A garota que mudou a minha vida

1 Livin' la vida loca - Ricky Martin


Terra, 29 de maio de 2018

Minha cara, cara amiga Pamella,

Hoje eu queria muito te contar sobre a garota que mudou a minha vida para sempre.

Acho que eu nunca encontrei, em toda a minha vida, uma mulher tão diferente e inspiradora quanto Beladonna. Quando a conheci, há alguns anos atrás, foi como se um turbilhão entrasse em minha vida, a virasse de cabeça para baixo e depois sumisse como se nunca tivesse me conhecido.

Ela apareceu tão de repente e então sumiu após alguns dias, mais de repente ainda. Em um momento ela estava ali e no outro não estava mais. Me deixou sem se preocupar momento nenhum com o que ou quem ficaria para trás. Mas eu fiquei, e a tristeza também.

Dizem que quem conhece Beladonna nunca mais volta a ver a vida como via antes, e eu sou a prova viva disso.

Bela era ligada à superstições terrenas como bonecas de voodoo. Além disso, ela era fissurada em sentir novas sensações, conhecer um novo vício todo dia e toda noite – quando não estava caçando nada.

Caso você não saiba, Bela é uma caçadora. Sim, daquelas que seus pais contavam como história para que você não seja malcriada ou travessa, sabe? Mas creio que Bela seja mais mortífera do que as historinhas de seus pais.

Bela ainda vive a vida loucamente. Sempre na estrada, carregando uma única mochila de couro com várias armas para as caçadas e alguns dos livros da família dela. Ela nunca para em um único lugar por muito tempo, e eu sabia que isso aconteceria. O que Bela tinha de supersticiosa ela tinha de sincera. Sua primeira fala quando me viu foi “Não estou aqui para ficar”. E isso possivelmente me atraiu mais ainda para ela.

Ainda me lembro do seu sorriso ao andar de moto pela primeira vez. E eu tinha a certeza absoluta, assim que vi sua pele cor de café, os olhos violetas e os cabelos tão curtos e negros (como seus cabelos, Pam), que eu iria me apaixonar.

Dito e feito. Eu me apaixonei e ainda estou apaixonada.

Um dia, antes de partir, Beladonna me puxou para a chuva, tirou sua jaqueta, tirou a minha jaqueta e dançamos juntas sob os trovões e raios que cruzavam os céus. Ela estava feliz, muito vez, e ria alto. Depois disso, dormimos juntas na minha cama, enroladas em um cobertor quente que eu achei em um dos meus baús.

Quando eu acordei no outro dia, ela tinha sumido. Minha cama estava gelada, o que significava que ela havia ido embora antes de adormecer. Ela havia deixado as janelas do meu apartamento abertas e um bilhete em cima da mesa, me desejando tudo de bom. Era melhor se ela tivesse me dado um remédio para dormir e roubado meu dinheiro... Mas ela apenas sumiu.

E, caso esteja se perguntando, não, eu nunca mais a vi. Ainda lembro de sua voz, de seus dedos me segurando na chuva gelada e de seu riso como se tudo isso tivesse acontecido ontem, mas não vejo a garota supersticiosa há quase cinco anos.

Eu sei que essa carta não faz sentido nenhum, eu realmente sei. Só precisava contar para você como eu ainda estou apaixonada por essa garota que tinha lábios avermelhados e que deixou meu coração apertado de saudades.

Obrigada por ler essa carta tão aleatória.

E faça um favor para mim, tá? Viva sempre a vida loucamente.

Esperando que possamos nos ver o mais rápido possível,

Bruna.

Notas finais
Espero que tenham gostado
Imaginem o relacionamento delas como quiserem, rsrs. Talvez algum dia eu escreva sobre elas duas, mas, por enquanto, fiquem à vontade...
Mil beijinhos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!