A filha de Stoico
19 O que a gente faz agora?
Notas iniciais
Pov's Seeylfe
Eu e Soluço estavámos na frente de papai que estava com duas compressas de gelo na cabeça.
—Toma pai-pedi estendendo o chá que fiz pra ele.
Meu pai largou as compressas e pegou a caneca da minha mão.
—Eita,essa dor de cabeça deve tá forte-comentou meu irmão fazendo uma careta-Pega leve com o Bocão,ele teve o primeiro dia dele,amanhã vai ser melhor.
—Pra mim vai ser,porque o Bocão não vai fazer parte dele-afirmou papai bebendo o chá
Arregalei os olhos.
—Como assim?-questionei.
Ele nos encarou.
—Ele tentou enfiar um quadrado em um círculo,afundou um navio e batizou uma menina de Magnus!-relatou incrédulo-Não que ela tivesse cara de Magnus,mas disse isso para os pais dela!
Bufei.
—Droga-resmunguei.
—Você o dispensou?Pai,nós temos que ajudá-lo!-alertou Soluço.
Me virei tentando sair de fininho.
—Não temos não,mas você por outro lado,vai estar muito ocupado procurando emprego pro Bocão-declarou papai-Você também Seeylfe!
Droga!Sempre sobra pra mim!
(...)
Na arena,no dia seguinte...
—Vocês vão trazer o Bocão...pra cá?-questionou Perna de Peixe temeroso.
—Corrigindo,ele vai trazer-eu disse apontando para meu irmão.
Andei até Dag,parando ao seu lado.
—Isso!Ele vai nos ajudar bastante!-declarou Soluço empolgado-O Bocão passou a vida inteira...estudando eles e se nós aceitarmos isso,seremos treinadores de dragões muito melhores.
Foi então que Bocão entrou,arrastando uma carroça cheia de armas.
—VOLTEI!SENTIRAM SAUDADES!?!-exclamou ele animado.
Os dragões se remexeram inquietos quando viram as armas.
—Primeiro:Seja bem-vindo.Segundo:Porque você trouxe essas...-meu irmão não conseguiu completar a frase
—As armas?-perguntou Bocão sorridente-Eu pensei em treiná-los com ameaças de morte!Foi assim que meu pai me ensinou a nadar-explicou pegando um machado enorme.
Os dragões se levantaram em alerta.
Bocão jogou uma enorme bola de espinhos no chão.
—Começou a aula!-anunciou.
Todos os dragões,menos Banguela e Flora,saíram voando da arena.
—É,eu também não gostava de estudar-comentou Bocão.
Aí meu Odin...
(...)
Horas depois...
Eu estava sentada no chão da arena,ao lado de Soluço,que desenhava em seu caderno.Banguela e Flora estavam deitados ao nosso lado.
Ergui o olhar,quando os pilotos entraram na arena.Eles desceram dos dragões fazendo expressões de dor.
Eu e Soluço nos levantamos.
—O que é que houve?-perguntei confusa.
—Nós ficamos praticamente quatro horas em cima dos dragões-respondeu Astrid massageando o ombro-Eles não queriam voltar por conta do que o Bocão fez-completou olhando irritada para Tempestade.
—Desculpa por isso,é que eu não sei o que fazer com ele-confessou meu irmão
Foi aí que eu percebi que Cabeça-Quente chutava o traseiro do irmão.
—Vocês não conseguem parar de brigar por um segundo?-questionei incrédula.
—Tá tudo bem,eu é quem pedi-declarou Cabeça-Dura-Eu tô tentando recuperar a sensibilidade.
—Vai retribuir o favor ou não?-perguntou Cabeça-Quente se virando de costas
Revirei os olhos.
—Que estranho,nós já ficamos horas em cima de Banguela e Flora e nunca ficamos desse jeito-comentei.
—Vocês não ficam assim porque vocês tem celas-avisou Dag
Eu e Soluço nos entreolhamos.
—Celas!-exclamamos ao mesmo tempo.
(...)
Na ferraria...
—Celas?-questionou Bocão curioso.
—Isso,olha eu desenhei um monte de idéias-disse meu irmão estendendo os papéis.
—Não precisa desenhar,já sei o que fazer-avisou ele.
Quando saímos da ferraria,Bocão começou a cantar uma música alegre.
—Ele só canta essa música quando tá feliz-declarou Soluço sorrindo-Acho que fizemos uma coisa boa,Seeylfe.
Sorri animada.
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