A filha de Stoico
5 Banguela e Flora
Notas iniciais
Pov's Stoico
—Estou quase sentindo o cheiro deles...-falei encarando o mapa-Estamos perto-avisei passando a encarar a barreira de fumaça-Em frente-ordenei alto.
Pedi pra que Bocão descobrisse se a Seeylfe era a minha Seeylfe,caso eu não voltasse vivo.
Suspirei.
—Vamos entrar-alertei.
—Virar a bombordo!
—Para os portões das trevas-comentei.
Pov's Soluço
—Olha,eu li o livro e vi que não tem nada escrito sobre os Fúrias da Noite-relatei-Será que não tem tipo uma parte 2...Um guia ilustrado,eu sei lá,um prospecto para as pessoas...-me abaixei quando o dragão disparou.
—Se concentra,Soluço!Não está nem se esforçando!-reclamou Bocão
Estávamos na arena,num labirinto onde Bocão soltou dois Naders Mortais.
O Nader Mortal de pele azul veio em minha direção me fazendo correr.Olhei para trás vendo ele cair quando foi atingido por uma bola de fogo.
Seeylfe correu em minha direção me dando uma tapa na cabeça.
—SOLUÇO!SE CONCENTRA!VOCÊ VAI ACABAR MORRENDO!-berrou furiosa me fazendo encolher.
—Desculpa-declarei.
—Desculpa!?!Você fica fazendo esses tipos de pergunta,o Bocão vai acabar desconfiando!-reclamou
—Eu sei o que tô fazendo-respondi fazendo ela bufar irritada
É...realmente,ela é parecida com o papai..
Corremos,seguindo caminhos diferentes.
—A aula de hoje é sobre ataques-falou Bocão-Os Naders são rápidos e ágeis,vocês tem que ser mais rápidos e mais ágeis.
Ouvi Perna de Peixe gritar.
—Não dá pra entender esses seus métodos de ensino!-protestou.
—Encontre o ponto cego,todo o dragão tem um,procure,se esconda nele e ataque-declarou Bocão.
Corri tentando achar a saída.
Ouvi o dragão disparar.
—Ponto cego sim,mas ponto surdo,nem tanto-riu Bocão
Parei de correr.
Pov's Seeylfe
—Mas como alguém chega perto de um Fúria da Noite?-perguntou Soluço.
EU JURO QUE VOU BATER NELE!
—Nunca ninguém sobreviveu para contar a história,VOLTA JÁ PRA LÁ!-berrou Bocão.
Arregalei os olhos vendo o Nader Mortal de pele vermelha se aproximando.
Me escondi junto com Astrid e Melequento,mas o idiota do meu irmão não tinha percebido o dragão.
Criei uma bola de neve na mão.
—Eu sei,eu sei,mas hipoteticamente...-joguei em sua nuca fazendo-o virar-Ei!
—Abaixa!-ordenei num sussurro.
Ele se aproximou,se escondendo conosco.
O Nader Mortal vermelho estava distraído,era nossa chance de sair dali.
Eu,Astrid e Melequento demos uma cambalhota silenciosa,mas Soluço não conseguiu,deixando seu escudo cair,o que fez barulho.
O dragão ouviu e quase o pegou.
Corremos vendo o Nader Mortal azul parar na nossa frente.
Eu e Astrid nos preparamos para atacar.
—Chega pra lá gatas,eu cuido disso-falou se metendo na nossa frente ao mesmo tempo em que protestamos.
Ele jogou o martelo que bateu na parede,fazendo o dragão rir.
Encaramos ele,irritadas e incrédulas.
—O sol me atrapalhou,gente!-ele rebateu.
O dragão disparou quase nos acertando.
O Nader Mortal azul foi atrás da Astrid e o vermelho veio atrás de mim.
Ele disparou espinhos contra mim.Um deles acertou meu braço,o mesmo braço que o Gronkle havia ferido ontem.
—Droga-resmunguei tirando o espinho.
Corri apressada vendo que as paredes do labirinto estavam caindo.
—SEEYLFE!
Olhei pra cima e cai com Dag em cima de mim quase encostando nossos rostos.
Ai...que vergonha...
Arregalei os olhos sentindo meu rosto ferver.
—Desculpa-falou sem graça.
—T-Tudo bem-gaguejei.
Muito bem,Seeylfe!Gaguejar logo agora!
Olhei para os lados vendo que todas as paredes do labirinto tinham caído.
—Você tá achando que isso aqui é brincadeira!?!
Observei Astrid que tinha o machado cravado na metade do escudo do meu irmão que estava deitado no chão enquanto a Hofferson o encarava furiosa.
Dag se levantou me ajudando a levantar também.
—A guerra dos nossos pais vai se tornar a nossa,decide logo de que lado está-apontou o machado para o rosto de Soluço.
Então,saiu da arena com passos duros.
Me aproximei do meu irmão.
—Vem-estendi a mão pra ele que aceitou se levantando.
—Não se preocupem,ela é assim mesmo-Dag deu de ombros.
—Eu sei-resmungou Soluço
—Vamos embora-falei já me movendo,mas cambaliei pra trás quando eu senti uma tontura.
—Seeylfe?-chamou Soluço preocupado.
Encarei meu braço formigava e minha vista estava escurecendo.
Havia acabado de lembrar que os espinhos do Nader Mortal são venenosos.
—O espinho...-minha voz morreu quando minhas pernas fraquejaram e perdi a consciência.
Pov's Soluço
—Seeylfe!-exclamei assustado quando ela desmaiou.Ela só não caiu no chão,pois Dag a segurou.
—Temos que levá-la pra Gothi!-declarou pegando ela no colo.
(...)
Eu estava sentado ao lado da maca de Seeylfe enquanto a esperava acordar.
Eu e Dag a trouxemos para a Gothi — anciã e curandeira da vila — que retirou o veneno de seu braço.Ele disse que ela ia acordar em breve e que já estava bem.
Voltei meu olhar para ela que apertou os olhos com força se remexendo na maca.
—Seeylfe?-chamei vendo ela abrir as orbes verdes azuladas-Ai!Graças aos deuses!Você acordou!Como você se sente?
—Cansada e com o braço doendo-confessou fazendo uma careta-O que aconteceu?
—O veneno do espinho que atingiu deu braço e te fez desmaiar,eu e Dag trouxemos você para a enfermaria-expliquei.
Ela corou quando ouviu o nome do Hofferson.Fala sério.
O mesmo tinha acabado de entrar na enfermaria.
—Oi Seeylfe,como se sente?-perguntou se aproximando.
—Fora o braço doido,eu estou bem-sorriu minha irmã
Dag me encarou.
—Strondus,quero conversar com a Seeylfe a sós-pediu fazendo minha irmã arregalar os olhos surpresa.
Cerrei os olhos em sua direção me levantando,percebendo o que ele escondia algo atrás das costas.
—Vou te esperar lá fora-avisei para Seeylfe.
Ela assentiu sorrindo timidamente.
Me aproximei dela beijando sua bochecha,então me afastei saindo da enfermeira.
Pov's Seeylfe
NÃO ME DEIXA SOZINHA COM ELE!SEU FILHO DE TROLL!SOLUÇO!!!!
Eu berrava mentalmente,mas ninguém podia ouvir meu socorro.
Um silêncio reinou no lugar.Dag não falou nada por uns minutos.
Fala alguma coisa!
—Obrigada-sorri.
Ele me encarou.
—Pelo o que?-perguntou confuso.
—Por salvar minha vida-lembrei.
—Ah,não foi nada-sorriu sem graça-Tenho uma coisa pra você.
Ele revelou o que escondia atrás das costas.
Arregalei os olhos soltando um som de espanto.
Na mão dele,tinha um buquê de camélias,minha flor favorita.
—Nossa...são lindas-declarei
—Você me disse 10 anos atrás que gostava de camélias,bom..eu ainda lembro...-sorriu me estendendo o buquê.
—Muito obrigada Dag-confessei aceitando as flores.
—Não ganho nada?-brincou.
—Minha gratidão não serve?-brinquei também.
—Ver você sorrindo já é um presente-confessou.
Corei violentamente.
—Bom,eu tenho que ir-declarei descendo da maca-Tchau Dag-disse
Ele deu um passo pra frente ficando próximo demais de mim.Mensagem direta para o meu coração que acelerou.
—Tchau Seeylfe-declarou beijando minha bochecha e logo saindo da enfermaria.
Um sorriso bobo e apaixonado cresceu no meu rosto.
(...)
Logo que saí da enfermaria junto com Soluço,passamos em casa,pegando escudos e um peixe para cada um.Partimos para a floresta dispostos a visitar aqueles dragões.
Eu passei por uma abertura de pedras com o escudo e a peixe.
Ouvi um estalo me fazendo olhar para trás.Soluço havia prendido o escudo entre a abertura pequena,que saco!
—Anda logo,Soluço!Eu não tenho o dia todo!-reclamei,porém eu estava com muito medo.
Ele passou por debaixo do escudo semi-preso e juntos,começamos a andar olhando ao redor do morro.
Estava um silêncio absoluto e nada dos dragões.Como eles saíram dali se eles não podiam voar?
Soluço soltou um som de espanto me fazendo seguir seu olhar.Eu juro que fiquei mais branca do que já sou.
Os dois Fúrias da Noite estavam em cima de uma pedra enorme.Eles desceram devagar e pararam na nossa frente em posição de ataque e rosnando.
Soluço tomou coragem e estendeu o peixe.
O macho se aproximou e abriu a boca com os olhos dóceis,mas voltaram aos afiados quando ele se afastou rosnando enquanto encarava o cinto de Soluço.
Ele levantou a beira do casaco revelando sua adaga.
—Tira a adaga-pedi pelo o canto da boca.
Ele tocou na adaga fazendo os dragões soltarem pequenos rugidos o que me fazendo pular assustada.
Soluço tirou a adaga e jogou no chão.O macho fez sinal com a cabeça para jogar pra longe.
Ah!Mas será possível!?!
Peguei a adaga irritada e joguei no lago.
O macho se sentou com os olhos dóceis e a fêmea se aproximou de mim rosnando.
Dei vários passos pra trás me afastando de Soluço.Foi aí que ela também se sentou com os olhos dóceis.
Estendi o peixe,oferecendo.
Ela se aproximou cautelosa abrindo a boca bem devagar.
Franzi a testa lendo um tipo de escrita grega na sua cabeça,eu consegui ler,a tradução era:Flora.
—Flora?Seu nome é Flora?-perguntei confusa.
Ela apenas arrancou o peixe da minha mão o devorando.Depois se virou encarando o macho e Soluço.
Pov's Soluço
Estendi o peixe oferecendo.
Ele se aproximou cauteloso abrindo a boca bem devagar.
Franzi a testa vendo que ele não tinha... dentes?
—Banguela?-perguntei confuso-Eu podia jurar que você tinha...-me assustei quando seus dentes apareceram.
Ele arrancou o peixe da minha mão o devorando e em seguida,lambeu os beiços satisfeito.
—...dentes-completei.
Ele me encarou e começou a se aproximar ronronando.
—Opa!Não!-exclamei dando um passo pra trás me fazendo cair sentado
Me afastei o máximo que eu pude até encostar minhas costas numa pedra.
—Acabou...não tem mais...-sussurrei quando o seu rosto estava bem perto do meu.
Ele carcarejou como se fosse vomitar até que ele cuspiu a metade do peixe no meu colo.
Gemi com nojo.
Ele se afastou se sentando sapeca.
Cerrei os lábios constrangido enquanto ele me encarava.
Ele deu uma olhada rápida no peixe e depois pra mim.
Olhei para o peixe e depois pra ele,entendendo o que ele queria.
Droga!Que nojo!Mas
...eu preciso ganhar sua confiança...
Suspirei derrotado.
Abri a boca aproximando o peixe da boca.Tomei coragem e dei uma mordida.
Eca!Eca!Eca!
Fiz cara de satisfeito para Banguela(vou chamar ele assim) vendo ele levantar as orelhas contente.
Estendi o peixe pra ele,mas ele fez sinal para que eu engolisse.
Gemi frustado.
Engoli o peixe ignorando a vontade de vomitar.
Pov's Seeylfe
Juro que tive vontade de vomitar quando Soluço engoliu o peixe.Fala sério!Ele precisava mesmo fazer isso?
Meu irmão sorriu para o dragão que tentou imitar seu sorriso mostrando um sorriso sem dentes.
Soluço estendeu a mão tentando tocá-lo,mas ele rosnou se afastando e Flora(vou chamar ela assim)o seguiu.
Eles esquentaram a grama com seu fogo roxo e se deitaram em cima da grama recém-queimada.
Nos aproximamos sentando ao lado deles.Sorrimos acenando quando eles nos encararam.
Eles colocaram as asas e o rabo sobre o rosto nos ignorando.
Soluço tentou tocar no macho,mas ele o encarou fazendo meu irmão se levantar num pulo.
(...)
Para que não os incomodasse,Banguela e Flora se penduraram de cabeça pra baixo em um galho de uma árvore para dormir.
Era final da tarde e eu estava com Soluço.Estavámos sentados em uma pedra.
Ele desenhava Banguela na areia com um galho e eu só observava.
Percebemos duas presenças à mais.Olhei pelo o canto do olho vendo que era os dois Fúrias da Noite.
Soluço continuou desenhando e parece que os dragões seguiam com o olhar curioso seus movimentos.
Até que os dois se afastaram andando que nem pinguins.
Eu e Soluço observamos os dois,cada um pegando um galho enorme de árvore.
Eles voltaram até nós e começaram a desenhar linhas abstratas ao nosso redor.
Olhei para Soluço,que deu de ombros sorrindo.
Eles rodavam tanto que até bateram na cabeça de Soluço com as folhas por acidente.Aquilo me fez rir.
Eles terminaram nos encarando.Nos levantamos para sair dali.
Pisei numa das linhas abstratas fazendo os dragões rosnarem.
Levantei o pé vendo seus olhos dóceis voltarem.
Pisei de novo e de novo percebendo que toda a vez que eu pisava numa daquelas linhas,os dragões ficavam com raiva.
Pisei fora da linha vendo eles nos encararem curiosos.
Sorrimos pra eles.Dei a mão para Soluço e começamos a pisar fora das linhas abstratas.Parecia um pequeno labirinto.
Fomos acabar de costas,bem perto dos dragões.
Nos viramos,vendo eles nos encarando.Banguela com seus olhos verdes como os de Soluço e Flora com seus olhos verdes azulados como os meus.
Estendi a mão querendo tocar Flora que rosnou.Recolhi minha mão com medo.
Apertei a mão de Soluço e abaixei a cabeça estendendo a mão livre.
Fiquei um tempo assim até que senti a cabeça de Flora em minha mão me fazendo suspirar aliviada.
Levantei meu olhar novamente vendo ela bufar e se afastar junto com Banguela.
(...)
Eu,Soluço e resto do grupo juntamente com Bocão,estavámos em volta de uma fogueira comendo e ouvindo as histórias de Bocão.
—Ele não só arrancou a minha mão como ele a engoliu inteira-contava Bocão-Eu vi a expressão dele,eu era uma delícia.Ele espalhou por aí porque em menos de um mês outro deles comeu a minha perna.
O grupo se admirou,exceto Soluço e eu,que estavámos alheios das coisas ao redor naquele momento.
Até que ouvir Melequento dizer:
—É sério,eu tô muito revoltado!Eu vou vingar a sua linda mão e perna,cortando as pernas de todo o dragão que eu enfrentar e com os dentes!
—Não,vocês vão querer as asas e os rabos,se eles não podem voar,não podem fugir.Um dragão abatido,é um dragão morto-explicou Bocão.
Eu e Soluço nos entreolhamos assustados.
Banguela e Flora poderiam morrer!?!
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