A filha de Stoico
21 Roubo das Botas
Notas iniciais
Pov's Seeylfe
Eu e o resto dos pilotos estávamos voando sobre Berk fazendo testes de confiança com nossos dragões.
Já havia ido eu,meu irmão e os irmãos Hoffersons.
—Sua vez-declarou Soluço à Perna de Peixe.
Arqueei uma sobrancelha.
Sério?A Batatão não é tão rápida para pegar Perna de Peixe.
—E-Eu não quero pular-gaguejou Perna de Peixe.
—Tem que acreditar que ela vai te pegar,é um exercício de confiança-insistiu meu irmão.
—Eu prefiro em terra firme,muito obrigado-rebateu o dono da Gronkle fechando a cara.
—É assim perna de galinha-debochou Melequento.
Ele gritou animado levantando os braços e pulou de Dente de Anzol,que nem ligou.
—É...a gente não devia falar alguma coisa pro Dente de Anzol?-perguntou Dag em dúvida.
—Tô pensando no assunto-brinquei.
—Dente de Anzol,pega!-alertou Astrid.
O dragão olhou pra baixo.
—NÃO TÔ SENTINDO CONFIANÇA!-berrou Melequento ainda caindo.
O dragão desceu com tudo tentando alcançar seu dono.
Dente de Anzol conseguiu pegar Melequento,mas os dois atravessaram o telhado da casa do trasgo.
Gemi frustada.
—Tô sentindo que eu vou ficar de orelha quente-lamentei.
(...)
Em casa à noite...
Papai colocou um pedaço de madeira em cima da mesa,na nossa frente.
—Telhas?A gente já não comeu telhas no jantar ontem?-sorriu meu irmão,mas papai continuava BEM sério.
Soluço e suas piadas sem graça...
—Foi um acidente pai,é claro que aquele trasgo tá exagerando mais do que ele devia-declarei.
—Um dragão e um moleque folgado atravessaram o telhado dele.Duas vezes!-exclamou incrédulo
—Olha,se o senhor olhar por esse lado,fica meio complicado-comentou Soluço fazendo uma careta enquanto coçava a nuca.
—Com tanta casa nessa ilha,eles tinham que cair justo na do Bolor.Sabem que ele odeia dragões mais do que qualquer um-lembrou
—Eu sei,o senhor devia conversar com ele sobre esse comportamento-sugeri cruzando os braços.
—Escute Seeylfe,dei à você e ao seu irmão a responsabilidade de cuidar dos dragões,você como a mais velha devia saber disso-declarou papai-Todos estão de olho em vocês,o que essas feras fazem,refletem em vocês e o que vocês fazem refletem à mim-apontou para si mesmo.
Suspirei.
—Desculpa pai-pedi.
—Vocês dois e seus amigos vão até lá e consertar o telhado,sem os dragões-ordenou apontando para nossos Fúrias da Noite.
—Deu sorte em Flora...-murmurei acariciando sua cabeça.
—Ah,já ia me esquecendo,é dia da bota,precisam de um arzinho-comentou ele estendendo as botas pra mim.
Me aproximei e cheirei.
—PELO O AMOR DE THOR!COMO FEDE!-berrei me afastando-MANDA O SOLUÇO!
Banguela e Flora,curiosos,cheiraram as botas e em seguida se afastaram balançando as cabeças.
(...)
Abri meus olhos e me sentei soltando um bocejo.
Me surpreendi ao não ver Soluço no quarto.
Levantei da cama e desci as escadas,saindo de casa com Flora em meu alcanço.
Foi aí que eu vi um monte de gente em volta do meu pai,com os pés descalços na neve.
Franzi a testa descendo as escadas e parando entre Dag e Soluço.
—O que tá acontecendo?-perguntei confusa.
—As botas foram roubadas,não sobrou nenhuma-respondeu Bocão.
—Isso explica porque meu pé tá gelado-comentou Baldão.
—Quem faria uma coisa dessas?-questionou Estrume.
O trasgo se aproximou de nós.
—Eu só sei que deixaram uma pegada enorme-ele apontou para a pegada na neve.
—Uhhh!É pegada de Zíper Arrepiante!-exclamou Perna de Peixe empolgado.
—Então um dragão passou aqui?Um Arrepiante de acordo com o nosso amigo Perna de Peixe disse?-questionou meu irmão retoricamente-Mas isso não quer dizer que ele pegou a bota de todo mundo.
—Só tem um jeito de saber,sigam as pegadas-sorriu Bolor.
Cerrei os olhos.
O que essa peste tá aprontando?
(...)
Na arena...
O dragão dos gêmeos Thorston estava deitado ao lado de uma pilha cheia de botas.
—Tá bom,tem uma pilha de botas ao lado de um Arrepiante,mas isso não significa...-parei de falar quando papai me mostrou uma bota rasgada-Ok,ele pegou as botas.
O povo reclamou.
—Quando vai fazer algo com esses bichos,Stoico?Quanto mais vamos ter que aguentar?-reclamou Bolor e o povo gritou em apoio.
Abri a boca para xingar o trasgo.
—Aí Stoico,meu pai tá frio-debochou Bocão-Vocês são vikings,tudo aqui é frio.Vou arrumar as botas de todos,vão voltar a trabalhar logo.
—Ouviram o Bocão,vão receber as botas de volta como estavam-afirmou meu pai.
—Só isso?Nenhum castigo para os dragões?-perguntou Bolor curioso.
—Roubaram apenas botas,o mundo não está acabando-papai deu de ombros.
—HA!TOMA!-berrei contente .
—Ah...não tenha tanta certeza disso.Dragões são feras selvagens,não sabemos o que eles fazem quando estamos dormindo-alertou Bolor sombrio.
—Eles não destroem as coisas de propósito!-exclamei-Mas por um lado você tem razão...
—O QUE!?!-berrou ele chocado.
Os pilotos e minha família me encararam de olhos arregalados.
—Eles são feras selvagens-completei-Nós temos que ficar de olho deles.
—É,nós vamos cuidar disso-sorriu meu irmão.
(...)
Na fogueira...
—Nós vamos patrulhar à noite-declarou meu irmão.
—É!EU ADORO PATRULHAR À NOITE!-berrou Cabeça-Dura animado-Pera,o que é isso?
Bati a mão na testa.
—É quando patrulhamos a noite-explicou Soluço-Pra ficarmos de olho nos dragões e garantir que eles não irão levar culpa de alguma coisa.
—Você já falou sobre isso com os nossos pais?É que alguns de nós não tem permissão pra sair à noite-comentou Perna de Peixe receoso.
—Isso é medo?-debochou Melequento.
—Aí,as coisas acontecem à noite...-sussurrou o Ingerman num tom assustador.
—Tem razão,alguns não tem permissão-concordou meu irmão-A Seeylfe por exemplo.
—Hein?-arregalei os olhos.
—Precisamos fazer isso,o Bolor quer os dragões fora daqui-alertou Dag.
—Permissão pra atirar primeiro e perguntar depois!-exclamou Cabeça-Quente.
—Permissão pra pular perguntas!-completou Cabeça-Dura.
—É só patrulha,a gente não vai atirar em ninguém!-esbravejei incrédula-Apesar de eu querer fazer muito isso...-sussurrei baixinho
—Uma pergunta:Qual é a graça disso?-questionou Cabeça-Dura.
—Não tem graça porque não é pra ser divertido,isso foi idéia do Soluço-explicou Astrid.
—É,isso-sorriu meu irmão-Como é que é?-encarou a namorada assustado.
(...)
De noite...
Pov's Astrid
Bati na porta,que foi aberta.
—Olá senhor...-eita,era uma Mulher-...senhora!Eu sou a Astrid,da Brigada Oficial de Batalha Ofensiva.
—Bobo?-apontou pra faixa que eu carregava.
—É isso mesmo-sorri-Não foi idéia minha...mas é bem fácil de lembrar.Qualquer problema é só chamar a gente.Basta gritar...-ela fechou a porta-...bobo.
Pov's Melequento
—Opa!Quem tá aí?Aparece!-ordenei.
—Tenta adivinhar-disse Bocão se aproximando.
—Eu não gostei nada desse seu jeito-comentei cerrando os olhos na sua direção.
—Digo o mesmo pra você-rebateu.
—É,mas eu tô com a faixa-me gabei.
—Deixa eu ver-pediu me erguendo no ar-Bobo?É,faz sentido.
—Acho que terminamos por aqui-sorri amarelo.
Pov's Seeylfe
—O Bolor vai ficar feliz em saber o que os dragões fazem à noite-declarou Soluço sorrindo-Dormem que nem todo mundo aqui.
Sorri animada.
(...)
No dia seguinte...
—Seeylfe!Seeylfe,acorda!-ouvi a voz de Soluço e senti duas mãos me empurrando.
—O que?-perguntei abrindo os olhos com a voz sonolenta.
—O Grande Salão foi destruído!-exclamou
Arregalei os olhos.
(...)
No grande salão...
As mesas estavam viradas,as paredes cheias de arranhões e as tapeçarias das famílias rasgadas.
Suspirei tristonha ao ver que a tapeçaria do clã Strondus estava rasgada.Faltava a parte de mim e da minha mãe.
—Mas quem faria uma coisa dessas?-perguntou meu pai incrédulo.
—Pra mim parece que foi um dragão-comentou Perna de Peixe analisando os arranhões na parede.
—Nós não temos certeza-disse meu irmão lançando um olhar de alerta para Perna de Peixe.
—Claro que temos!Olha só essas marcas de garra,foi um Pesadelo Monstruoso,o espaço da garra é preciso!-exclamou animado.
—Mais uma vez,muito obrigado Perna de Peixe-pedimos eu e Soluço ao mesmo tempo.
—De nada,mas eu só falei o básico-sorriu ele.
Eu vou bater nele!
—Mas como pode ser?Nós ficamos de olho em todos os dragões o tempo todo!Não foi gente?-perguntou Astrid para Dag,os gêmeos e Melequento.
—Quando você se refere o tempo todo e todos os dragões,se refere ao oque mesmo?-perguntou Melequento confuso.
—Ai meus deuses...-resmunguei levando a mão à testa-Fala o que aconteceu,Melequento.
—Bom,é que eu parei um suspeito que não mostrou respeito por essa facha-começou com um tom ofendido.
—Acho que mostrei bastante respeito pela a facha escrito Bobo-declarou Bocão.
—Nós temos que mudar esse nome-comentou Dag cerrando os olhos entendiado.
—Continuando,enquanto eu interrogava o tal suspeito,o Dente de Anzol,pode ter,não estou dizendo que foi ele,mas digamos que ele pode ter sumido por...-fez cara de pensativo
—Segundos?-deduziu Cabeça-Quente.
—Minutos?-perguntou Cabeça-Dura.
—Horas-respondeu Melequento assustado
Ah não...
—Ah,é bem mais do que minutos-comentou Cabeça-Dura rolando os olhos.
—Ah não!O Grande Salão!-exclamou Bolor se aproximando-Tantas lembranças...meus três casamentos,os três enterros...ah,os enterros...
Fiz uma careta.
—Um dragão enlouqueceu e fez isso-afirmou Bocão-Detesto dizer isto Stoico,mas vai ter que...
—Eu sei muito bem o que precisa ser feito-disse papai.
—Eu também!-exclamou o trasgo contente.
Papai se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro.
—Preste atenção minha filha,a partir de hoje,todas as noites,quero todo o dragão preso na academia-ordenou.
—MAS O QUE!?!OLHA O QUE ELES FIZERAM!-berrou Bolor indignado.
—Mas isso não faz sentido pai,um dragão não viria aqui só pra destruir tudo-declarou Soluço incrédulo-Olha,a comida nem foi tocada!
—Não sei porque os dragõs fazem esse tipo de coisa,mas não posso deixar eles fazerem mais estragos-afirmou papai antes de se afastar.
Pov's Stoico
Eu observava os meninos voando no céu.Eles levavam os dragões para a arena.
Seeylfe me encarou de longe.Seu olhar era de mágoa e de raiva.
Suspirei quando ela virou o rosto irritada.
—Precisava prender os dragões Stoico,não tinha escolha-alertou Bocão.
—Eu sei,mas os meus filhos se sentem castigados quando eu castigo os dragões-confessei.
—Eles acham que dragão não faz nada de ruim-riu.
—Só esperam que eles saibam que quando um pai faz o melhor para o seu filho,um líder faz o melhor para a sua aldeia-relatei.
(...)
Na arena...
Pov's Seeylfe
—A culpa é sua Melequento por nossos dragões terem que dormir na arena!-exclamei irritada dando um soco na sua cabeça.
—Eu não acho que foi um dragão que bagunçou o grande salão e nem roubou as botas-confessou Soluço.
—Nenhum de nós quer acreditar Soluço,mas você viu as provas-disse Astrid com pena.
—Mas você viu as pegadas,dá até pra deitar nelas.Elas afundaram como as minhas-insistiu ele
—E como você explica o grande salão?-questionou Dag.
Dente de Anzol se acendeu.
—Melequento dá um jeito nele por favor,a gente tá tentando pensar-pedi.
—Desisto de pensar,nunca mais fui feliz-declarou Cabeça-Dura olhando pra cima.
—Eu não mando nele,ele faz isso quando tá bravo-explicou Melequento.
Eu e Soluço nos entreolhamos.
—Ou quando enlouquece-concluí.
—É assim que vamos explicar o grande salão!-exclamou meu irmão
(...)
No grande salão...
Eu e Soluço seguíamos papai.Banguela e Flora haviam ficado do lado de fora.
—Pai,quando um Pesadelo Monstruoso fica bravo,ele pega fogo.Olha isso,aqui não tem nenhum sinal de queimado-explicou meu irmão.
—Soluço,até que consiga uma prova de que foi outra coisa...OS DRAGÕES FICAM EXATAMENTE ONDE ESTÃO!-pulei assustada quando papai berrou.
—Mas pai,o Soluço tem razão,teria mais estragados e o salão estaria todo queimado-insisti.
—Preciso de provas mais concretas filha,o grande salão precisa ser reparado pois é importante pra todos nós-declarou papai-A tapeçaria da nossa família,foi destruída!
—Pai...-tentei falar.
—O ARMAZÉM DE ARMAS ESTÁ PEGANDO FOGO!-berrou alguém.
Arregalei os olhos.
Saímos do grande salão pra ajudar.
Tentei me aproximar,mas Soluço segurou meu braço.
—Não chega perto do fogo-pediu.
—Mas eu não posso ser danificada por ele!-rebati.
Avistei Banguela e Flora perto do armazém.
—O que?-murmurei assustada.
—Foram eles!-apontaram pra eles.
(...)
Conseguimos apagar o fogo,mas não salvamos a cabana e nem as armas.
—Todas as nossas armas,destruídas-disse meu pai em lamento.
—Prudência!Minha pobrezinha!Sinto muito!-lamentou Bocão abraçando uma espada toda torta.
—Os dragões dos filhos do Stoico nos deixou completamente indefesos!-anunciou Bolor.
—Pai!Sabe que eles não fariam isso!-esbravejei incrédula.
—Isso Stoico,escute sua filha,escutá-la foi o que nos deixou nessa situação!-disse o trasgo ficando atrás de mim-Viu o que acontece quando você deixa seu dragão sozinho do lado de fora?-sussurrou.
Arregalei os olhos o encarando.
—O que foi que disse?-cerrei os dentes vendo ele se afastar,todo contente.
—Esses dragões já fizeram muito estrago,não é mais seguro mantê-los em Berk-declarou papai firme-Eu quero que partam.
—O que?-perguntei assustada.
—FINALMENTE!-berrou o trasgo contente.
Meus olhos marejaram.
—Reúna todos eles e os leve até a ilha do dragão-pediu papai-A partir de amanhã,não haverá mais nenhum dragão em Berk!
—Que dia glorioso será esse!Festa lá em casa!-anunciou Bolor animado.
Comecei a chorar e soluçar.
—Não...-lamentei abraçando Flora.
Bolor se aproximou.
—Quando você e seu irmão cumprirem as ordens de seu pai,não se esqueçam de consertar o meu telhado-alertou.
Rosnei de raiva soltando Flora e me aproximando para agredir Bolor,mas Dag me segurou pela a cintura.
Me debati nos braços do meu namorado.
—SEU DESGRAÇADO!SEU TRASGO MALDITO!QUANDO EU PÔR MINHAS MÃOS EM VOCÊ,EU VOU QUEBRAR SEU PESCOÇO MAGRELO!-berrei furiosa.
Dag enterrou o rosto em meus cabelos.
—Seeylfe,pare-pediu.
Fechei os olhos deixando mais lágrimas caírem.
Minhas pernas fraquejaram me fazendo cair de joelhos no chão.
Levantei meu olhar vendo papai me encarando.
Desviei o olhar e encarei Dag que havia se agachado ao meu lado.
Abracei ele com força chorando ainda mais.
—Esse é pior dia da minha vida-ouvi Astrid dizer com a voz chorosa.
(...)
No dia seguinte...
Nós estávamos na ilha onde os dragões haviam habitado com o Morte Rubra.
Todos tiraram as celas e estavam se despedindo de seus dragões.
Retirei a cela de Flora e encarei seus olhos azuis.
Meus olhos marejaram.
—Eu vou voltar pra te buscar,eu prometo-afirmei.
Ela ronronou.
Larguei a cela e abracei ela com força.
Me afastei enxugando as lágrimas.
Minutos depois,estavámos no barco que se afastava da ilha.
(...)
Em Berk...
Eu e Soluço estávamos consertando o telhado da casa do Bolor.
Mas não era só isso que eu queria fazer.
—É uma péssima idéia-comentou ele.
—Só fica de olho e me avisa pela a conexão quando ele chegar-pedi.
Joguei a corda e desci pelo o buraco,entrando na casa do trasgo.
Comecei a vasculhar as coisas para ver se eu achava alguma prova.
Quando tirei a cortina que cobria um canto da parede,arregalei os olhos.
Me abaixei pegando uma pata e uma garra,de dragão.
Aquele filho da...
"Seeylfe!Ele tá vindo!-alertou meu irmão".
Botei a pata e a garra no lugar e subi na corda,voltando pro telhado.
Bolor entrou na casa e pegou a pata e a garra.
—É fungo,não vamos precisar mais disso-riu ele antes de sair da casa.
Nos aproximamos mais da beira do telhado e vimos o Bolor jogar as provas no mar.
Desgraçado!Foi ele que tramou para os dragões!
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