A garota voltou a acreditar mas ainda tem medo
1 03/05/2017 00:48
Notas iniciais
Queridíssimo Diário
Da ultima vez que eu escrevi em você eu vim como uma garota totalmente desacreditada e falei que realmente odiava me apaixonar, e hoje eu venho argumentar algo um pouco diferente... Sobre como relacionamentos são difíceis.
A gente sempre começa achando que a pessoa é muito parecida com você e sempre tem aquela sensação de que não há nada nela que você não saiba, pois acha que conhece aquela pessoa tão bem quanto a si mesmo. Mas nem sempre as coisas são tão simples assim
Bem, eu to namorando com alguém que citei aqui a vários anos atrás, e mesmo que eu sinta que eu o conheço muito mais que 99,9% das pessoas a nossa volta, eu ainda sinto que não o entendo bem, que eu ainda tento ver as coisas de um modo que não é o certo, e que acaba piorando as coisas. Eu sei que ele nunca foi o meu espelho, somos parecidos em algumas coisas, mas não em tudo.
Eu não sei controlar quando choro, e ás vezes nem sei bem porque comecei a chorar, enquanto ele sempre esconde, acho que ele já chorou escondido de mim algumas vezes, e ele abre mão das próprias lagrimas pra tentar secar as minhas. Ele é tranquilo da voz baixa e de poucas palavras, e eu sou nervosa da voz estridente que esquece a hora de parar de falar.
E a distancia não ajuda muito, são mais de 3.000 km de pura saudade e sentimento de impotência por não estar perto quando precisa estar, que se transforma numa angustia que simplesmente não cabe no peito. Já é a segunda vez que algo acontece e eu to no lugar mais longe possível dele, e sinto que não consigo ajudar.
Ele acha que não me ajuda, mas ele consegue tirar um sorriso meu no meio das minhas lagrimas, me acalmar quando estou com raiva, me motivar quando quero desistir, me faz calar quando eu preciso ouvir.
E eu acho que faço bem pra ele também, só que eu sinto que eu já fui capaz de mais, bem mais, e toda vez que ele precisa de ajuda, fico sem saber o que fazer e entro eu desespero e transborda pelos olhos. Ele acaba se sentindo mal e eu sei o porquê, e eu fico mais desesperada ainda. Desesperada pela ideia de que um dia eu não consiga fazer mais nada por ele.
De que adianta eu dizer que sou o porto seguro dele, se por mais forte que eu seja, eu sempre pareço ao ponto de desabar? De que adianta eu oferecer o colo, se parece que quem precisa sou eu, mesmo que não precise? De que adianta eu afirmar mil vezes que só quero estar contigo do lado, mesmo que calado, se eu dou a entender que queria que falasse algo, mesmo que eu não queira?
Já me falaram que é fase, mas a fase nunca deixa de ser fase se você não tenta passa-la. Talvez eu ainda esteja amadurecendo, afinal eu só tenho 18 anos, e meu namoro também, que mal tem um ano. Eu sei que cada dia que passa é um dia a mais pra aprender sobre tudo, sobre mim, ele, como funcionamos juntos ou à distância, nossa cumplicidade, entre tantas outras coisas que se eu escrevesse aqui iam deixar esse texto muito maior.
Como eu já falei, não escrevi nada disso por me sentir desacreditada de mim, ou do meu namoro, ou do amor, como da ultima vez. Na verdade, escrevi exatamente pelo contrario, pois hoje, mais do que nunca, eu acredito completamente no amor e aceito seus riscos, sem medo de me machucar, entretanto com medo me machucar a que mais amo, medo de criar feridas ou as deixar as já existentes ainda maiores.
Quero saber cuidar bem dele, e parar de sempre deixar a entender que sou frágil de mais, pois por mais chorona e insegura, ainda me acho uma mulher forte. Será que ele vê isso?
Não sei, talvez seja melhor eu falar isso tudo a ele ao invés de esconder tudo em folhas de papel trancadas por um cadeado. Se eu nunca falar, nunca será descoberto isso... Afinal isso é um namoro, e essa é a magia dele: ele deve, a todo momento, ser construído a dois.
Ass: Ellyane Stark
Fale com o autor