A garota do time 7 - Livro 1
9 Capítulo 9 — Mate-o gato
Com o decorrer dos dias, o esquadrão 7 entrou em uma rotina confortável e tranquila. Harumi sempre acordava de madrugada para a sua sessão de treinamento com Maito Gai e Rock Lee. Ela sempre terminava o dia com novos hematomas e cortes, mas gradualmente todo treinamento duro começava a mostrar frutos.
Kakashi alternava os dias de treinamento de seus genins em planejamento de missões fictícias, pique-bandeira na floresta e luta de taijutsu. Naruto queria que sensei ensinassem novos ninjutsus, mas o jounin deixou claro que não ensinaria nenhum truque legal tão cedo. O homem parecia querer primeiro nivelar o trabalho em equipe e as habilidades dos três. Isso sempre fazia Harumi sentir-se um peso morto.
Eles dividiam o dia, treinamento pela manhã e missões pela tarde. As missões eram serviços rotineiros como; trabalhos domésticos e manuais. Sasuke e Naruto sempre reclamavam delas. Diziam estarem abaixo das habilidades deles.
Não demorou muito para que o time 7 começasse a limpar regularmente três a quatro missões classificadas em "Rank-D" todas as tardes. Contanto que eles terminassem sua primeira missão rapidamente, o Hokage estava feliz em atribuí-los mais missões quando retornassem à torre.
Sob a cuidadosa orientação de Gai-sensei, a forma de taijutsu de Harumi evoluiu e melhorou lentamente. Agora, ela conseguiu durar pelo menos vinte minutos contra Lee, mas ainda não era párea para Sasuke e Naruto. Seus companheiros que ainda se seguravam contra ela.
No entanto, suas sessões de luta matinal com Lee consistiam no outro garoto correndo pelos pelo campo de treinamento, antes deles iniciarem a lutar. Era humilhante perceber que se eles lutassem de verdade sua única esperança seria ficar na defensiva. É claro que esse conhecimento, por mais irritante que fosse, apenas incentivou Harumi a trabalhar mais.
Contra Naruto, ela conseguia manter pelo menos dez minutos de luta antes de receber algum golpe mortal, mas contra Sasuke ela não tinha a menor chance. Os movimentos do herdeiro Uchiha eram mais afiados e difíceis de acompanhar.
Harumi estava feliz por não ter se deparado com os outros times de genins que formaram na academia com eles. Ela não saberia lidar com os ciúmes das garotas ou perceber que de todos ela estava mais abaixo na cadeia alimentar. Ao menos no que refere aos selos, ela estava avançando, agora que sua avó aumentou o nível de conhecimento.
—oÕo-
Aquela tarde, após um treino pesado e um almoço leve, eles se dirigiram para a torre do Hokage, para pegarem outra missão.
Quando conseguiram deixar o departamento de missão, Harumi previu a choradeira dos seus companheiros quando Kakashi riu diabolicamente.
— Bem, então — disse o Jounin de cabelos grisalhos — Aqui está. Capturar Tora.
Isso só podia ser palhaçada. Desde que tornaram um esquadrão oficial, em menos de 20 dias, eles já realizaram pelo menos 7 vezes aquela missão. Qual o problema daquele gato que adorava fugir? E por só eles tinham que localizá-lo?
— O quê? Kakashi-Nii! Isso é injusto! — Naruto choramingou. — Estou cansado desse gato estúpido. Ele parece ama somente Sasuke. Sempre saio todo arranhado.
— Capturar Tora é uma tradição para todos os times — afirmou Kakashi.
— M-mas... — Naruto gaguejou.
— Dobe, cala a boca antes que piore as coisas — Sasuke rosnou — Eu temo que seja um gato imortal, meu pai disse que já fez essa missão. Nenhum gato vive mais de 25 anos.
Uma hora depois, com o rosto sangrando e as mangas rasgadas, ela queria mais uma vez matar o gato. Ainda assim ela conseguiu encurralar o felino em um beco e o resto do time estava em suas posições, escondidos.
O pequeno rádio em seu ouvido tocou com a voz de Naruto.
— Ohi! Você o encurralou, Haru-chan?!
— Ah... ah... sim — ela exalou profundamente, mantendo os braços abertos enquanto lentamente deu um passo à frente. O gato sibilou e Harumi mostrou os dentes de volta.
— Segure-o lá — A voz de Sasuke veio em seguida — Estamos indo!
O gato sibilou, mostrando suas garras. — Bom gatinho — Harumi murmurou tentando sorrir — Bom gatinho — acrescentou mantendo as mãos prontas. Se ao menos ela tivesse uma espécie de saco, poderia prender aquela desova infernal.
Tora deu um pulo mais uma vez.
As garras do gato apontaram para o rosto dela e Harumi instintivamente fechou as mãos e bateu no rosto do gato. Ela olhou assustada quando Tora, o gato, acabou esparramado no chão, miando baixinho.
Piscando, Harumi baixou os braços. — Eu matei o animal — ela murmurou assustada.
— O quê? — Kakashi perguntou pelo fone de ouvido, mas não recebeu resposta da garota.
Ajoelhou-se ao lado do gato caído no instante seguinte, agarrando s duas patas dianteiras e o levantou.
— Hh! — ela exalou, segurando o animal nocauteado — Eu o peguei. — Ela riu. — Eu peguei ele!
Tora acordou no segundo seguinte e, encontrando-se preso dentro de um par de braços, começou a se contorcer, em uma tentativa de libertar-se.
Harumi rangeu os dentes. As mordidas de um gato não eram extremamente dolorosas, mas aquelas doíam. Parecia que o gato sabia como fazê-las doer mais. Harumi apertou seus braços ao redor de Tora e o manteve firme enquanto o animal tentava fugir.
— Ah! — ela ouviu o grito estridente de Naruto e virou para encarar a entrada do beco — Haru-chan! Você não teve que matá-lo!
— Eu sei, mas ele ia fugir — Harumi disse fracamente. Seus braços pareciam agitados, para dizer o mínimo. Mesmo segurando o gato pelo pescoço não o impedia de arranhar com as patas traseiras e sempre que podia morder seus dedos ou mãos.
— Eu vou segurar — disse Naruto, aproximando-se e agarrando o gato pela nuca. Ele sorriu docemente para Tora. O braço direito de Naruto começou a se mover rápido para cima e para baixo, quando o gato miou em choque com a maneira como girou o membro, como se ele fosse jogá-lo no ar.
— Parece chocalho! — Naruto riu quando o gato soltou um 'miau' enquanto girava — Você acredita que se eu o bater um pouco contra a parede, ele sentirá?
— Julgo que o machucará — Harumi disse — Não é o gato da esposa do Daimyo?
— Ah, bem, ela sempre pode conseguir outro — Naruto encolheu os ombros quando parou de maltratar o animal— Agora ouça aqui, bola de pêlos — ele disse olhando diretamente nos olhos do gato — Você foge de novo e eu juro que da próxima vez vou realmente jogá-lo contra uma parede, entendeu?
O gato miou, assentindo com força quando começou a suar.
— Muito bem! Agora peça desculpa a Haru-chan! Você não pode ser mal com ela!
Na verdade, o gato miou novamente na direção de Harumi, com olhos suplicantes.
Naruto bufou com um aceno de cabeça antes de agarrar o gato com mais delicadeza — Pronto, é assim que você faz, Haru-chan. Se o animal sentir seu medo, ele vai lhe dar um tempo difícil.
Sasuke pulou ao lado deles no momento seguinte.
— Harumi — disse o Uchiha. — Onde está o gato?
Harumi piscou.
— Está com… — ela então olhou para Naruto, que olhou para suas duas mãos vazias.
Os ombros do loiro começaram a tremer quando ele percebeu que deixou o gato ir.
— Dobe? O gato?
— Ohi! Não é minha culpa! Bem, talvez seja, mas não é completamente minha culpa!
Sasuke bufou e então olhou de volta para os braços de Harumi.
— Você está tentando estabelecer um recorde de visitas ao hospital?
Antes que Harumi respondesse, Kakashi apareceu segurando o gato pelo pescoço e com uma expressão entediada gravada na parte visível de seu rosto.
— Está ficando tarde, e eu tenho coisas melhores a fazer do que esperar que vocês capturem o gato. — Ele jogou Tora para Sasuke, que o agarrou com firmeza. — Então entregue o gato de volta e nos vemos no campo de treinamento Sete… Amanhã às 7h! — Com isso dito, ele desapareceu em um lampejo de folhas.
Naruto olhou para o gato assassino, antes de fingir cortar seu pescoço. Tora miou em busca de ajuda, segurando os ombros de Sasuke como se ele fosse seu salvador.
— É melhor você se desculpar — Naruto assobiou — É melhor você estar arrependido.
— Vamos entregar o gato no posto de missão para podermos ir para casa. Estou farto deste dia — Sasuke disse cansado.
— O último que chegar à torre Hokage paga o jantar! — Naruto gritou alto e saiu correndo.
— Espere, Dobe! — Sasuke gritou e olhou de volta para Harumi — Você conhece o Shunshin, não é?
Harumi balançou a cabeça em negativa.
— Ah! — Sasuke exalou alto — Tudo bem. Vamos lá — ele disse e começou a andar sem esperar por Harumi.
Ela o olhou com curiosidade, mas desistiu. Aquele menino era difícil de entender. Suspirando, ela apressou os passos e colocou-se andando ao lado dele. Olhou seus braços e gemeu.
— Você deve verificá-los no hospital — disse Sasuke ao longo do caminho — Eu vou levar o gato para a torre e você pode ir ao hospital... — As suas falas foram interrompidas por uma voz enferrujada.
— Sasuke-sama! — disse uma idosa, parando na frente de Sasuke — Sempre fazendo uma boa ação! — era uma velha que parecia estar retornando do mercado para casa.
— Sinto muito, mas estamos com pressa — respondeu Sasuke secamente, antes de começar a andar mais uma vez.
Harumi seguiu rapidamente, porém as coisas saíram do controle naquele momento. Uma enxurrada de gritos femininos e estridentes pareceu surgir de vários cantos da rua.
Quando Harumi parou para tentar identificar qual aldeia inimiga estava atacando, ela perdeu Sasuke de vista no meio de uma pequena multidão de mulheres e meninas que inundaram a rua. Elas pareciam ansiosas para localizar o herdeiro Uchiha.
Harumi permaneceu sozinha ao lado da estrada. Realmente não havia mais sinal de Sasuke, mesmo quando a multidão se separou. Foi quando um garoto loiro parou calmamente ao lado dela. Ele estava segurando o gato Tora nos braços e seus olhos estavam olhando sobriamente para a multidão.
— É por isso que geralmente não ando nas ruas — ele murmurou — Há pessoas em todos os lugares. Você precisa aprender logo a subir paredes.
— Se você quiser ir em frente… — Harumi começou a falar, mas gaguejou quando Sasuke bufar. Respirando fundo, ela completou — Eu vou ao hospital.
Sasuke a analisou e virou, dando as costas para ela, passando a andar em direção à torre do Hokage.
Harumi suspirou.
‘Ela devia segui-lo? Ou isso foi uma despedida?’
Confusa, ela decidiu dever se apresentar ao Hokage com seu time para informar que a missão havia sido concluída.
Ela ignorou a multidão feminina que ainda procurava pelo herdeiro Uchiha e seguiu o mesmo caminho que o garoto com o gato.
Comunicação feita, Harumi decidiu passar na biblioteca e convidar seu pai para comerem algo. Ela sentia falta do tempo descontraído, de momento pai e filha.
— Olá Gaho-san! — ela cumprimentou o chunin que ficava na recepção da biblioteca. — Meu pai está aqui?
— Está no TI, mas deve voltar em breve — disse o jovem ninja. Ele se acidentou em uma missão, que acabou resultando em amputação parcial da sua perna direita e, com isso, o jovem optou por trabalhar internamente em Konoha.
— Oh! Eu posso fazer uma pesquisa? — ela perguntou com cuidado. Não queria ter feito uma viagem perdida.
— Fique à vontade — permitiu Gaho e afastou-se para organizar alguns livros.
A biblioteca Shinobi ficava na montanha do Hokage, assim como outros edifícios. Era uma estrutura enorme. Uma parte dela era acessível para todos shinobi, mas o segundo piso era liberado somente para chunin e jounin, fora a parte do arquivo secreto, que poucas pessoas tinham acesso.
Harumi cresceu entre aquelas estantes recheadas de conhecimentos e informações. Ela sempre adorou ir ao trabalho com seu pai. Por ser amante da leitura, poderia facilmente passar horas mergulhada em histórias, ensinamentos e instruções.
Claro, ela não poderia ter acesso a todos os tipos de documentos, mas isso nunca a impediu de ser amoral e olhar alguns arquivos secretos escondida. Ajudava que soubesse fuuinjutsu e pudesse quebrar armadilhas e proteções.
Ela olhou para as poucas pessoas presentes e seguiu para uma das sessões. Harumi passeou lendo os endossos dos livros ou as inscrições dos pergaminhos. Sua atenção foi roubada quando viu um livro grosso e antigo.
Com cuidado, Harumi retirou o livro da prateleira e abriu em uma página aleatória. Seus olhos percorreram as letras manuscritas. A caligrafia era difícil de ler, as palavras juntas e confusas, mas ela ainda conseguiu identificar alguns trechos.
Torcendo a boca, ela mudou de página, para início do livro, e sentou-se com cuidado no chão, com as pernas cruzadas, e passou a ler. Seus olhos se arregalaram ao perceber que se tratava de artefato da época do primeiro Hokage.
Possivelmente foi arquivado errado, deveria estar na seção nível B, ela pensou. O indicado era que Harumi deveria reportar o erro para a recepção ou qualquer funcionário da biblioteca, mas sua curiosidade foi maior.
Sua empolgação aumentou quando percebeu tratar de um diário do Senju Hashirama. Alguns trechos eram confusos de entender, devido ao dialeto ou palavras mortas, mas ainda deu para compreender a maior parte.
O livro falava principalmente sobre a primeira guerra do mundo ninja e a peculiar relação do primeiro hokage com o patriarca do clã Uchiha. No entanto, o que realmente atraiu atenção de Harumi, foi os jutsus que eram citados no diário. A habilidade madeira era rara e todos acreditavam que morrera com Hashirama, uma das coisas que o tornava ainda mais lendário.
Tão concentrada no livro, ela se assustou quando levantou os olhos e percebeu estar escuro do lado de fora do prédio. Harumi levantou e considerou guardar o artefato no mesmo lugar, mas desistiu. Aquele era um tesouro de Konoha e devia ser bem guardado para não ser roubado.
Ao aproximar da recepção, percebeu que seu pai retornara e sorriu abertamente para o homem.
— Gaho-san me avisou que me procurou, mas como não a vi, achei tivesse ido embora — disse Raiden. Ele era um homem no auge de seus 40 anos, porém mostrava um vigor juvenil. Usava com orgulho o colete chunin e as tatuagens tradicionais dos Nohara nas bochechas, algo que Harumi não herdou.
— Estava lendo, sabe como me esqueço de tudo quando encontro algo interessante — explicou Harumi com cuidado e colocou o livro antigo em cima do balcão. — Alguém arquivou errado.
Raiden olhou confuso até que a compreensão lhe atingiu e seus olhos arregalaram.
— Aff, eu disse a Gaho várias vezes para ser mais cuidadoso — disse e recolheu o livro — Você deveria ter trazido imediatamente e não tê-lo lido.
Harumi encolheu os ombros. — Não pude resistir. Só fiquei confusa…
— Com o quê? — Raiden perguntou.
— No relato, o primeiro hokage alega que não queria o título, que deveria ter sido de Uchiha Madara, mas que houve interferência de estado…
— Hn! — Raiden disse. Ele olhou ao redor para ter certeza que ninguém escutasse — As pessoas consideravam Senjus mais benevolentes… os Uchihas podem ser… Ambiciosos.
— Pai, eu tenho um Uchiha no meu time. Sei que podem ser difíceis de lidar. São Orgulhosos — ela disse.
— Sim! Eu vou guardar isso para podermos sair. Quer jantar churrasco? — Raiden perguntou quando contornou o balcão com alguns livros para serem arquivados.
Harumi encolheu os ombros. — Estou com fome, poderia comer. — Ela sorriu divertida para seu pai.
Não demorou muito para que pai e filha deixassem o prédio e seguissem para o centro comercial de Konoha.
— Como está seu treinamento? Está se dando bem com seus colegas? — Raiden questionou.
A garota abraçou o braço do seu pai e andou com cuidado ao seu lado.
— Está bem… Kakashi-sensei é… ele gosta de demonstrar ser um ninja preguiçoso, deve ser entediante ensinar ninjas inexperientes… Às vezes penso que ele preferiria estar em outro lugar do que nos ensinando. Os meninos estão irritados por não ter aprendido golpes poderosos — ela disse revirando os olhos.
— Kakashi foi Anbu. Pode manter uma luta contra Hokage — o homem disse enquanto olhava para as luzes acesas da movimentada rua — Ele não dará nenhum conhecimento facilmente, precisam merecer.
Harumi acenou. — Ele parece se importar muito com trabalho em equipe.
— Sim, isso é importante. Mas Haru-chan não precisa ter medo de perguntar por mais. Ele deve instruí-la igualmente aos seus outros companheiros. — Raiden disse.
— Eu sei! Estou aprendendo bastante. Vamos comer. Estou com fome — ela disse puxando seu pai para que se apressasse em entrar no restaurante de carne.
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Harumi optou por ir para casa, tomar um banho e vestir roupa decente. Depois, queria ir ao templo Inari ajudar a sua avó e quem sabe convidá-la para ir almoçar em algum restaurante com seu pai. Seria bom ter um momento em família.
Em seu trajeto para casa, Harumi percebeu que as pessoas estavam olhando-lhe e sussurrando. ‘O que está acontecendo?’
— Essa é a filha de Raiden-san, certo? Harumi?
— Não, eu ouvi que ele tinha um filho, não uma garota.
— Não, é uma menina — uma terceira pessoa sussurrou — Eu a vi com o herdeiro Uchiha e honorável filho do Yondaime.
— Então ela é a misteriosa companheira de equipe do filho do Yondaime?
— Uchiha-sama deve estar assumindo a maior parte do peso da equipe.
— Ohi — uma voz grosseira a chamou. Um grupo de garotos mais velhos, entre quinze e dezesseis, estavam parados a encarando — Você é Harumi?
— Não! — ela respondeu, piscando os olhos. — Meu nome é Aiko.
— Oh! — murmurou decepcionado — Desculpa.
Ela encolheu os ombros, como se não houvesse nada com que se preocupar, e depois seguiu seu caminho apressadamente.
Realmente, o que ela deveria dizer a um grupo de genins segurando as mãos sobre as bolsas kunai no meio da rua? ‘Sim, sou eu, por favor, vamos ao beco escuro para vocês poderem me bater?’
— Minha irmã a descreveu muito bem — outro garoto murmurou.
— Bem, espere um momento, qual time você está pirralha? — perguntou o jovem que parecia ser o líder da pequena gangue.
— Time quatro, estou com Hachibi e Kota!
— Eu conheço Hachibi, ele está no time quatro — afirmou um dos outros garotos.
— Agora vá, garota — o genin mais velho gesticulou em direção a Harumi, que alegremente agradeceu e saiu dali, mas ela não foi longe.
— Ei, você — outra voz, desta vez pertencente a uma mulher idosa, alcançou-a. — Você estava com Uchiha-sama há alguns dias, certo?
Harumi queria dar um soco na idosa, mas era errado bater em senhoras, seu pai lhe ensinou a ter respeito por pessoas mais velhas, desde que não fossem ninjas querendo lhe matar.
— Então você é Harumi! — os meninos mais velhos atrás dela sibilavam.
Harumi gemeu e passou a correr, sem esperar, ela foi em frente. Deixando para trás o mercado e começando a correr, pulou na lateral de um prédio e subiu direto, sem olhar para trás.
Atrás dela, podia-se ouvir os passos dos genins mais velhos seguindo-a.
Ela tropeçou quando uma mão agarrou o seu braço esquerdo. Harumi socou o garoto mais velho com a mão direita, fazendo-o cambalear. Ela girou, pulando para agarrar as costas do menino, usando-o como escudo humano, quando um punho veio direto para ela. O primeiro genin mais velho caiu desacordado no chão, pelo soco de seu próprio amigo.
Os três restantes a cercaram depois.
— Só queríamos conversar — afirmou o líder — Mas se é assim que você quer agir...
— Como se você não estivesse planejando isso desde o início — Harumi rosnou de volta — O que deveria fazer, me assustar? Sua exibição lamentável não assustaria um rato! — ela sussurrou, enquanto sua própria mão procurava sua bolsa, que ela não tinha, já que Naruto a arrastou para fora de casa ainda de pijama.
— A pior aluna da academia não pensa que somos assustadores — disse o genin mais velho — Talvez estar tão perto dos prodígios de Konoha a tenha tornado estúpida. Vamos te ensinar onde é seu lugar, no chão comendo poeira.
Harumi concentrou chakra em suas mãos, e gritou:
— Raiton no Jutsu. — Bateu as palmas das mãos contra o oponente que corria em sua direção. A eletricidade do jutsu paralisou os genins, fazendo-os cair no chão, chorando e lamentando, enquanto seus corpos se contorcem.
Contudo, ela não foi rápida para desviar-se do terceiro, que desferiu um soco que bateu no lado esquerdo do seu rosto. Sua cabeça rodeava e sua visão ficou turva.
— Nenhum ataque no rosto, imbecis! Não podemos deixar marcas! — gritou o líder. — Agora ouça aqui, sua fraca. Você é uma ninja inútil, não tenha nenhuma ideia engraçada sobre valer algo para o resto do mundo, porque você não vale. Você é uma bastarda doentia e horrível, que ninguém nem quer e se eu...
Irritada, ela gritou o fuuinjutsu:
— Yūutsuna Yami!
Segundos depois a visão dos dois genins restantes escureceram. Os dois gritaram, cegos, e não viram quando shurikens de água os cortaram. Nada mortal ou brutal, apenas cortes e arranhões em suas pernas e braços. Então, Harumi aplicou neles o jutsu relâmpago que Kurenai tinha lhe ensinado, nocauteando-os.
Respirando fundo, ela endireitou o corpo e olhou com nojo para aqueles genins. Era isso que tanto temia. Ser subestimada, caçada e zombada por estar no time de gênios. Ela não pretendia ser saco de pancada de ninguém.
Ainda fervendo de raiva, ela deu as costas para aqueles quatro idiotas e retornou seu trajeto para casa, dessa vez usando shunshin. Não queria ouvir fofocas ou perguntas. Tudo que Harumi queria era tomar banho e ir desfrutar do silêncio do templo Inari.
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