A filha de Stoico
33 Um encontro para tirar o estresse-4°temporada
Notas iniciais
Pov's Astrid
No cas,eu não conseguia parar de andar de um lado para o outro,de tão nervosa que estava.
Já haviam se passado meses,desde que Drago atacou Berk e que os irmãos Strondus se tornaram líderes da aldeia.Achamos que as coisas iriam melhorar depois disso.
Mas não melhoraram.
Faz dois dias que Soluço,Dag,Melequento e Perna de Peixe saíram de Berk,em busca de Drago,que foi visto por Yohan,rondando a nossa ilha.Seeylfe ordenou imediatamente que fossem atrás dele.
Tempestade se remexeu em alerta.
Reconheci o rugido de Banguela.
Me virei respirando aliviada vendo eles pousarem.
Quando me aproximei,eles já tinham descido dos dragões e meu namorado retirava o capacete.
—Encontraram ele?-perguntei preocupada.
Ele suspirou.
—Não.Foi uma perda de tempo-resmungou.
—O desgraçado conseguiu fugir-rosnou Dag.
Suspirei derrotada.
Seeylfe não ia gostar nada disso.Na verdade,ela era a maior preocupação nesse momento.
—Ainda bem que você chegou Soluço-declarei-Os dragões estão descontrolados e sua mãe não consegue dar conta sozinha.
Ele franziu a testa confuso.
—Mas o que a Seeylfe tá fazendo que não está ajudando?Ela também é a líder!-esbravejou incrédulo.
Ele não vai gostar.
—Esse é o problema-respondi-Seeylfe não saí do quarto e não come direito desde que vocês saíram.Está com fortes enxaquecas e vive tendo ataques de choro.Gothi disse que a depressão dela cresce cada vez mais depressa.
Mal terminei de falar e Soluço e Dag subiram nos dragões e decolaram.
Subi em Tempestade e decolei,os seguindo.
Pov's Soluço
Entrei em casa com Dag.
Flora,que estava deitada,ergueu a cabeça animada quando nos viu.
Mamãe se levantou da cadeira.
—Cadê ela?-perguntei preocupado.
—Lá no quarto-respondeu com a voz trêmula.
Eu e Dag subimos devagar pelas as escadas,até entrar no quarto de Seeylfe.Eu e ela paramos de dividir o quarto quando fizemos 18 anos.
Adentrei o cômodo enquanto Dag permaneceu no corredor.
Seeylfe estava sentada na cama,com a cabeça escondida entre os joelhos.
Me aproximei cauteloso e me sentei à sua frente,fazendo-a erguer o olhar.
Minha irmã estava com a pele mais pálida que o normal,seus olhos estavam vermelhos assim como seu nariz e as olheiras demonstravam que ela não tinha dormido bem.Sem contar os lábios secos e pálidos.
O lábio inferior dela tremeu enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
—Eu quero ele de volta-murmurou antes de enfiar a cabeça entre os joelhos e começar a chorar.
Seeylfe era uma ótima líder,mas quando não estava ocupada,desabava.Ela ainda não superou a morte de papai e sinceramente,eu também não. Acho que afetou muito mais a ela do que à mim.Passei a vida toda com papai e ela passou somente 5 anos.
Ela tinha crises de choro,ataques de pânico e acordava assustada com os pesadelos que tinha desde que papai morreu.
Era por isso que estávamos atrás do Drago:Nós queríamos nos vingar.
Enlacei meus braços ao seu redor e beijei o topo da sua cabeça.
—Vai ficar tudo bem-murmurei acariciando seus cabelos.
Ela enterrou o rosto em meu ombro e uma de suas mãos agarrou minha armadura na parte do peitoral.
—Foi minha culpa,minha culpa-murmurava ela em meio aos soluços.
Seeylfe ficou chorando por um tempo,até ela cair completamente no sono.Devia estar exausta.
—Como podemos ajudá-la desse jeito?-questionou Dag aflito.
Suspirei.
—Eu não sei-respondi.
Delicadamente,me levantei e coloquei-a deitada na cama,cobrindo-a com cobertor.
Saí do quarto com Dag e descemos para a sala.
Mamãe e Astrid nos encararam.
—Outra crise-declarei.
—Talvez ela esteja muito estressada com o cargo de liderança-comentou mamãe-Ela precisa de um dia de folga.
Minha namorada arregalou os olhos.
—Que tal um encontro para tirar o estresse?-sugeriu animada.
Pov's Seeylfe
Minha cabeça doía muito,parecia que ia explodir.Minhas pálpebras estavam tão pesadas que eu nem queria abrir,parecia que tinham pedras sobre elas.
Mas mesmo assim,abri lentamente meus olhos.
Meu estômago roncava por conta da fome e meu corpo estava mole e fraco.
Me sentei e olhei para o lado.Flora estava com a cabeça deitada na cama,me encarando com seus olhos dóceis.
Sorri acariciando sua cabeça.
—Oi garota-falei com a voz embargada.
Ela se afastou e saiu do quarto saltitando.
Minutos depois,ela entrou no quarto,acompanhada por Dag,que trazia um prato de sopa na mão e um copo na outra.
—Chega de dormir dorminhoca-brincou colocando o prato devagar em meu colo e me dando um beijo na bochecha.
—Por quanto tempo eu dormi?-questionei fazendo uma careta.
—O dia todo.Desde das 7 horas da manhã até agora,às 17:30-respondeu.
Meus deuses!Eu dormi muito!
Ele me estendeu o copo e peguei tomando tudo num gole.
Tossi fortemente ao sentir o gosto do horrível do remédio.
—Sei que é ruim,mas vai passar sua dor de cabeça-afirmou.
Ele se sentou perto de mim e me encarou sério.
—Você está muito encrencada mocinha-alertou-Que história de ficar sem comer por dois dias?Sabe que não pode fazer isso!
Abaixei o olhar tristonha.
—Não estava afim de comer e muito menos de sair do quarto-confessei.
Ele segurou minhas mãos,me fazendo erguer o olhar.
—Seeylfe,sei que deve ser difícil pra você,mas você é líder de Berk agora-respondeu-Você tem ser forte para cuidar do seu povo.Não é só você que sofre com a perda dele,mas todos nós.
Isso era verdade.Stoico não era só meu pai.Era o pai do Soluço.Era um líder.Era um marido.
Ele não ia querer me ver chorando.Eu tinha que ser forte.Tinha que ser sábia.
Tinha que ser uma líder.
Sorri fraco para Dag.
—Tem razão-concordei.
Ele sorriu.
—Eu estava pensando...-declarou-Que tal um encontro para tirar o estresse?Faz tempo que não fazemos isso.
Cruzei os braços interessada.
—Qual o programa de hoje à noite Sr.Hofferson?-questionei marota.
—Nem vem!-riu-É surpresa.
—Você tá andando muito com o Soluço-reclamei.
—Eu garanto que irei te impressionar Srta.Strondus-sorriu me dando um selinho demorado e se afastando-Mas só se comer a sopa.
Revirei os olhos.
(...)
Antes de Dag ir embora,disse que às 19 horas,tinha que ir na casa dele.
E agora,eu estava na frente do espelho,olhando meu reflexo.
Eu usava um vestido vermelho curto que destacava bem o meu corpo,mas não muito ousado e o batom da mesma cor combinava com minha pele branca e meus olhos verdes azulados.
Me virei para Flora.
—E aí Flora?-perguntei dando uma voltinha-Como eu estou?
Ela me encarou com as orelhas levantadas,antes de dar de ombros,bocejar e se deitar.
—Vou considerar um elogio-declarei-Vamos.
Saí do quarto com ela em meu alcanço.
Descemos as escadas,vendo que Soluço e minha mãe estavam na sala.
Os dois me encararam.
—Uau!Você tá linda!-comentou meu irmão impressionado.
—Você está linda filha-sorriu mamãe emocionada.
Corei envergonhada.
—Obrigada-sorri-Vamos Flora.
Saí de casa,subi em Flora e decolei.
(...)
Pousei em frente à casa dos Hoffersons e desci de Flora.
—Pode ficar aqui fora com Chama-sugeri.
Ela assentiu antes de se afastar.
Respirei fundo antes de caminhar até a casa.
Percebi que a porta estava apenas encostada,então só fiz empurrar.
—Dag?-chamei enquanto entrava no ambiente escuro.
Me virei assustada quando a porta fechou sozinha.
A luz do fogo surgiu no meio da escuridão,iluminando o rosto do meu namorado.
Um sorriso surpreso cresceu em meu rosto enquanto ele acendia as velas,revelando a mesa de jantar preparada.
—Nossa...-confessei num sussurro.
Ele apagou o fogo do fósforo e se aproximou.
—Nossa digo eu-arfou me puxando pela a cintura-Você está tão linda que acho que devia te sequestrar.
Fiz cara de pensativa.
—Acho que não daria certo-comentei-Porque eu sou completamente apaixonada pelo o meu sequestrador.
—E eu sou completamente apaixonado pela a minha vítima-sussurrou sedutor.
O jeito que ele me encarava me fez corar.Ele ainda me fazia sentir essa sensação,mesmo depois de tantos anos.
Ele me deu um selinho.
—Onde estão seus pais?-questionei estranhando ao não ver Leonardo e Vitória ali.
—Estão viajando a negócios,vão chegar em alguns dias-deu de ombros.
—E sua irmã?-perguntei já imaginando onde Astrid estava.
—Com seu irmão-riu me fazendo rir também.
Aquela frase era estranha,mas engraçada também.
—Então...o que tem pra jantar?-questionei.
—Frango-respondeu-Eu mesmo que fiz.
—Ah...assim eu vou acabar ficando mimada-comentei num tom de brincadeira.
(...)
Eu e Dag passamos um bom tempo conversando,brincando, e é claro,namorando.
Depois,nós pegamos nossos dragões e fomos para a praia.
Enquanto nossos dragões brincavam entre si,nós caminhávamos de mãos dadas na areia.
—Amor...está conseguindo superar?-perguntou Dag de repente-Você sabe...a morte do seu pai?
Parei de andar imediatamente sentindo meus olhos se enchendo de lágrimas.
—Não,Seeylfe-pediu ele segurando meu rosto com as mãos-Não chore,por favor.
As lágrimas escorreram e os soluços vieram.
—Acho que nunca vou conseguir superar-confessei-Eu devia ter obedecido ele!Eu não devia ter ido atrás do Drago!
Ele enxugou as lágrimas.
—Mas você achou sua mãe e seu pai morreu para salvar você e Soluço-lembrou passando as mãos em meus braços.
Lhe dei um sorriso fraco.
Desfiz meu sorriso para fazer uma careta quando senti um cheiro estranho.
Cheiro de...sangue!
Olhei ao redor e avistei Flora farejando atrás de uma pedra.
Me afastei de Dag e me aproximei vendo Flora se afastar,choramingando.
Soltei um som de espanto e arregalei os olhos.
Pov's Dag
—O que foi?-perguntei quando me aproximei.
Prendi a respiração.
Atrás da pedra,havia dois corpos,totalmente irreconhecíveis.A pele estava com hematomas,cortes e até queimaduras.E um pano grande os cobria,com o símbolo da tribo dos caçadores de dragão.
—Drago-rosnou Seeylfe.
—Quem será que ele matou?-questionei.
Seeylfe se aproximou dos corpos e se agachou.
Ela ficou um tempo observando,até soltar um som de espanto.
—Não...-lamentou com a voz trêmula.
—Seeylfe?Quem são?-insisti aflito.
Ela se levantou e se virou para me encarar pálida.
—Dag...são seus pais.
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