A filha de Stoico
3 Minha irmã
Notas iniciais
Pov's Stoico
—Ou nós acabamos com eles ou eles acabam conosco,é o único jeito de nos livrarmos deles-falei determinado-Se encontramos o ninho e destruí-lo,os dragões irão embora,vão procurar outro lugar-enfiei a adaga no mapa-Mais uma busca antes de tudo congelar.
—Mas os navios nunca voltam-falou alguém com medo na voz
—Somos vikings,é um risco ocupacional-insisti-Quem vem comigo?
Ninguém se manifestou.
—Tá bom,quem ficar toma conta do Soluço-sorri maroto vendo todos levantarem as mãos
Todos foram saindo.
—Bom,vou pôr minhas cuequinhas na mala-falou Bocão com um copo de cerveja na mão
—Não,preciso que fique e treine novos recrutas-pedi me aproximando
—Ah perfeito!Enquanto eu estiver ocupado,o Soluço cuida da ferraria,ferro derretido,lâminas afiadas,tempo a beça sozinho,o que é que poderia dar errado?-perguntou irônico
Foi aí que lembrei de algo.
—Aquela garota...a neta do Bolor...-falei me sentando
—A sua filha?-perguntou me encarando
—Ela não é minha filha,Bocão-repreendi
—É ai que você se engana-respondeu dando um gole na cerveja
—Como é que você sabe?-perguntei incrédulo
—Você é cego,Stoico?Até o Soluço percebeu!Ela tem sua aparência,sua personalidade,o jeito de lutar e o nome dela é o da sua filha!E se o homem que sequestrou ela foi o Bolor?Sabe que ele tem um certo rancor com você-explicou
Abaixei o olhar pensativo.
—Descubra o sobrenome dela e veja se ela tem o colar pra termos certeza-pedi-Então,o que eu faço com ele?-me referi à Soluço
—Ele pode treinar com os outros-sugeriu
—Tô falando sério...-falei
—Eu mais ainda!-exclamou
—Ele vai morrer antes que você solte o primeiro dragão na arena!-insisti
—Ah,mas como é que você sabe?-perguntou
—Eu sei-respondi
—Ata...-ironizou
—Eu sei sim Bocão!-falei
—Não,não sabe-falou
—Escuta!-pedi me levantando-Você sabe como ele é,desde que engatinhava ele era...diferente!-exclamei andando de um lado para o outro-Eu levo ele pra pescar e ele fica procurando...por trolls!-falei indignado
—Trolls existem!-exclamou Bocão-Eles roubam meias,mas só as do pé esquerdo...porque será?
—Quando eu era menino...-comecei
—E...lá vem ele...-Bocão revirou os olhos
—Meu pai mandou eu bater a cabeça numa rocha e eu bati,achei uma loucura,mas não questionei,sabe o que aconteceu?-perguntei
—Ficou com enxaqueca?-brincou
—A rocha se partiu ao meio-falei-Aquilo me ensinou do que um viking é capaz,derrubar montanhas,devastar florestas,domar os mares!-exclamei voltando a me sentar-Mesmo menino,eu sabia quem eu era e quem eu deveria me tornar.O Soluço não é assim...-completei o encarando
—Não pode impedi-lo Stoico,só pode prepará-lo,eu sei que parece um caso perdido,mas você não estará sempre perto pra protegê-lo,ele vai acabar saindo de novo,se bobear já até saiu-respondeu
Pov's Seeylfe
Eu e Soluço andávamos pela a floresta.Ele desenhava em seu caderno e eu estava perdida em pensamentos.
Eu estava realmente confusa.Soluço podia ser meu irmão?O líder de Berk podia ser meu pai?Eu podia ter a chance de ter uma família?
Eu nunca tive nada,toda a vez que eu fazia algo,Bolor me castigava.Tudo o que eu sei hoje,eu me esforcei para aprender sozinha,nunca tive nenhuma companhia.Eu não sabia o que era ter uma família,não sabia como era ter um irmão,não sabia como era ter um pai...
Ergui meu olhar vendo Soluço riscar o caderno e o fechar com raiva.
—Eu hein,menino?Que estresse todo é esse?-perguntei
—Os deuses me odeiam!-esbravejou-Tem gente que perde a faca,perde o escudo,mas eu não,eu consigo perder UM DRAGÃO INTEIRO!
Ele bateu num galho que foi e voltou batendo em seu rosto.
—AI!-falou me fazendo rir
Cerrei meus risos quando vi que o galho que o acertou,era de uma árvore destruída e derrubada,tinha vários galhos dela no chão.
Nos entreolhamos e começamos a seguir os rastros da árvore destruída.Tinha um traço enorme de terra que provavelmente foi causado pelos os dragões na hora da queda.Decidimos segui-lo.
Seguíamos os rastros olhando ao redor espantados.Apoiei as mãos no chão me erguendo para ver o que tinha através do pequeno monte de terra e avistei dois vultos pretos me fazendo esconder rapidamente junto de Soluço.
Meu coração quase parou.Será que eles estavam inconscientes?
Nos erguemos novamente.Sim,eram os Fúrias da Noite.
Vi pelo o canto do olho,Soluço pegar a adaga com as mãos trêmulas.Eu não o julgava,eu também estava nos nervos.
Atravessamos o pequeno monte e nos escondemos atrás da pedra enorme.Engoli o seco encarando Soluço que assentiu.
Demos pequenos passos saindo do nosso esconderijo para ver melhor os dragões.Dava para se perceber que era um macho e uma fêmea.O macho estava preso com as cordas de Soluço e a fêmea estava inconsciente com parte da cauda congelada.Ops.
—Olha só,eu consegui-confessou Soluço-Ha!Eu consegui!Isso vai limpar minha barra!-exclamou-É!Eu derrubei essa fera poderosa!-falou orgulhoso colocando o pé em cima do dragão que se contorceu.
Arregalei os olhos assustada dando passos pra trás abraçando Soluço que me abraçou de volta.Me afastei constrangida e com raiva por estar bancando a medrosa.
O dragão abriu os olhos revelando suas orbes verdes.Soluço apontou a adaga para ele se tremendo todinho.
Percebendo que ele queria fazer aquilo sozinho,me afastei dele me aproximando da fêmea que permanecia desmaiada.
Respirei fundo criando um espinho de gelo na minha mão.
—Agora vou te matar dragão-suspirei-E depois,eu vou tirar seu coração e levar para provar que sou uma viking-confessei-Eu sou uma viking,eu sou uma viking!-sussurrei pra mim mesma
Estendi o espinho acima da minha cabeça fechando os olhos.Os abri novamente observando a fêmea que parecia fraca,indefesa,desprotegida.
O espinho derreteu em minha mão virando uma pequena poça.Isso acontecia quando eu estava nervosa.
Andei pra trás confusa.
O que eu estou fazendo?
Mordi o lábio inferior abaixando o olhar.Levantei meu olhar novamente quando ouvi um estalo.Soluço estava cortando as cordas que prendiam o macho,significava que ele também não conseguiu.
Soltei um som de espanto quando o dragão de repente saltou e pulou em cima de Soluço.
—SOLUÇO!-berrei assustada tentando ajudá-lo,mas brutalmente fui derrubada.
Arregalei os olhos sentindo meu corpo paralisar vendo os olhos verdes azulados da fêmea me encarando.
Eu nunca havia sentido tanto medo na minha vida,eu achava que era meu fim,eu ia morrer.
Ela abriu a boca e fechei os olhos assustada pronta pra morrer.Senti a brisa do rugido dela na minha cara e ela sair de cima de mim.
Me sentei vendo ela se afastar com o macho rugindo alto e depois desaparecer completamente.
Minha respiração estava ofegante e meu coração batia descontroladamente.Coloquei a mão na testa vendo que diferenciava entre fria e quente,meus poderes de uniam em um só quando eu ficava nervosa.
Ouvi um impacto e olhei em direção ao barulho.Revirei os olhos vendo que Soluço havia desmaiado.
Levantei indo até ele e me agachei ao lado do seu corpo.
—Ei,Soluço,acorda pra cuspir-falei dando tapinhas em seu rosto
É isso,nada.
Suspirei me levantando.Até que uma idéia me surgiu.
Sorri marota criando uma bola de neve na minha mão e joguei no rosto dele.
—AAAAHHH!QUE FRIO!-berrou ele se sentando
Gargalhei vendo ele me olhar incrédulo.
—Que bela maneira de me acordar né,Seeylfe?-ele ironizou cruzando os braços
—Chega de drama-pedi
—É melhor irmos embora,não podemos contar pra ninguém o que aconteceu aqui-falou se levantando
—Oh claro!-ironizei-Com certeza eu vou contar pra todo mundo que dois vikings de Berk não conseguiram matar FÚRIAS DA NOITE!-berrei a última parte
Ele tampou minha boca.
—Fala baixo!-pediu num sussurro
Revirei os olhos enquanto ele tirava a mão da minha boca.
—Seeylfe,o que tecnicamente,Bolor contou para você sobre os seus pais?-perguntou
—Bom,ele disse que eles morreram num ataque de dragões logo depois que eu nasci e que me deixaram apenas esse colar-dei de ombros indicando meu colar
—E se...for mentira?-perguntou receoso
Abaixei o olhar pensativa.
(...)
Eu devo ser louca para voltar aqui!
Não sei como,mas Soluço me convenceu a voltar à casa do Bolor para saber toda a verdade sobre meu passado.
Ergui a mão batendo na porta que logo foi aberta pelo o trasgo(É assim que eu chamo o Bolor).
—Ora quem apareceu-ironizou ele-Voltou arrependida foi pirralha?
—Vim saber sobre os meus pais,Bolor-pedi rezando para ter muita paciência
—Eu já lhe contei tudo-respondeu indiferente
—A verdade-insisti
—E o que vai acontecer se eu não o fizer?-levantou uma sobrancelha
—Eu conto tudo o que o senhor fez quando eu tinha 5 anos-ameacei
Ele arregalou os olhos.
—Entrem-pediu a contra gosto
Eu e Soluço entramos e nos acomodamos incomodados com o odor fedorento da casa.
—Pode ir desembuchando-pedi
—Bom...-ele começou-Como você sabe,anos atrás,eu e Stoico disputamos a liderança de Berk...
—O que?-perguntou Soluço confuso
—Shhhh!Deixa ele contar-pedi
—Continuando,Stoico virou líder de Berk,casou-se com Valka e teve um casal de gêmeos:Uma menina ruiva dos olhos verdes azulados e um menino moreno de olhos verdes esmeralda.
Essa é a minha aparência e a de Soluço...
—O menino ganhou uma adaga e a menina um colar de Dente de Pesadelo Monstruoso.
Há essa altura,lágrimas escorriam pelo o meu rosto e de Soluço.
—Como vingança,seqüestrei a primogênita de Stoico e a criei como minha neta:Seeylfe Spantosicus Strondus III-completou
Pov’s Soluço
Fiquei surpreso quando Seeylfe levantou de sua cadeira e me abraçou chorando.
Suspirei retribuindo o abraço enquanto as lágrimas desciam pelo o meu rosto.
Minha irmã.Minha irmã mais velha.
Seeylfe se afastou de mim e encarou Bolor com ódio nos olhos.
—Porque?Porque me tirou da minha família?-perguntou irritada
—Eu já lhe contei a verdade,Seeylfe.O mais irritante é que você nasceu igual ao Stoico,na aparência e na personalidade!-exclamou ele-Odeio você e sua maldita família!
Ela rosnou de raiva e socou a cara de Bolo fazendo ele cair inconsciente no chão.
Ela suspirou e me encarou.
Pov's Seeylfe
—Eu não acredito.Eu tenho um irmão-falei maravilhada-Tenho pais...tenho uma família!
—Só pai,nossa mãe morreu há 15 anos atrás...-falou um pouco triste
Meu sorriso quase vacilou.
—Está pronta para ver nosso pai?-perguntou animado
Assenti feliz.
(...)
Já tinha anoitecido quando entramos em casa.Meu estômago embrulhou quando vi nosso pai(sim nosso pai!) sentado perto da fogueira.
—Até que enfim chegaram-ele falou
—Oi pai-falou Soluço sorrindo amarelo-Quero te contar um negócio.
—Eu também preciso filho-falou ele
Eles falaram ao mesmo tempo que eu não entendi nada.
—Fala primeiro-pediu papai
—Não,fala o senhor-pediu Soluço
—Muito bem-suspirou-Você venceu,o treino com dragões começa amanhã bem cedo.
Arregalei os olhos.
—Ai...eu devia ter falado primeiro-falou Soluço me lançando um olhar preocupado-Eu tava pensando pai,nós já temos um exército de vikings matadores de dragões,temos é pouco vikings padeiros,vikings quebra-galhos..
—Vai precisar disto-papai lhe entregou um machado
—Eu não quero combater dragões-confessou meu irmão
—É claro que quer-riu.
—Traduzindo,eu não consigo matar dragões-explicou Soluço
—Mas você vai matar dragões!-exclamou ele
—Não pai,eu tenho mega hiper certeza de que eu não vou-insistiu meu irmão
Revirei os olhos me sentando no degrau da escada.
—Chegou a hora,Soluço.
—Você não tá me ouvindo?
—Isso é muito sério,filho!-exclamou papai-Quando levar este machado,levará todos nós com você.Quer dizer que você andará como nós,falará como nós,pensará como nós.Acabou.tudo.isso-apontou para meu irmão
—Mas você tá apontando pra eu todo-falou confuso
—Entendeu?
—Essa conversa tá me parecendo mais monólogo...
—Entendeu!?!
Soluço bufou me fazendo sorrir de lado.Definitivamente éramos irmãos gêmeos.
—Entendi-falou de mau gosto
—Ótimo-falou papai pegando um saco-Treinem firme,os dois-colocou o capacete e começou a se afastar.
—Os dois?-perguntei
Ele se virou pra mim.
—Eu sou o líder de Berk,eu te autorizo a treinar-sorriu.
—Obrigada-agradeci com um sorriso
Ele se virou saindo de casa.
MEUS DEUSES!COMO VOU CONTAR PRA ELE QUE SOU SUA FILHA!?!
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