figura distorcida dele... Um artista enviado pela morte, para deixar sua maior arte ali.

Capítulo 2: A arte do sangue

—Você, não vai sair impune daqui, minha irmã vai te encontrar. –O homem voltou a ser o William por apenas um momento.

—Michael? –Ele olhou assustado, e o garoto ainda que fraco respondesse:

—Sim seu babaca, você tem noção do que nos fez? Você vai ver, meu pai vai te encontrar – William então baixou a cabeça e lhe cravou a faca, apenas em sua perna. –Isso não era necessário, mas o babaca aqui é você.

Ele pegou duas das crianças mortas e as guardou em fantasias, mas antes perguntou, agora não sendo mais o mesmo:

—Qual deles deve ir para as fantasias? –A mão dele começou a tremer e apontou para duas crianças que ainda estavam desacordadas, uma delas a que era inocente dos feitos daqueles garotos. Ele foi colocando-os nas fantasias, mas voltou a perguntar:

—E agora, o que eu faço com eles três? –Imediatamente ele sorriu, indicando que ele sabia o que fazer o que deixou os outros garotos trêmulos e constantemente se debatendo para tentar fugir de algumas amarras improvisadas, colocadas enquanto eles estavam desacordados.

—Espere um momento... –Ele olhou mais de perto um dos garotos e chorou por alguns minutos se recordando de algo terrível.

—Filho? –Ele olhou fixamente para seu pai e chorou com breves soluços, o que deixava o homem ainda mais triste e nervoso, mas então ele se lembrou do garoto que havia sido jogado na boca de Fredbear, naquele dia William não havia notado, mas aquele era seu filho.

—Pai, me perdoa. Eu não imaginava que isso poderia acontecer a ele. –William o encarou novamente.

—Por que fez isso? POR QUE FEZ ISSO? –Ele parou de soluçar e olhou direto nos olhos do pai.

—Eu não sabia que isso iria acontecer. Michael que estava ao lado do filho de William perguntou:

—A culpa não foi minha! Senhor William. –William então colocou seu dedo na boca de Michael e o implorou:

—Não fale mais nada. –Ele então voltou seu olhar para seu filho e perguntou:

—Sua mãe já sabe que ele está morto? –Ele acenou com a cabeça respondendo que não.

—Ela nem se quer me deixaria entrar em casa novamente, ela sempre amou ele, quanto a mim só tenho o senhor. -Comentou o rapaz, com um aceso de raiva o homem deu uma tapa em seu filho, suficiente para deixa-lo quase inconsciente.

—Agora você aprende a ficar calada, sua criança miserável. -O tom da conversa então começou a ficar cada vez mais tenso.

—Vamos pai, admita você adorou vê-lo morrer! Você nunca o amou de verdade! –Aquelas palavras machucavam para qualquer um, mas naquele momento tão frio.

—Você não merece nem morrer, merece apenas viver para ver sua vida miserável! –Ele então nocauteou o garoto pela segunda vez e pela madrugada quando o mesmo acordou estava em sua casa, preso, mas havia muitas coisas diferentes ali.

Até que de repente ele começou a alucinar, vendo na sua frente os seus amigos presos em fantasias e ao lado seu pai, soltando as Spring locks uma por uma, aquelas já não eram fantasias usadas na exibição do palco, aquelas eram fantasias usadas no comercial da empresa. Mas que já deixaram de ser importantes há muito tempo.

—Freddy, esse é seu nome! Ele vai sempre aparecer embaixo da cama... Será o novo bicho papão e quando você menos esperar ele vai te matar. –Ele então soltou as molas daquela fantasia e o seu amigo começou a agonizar.

Ele então soltou as de Chica que já estava morta. –Vê ela? Deveria ter medo, ela não tem duas fileiras de dentes só para divertir o publico.

Ele então fez uma dancinha até chegar à fantasia de Bonnie que também já estava morto. –Sabe nunca gostei dele, era sempre o primeiro a aparecer. Sempre o achei uma influência negativa, mas agora você tem o tempo o tempo do mundo para se divertir com ele. –Ele então apertou as spring locks que esmagaram primeiro seu tórax e depois o resto de seu corpo, sujando o chão inteiro com o seu sangue.

Seu pai então riu igual a uma criança ao receber um presente. –Parece que chegamos à parte mais divertida do show. -Ele então foi falando baixinho e comentou no ouvido de Michael que ainda estava vivo. –Você vai ver como e divertido... Não é mesmo Fredbear? –Ele então pegou a mascara de Fredbear e apertou justamente em seu nariz, fazendo as molas da mascara esmagarem o rosto de Michael, as únicas que puderam ser vistas saindo dali eram seus olhos que saíram saltitando pelo chão do quarto. –Cuidado, ele não é será tão ativo, mas será seu maior pesadelo.

—Por favor, faz parar. –As lagrimas do garoto já não mudavam nada, o homem já não sentia nada, havia se tornado frio, ele já não era mais o homem alegre e contente de sempre. Algo nele gostava do que via.

O homem então olhou para a fantasia de Foxy que estava vazia e sorriu, comentando logo depois:

—É realmente uma pena, mas terei que deixar a melhor parte para o final. –O homem então pegou todas as fantasias e as preparou, uma por uma em cima de cabos, que os movimentavam de trás para frente. –Agora nossa brincadeirinha começa.

As maquinas se ativaram e o garoto ainda delirando via ali os maiores monstros que ele já havia visto... Seus amigos.

—Pai? Por favor, me ajuda! Alguém? –As sombras foram o engolindo, suas palavras sumiam entre as portas e janelas enferrujadas.

Os robôs se moviam e seus áudios se ativavam frequentemente. Deixando o garoto realmente em um estado catatônico.

—Qual o meu nome? –O efeito da droga usada foi forte o suficiente para fazê-lo lembrar de tudo, menos quem ele era. O efeito também era forte o suficiente para confundi-lo, e então graças a isso ele começou a se lembrar de algumas coisas, ainda que bem erradas e confusas.

—Eu me lembro de um nome... Carlos. –Enquanto o garoto emergia em seus maiores pesadelos dentro de cinco noites preso em seus delírios. Em seus momentos finais uma das fantasias foi se aproximando e seu corpo se soltou dos cabos que o mantinham de pé, fazendo com que o robô além de cair sobre o garoto começasse a mordê-lo, de forma que já ao fim de toda essa experiência William o colocou na fantasia favorita dele... Foxy.

Capítulo 3: Afton Robotics...

Alguns meses depois os animatronics tanto do palco como também do comercial foram retirados de cena, primeiramente pelo mau odor e também porque os clientes já não queriam mais ver animatronics dançarinos. Eles queriam algo mais, algo inovador e foi no verão de 1987 que o empresário William Afton aproveitou sua inocência e fugiu para uma região próxima dali, mudando seu nome logo em seguida para Dave Miller. Desaparecendo dos policiais e deixando um grande pesar para as famílias daquela região que buscam até hoje justiça para os prejudicados com todos esses trágicos eventos.

O homem então deu uma rápida olhada para o céu estrelado e se despediu o monstro naquele dia havia descansado o homem ali realmente era William, que se despedia com palavras lindas, que mesmo que não escutadas por ninguém eram maravilhosas assim mesmo e então uma pequena lagrima escorreu de seus olhos brilhantes...

—As janelas da alma não era pai? –Ele soltou ali uma mascara antiga e falou gaguejando:

—Foi por você pai. Eu me inspirei em você, elas serão sempre um reflexo da minha criação por você! –A mascara havia sido feita por ele há trinta e três anos atrás, quando ele tinha apenas seis anos, pequenas recordações de seu pai, que havia sido morto por nazistas, e sozinho matou um dos garotos que frequentava o primeiro estabelecimento aonde ele trabalhou, que de maneira doente defendia todo aquele caos.

—Bill? Perdoa-me? Por favor. –Infelizmente o monstro ouviu a frase e despertou, falando de forma tão amedrontadora:

—Agora é tarde de mais para voltar William! Ha! Ha! A sua voz voltou ao normal e ele voltou a falar como se aquele monstro tivesse perdido o controle sobre ele, apenas por um tempo.

Ele pegou areia daquele lugar onde ele estava parado, encarando um cemitério. Ele então foi entrando e na sepultura a qual ele havia ido ver estava escrito amado pai e querido marido... Sr Afton. –Eu pai, quero ser enterrado pela terra da nossa cidade, a terra aonde você foi sepultado. Esse é meu último desejo! –Ele olhou para trás e começou a cambalear, vendo algo a sua frente, mas sem conseguir reconhece-la.

Então lá estavam eles... As cinco crianças marcadas com sua trágica morte, não eram realmente elas, mas aquele pecado rastejaria como uma víbora deixando na sua pele cravada o pior dos venenos... O medo.

—Não se afastem! –O homem apavorado ia recuando, mas então o dia começou a aparecer, o belo amanhecer daquele dia, ele era forte o suficiente para limpar a mente de William e permiti-lo parar, refletir e só ai dizer adeus. As sombras que o perseguiam então foram sumindo, mas ele sabia que aquilo era temporário. Pois os monstros que o assombram sempre estarão dentro dele.

Ele desfrutava seus últimos momentos na cidade, mas ele sabia que a policia o procuraria em breve.

—Adeus pequena cidadezinha do Oregon, foi bom enquanto durou. –Sua aparência mudou novamente e ele começou novamente a falar consigo mesmo. –Seu pai estaria orgulhoso, eu estou orgulhoso. Eu te ajudei a matar aquele maldito garoto, era divertido quando estávamos no meio da guerra, mas agora será muito mais divertido. –Estávamos indo para a Afton robotics, meu lar, aonde eu construí os animatronics, aonde toda a magica acontecia.

Uma longa viajem de carro, sem medo, não havia mais nada a perder a não ser a vida que já não era mais dele. Pelo que eu sabia o lugar também estava sendo usado para shows da empresa mãe, que infelizmente estavam perdendo o sucesso.

Literalmente aquele era meu lar, eu fui criado lá, todos nasceram ali, mas eu sou especial. Porém nunca soube onde ficava esse lugar.

—Onde fica esse lugar Willam? –Era estranho olhar para meu próprio reflexo, mas era ainda mais estranho responde-lo. –Ele fica por entre a empresa original. –Eu me entreolhei pelo espelho do carro e minha mente perturbada pensou:

—Precisamos voltar! –Eu me assustei com aquilo, pois há esta hora sou procurado em todos os lugares da minha cidadezinha, cada estabelecimento, cada bueiro, em cada canto de olho e em cada piscadela.

—Fique calmo colega, ninguém saberá, iremos comandar o lugar por debaixo dos panos e todos irão nos achar inocentes, porque eles são burros o suficiente para acharem que o culpado é o Henry. Então de meia volta nesse carro AGORA! –Aquela coisa voltava a tomar controle de mim e eu não conseguia nem mesmo dizer não.

—Obrigado por obedecer! Cachorrinho. –Eu acabei virando o volante, mas antes recuperei o controle. –Precisamos passar em um lugar antes.

Em poucos minutos nos já estávamos na casa de Anabel, a ex-esposa de William Afton, a também mãe dos garotos. –Querida? Onde está você? –Quando ele entrou seu mundo caiu, sua vida já não tinha mais sentido.

—Anabel? Não! –Eu a olhei e não entendi, por quê?

Ela estava pendurada por uma grossa corda, sem pulso, sem ninguém, sem vida. Minhas lagrimas foram suficientes para acordar a menininha que dormia tranquilamente em seu quarto.

—Papai? –Ela então parou de olhar para seu pai e viu sua mãe nos braços do homem.

—Não olhe querida. –Ela chorou por apenas o tempo de pensar, em algo ainda mais terrível do que a realidade.

—Pai o senhor fez isso? Mamãe estava certa ao dizer que você não prestava. –Era ainda mais triste para ele, ver sua filha de apenas sete anos acusa-lo de assassinar a sua ex-esposa.

—Querida não tenho tempo para explicar isso a você! Temos que ir. –Alguns vizinhos ouvindo a barulheira ligaram para a policia, que apenas se deparou com o corpo podre e enforcado de Anabel, pois eu já havia ido embora.

Minha filha me batia constantemente dizendo que a culpa era minha, mas será que era mesmo? Será que eu sou tão mal assim?

Em algumas horas já havíamos avistado os portões da cidade, mas eu estava mais atento, a ela, calada, tão triste vê-la assim. A minha loucura parecia ter sumido, mas por quê?

Parece que a maior tempestade já foi deixada para trás, mas por que o vento não levou essa loucura de mim? Será que eu gosto dessa sensação?

—Papai olha! –Eu estava tão distraído que quase perdi o controle da caminhonete da empresa. Por sorte já estava tarde e eu pude chegar tranquilamente até minha casa.

—Garota é você? –Já não era mais eu falando, a loucura havia tomado controle novamente. –Lembra-se de mim, os olhos prateados? –Ela olhou assustada, mas então olhou para mim com um sorriso.

—Para de ser bobo papai! Eu tenho medo dele, mas eu sei que você não fez mal a ninguém e mesmo que tenha feito eu te amo. –Minha mente pensou de forma malévola e eu tentava não dizer aquilo, mas era impossível.

—Até mesmo se eu tivesse feito mal a sua mãe. –ela olhou assustada e quando entendeu a frase começou a chorar. –Você não é meu pai! –Eu então retomei minha consciência, mas já era tarde. O que eu tinha dentro de mim era mais do que apenas a loucura, era como um parasita era a própria personificação do mal.

—me perdoe querida! Eu não sei o que deu em mim, deve ser o sono, por favor, apenas não chore.

Capítulo 4: A morte não escolhe vitimas

Alguns dias depois...

—Mas que sonho estranho! Mikou, Carlos! Vamos lá... -Eu cheguei a seus quartos, mas não havia ninguém.

—Pai que gritaria é essa? -A garotinha olhou para seu pai assustada e comentou:

—Pai eles sumiram já faz dias, ninguém sabe nada sobre eles e Henry está sendo acusado. O senhor fez a mesma pergunta ontem e antes de ontem, o senhor está bem? -Ele olhou como se fosse a primeira vez que ele ouvia aquilo, mas ele estava apenas enganando sua filha para não ter que contar sobre o que havia acontecido nos últimos dias e para sair dali lembrou-se de algo, também apenas para engana-la e ir para seu laboratório.

—Querida o papai precisa ir! Bem aqui há comida suficiente para que possa passar o dia. -Ele então digitou o código que dava acesso a entrada do laboratório de construção, lugar onde a magia começava e onde ela morria.

—Eu me lembro de tudo, e eles também saberão disso, diga olá as minhas novas criações... Baby! Funtime Freddy! Funtime Foxy! E Ballora. É hora do show. -A garotinha mal sabia, mas dois senhores chegariam na casa em algumas horas, e William apenas vigiava por meio de câmeras implantadas em todos os cômodos, mas principalmente na de seu filho Carlos, local que ele colocou câmeras apenas para lembrar do filho amado.

—Mikou! Por que você fez aquilo? -O homem então deu uma pequena risada, mas voltou a ficar serio ao ver que dois homens estavam batendo na porta principal da casa, os dois com aparência de empresários e não pareciam estar ali para brincadeira.

—Senhor William Afton? -Por meio dos audios da casa pedi que minha filha abrisse a porta para os dois homens, os mesmos chegaram com facilidade até mim, já que não era a primeira vez que eles vinham aqui.

—William Afton! Trazemos boas noticias! A franquia fazbear foi entregue a seu irmão, mas ele não possui conhecimento dessa empresa no subterrâneo que liga a sua casa e a de Henry, nós temos agora a mais alta tecnologia aqui, e vejo que você já construiu alguns prototipos, só que vendo eles agora e observando as plantas não conseguimos compreender os designs, você poderia explicar essa sua "preferência"?

—Senhores ela pode dançar, ela pode cantar, ela está equipada com uma tecnologia de gás hélio embutida em seus dedos para inflar balões, ela também aceita pedidos de músicas, ela pode até mesmo fazer sorvete.

—Desculpe-me, mas não sobre essas escolhas que estamos curiosos Sr Afton. -William deu um pequeno sorriso e finalizou com uma piscadela.

—Crianças amam robôs, crianças amam palhaços, infelizmente essa minha "Obra de arte" possui motivos pessoais, que eu gostaria de explicar a vocês em um futuro proximo, mas antes gostaria de saber se gostaram do que viram?

—Sei que o senhor tem muito em mente, mas esses prototipos são realmente seguros? -Ele tirou todo o seu terno e mostrou-lhes o que havia ali por debaixo.

—Não só é seguro, como estou vestido em uma dessas fantasias, eu senhores, estou aqui para lhes mostrar o futuro em inteligência artificial, com certeza o futuro deixará um legado forte para essa empresa, mas vocês querem ou não participar da minha... Da nossa história? -Eles sorriram e nem precisaram se entreolhar para provar que aquilo era um sim.

—A partir de hoje você é o fundador da empresa, claro que por debaixo dos panos, até porque soubemos que o senhor é procurado, mas sabemos que o senhor é quase como um papai Noel, jamais faria mal a alguém. -Ele pensou que enfim estaria livre, mas se esqueceu de que do mesmo jeito que ele escuta e vê os atos de sua filha ela também vê e escuta o que ele faz.

Naquele mesmo dia a garotinha soube que seu pai fingia se esquecer das coisas que haviam acontecido na manhã seguinte e foi questionar, até porque ele já estava com a corda no pescoço em relação à família.

—Pai o senhor esteve mentindo para mim todos esses dias? -Ele começou a suar, estava nervoso, não sabia bem o que dizer, mas por infelicidade foi esse nervosismo que deu passagem para a loucura e o medo tomarem conta do homem novamente.

—Minha querida... -Eu pedia para sair, mas eu estava preso dentro de mim mesmo, inconsciente. — Papai não sabe do que você esta falando, mas se isso for chantagem para vê-los já digo desde já não vai funcionar. -Ela soltou algumas lagrimas na roupa de seu pai e falou:

—Você não é meu pai, meu pai gostava de alegrar as pessoas, mas você esta vestido com algo criado por você, que apenas o está afastando de mim. Por favor, PAI ACORDA! -Ela saiu correndo para seu quarto e o homem já recuperando o controle de seu corpo foi também para seu quarto e lá tentou se controlar novamente, mas aquela coisa voltou a falar:

—O que quer de mim? -Ele se olhava no espelho e seu reflexo sorria de forma manipuladora.

—Não vê que eu só quero sair William, ou melhor, Dave Miller! Eu vou tirar tudo o que você ama, e ai você vai se rastejar para mim. E só ai eu vou sair daqui e mostrar o que realmente é se divertir. -Eu parei de olhar para o espelho, porém via aquela coisa se contorcendo no espelho e sentia pavor de olhar para mim mesmo, mas ai tomei coragem, olhei para o espelho e perguntei:

—Quem é você? -Ele saiu do espelho, meu reflexo havia sumido minha sombra também, era como se aquilo fosse algo importante em mim. Mas em pouco tempo ele voltou comentando de maneira ainda mais repugnante:

—Eu sou a loucura, mas você também tem medo de mim, porque sabe que eu serei a sua cadeira elétrica, só que uma morte muita mais dolorosa e lenta e eu estaremos lá para te cobrir com minhas peças e então eu andarei por ai com seu cadáver, mas que sensação... Maravilhosa não é William, seremos a sua maior criação, seremos um deles. Mas você não vai entender isso mesmo, então vou te deixar quieto, só para te ver tentar e falhar, até que a sua mente seja completamente minha. -Ela falava com uma harmonia tão grande que chegava a me dar arrepios.

—Sente esse pecado rastejar na sua espinha, não é só isso, eu sei que na sua boca há a dor de não poder pronunciar a verdade, mas você sabe que ela vai morrer com você. -Eu corri do quarto e me tranquei novamente no laboratório, a loucura estava literalmente me chantageando, mas nem mesmo trancado eu apara de ouvir sua voz.

—PARA! POR FAVOR!

Três dias depois...

Eu já não parecia mais o mesmo homem, estava desnutrido, fraco, realmente não parecia nenhum um pouco o velho e bondoso "Papai Noel".

—Esqueça isso William, agora o futuro está em suas mãos. -Eu já não batalhava contra a loucura, eu já havia me tornado parte dela e ela parte de mim, éramos como carne e unha.

—Enfim as apresentações privadas começaram, mas o mais incrível é o que eu fiz com os animatronics que você, meu querido gênio, criou. Eles agora são uma peça da minha obra de diversão. -os Robôs projetados para a felicidade das crianças nunca tiveram apenas esse uso, pois com seus sistemas de inteligência artificial modificado aquelas eram terríveis maquinas para sequestrar crianças, só que William não imaginava que essa regra de sequestros também incluía sua filha e mal imaginava que a vontade de sua filha de vê-los poderia, e tiraria à última Afton de sua família, a única que mesmo com mentiras e sua típica loucura ainda o defendia. E acreditava na inocência de seu pai.

Oito dias depois...

Sua filha já havia sumido, mas Afton já deixava de existir e sua mente já nem lembrava o nome da própria filha, só existia ali aquela mente doentia.

—Vamos ver o que eu tenho nas minhas teias. –Ele abria as fantasias uma por uma, e seu sorriso largo ia se fazendo ainda maior a cada corpo que via.

—Parabéns, minhas criações, a maior obra de minha vida se concretiza. –Ele sorria de forma amedrontadora, mas ele ainda precisava abrir uma última fantasia... Baby.

—Vamos ver o que você pegou essa semana minha querida. –Ele a abriu e ficou amedrontado, inicialmente se questionando quem seria aquela criança já que na última festa ele só havia visto alguns pais e umas seis crianças, por que havia uma sétima ali?

—Espera um pouco... Esse tênis com gliter, esses cachinhos alaranjados de maneira tão harmoniosa. –Quando ele reconheceu o corpo que estava a sua frente ele voltou a ser o mesmo homem de antes, mas agora suas motivações eram outras.

Ele fechou a fantasia e enxugou as lagrimas. –Bendict, pegue minhas batatas chips em cima dos cabos da manutenção, eu tenho muito trabalho para fazer. –Ele pegou os corpos presos em meio às fiações das outras fantasias.

—Senhor o que é isso? –Ele olhou assustado, mas com a coisa errada, porque ele estava conversando com o verdadeiro monstro.

—Você deveria aprender a bater na porta antes de entrar. –ele pegou seu funcionário pelo pescoço e o arrastou até o elevador principal, porém antes de chegarem lá o funcionário já estava gelado, sem pulso e morto. O assassino então o largou em meio aos dutos e passou por cima de seu corpo para poder voltar.

—Se perguntarem, isso terá sido apenas um acidente, como sempre. –Ele voltou para seu laboratório e começou seu trabalho.

Foram semanas e semanas preso em seu laboratório procurando um jeito de revivê-la, ou quem sabe dar a ela um novo corpo. Talvez colocar a alma dela em uma de suas criações? Não! Afton é um cientista, alma, o que é isso?

Muitas crianças morreram em seus testes no subterrâneo, até uma manhã frigida de um triste de segunda, já fazia seis meses que sua filha havia sido pega pelas engrenagens metálicas e morrido em meio às fiações.

—Baby? Onde esta você? –Ao chegar ao salão da Circus Baby ele se deparou com aquela figura olhando direto para ele. Havia um som de gemidos saindo daquela sala, e nada mais justo do que ir lá. Ao entrar naquela sala se deparou com suas criações o encarando de maneira fria e sombria.

—Quem é você? Você é novo nesse lugar. –Ele então olhou para seus Bydibabs, pequenos robôs ajudantes da Baby, e viu em seus olhos uma íris.

—Não é possível... Funcionou, vocês tem vida. –Um deles olhou curioso e se atirou sobre Afton que o jogou no chão em um ato de reflexo, os outros que estavam ali viram e tentaram reagir depois de verem um deles ser jogado ao chão, e sabendo o que estava acontecendo ele decidiu sair daquela sala e tranca-la por fora.

Algumas horas depois de sua descoberta ele começou a ficar curioso. –Afton essa é sua chance de testar os experimentos por meio dos choques. –Afton ouvia a loucura e dessa vez a via como uma aliada, mas havia momentos em que ela realmente tomava o controle, naquele momento ela apenas opinava, pois sabia que Afton já estava cedendo.

O mesmo era um ser humano, ainda que um assassino cruel e mesmo que aquela descoberta não o deixa-se nem mesmo piscar os olhos ele ainda precisava se arrumar para poder trabalhar durante toda aquela noite. Então subiu para a sua casinha, ainda curioso e ansioso para ver mais, mas ao chegar lá em cima ele parecia novamente uma pessoa comum.

Ele tomou um banho e limpou sua pele que estava fedida e com alguns machucados das engrenagens da sua vestimenta de molas, coisa que ele usava sempre nos shows, e essas mesmas coisas já o estavam machucando, durante a saída do banho ao se vestir algumas das laminas rasgaram sua pele, aquelas molas estavam se tornando muito sensíveis de perigosas.

Ele então saiu do banho e foi até o quarto de seu filho, olhou de relance um abajur em seu quarto e pegou um abajur para por em sua sala. Assistiu um pouco de televisão e até assistiu uma novela sobre vampiros que já não assistia há muito tempo.

—Caramba que saudades dessas pipocas, mas seria melhor ter manteigas exóticas, pena que sejam tão caras. –Ele até deu uma risadinha, mas quando o relógio badalou indicando que havia cinco minutos para meia noite o homem se vestiu e desceu até seu laboratório.

—Vou lá, eu vou te salvar minha querida. –Enquanto ele chorava lembrava-se de sua filha e do quão ele errou com a única pessoa que acreditava nele. Enquanto ele descia conseguiu ouvir seus alto falantes com mensagens gravadas e outra com as novidades da empresa, agora entendo, porque o antigo funcionário pediu que eu tirasse esses alto falantes, pena que ele morreu antes.

—O elevador parou no primeiro duto, a entrada para o lugar, mas de repente o auto falante falou que um corpo havia sido encontrado naqueles dutos, qualquer um teria se arrepiado, mas eu já estava acostumado, até porque fui eu que matei Benedict e faria de novo para que ele não fosse falar sobre meus experimentos.

Ao chegar à sala seguinte vi os botões da ala Funtime e a ala de Ballora, mas ao acender as luzes não vi nem Ballora e nem mesmo Funtime Foxy. Batia-me um aperto no coração ver que minha família estava tentando ir embora, mas eu jamais vou permitir isso.

—Crianças venham aqui. –Eu já imaginava esse tipo de situação, então instalei um sistema que comanda choques controlados e ainda que robôs com inteligência artificial eles compreendem todos os sentimentos e inclusive a dor. Foram esses choques que o fizeram voltar para seus palcos, o que me deixou feliz, mas naquele momento eu não pensava se eles estavam ou não felizes com meus atos, mas é isso que defini o ser humano não é mesmo, errar, sempre corrigir... Eu precisava corrigir isso, mas somos uma família feliz e um dia vamos entender isso, somos capazes disso.

—Obrigado pelo show crianças, mas agora preciso buscar a irmã de vocês. –Quando terminei de passar pelo duto que dava na ala de Circus Baby fiquei animado.

—Vamos lá crianças, espero que entendam, mas eu vou lhes dar uma irmã hoje. Betty seja forte! –Ele fechou os olhos e apertou o botão de choque, o sistema dizia que Baby já estava integrada ao sistema de preparação de apresentações, mas eu não a enxergava.

—Ainda é perigoso ir lá dentro, os choques que dei deixaram o vidro e a sala inteira com uma fumaça muito forte, infelizmente só poderei voltar depois, pois hoje temos um show não é mesmo meu colega. –Ele sorriu para o espelho e aquela figura voltou a aparecer, sorrindo de volta.

—Sim, hoje teremos um belo show. –Enquanto saia não notei imediatamente, mas tudo e todos os animatronics me observavam, teria eu feito algo de errado, bom, talvez mata-las não tenha sido a melhor das ideias, mas não é desse jeito que eu quero ser visto certo?

—Errado? Eu sinceramente não me importo. –Ele gargalhava de forma maldosa enquanto saia pelo elevador, àquela noite tensa acabava com gargalhadas, mas por pouco tempo, pois quem ri por último ri melhor.

Ao subir viu que havia alguém batendo em sua porta. –Olá senhor! Somos vizinhos há alguns meses e percebi que você não sai muito. –Eu agi educadamente, que assassino não sabe fingir?

—Bem, na verdade moro aqui a anos senhor, só que eu acabei me mudando a algum tempo para cá, pois minha casa fora vendida. –Realmente a casa daquele homem parecia bem humilde, mal imaginava que todo o piso daquele lugar, incluindo o solo, não passava de uma fachada para as verdadeiras experiências macabras em que ele trabalhava no subsolo.

—Ah, bem. Sendo meu vizinho nada mais justo do que chama-lo para conhecer um pouco os arredores, o que acha? –Eu pretendia dizer não, mas estava estampado na sua cara aquela animação, aquela cara que ele havia feito mostrava que ele queria mesmo falar comigo ou talvez só me conhecer melhor, então por que não ir e sair um pouco do laboratório? Eu só teria que voltar em algumas horas.

—Bem o senhor ainda não disse seu nome... Senhor?- Era conflitante responder essa pergunta, pois eu estou trabalhando na Afton Robotics como Dave Miller, mas aqueles empresários me conhecem como William, só que com as minhas descobertas eu tenho que manter segredo.

—Bem meu nome é Benedict, apenas... –Eu não tinha a mínima ideia do que deveria dizer, mas parecia ter convencido aquele rapaz, então de forma simpática perguntei:

—E o senhor como se chama? –Ele sorriu de forma contente:

—Bem, me chamo Luiz Gustavo, mas gosto que me chamem apenas de Luiz. –Ele então começou a falar sobre sua vida, e é engraçado que naquele momento eu não pensava tanto nas coisas tristes da minha vida. É, eu tenho que admitir que ele sabia contar belas histórias.

—Eu sempre quis ser professor sabe, falar um pouco de história, é uma de minhas maiores paixões, alias, qual é o historiador que não gosta de falar da segunda guerra mundial. –Ele falava de forma tão sutil e levemente com gírias, ele parecia ser uma pessoa de bom caráter, mas me doía ouvi-lo falar da segunda guerra mundial. Porém quando ele me viu chorar parou de falar um pouco e perguntou para mim, colocando seu braço sobre meus ombros.

—Senhor Bendict? O senhor esta bem? –Ele olhou um tanto quanto angustiado, mas seu olhar de preocupação me fez pensar se eu deveria expor ele aos riscos da minha insanidade. Ele parecia tão jovem, tão gentil, não merecia o mesmo destino que os outros.

—Me desculpe Luiz! Eu apenas me lembrei de algumas coisas que não me fazem tão bem. –Ele então voltou a comentar:

—Me desculpe senhor se eu falei algo de errado ou que não tenha sido a melhor coisa a se comentar.

—Fique tranquilo Luiz você estava apenas falando de história, você não errou, apenas não acho que seja um assunto agradável, bem, gostaria de pedir licença, ainda tenho muita coisa para fazer, porém muito obrigado pela bela conversa que você proporcionou. –Eu fui saindo sem nenhuma expressão no olhar, mas parecia sempre estar com aquele olhar caído, Luiz igualmente se levantou e antes que eu pudesse ir me deu um leve abraço.

—Eu sei bem quando um amigo precisa de um abraço, sei bem que certas dificuldades não podem ser enfrentadas sozinhas, mas não guarde isso para você. Não vai lhe fazer melhor. –Eu sorri de volta, porém deixei uma pequena frase de reflexão para o meu vizinho:

—Mas e se eu já não me importar comigo, e se o importante for proteger o que ainda me resta, será que dessa maneira terá valido a pena. –Pobre dele, realmente se importa, imagine se ele soubesse o que eu sou.

Notas finais
nada a declarar