A guardiã da Noite - A primeira noite

6 Capítulo 06 - Os elementos da harmonia


A noite seria bem mais bonita sem uma criatura maligna espancando uma parede invisível na entrada de uma caverna enquanto você tenta dormir um pouco. Pelo menos foi o que Luna percebeu. Todos pareciam nervosos de mais para conseguirem dormir no início, mas logo perceberam que estavam seguros. Luna ficou se voluntariou para passar a noite acordada de olho na criatura maligna que não parecia disposta em parar até conseguir algum pônei para si.

Foi só quando a maioria do pôneis caiu no sono que Luna percebeu que gostava daquilo, gostava de sentir a mente relaxada dos pôneis, imersas em algum tipo de sonho que, de alguma forma, agora ela podia sentir e até mesmo ver. Ela passou horas maravilhada com aquele seu novo talento, não podia acreditar que tais coisas eram possíveis.

Mas algo ainda a perturbava. Por que a criatura não conseguia entrar na caverna? Nem ela nem Celéstia haviam feito nada para impedir ou proteger a caverna de algum modo. A única fonte de poder era a Árvore da Harmonia. Luna então caminhou até ela, com cuidado para não acertar e nem acordar nenhum outro pônei e a observou com atenção. Nos galhos mais altos havia cinco pedras grandes que brilhavam em cores diferentes em uma intensidade mais forte, ela estreitou os olhos e conseguiu ver que eram cristais.

Só podia ser aquilo!

Luna caminhou rapidamente até Celéstia, ela dormia tranquilamente. Luna hesitou em acordar a irmã e deu uma olhada para a criatura que ainda estava ali, a observando com atenção. Ela não queria que aquele monstro a ouvisse. Então ela sorriu, sabia exatamente como contar para a irmã a sua teoria. Ela fechou os olhos e respirou fundo, não foi preciso muito esforço, e quando se deu conta estava dentro do sonho de Celéstia.

Celéstia voava tranquilamente pelo céu azul, o sol iluminava sua crina rosa e suas asas batiam tranquilamente, cortando o vento.

–Tia! — Luna disse batendo as asas mais rápido para chegar até a irmã.

–Luna! — ela disse e sorriu — aqui não é lindo? Voar é incrível!

–É sim. Mas escute, eu preciso te contar uma coisa — ela disse para a irmã e então contou tudo o que tinha observado e sua teoria. Celéstia a observou com atenção e então estreitou os olhos.

–Espere, isso é um sonho então? Você está dentro do meu sonho?

–É — Luna disse dando de ombros.

No mesmo instante ela se sentiu puxada para longe e quando se deu conta estava de volta na caverna e Celéstia estava acordando sobressaltada.

–Luna!

–Desculpe! — ela disse e sorriu — não queria que mais ninguém ouvisse.

Celestia suspirou e então olhou para a criatura que rastejava de um lado para o outro ainda na frente da caverna.

–Pode dar certo — ela sussurrou em resposta — mas será que usar esse poder da árvore a baniria para sempre ou apenas nos protegeria?

–Não sei — Luna disse — mas vale a pena tentar.

As duas se levantaram e então caminharam até a árvore, elas fecharam os olhos e respiraram fundos. De alguma forma a magia simplesmente fluiu por elas, sendo liberado pelos seus chifres de uma forma tão natural que parecia que elas sabiam exatamente o que estavam fazendo. O brilho em seus chifres se expandiu e envolveu toda a árvore, os cristais saíram da árvore e flutuaram ao redor delas, um sexto cristal saiu do centro da árvore e se juntou aos outros. O brilho acordou os outros pôneis que observaram assustados o que estava acontecendo. A criatura estreitou os olhos na direção delas e então arregalou os olhos e se virou para fugir.

–Vamos atrás dela! — Celéstia disse e correu para a entrada da caverna seguida por Luna. As duas usavam a magia para trazer todos os cristais junto com elas, e estes as envolviam em um brilho arco-íris e giravam a sua volta.

A criatura não conseguia ir longe se arrastando daquele jeito e as irmãs se sentiram vitoriosas.

–Não! Deixem-me livre! Eu juro que não entrarei no caminho de vocês novamente! — ela disse se virando para as irmãs no ultimo segundo — só não prendam novamente! É horrível!

–Acho que não — as duas responderam ao mesmo tempo.

Elas ativaram a magia dentro delas e sentiram seus corpos sendo envolvidos pela luz forte dos cristais, a luz atingiu em cheio a criatura que gritou em agonia, o brilho a envolveu e a comprimiu, até ela se tornar apenas o que parecia ser uma bola de cristal preenchida por uma fumaça negra que flutuou na frente delas. No chão havia um grande e grosso esqueleto de cobra, sem a cabeça.

–Acabou… — Celéstia disse respirando fundo.

–Ainda não — Luna murmurou — temos que dar fim nessas coisas.