A herança dos Zaoldyeck
2 Tigres negros, a herança dos Zaoldyeck
Notas iniciais
Depois de alguns segundos reconfortantes abraçada a seu gêmeo, a confusão começou a tomar todos os seus sentidos, afinal aquela situação era completamente impensável. Ela não podia negar a ligação que sentia com o garoto, não tinha dúvidas de que o mesmo era realmente seu irmão, mas então toda a sua vida até então fora uma cadeia sem fim de mentiras........ Isso assustaria a maioria das pessoas, mas não a Victoria, ela ficara irritada e com o orgulho ferido por nunca ter percebido nada nesses 15 anos. Ela afastou levemente o outro.
—Killua, por que nós não fomos criados juntos? Por que..... Por que eu fui abandonada?- o tom de voz da garota era controlado, mas toda a sua confusão de sentimentos podia ser vista em seus olhos.
—Você...... — começou o irmão meio atrapalhado. — Não, nunca! Você não foi abandonada, Victoria! Algo obrigou papai a te afastar de nós! — explicou afirmando de um jeito decisivo.
—Então porque, Killua..... Por que? — terminou ela num fio de voz indignado.
—Desculpa. Desculpa, desculpa, desculpa, Vic. Eu já tentei arrancar isso de papai várias vezes, mas ele se recusa a contar qualquer coisa!! — respondeu Killua exasperado. — Até pouco tempo eu nem sabia que você existia! Um dia papai simplesmente resolveu que já era hora de me contar..... E pouco tempo depois ele me pediu pra vir te buscar..... — explicou o de cabelos brancos.
Victoria assentiu, e o mais novo a encheu de perguntas sobre sua vida. Victoria, percebendo que o resto de suas dúvidas seriam esclarecidas depois, simplesmente respondeu animadamente às perguntas do irmão. O jeito protetor e desprovido de dúvidas do irmão a convencera e acalmara, toda sua confusão havia se dissolvido em alegria por encontrar seu gêmeo, havia reencontrado um pedaço de si que nunca soubera que estava faltando.
Nos próximos dois dias,Victoria recebeu a confissão de seu pai: ela era adotada. A verdadeira filha de sua “mãe” morrera logo após o parto. No mesmo dia uma recém nascida fora abandonada no mesmo hospital, então o casal recebeu a proposta de adotar a menina. E eles aceitaram, e a criaram como se fosse a sua falecida filha, mais ninguém na família ficara sabendo. Depois disso, ela se despediu dos pais adotivos, prometendo voltar, arrumou as malas com suas roupas e tralhas eletrônicas e saiu da casa com Killua.
Os dois foram pro aeroporto, e embarcaram para Londres.
O vôo foi tranquilo e divertido, os dois se davam tão bem que pareciam ter se conhecido por toda a vida. Estavam se tornando familiares com a personalidade um do outro e, apesar de muitas novidades, nada parecia ser verdadeiramente surpreendente.
Aterrissaram e desembarcaram, Victoria estava nervosa e ansiosa, enquanto que Killua estava calmo e tentava passar esse sentimento para a mais velha enquanto a distraia. Eles pegaram um uber e se dirigiram para uma área mais campestre, na borda leste da bela cidade. Logo eles chegaram em frente a uma enorme mansão cercada de jardins e, mais ao longe, de um floresta, tudo cercado por muros elegantes.
A garota olhava impressionada em todas as direções, completamente admirada com a aura de riqueza que transbordava do lugar. Killua a olhava divertido enquanto a guiava casa a dentro.
Eles deixaram as malas numa sala bem arrumada e elegante. De repente um homem de aparência jovem e forte, com cabelos brancos espetados e olhos verde-escuro entrou correndo e abraçou a garota com força e emoção. Victoria ficou surpresa num primeiro momento, mas assim que o cheiro do homem entrou em suas narinas ela mais uma vez teve uma estranha surpresa:
—Pai..... — afirmou com voz baixa, retribuindo o abraço. Estava cada vez mais confusa com como o cheiro de alguém poderia trazer tanta informação.
—Victoria..... — a voz meio rouca e os olhos marejados que ele exibiu quando a afastou mostrava o quanto estava emocionado. — Aaaaaaahh, minha criança...... — falou o pai, a abraçando novamente.
Killua olhava a cena com olhos também marejados, era com o que sonhava todas as noites nos últimos meses, desde que o pai lhe contara sobre a irmã.
Os três conversaram durante algumas horas sobre assunto triviais e a antiga vida da garota. Victoria se descobriu muito apegada ao pai, ele era idêntico ao que se via no animê: divertido e inocente, inocente de um jeito estranho por causa do lado assassino frio e calculista dele. Tinha o mesmo lado sombrio e violento que a garota reconhecia em si mesma quando tirado do sério, e só era tirado do sério quando seus amados estavam em perigo.
Mas logo chegaram ao ponto importante da conversa: por que Victoria fora afastada?
—Você não é uma humana normal, minha filha. — começou o pai. — Todos os humanos tem uma forma animal, os humanos normais tem forma animal de algum tipo de primata, e por algum motivo não conseguem manifesta-la. Mas nem todos somos normais. As pessoas diferentes, com magia no sangue, tem outras formas animais. Temos desde coelhos a tigres e girafas. Nós, pequena, somos de uma família de tigres nobres, uma família de tigres negros. — terminou ele.
A maioria ficaria cética e negaria, ou ficaria confusa. Mas para Victoria, aquilo fazia muito sentido, explicava o porque dela reconhecer os cheiros de seu irmão e pai por exemplo. Ela sorriu feliz, extasiada. Suas preces por algo que a tirasse do tédio foram finalmente atendidas.
—Um tigre..... — sorriu ela. — Mas por que vocês dois tem cabelos e olhos diferentes dos meus? — perguntou curiosa.
—Isso é porque sua forma animal foi selada, de modo que ele não se manifestasse em suas característica físicas. — respondeu seu irmão.
—Exatamente — assentiu o Killua mais velho. — Logo depois que vocês nasceram foi uma época complicada, a mãe de vocês desapareceu sem deixar rastros.... — continuou com dor estampada em seus olhos. — As fêmeas de raças nobres são extremamente cobiçadas para a procriação, e com sua mãe sumida...... Eu fiquei com medo por você, e resolvi esconde-la no mundo trouxa...... — ele claramente escondia algo, mas os gêmeos resolveram não pressiona-lo no momento.
Victoria e o Killua mais novo abraçaram o pai. O homem logo se retirou, dizendo que tinha que cuidar da matrícula de Victoria. Os gêmeos assentiram, e logo depois foram para os jardins da casa.
—Eu tenho que te apresentar alguém! — exclamou Killua para a irmã enquanto a puxava.
—Hai, hai. Só não arranque meu braço, sim? — respondeu ela, irônica e risonha.
Chegando num dos jardins, Victoria logo viu um gigantesco cão acinzentado. Com proporções dignas de Clifford, o cachorro se aproximou com sua enorme cauda abanando causando uma leve brisa atrás de si.
— Não imaginei que o fodendo Mikey seria real.... — murmurou Victoria, impressionada com o cão de guarda dos Zaoldyeck.
— Sabia que te deixaria sem palavras! — brincou o irmão.
Nisso os dois desataram a brincar com o cachorro gigante, rindo e correndo pela extensa propriedade. Ela genuinamente se sentia em casa, mais do que jamais se sentira antes.
Logo depois, o Killua pai afastou a garota do irmão e a levou para uma estranha sala nos fundos da casa. Era totalmente negra, tinha um grande círculo branco no meio, com uma estrela de Davi e várias runas e desenhos menores. Ela estranhou, mas se deixou levar pelo pai, confiava nele.
—Fique no meio do círculo Vic. — pediu o mais velho. Ao que prontamente ela obedeceu. — Vamos retirar o selo da sua magia. Vai ser doloroso, mas relativamente rápido.... Sinto que não tenha outro jeito de resolvermos isso. — explicou ele.
A jovem acenou sua permissão com a cabeça, sorrindo enquanto se preparava para a experiência provavelmente desconfortável. Killua começou a recitar palavras estranhas, Victoria teve certeza de que eram milenares, mas ao mesmo tempo elas lhe eram estranhamente familiares.
Depois disso, o desenho no chão brilhou fortemente. Esse brilho rodeou Victoria também. Ela sentiu uma dor aguda em todo o seu corpo, mas rangeu os dentes, fechou os olhos com força e se manteve firme no lugar. Algo se abriu dentro dela. Ela sentiu que a jaula que sempre imaginara e que prendia o lado animal de sua alma desaparecera. Um calor reconfortante passou por todo o seu corpo, aparecendo gradualmente em ondas, até que a garota sentiu que aquilo corria em suas veias junto com seu sangue. Era algo poderoso, muito poderoso, ela soube imediatamente que aquilo era sua magia.
Victoria finalmente relaxou e abriu os olhos, todos os seus sentidos foram ampliados de forma assustadora. A luz desaparecera.
—O selo foi desfeito, querida, agora a magia corre em suas veias mais uma vez. — afirmou o mais velho, sorrindo orgulhoso para a filha. — Bem vinda à família Zaoldyeck, pequena!-completou Killua.
—Obrigada pai! — sorriu animada
Victoria saiu da estranha sala com o pai e se olhou no espelho do corredor: estava levemente mais alta, com cabelos brancos meio espetados até a cintura e olhos negros. Teria que se acostumar com a sensação da sua própria magia, assim como a que sentia em quase tudo ao seu redor como uma força viva permeando o mundo.
Ela correu para os jardins, logo encontrando seu gêmeo e o Killua mais velho se encostou no batente da porta, observando a cena. O rapaz notou a presença dela e se virou para Victoria, descendo das costas do enorme cão com quem ainda estava brincando. Seus olhos se repuxaram num sorriso:
— Agora sim parece uma Zaoldyeck! Apesar de ser estranho saber como eu seria como uma mulher... — brincou o Killua mais novo, fazendo a irmã rir contente.
—Preparem suas malas garotos! — gritou o pai da porta, tirando a atenção da garota. — Vocês vão pra Hogwarts! — terminou. Os olhos dos dois brilharam.
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