A garota do time 7 - Livro 1

26 Capítulo 26 - Uma Harumi mau-humorada


Já era meio-dia e Anko olhou para os Genins deitados no chão da Floresta. Ela suspirou e colocou as mãos nos quadris.

— Vocês três são patéticos. Eu não posso acreditar que você está tão cansado depois de uma hora de treino. Você quase me pegou da última vez. — disse Anko.

— Psicótico... cadela… — murmurou Naruto

— Eu vou... fazer... você... pagar… — murmurou Sasuke.

— Você no topo da minha lista… de pessoas para me vingar — murmurou Harumi.

Anko suspirou para eles.

— Se você tem energia para me ameaçar, então acho que não precisa almoçar. — Anko disse com um sorriso. Eles gemeram e se levantaram do chão. Eles olharam para o professor e se prepararam para outro ataque. Enquanto se moviam, um despertador tocou. Anko bateu palmas.

— Isso termina o treinamento de hoje. Vá almoçar e me encontre na torre. Temos uma missão hoje — Ela ordenou antes de desaparecer via Shunshin.

— Sinto mau pressentimento, em uma semana, nunca fizermos nenhuma missão — disse Harumi com olhar calculista. — Ela disse estar abaixo dela fazer missão rank-C.

Sasuke gemeu.

— Por que eu sinto que não vamos sobreviver a isso? — perguntou Sasuke.

— Poderia ser pior? — Naruto disse.

— Nós estamos sob o controle de uma kunoichi louca e mentalmente instável com um fetiche por dor por mais uma semana. Como pode ser pior que isso? — perguntou Harumi.

Naruto encolheu os ombros.

— Eu acho Kakashi-Nisan pior. Ele nos jogou sozinhos na floresta e quase nos matou.

Harumi revirou os olhos.

— Você quis dizer ‘quase’ me matou. Porque me lembro de ter sido a única que sangrou — Harumi disse com a voz rancorosa.

Os meninos coraram e desviaram o olhar.

Harumi gemeu e levantou, sacudindo a poeira dos cabelos e roupas. — Ouviram a sensei, vamos almoçar. — ela não esperou pelos menos.

Naruto e Sasuke entreolharam, e levantaram para seguir a garota. Nos últimos dias o humor de Harumi tinha se tornado azedo, e ela estava constantemente de mau-humor. Talvez fosse porque odiava cobras e tinha que lidar com elas diariamente. Vencer seu pavor para fugir e sobreviver. Ou fosse as provocações maliciosas de Anko… Ou por outro motivo. Os garotos não sabiam ao certo.

Sasuke quase foi esfaqueado quando ousou perguntá-la se estava indo ao Psicologo indicado pelo Hokage. Harumi garantiu ser a mais ‘racional’ do time. Se alguém precisasse ir, era Naruto devido à sua malícia explica e Sasuke por causa complexo de seu irmão.

Não precisava ser um gênio para saber que Sasuke ficou magoado e ficou o resto do dia sem falar com Harumi. Quando se encontraram no dia seguinte, Harumi pediu desculpas por suas palavras. Disse que não estava dormindo bem, e não ajudava os métodos de treinamento de Anko-sensei. Sasuke obviamente a perdoou, e aprendeu que, quando a garota do time estivesse de mau-humor, devia manter a distância e não falar besteira.

—oOo-

O trio de adolescentes se sentiam cautelosos. Anko aceitou uma missão rank-C para capinar um jardim. Eles sentiam haver uma conspiração por detrás disso. Estavam esperando a bomba explodir a qualquer momento.

— A missão de hoje é capinar um jardim — cantarolou Anko. — Nada que não possa ser feito com uma grande dose de clones — ela deu de ombros. O quarteto seguiam pelas ruas de Konoha na direação da casa do cliente.

— Que chatisse! Prefiro treinar — Naruto reclamou.

— Estamos há muito tempo sem fazer missões juntos — Anko alegou. — O Hokage chamou minha atenção… Blá blá blá… que os velhotes fizeram uma reclamação… blá blá blá…

Sasuke estreitou os olhos.

— Então esse é o motivo? — ele indangou.

— Talvez porque as minhas invocações têm reclamado e recusado a lidar com vocês. Cansadas de serem queimadas, fatiadas, eletrocutada e seladas. — Anko disse com desdem costumeiro — E estou sem ideias do que fazer para treiná-los.

Harumi a encarou perigosamente.

— Talvez algo útil. Você é especialista em infiltração, tortura e captura… deve ter experiencias no assunto para nos ensinar.

Anko encarou a menina.

— Que bicho lhe mordeu, pequena? Kakashi sempre alegava ser a mais calma do time… Tímida e calada. — Anko disse com calma, talvez, curiosa para saber o potencial daquela menina que mesmo com pavor terrível de cobra, ainda se moveu, lutou e ajudou seus companheiros. — Anda muito azeda. Não é falta de… Porque é muito nova… talvez… beijar na boca? — Anko disse maliciosamente.

Harumi estreitou os olhos para ela e estalou os dedos,

Anko gemeu no mesmo instante quando sentiu uma dor no selo em seu pescoço.

— Ei…

— Devia deixá-la em paz! — Naruto aconselhou. — Haru-chan pode ser perigosa como inimiga.

Sasuke sorriu e adiantou os passos para alcançar seus companheiros de time, deixando uma confusa e com dor, Anko, para trás.

— O time 8 não era ruim — disse Harumi.

—oÕo-

Ela estava calma. De alguma forma, seu humor conseguiu acalmar a medida que trabalhava. Harumi chorava de alegria ao iniciar o movimento repetitivo de agarrar as ervas daninhas e arrancá-las, rindo quando nenhuma kunai, armadilha, explosão ou inimigo apareceu. Ela estava capinando um jardim e estava adorando cada segundo.

Ela não queria ser cruel nas palavras com seus amigos ou com a Jounin, porém seu humor estava volátil nos últimos dias. Apos sua primeira experiencia em ser perseguida pelas invocações de Anko, seus pesadelos começaram.

Cobras a perseguiam por corredores estreitos e frios. Ela tentava fugir, mas seus pés eram pequenos demais, seu corpo frágil demais e ela estava morrendo de medo. Sempre acordava quando era capturada.

Alguns dias depois, os pesadelos começaram a se tornarem mais hediondos. Ela se via em laboratório; alguns momentos era uma cobaia, em outros, observando um homem desconhecido manipular instrumentos estranhos em uma mulher.

Harumi chorava e lhe implorava para deixar a mulher ir, mas sua voz não saia. Ninguém lhe ouvia.

Ela chegou a cogitar a possibilidade de isso ser um trauma da infância. Harumi foi adotada por Raiden e Sayuri quando tinha 4 anos. Quem era seus verdadeiros pais ou de onde veio, era um mistério. Ela chegou a perguntar para seu pai e avó, porém, eles dizerem que não sabia da sua origem, apenas que a escolheram no orfanato da Aldeia.

Harumi não queria pensar mais nisso. Fazia tempo que não sofria com pesadelos ou esse drama sobre sua origem. Ela tornava ríspida, cruel e zangada com a privação do sono, o treinamento com as cobras, e não ajudava aquela voz que sempre a perturbava.

Era seu auto-ego? Uma segunda personalidade?

Ela não sabia.

Por isso estava mais calma naquele momento. Trabalhar em algo tranquilo, manual chato, a ajudava acalmar. Ela sempre gostou de jardinagem.

Sasuke a encarou como se tivesse diante de uma pessoa insana. Ele quase sugeriu para Anko que ela fosse levada ao hospital para um exame de sanidade.

— Ei, Harumi, está tudo bem? — Sasuke perguntou. — Talvez seja melhor ficar alguns minutos na sombra.

Harumi olhou para o garoto ao seu lado e inclinou a cabeça para o lado, encarando-o. Ela piscou algumas vezes, tentando processar as suas palavras.

— Eu estou bem! — ela disse. — Acho que terminaremos em breve. — Harumi olhou em volta, encarando os sete clones de Naruto trabalhando. Eles eram um pequeno batalhão barulhento, mas de alguma forma, bem organizados.

— Há algo errado com você, se estiver feliz enquanto capina um jardim — Sasuke murmurou.

Harumi voltou a encarar o garoto de cabelos pretos.

— Oh… eu só… estou feliz por estarmos realizando uma missão simples — ela explicou, fazendo Sasuke lhe dar um olhar contorcido. — Há paz em trabalho simples e manual, apenas isso.

— Hn! — ele resmungou e voltou a se concentrar em suas obrigações.

Anko, que estava sentado no muro de pedra, estava comendo seu doce dango e observando a garota. Ela ainda queria entender como a genin fez seu selo doer. Orochimaru colocou aquele selo nela, quando ainda tinha 12 anos. O homem que amou como mestre, a abandonou e traiu.

Ninguém conseguiu retirar aquele selo. Uzumaki Yumi disse que se tentasse retirar, Anko ficaria louca ou morreria. A verdade era que aquele selo venenoso estava gradualmente lhe matando. Talvez por isso, Anko vivia a sua vida no limite, porque morreria jovem. Ela bebia, transava, divertia e fazia loucuras, porque a sua sentença de morte já estava decretada.

— Naruto, não arranque as flores, somente as ervas-daninhas — Anko disse para o energético loiro.

Uma mulher se aproximou, carregando uma bandeja com uma jarra de limonada e quatro copos.

— Vocês devem estar cansados. Que tal uma bebida gelada? — ela disse com a voz melodiosa.

Ela era uma mulher bonita. Devia ter em torno dos trinta anos. Sua roupa era muito reveladora e seus gestos exagerados.

Não passou despercebido por Harumi que a mulher encarava maliciosamente o herdeiro Uchiha. Harumi estremeceu diante dessa conclusão. Isso era irreal. Não somente as adolescentes da aldeia corriam como harpias atrás do garoto, porém até as mulheres mais velhas.

Harumi encarou seu companheiro de time, analisando-o.

— Obrigado Naomi-san, mas os meus genins precisam terminar o trabalho. Temos outras obrigações — respondeu Anko, recusando ‘graciosamente’ a bebida da mulher.

Ela fez um beicinho, ressaltando seus lábios vermelhos, e manhosamente caminhou até Anko.

Sasuke olhou para cima e percebeu o olhar de Harumi. Ele arqueou uma sobrancelha em uma indagação muda e recebeu em resposta um estreitar de olhos.

— Terminei! — Naruto gritou.

Sasuke levantou e perguntou de maneira ansiosa.

— Podemos ir, Anko-sensei?

— Mas já, Uchiha-sama? Eu preparei um pequeno chá da tarde para vocês — disse Naomi. Ela era esposa de um rico comerciante de Konoha.

— Temos que treinar, Obaa-san — gritou Naruto enquanto já corria para fora da propriedade puxando Sasuke pela mão. Os dois garotos sumiram pelo portão da residência, deixando os outros dois integrantes do time 7 para trás.

Harumi encarou a sua sensei, que parecia estar se divertindo muito com toda situação. A mulher choramingou e virou para reclamar com ANko, mas tudo que encontrou no lugar foi um tronco de árvore apodrecida.

— Hn! Eles não podem lidar com a minha beleza — ela disse de modo arrogante, então encarou a única integrante do esquadrão de genin que ficara para trás. — O que faz aqui, menininha? — perguntou encarando com asco as roupas de Harumi. — Céus, você jamais vai conquistar um homem com esses trapos!

Harumi se levantou e encarou a mulher com desdém.

— Por sorte, não preciso usar genjutsu ou quilos de maquiagem para esconder a minha feiura — ela disse, e antes que a mulher Naomi retrucasse, Harumi largou a pá de jardim que segurava — Deveria ser mais cuidadosa, Fugaku-sama pode te prender por tentar molestar o filho dele.

Naomi abriu a boca irritada, pronta para dar uma lição na piralha, mas essa sumiu, deixando para trás folhas dançando no ar.

—oÕo-

Harumi deixou a casa da pedófila e seguiu calmamente de retorno à aldeia. Ela até considerou procurar por seus companheiros de equipe, porém descartou a ideia. Realmente não queria lidar com nenhuma excentricidade naquele momento.

Tudo que Harumi queria era tomar banho e ir desfrutar do silêncio do templo Inari.

As casas se tornaram pequenos pontos distantes, as vozes e agitação do centro da aldeia foram sumindo até que somente o som da vida selvagem fosse ouvido.

O ambiente permitiu que ela se acalmasse, porém, a sua indignação ainda vibrava em seu peito. Harumi não queria aceitar isso. Aceitar a intolerância e preconceito das pessoas.

Ela não pediu para estar no esquadrão 7, por isso, essa retaliação era ainda mais injusta e cruel.

As pessoas da aldeia achavam que Kakashi, Naruto e Sasuke eram deuses ninjas. Grande besteira. Eles eram humanos, cheios de sonhos e falhas.

Harumi sabia que sua trajetória como ninja não seria fácil a partir do momento nomeada para o time 7. Depois de quase três meses, ela ainda não sabia totalmente como lidar com isso. Enquanto estava realizando missões ou treinamento, longe dos olhos alheios, era fácil esquecer que ela vinha lutando para aceitar sua realidade. Em se adaptar ao esquadrão com prodígios, tão visado pelos clãs, conselheiros, civis e até às demais aldeias. Ela sangrou, chorou e quase morreu diversas vezes.

Harumi estava começando a aceitar seu ‘destino’, mas tinha que vir uma rasteira e mostrá-la que não devia ficar muito confortável.

A caminhada foi interrompida quando ela chegou ao seu destino, ou onde seu coração a levou. A adolescente permitiu que um pequeno sorriso brincasse em seus lábios quando seus olhos encararam o templo tradicional. Aquele prédio tinha mais de 100 anos, mas ainda se mantinha majestosamente de pé.

Muitos cidadãos de Konoha – civil ou ninja – não tinham conhecimento daquele lugar. O templo era símbolo da amizade de Konoha e da falecida Uzushiogakure. O primeiro Hokage mandou construir como presente para sua esposa Mito.

O templo Uzumaki era decorado com os redemoinhos, marca registrada da Aldeia Ninja do Redemoinho. As cores vermelhas e azuis eram marcantes nas bandeirolas, abajur de papel e talismãs pendurados.

Harumi subiu o pequeno lance de escadaria, feita de pedra, e parou diante da grande porta e retirou suas sandálias, e então entrou no salão principal.

A sala era grande, o chão polido que brilhava e na parede principal tinha um altar erguido destinado ao Shinigami ‘Deus da Morte’. Ela aproximou-se e ajoelhou na almofada, juntando às duas mãos em frente ao rosto, ela fechou os olhos e fez uma pequena prece.

O extinto clã Uzumaki era um povo selvagem, conhecidos como bárbaros, devotos ao Shinigami. Diz a lenda que eles ofereciam suas vítimas ao Deus da Morte. Talvez por esta ligação, eles tinham muitos fuuinjutsu que invocavam o deus da morte, como o selo Shiki Fūjin (Selo Consumidor do Deus da Morte).

Sua avó, que veio ainda criança da aldeia Uzushiogakure para Konoha, sempre prezou por seguir as tradições. Por anos, ela trabalhou como dama de companhia e amiga da primeira Jinchurikis no Kyuubi. Ela ouviu sobre a queda da sua amada aldeia e seu povo sumir por causa do medo e ambição das outras aldeias, mas Yumi se manteve firme em sua herança.

Harumi poderia não ter carregado o sobrenome daquele grande clã, mas em suas veias correia os genes Uzumaki, o amor pelo fuuinjutsu e o legado das tradições. Ela cresceu sendo ensinada por sua avó sobre fuuinjutsu e Uzumaki. No futuro, caberia-lhe cuidar do Templo Uzumaki e de cada relíquia guardada no mesmo.

Após realizar sua reverência, ela levantou e seguiu para uma porta na lateral. Harumi colocou sua mão sobre um símbolo, fazendo-o brilhar, e somente então entrou.

Em cada quarto do templo havia uma barreira. Alguns, a pessoa precisava ter conhecimento fuuinjutsu para acessar, outros precisavam ter sangue ou chakra Uzumaki, mas nos níveis com relíquias perigosas e estimadas, precisava ter um chakra específico. Lugares que somente Yumi, Kushina e, futuramente, Harumi, poderiam acessar.

Harumi seguiu pelo corredor até uma porta grande. Ela colocou a mão novamente em outro selo, fazendo a porta abrir. Deparou-se com uma escada que a levava para túneis e salas subterrâneas.

Acostumada, ela desceu os lances de escada sem se importar com a escuridão. Seus olhos se ajustaram às iluminações provindas das tochas acesas na parede.

Ela entrou em uma das diversas salas escondidas no subsolo do templo e observou os redemoinhos cravados nas paredes de rocha que formavam o salão oval. Seus olhos brilharam ao encarar as diversas prateleiras recheadas de livros e pergaminhos antigos. Relíquias de Konoha, Clã Uzumaki e outros clãs ou aldeias.

Um tesouro que Mito, Yumi e o Kushina juntaram ao longo dos anos. Mas ali não tinha nem mesmo a metade do conhecimento de Uzumaki. Preciosos jutsu, fuuinjutsu e conhecimento foram perdidos na destruição de Uzushiogakure

— Não fique parada igual uma mosca, venha me ajudar — a voz enferrujada de Yumi retirou Harumi de sua contemplação.

Envergonhada, a garota se moveu, aproximando-se da sua avó e a ajudou a pegar alguns rolos que estavam espalhados sobre uma grande mesa.

— Está arrumando?

— Pesquisando alguns selos. Eu estava verificando alguns manuscritos para seu ensinamento.

— Poderei finalmente estudar todos? Selos sobre maldições? Ou selamento de itens grandes? — Harumi perguntou empolgada. Sua avó sempre foi uma pessoa controladora, severa e doutrinária.

— Um passo de cada vez, pequeno gafanhoto. Não pode abocanhar mais do que pode mastigar.

Harumi revirou os olhos, e como punição, recebeu um tapa de bengala na mão.

— Uma dama não deve revirar os olhos!

— Eu sei!

— Então não faça! — Yumi disse, a mulher separou três pergaminhos e indicou para que a neta guardasse os demais. — Porque está machucada? Achei que não tivesse treino hoje.

Harumi torceu a boca em insegurança. Ela considerou se deveria ou não contar para a sua avó sobre o pequeno grupo que queria lhe dar ‘lição’.

— Deparei-me com alguns incômodos no caminho até aqui.

— Hunf! Espero que os tenha vencido. — Yumi disse, e virou as costas, seguindo até uma prateleira alta. — Hoje revisaremos sobre os vórtices elementais. Em quase todos os jutsus ou selagens há a presença dos elementos naturais.

— Neh, vovó... você acha que eu deveria entrar no exame chunin?

Yumi manteve-se de costas para a sua neta, todavia as suas mãos pararam antes de pegar um livro grosso e empoeirado.

— O segundo Hokage criou os exames chunin. Eu particularmente disse a ele que era um desperdício. Que um exame não era o suficiente para avaliar o desempenho de alguém.

Harumi sabia o quanto este era um ponto sensível para sua avó, lembrar-se do segundo Hokage. Harumi não sabia ao certo a relação que os dois tinham, apenas que eram próximos.

— Então... devo recusar?

Yumi estreitou os olhos quando encarou a menina. — Não seja tola. Precisa mostrar suas habilidades para aqueles velhos moribundos. Mostrar para as aldeias que o clã Uzumaki não morreu.

— Naruto não pode fazer isso?

— Aquele menino herdou apenas chakra ilimitado e o barulho, nenhuma sutileza, inteligência ou estratégia.

Harumi se esforçou para não rir, mas acabou fazendo um barulho estranho que fez Yumi olhar perigosamente para ela. A menina corou furiosamente e escondeu o rosto atrás dos manuscritos que segurava.

— Desculpa!

— Mais trabalho e menos lamentação. Temos muito a rever.

— Sim, vovó — Harumi disse, com um suspiro. Ela ansiava tanto por um dia tranquilo, mas tudo que conseguiu foi lidar com idiotas e agora trabalho escravo para a sua avó.

—oÕo-

O homem mascarado seguia pelo frio e escuro corredor. Sua mente era condicionada unicamente a obedecer ao seu mestre.

Ele era um entre muitos sem rosto, emoção ou vontade própria. Todos selecionados por suas habilidades únicas e treinados arduamente desde cedo para darem suas vidas e sangue por único objetivo. Proteger a grande árvore das sombras.

Segurando uma pasta de papel pardo nas mãos, ele bateu os nós de seus dedos contra a fria porta.

Uma voz enferrujada pelo tempo ordenou:

— Entre!

A ANBU Root se prostrou em postura perfeita diante do homem que carregava pesadas cicatrizes de guerra. Beirando seus 70 anos, ainda conservava a determinação, apesar de que seu corpo não tinha o mesmo vigor. Seu olho esquerdo era escondido por uma faixa branca, seu braço direito estava preso em uma tipóia, e fora as demais cicatrizes espalhadas pelo corpo.

— Senhor, aqui está o relatório que pediu — disse o soldado treinado para matar e morrer sem arrependimento.

Shimura Danzou aceitou que era visto como anti-vilões por muitos ao executar as suas visões militantes e arcaicas sobre o papel de um shinobi. Para eles, ninjas eram armas que deviam ser polidas e afiadas para proteger Konoha, o legado do seu sensei Senju Tobirama.

Seu único olho saudável leu com interesse e cuidado cada palavra impressa nas folhas. Informações coletadas e investigadas por suas habilidosas ninjas.

— Hn... essa garota. — ele murmurou enquanto colocava a pasta sobre a mesa. Inicialmente, ele foi contra a formação do time 7. Claro, era indicado que Hatake Kakashi treinasse os dois genins promissores, mas Danzou preferia que o terceiro membro fosse alguém de linhagem. Outra criança de um dos clãs prestigiados da aldeia. Uma pena que a garota Hyuuga fosse uma decepção, ela seria a escolha ideal.

A inclusão de Nohara Harumi foi motivo de longa discussão com Yondaime, porém aquele homem não se deixava manipular. Hokage foi firme, e teve apoio de seus dois conselheiros, e venceu a batalha.

Danzou considerou eliminar a garota quando o time saiu em missão fora da aldeia. Harumi era apenas um peso morto que atrapalhava as futuras armas mais afiadas de Konoha, mas no final, ela foi a que mais surpreendeu a todos.

Não só foi a primeira genin a matar, mas contribuiu para aumentar as riquezas da aldeia com os despojos do comerciante Gatou, como também apresentou um engenhoso plano para interferir na guerra civil de Kiri. Danzou preferia evitar esta última, não cabia a Aldeia das Folhas solucionar os problemas das outras Aldeias, mas a forma com a qual a menina defendeu, mostrou sem margens de dúvidas que Konoha livraria pelos próximos anos, tanto financeiramente e militarmente,

Mas isso mudou quando ele descobriu a verdade sobre a garota, o fato de Yumi e Hiruzen terem manipulado a adoção dela. Seu ex-companheiro de time tinha lhe dito que a criança havia sido morta, mas ela estava ali, viva e nas fileiras Shinobi como genin.

— Posso fazer uma observação? — o ANBu root perguntou.

Danzou estreitou o olho, mas permitiu.

— Vá em frente.

O homem com a máscara de porcelana ajeitou a postura antes de começar a falar.

— Namikaze e Uchiha são bons. Diria que é o melhor time depois da época de Itachi e Kakashi, mas a garota… — ele escolheu com cuidado as suas palavras.

— Ela é talento bruto sendo despedaçado — acrescentou Danzou.

— Sim!

O ancião encostou as costas cansadas no encosto da cadeira; ele tamborizou seus dedos sobre a madeira velha da mesa pesada.

— A velha bruxa jamais deixará que toquem em sua neta. A última herança de Tobimara-sensei. — disse Danzou com confiança, ciente que seu ninja jamais poderia dizer aquela informação para ninguém. Não quando havia um selo suicida em sua língua, que ativaria caso tentasse comentar sobre qualquer informação que envolvesse a Raiz.

— Podemos elimina a senhora Uzumaki. — disse ANBU. — Fazer parecer um acidente. Nohara-san, podemos incriminá-lo ou enviar para alguma missa distante.

Danzou soltou risada seca.

— Não conhece a força daquela mulher. Duvido que até Minato seja incapaz de derrotá-la. — disse com certo medo em sua voz. Havia poucas coisas ou pessoas que Danzou temia nesta vida, e uma delas é Uzumaki Yumi.

— É necessário conseguir os apoios certos para trazê-la para a Raiz. Um mestre de selagem.