Notas iniciais
Segundo capítulo explicando o inicio da vida da personagem principal e suas ideias.

—Escute, eu NÃO QUERO OUVIR A SUA VOZ! Você não está entendendo? Eu não quero olhar para algo que me faz perder tanto meu tempo! Não sei como pude ser tão idiota em cuidar de algo que não é meu. Te coloquei em um alto patamar, te fiz estudar com as melhores professoras deste país, subi até os cargos mais altos que pude alcançar apenas para ter prestigio para conseguir te dar uma boa educação. Você é como todos neste mundo, uma nojenta, como sua mãe!

—De-desculpa... Eu não.. Não...

—Eu vou matar você senão se calar agora! -bate na parede.

Alika entra correndo na sala e tenta segura-lo.

—Saia daqui sua preta imunda! Como você ousa encostar em mim?!

—Ela apenas errou uma coisa, você não pode repreende-la desta forma! Você está fora de controle!

—Eu estou muito bem, estou apenas dizendo o que é correto! Como posso viver em um lugar sujo como este?!

—Pai, por favor, pare. Perdão, eu estudarei mais e não errarei, eu juro.

—Acerte esta postura!

Ele dá um tapa no rosto de Lis, quando de repente aparece Dona Lorena atrás a segurando para não cair.

—Não faça isso! Ela tenta o melhor!

—Como? COMO?! Ela não consegue nem ter modos a mesa, não consegue nem se desenvolver mais rápido nas aulas da Michele, ela é uma lerda, não se esforça nem para pensar. Eu lhe disse que ela não é filha minha!

—Do que você está falando?! Olhe as anotações dela, ela já está quase no nível acadêmico de tanto que você a força para estudar! E olha para o quanto ela é boa e amada dentro da mansão da Srta. Aurorette! E além de tudo isso, ela é minha filha e por um fato, ela é sua também! Você está fora do controle! Corrija-se!

—Não fale assim comigo! -puxou o cabelo de Lis e a jogou para longe, no canto da sala- Você é uma prostituta! — caminhou em direção a sua esposa- Como todas a outras que eu já amei! -levantou a mão para bate-la.

—Saia! SAIA! Saia da minha frente! Não encoste em mim! -empurrou ele para fora e trancou a porta — Alika, feche a porta dos fundos! Lis feche as janelas! Agora!

Um minuto se passou, enquanto seu pai gritava do lado de fora falando asneiras, Lis fechava as janelas com rapidez e logo se juntou a sua ama de leite buscando colo para chorar.

—Vamos!

Dona Lorena arrastou o sofá e abriu uma porta no chão da sala, as três entraram e se esconderam dentro daquele pequeno quarto que havia apenas algumas garrafas d'água e vinho.

—Dona Lorena, com licença, mas o que houve com o Senhor Roger?

—Álcool.

—Ah... Senhora, seu braço está sangrando.

—Ah sim, eu me corte com a garrafa de drinque que estava na mesa.

—A Lis também está machucada... Ela está com o rosto vermelho e manchas roxas nos braços. Quando você acha que ele vai se acalmar? Precisamos sair para cuidar do seu machucado e das manchas na Lis.

—Sim, o que vão pensar da gente se nos virem assim.

—Mãe, a Alika me ensinou que sempre é bom tampar um machucado para não perder muito e não infeccionar. Deixa eu fazer isso.

Pegou um pedaço rasgado da sua camiseta e cobriu o ferimento de sua mãe.

—Obrigada, filha.

Passou-se o dia inteiro e finalmente tudo ficou silencioso.

—Ele saiu agora!

—Alika, abra a porta então e confira.

—É, ele não está dentro de casa e nem lá fora. Podemos sair.

Lis ajudou sua mãe a limpar seu ferimento junto com Alika, e depois tratou sua manchas no rosto e nos braços para não ficarem por muito tempo.

—Dona Lorena...

—Diga.

—Já se passaram 3 semanas, aonde está o Senhor Roger?

—Na maçonaria, no bar, em algum lugar.

—Com licença mãe. Alika pode me ajudar com a lição?

—É claro...

Ambas foram para o quarto.

—Qual lição você tem, minha flor?

—Na verdade... Eu queria te contar um segredo.

—Está bem, pode me contar.

—A Senhora Michele comentou que meu pai está passando cada vez mais tempo na maçonaria, e disse que isso era muito bom, porque ele está ganhando mais repercussão e importância. Eu estou indo lá mais cedo todos os dias para estudar por mais tempo e conseguir vê-lo, porém ele estava me ignorando, até hoje. Eu decidi ir até a mesa onde ele estava sentado escrevendo e disse "oi", ele se virou e me empurrou, disse em voz baixa para eu sair da vida dele, e então me levou até um porta no fundo da sala, era um lugar fedorento e quando ele abriu tinha vários corpos de pessoas mortas e homens mexendo nas pessoas. Ele disse para eu ir até o final da sala e olhar todos os corpos de longe, se eu não chorasse ele iria permitir eu continuar estudando com a Srta Michele, porém eu não poderia olhar nem falar com ele enquanto estivéssemos dentro da maçonaria.

—Li-Lis... Co-como assim? Você... Ele? Como? Pessoas mortas? Ele te forçou a ver pessoas mortas? E tinha muitas pessoas lá, olhando essas pessoas?

—Sim.

—Meu Deus, Deus entre na vida dessas pessoas. Como seu pai pode fazer isso?

—Ele quer o meu bem...

—Mas não é assim! Ele não sabe como cuidar e ensinar uma criança a se tornar um adulto de bondade e sabedoria, ele apenas quer que você fique perturbada. Você tem 9 anos! Não pode ver essas coisas!

—Alika... Eu, eu... Eu quero chorar. Havia tantas pessoas, eu não gosto de ver a morte, nem a tristeza, nem o mal. Eu nunca gostei daquele ambiente, é sujo, é fedorento, é macabro.

—Eu imagino, minha flor. Venha — a pegou no colo. Vamos para o riacho, você ficará mais calma.

Elas foram para o riacho, tomaram um banho e lavaram roupa.

—Flor.

—Sim, Alika?

—Você deve ser forte. Você precisa continuar estudando na biblioteca, você nunca mais terá uma chance como esta. Não olhe, não fale com o seu pai, apenas vá, estude, e saia. Faça isso todos os dias, ficarei te esperando aqui na porta de casa, e antes de você ir para a mansão eu te levarei até metade do caminho para que consiga se acalmar, tá?

Lis começou a tremer um pouco, mas rapidamente fechou seus punhos e disse:

—Tudo bem. Eu farei isso, e não farei pelo meu pai, nem pela minha mãe, farei isso por mim mesma. Eu quero ser alguém com grandes pensamentos para ensinar as pessoas sobre bondade e compaixão, para que elas não se afundem nas próprias magoas, não se machuquem, nem machuquem aqueles que estão ao seu redor, como todos estão acostumados a fazer. Não quero ver pessoas más ou mortas, não quero mais sentir aquele jeito de carne podre.

Alika calou-se por um tempo sem resposta para o que Lis havia dito. "Ela é uma criança, pensa de forma pura e inocente, mas está me assustando, como conseguiu chegar em uma solução tão madura?"

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.