A fada que o escreva

26 Extra II: A reação do inventor


Notas iniciais
Oie! E adivinhem com quem é esse capítulo? Tenham uma boa leitura ♥

Hibisc

“Aos 15 anos, quando queríamos matar o tempo, nos sentávamos na borda da fonte que jorrava água pelo miolo de um hibisco esculpido em gesso no centro da praça. Muitas vezes não estávamos sozinhos, pois Kayn, um explorador da minha turma e Louis, um inventor da turma de Gaspar, costumavam nos acompanhar.

— Certo, certo, qual das irmãs Robsten vocês acham mais bonita? – Kayn perguntou animado.

— A Marie, é claro. – Louis apontou com o queixo.

Por nossa vez, eu e Gaspar analisamos a garota que escolhia maçãs em uma das barraquinhas com um semblante concentrado. Era baixa, tinha olhos verdes e os cabelos castanhos batiam no queixo.

— De jeito nenhum, a Adna é bem mais bonita! – Kayn protestou.

Adna escolhia pães em outra barraquinha, sendo visivelmente cortejada pelo vendedor. Era alta, possuía longos cabelos castanhos escuros e olhos em tom de avelã.

— O que você acha, Gaspar? – Louis cutucou o inventor.

Gaspar ergueu as sobrancelhas, olhou para frente e respondeu:

— Peter.

— O quê?! – os dois gritaram em uníssono.

Inclinei-me um pouco, a fim de ver se a expressão de Gaspar era de brincadeira, mas na verdade ele estava sendo absurdamente sincero.

— Peter Robsten, ora. – Gaspar deu de ombros e indicou o rapaz que carregava as compras das irmãs.

Peter era mais velho que nós e muito mais alto do que algum dia sonharíamos em ser. Tinha os mesmos olhos de Adna, porém, os cabelos se pareciam mais com os de Marie.

— Ele é homem. – Kayn disparou incrédulo.

— E qual o problema? – meu amigo arqueou uma sobrancelha. – Ele é praticamente idêntico às irmãs. Só tem mais altura, músculos e outra coisa no meio das pernas. – agitou a mão.

Encolhi os ombros, coloquei as mãos entre os joelhos e prendi uma risada de nervosismo porque secretamente também achava Peter bonito.

— Exatamente por isso! – Louis respondeu afobado. – Como é que se faz sex...

Instantaneamente, Gaspar cobriu minhas orelhas e berrou:

— Não ouse falar disso perto do meu inocente Suichiro!

Revirei os olhos, perguntando-me se o garoto que me deu cerveja em comemoração ao meu segundo ano na guilda era o mesmo que estava me impedindo de ouvir conversas sobre... Ah, sobre aquilo.

— Melhor irmos embora, está ficando tarde. – levantei-me e dei tapinhas em minha roupa para retirar a sujeira.

— Vocês são esquisitos. – Kayn assentiu perplexo.

— E você é um idiota. – Gaspar rebateu e passou o braço por meus ombros.

Não demos sequer um passo até que Louis sussurrasse para Kayn:

— O que você acha que eles fazem sozinhos naquela casa?

Gaspar congelou no lugar por meio segundo, cerrou os dentes e virou-se para trás bruscamente:

— O que você está insinuando?!

— Que você é um homem que gosta de homem. – Louis alfinetou.

A vermelhidão tomou conta do rosto de Gaspar e seu maxilar ficou tão tenso que uma veia saltou em sua testa. Fiquei paralisado e senti meu coração acelerar-se de aflição.

— Primeiro que eu só disse que achava o Peter bonito, mas se eu gostar de homens, não é da sua conta! E segundo que o Suichiro é meu irmão, não fazemos nada do que sua mente degenerada pensa!

— Ele não é seu irmão, é um aprendiz que seu pai pegou porque você era um solitário. – Kayn e Louis trocaram risadas e cotoveladas.

Foi minha vez de ranger os dentes, todavia, antes que eu conseguisse impedir Gaspar de fazer a besteira que eu sabia que ele faria, o garoto avançou rapidamente contra Louis e empurrou-o na fonte, espalhando respingos de água por toda parte.

— Quem você pensa que é, seu imbecil?! – Louis bradou indignado.

Gaspar empinou o nariz, deu-lhe as costas e marchou em direção a nossa casa. Kayn que até então estava estático, voltou a si e fuzilou-me com o olhar. Respirei fundo, franzi as sobrancelhas e fui incapaz de conter o impulso que percorreu meus braços.

O barulho de algo caindo na água me fez perceber que eu havia empurrado Kayn na fonte. Enquanto ele tossia escandalosamente, arregalei os olhos e corri atrás de Gaspar com a conclusão de que ainda teríamos que vê-los na guilda no dia seguinte.

— Você está bem? – questionei acanhado.

— Sim. Já estava cansado de andar com eles mesmo. – Gaspar bufou e coçou sua nuca. – Olha, Suichiro, tenho dezesseis anos, acho que preciso te contar uma coisa.

Pisquei os olhos devagar, um tanto curioso. O inventor suspirou pesadamente e parou na frente da porta de casa.

— Descobri que me sinto atraído por rapazes. – ele encarou-me com seriedade. – E se você acha isso estranho, eu... – sua voz vacilou e ele encolheu os ombros.

— Não acho. – neguei com a cabeça.

Gaspar deu um sobressalto e avaliou-me atônito. Eu não podia dizer com a mesma convicção de meu melhor amigo, todavia, em questão de quem fazia meu coração acelerar, garotos ganhavam de garotas.

O inventor prendeu a respiração, semicerrou os olhos que eu jurei estarem marejados e me deu um abraço extremamente apertado.

— Já disse que te amo? – choramingou.

— Todos os dias. – sorri de canto.

— Se aqueles dois mexerem com a gente de novo, juro que mato eles.

— Não tenho dúvidas. – afirmei determinado.”

Nos colocamos diante da casa de dois andares composta por tijolos vermelhos e buracos cobertos por tábuas de madeira. Se me perguntassem, saberia dizer exatamente qual invenção de Gaspar causou cada um daqueles rebocos.

Respirei fundo, esbocei um sorriso amarelo e apresentei:

— É aqui que eu moro!

Dante estava abismado. Ele piscou os olhos lentamente, analisando a construção e provavelmente se questionando quanto aos barulhos que vinham lá de dentro, dentre eles, pude identificar a voz alta de Gaspar e o som de engrenagens rodando.

— Por favor, não se assuste. – ri nervosamente e abri a porta.

Fomos recebidos por uma fumaça cinzenta e o cheiro forte de fuligem que me fez abanar a mão em frente ao nariz. Havia caixinhas de música enfileiradas nas estantes e o chão estava coberto de óleo e carimbos de patinhas por cada centímetro do assoalho.

Uma forma gorda, peluda e imunda de graxa enroscou-se em minhas pernas, ronronando.

— Gaspar, pelos céus, a sua gata está preta ao invés de cinza! – peguei Alicat no colo.

— Suichiro?!

Gaspar levantou-se subitamente, saindo detrás do balcão e revelando estar tão sujo quanto a gata e com os cabelos tão desgrenhados que eu levaria horas para desembaraçá-los. Seus grandes olhos azuis tremeluziram e os lábios se abriram em um choro manhoso.

O rapaz saltou por cima do balcão e correu ao meu encontro, jogando-se em mim e gritando meu nome. Apenas soube que fomos ao chão quando senti as costas acertarem algo duro e a única coisa que enxerguei foram as fendas do teto, além de Alicat ter chiado de descontentamento e fugido para o andar de cima.

— G-Gaspar! – abracei-o de volta e deixei que as lágrimas caíssem aos montes.

— Agora eu sei para quem você puxou. – Dante ponderou.

Gaspar ergueu a cabeça instintivamente, parecendo enfim se dar conta de meu acompanhante. Ele olhou de Dante para mim, depois para Dante novamente e de novo para mim.

— Quem é esse? – arqueou uma sobrancelha.

— Meu exorcista. – enxuguei o rosto e levantei o torso.

— Ah, então foi nesse que você se jogou. – Gaspar ajoelhou-se e sorriu.

— Sim e agora ele também é meu noivo. – acrescentei timidamente.

Dante que permanecia sério fez uma breve reverência a Gaspar. O inventor, por outro lado, paralisou em cima de mim. Sequer piscava e muito menos conseguia fechar a boca.

— S-Seu noivo? – falou pausadamente.

Soltei uma gargalhada de apreensão e pedi mentalmente para que Gaspar colocasse uma expressão melhor no rosto e fosse cordial com Dante, mas o que aconteceu foi justamente o contrário, ele voltou-se para mim, respirou fundo e agarrou a gola de minha camisa.

— Como assim você sai dessa casa e me volta com um noivo?! – berrou enquanto me chacoalhava.

— Ei, para de ser louco! – segurei suas mãos e as afastei. – O que há de errado? Você disse na carta que tudo dependia se ele fosse bonito!

— Para namorar ou sei lá! Mas casar? Você é muito novo para isso! – Gaspar argumentou pasmo. – Quantos anos esse cara tem? Trinta? – apontou para Dante.

O exorcista arqueou uma sobrancelha e me lançou um olhar interrogativo.

— Você está me envergonhando. – o empurrei e me coloquei de pé, completamente ruborizado.

— Nada disso, mocinho. E além do mais, se conhecem há pouco tempo. – Gaspar gesticulou. – Como sabem se não vão se odiar? – ergueu-se.

— Acredite, já passei dessa fase. – Dante levantou a mão.

Franzi as sobrancelhas, torci o nariz e cerrei os punhos ao sentir meu orgulho ser cutucado.

— Por que você está assim? – bufei. – Quando aquele seu outro amigo se casou depois de conhecer uma mulher em um único dia, você o apoiou totalmente!

Gaspar arregalou os olhos e engoliu suas palavras, perdendo toda a pose e a cor.

Prestes a continuarmos nossa discussão, alguém desceu as escadas, ou melhor, caiu delas. O barulho foi tanto que assustou a nós três, porém, o inventor não pareceu tão surpreso, se recompôs e anunciou:

— Oliver, venha aqui conhecer o cabeça de vento!

Oliver levantou-se em um pulo e veio até nós, arrumando discretamente suas madeixas azuis claras e colocando as írises pretas em qualquer coisa que não fosse a gente.

— Você devia construir uma escada com degraus rolantes. – ele sugeriu sem jeito.

— Você se machuca com eles parados, imagina se rolassem. – Gaspar cruzou os braços.

— Claro que não, eu pisaria em um único degrau e ele me levaria para baixo em segurança. – Oliver segurou seu queixo e olhou para seus pés.

— E por que você mesmo não constrói? – o inventor indagou.

— Porque não sou bom com essas coisas. – ele encolheu os ombros e coçou um de seus curativos.

— Seu aprendiz? – estudei o rapaz de cima a baixo, percebendo que ele era menor do que eu.

— Ele mesmo. – Gaspar concordou. – Desajeitado um com romances precoces, conheça o desajeitado dois com baixa autoestima. – moveu o dedo de um para o outro.

Continuei de cenho franzido e Oliver corou, estávamos quase apertando nossas mãos, contudo, um vulto preto que passou por debaixo de nossos pés me fez soltar um grito de pavor e esconder-me atrás de Dante.

— R-Ratazana! – apontei para o roedor.

Senti o exorcista hesitar mais do que os outros dois que apenas deram de ombros.

— Ah, isso… – Gaspar pigarreou. – Digamos que nossa casa está cheia delas e deles.

— Deles? – agarrei-me ao sobretudo de Dante.

— Ratos. – Oliver respondeu. – É algo interessante, mas recentemente uma das sinfonias das minhas caixinhas de música pareceu atrair os roedores.

Rangi os dentes, troquei um breve olhar de desespero com Dante e respirei fundo.

— Oliver, isso parece mesmo interessante, mas tem certeza de que foi a música? – perguntei devagar.

— É como naquele conto do flautista de… Eu me esqueci do nome, de qualquer forma, Alicat não parece querer, hã… Comê-los. – brincou com seus dedos.

— Bem, já viu o tamanho daquela gata? É claro que não cabe mais nada dentro dela. – Gaspar assentiu.

Tive de respirar fundo novamente, fazer uma contagem até o maior número que consegui e tomar coragem para sair detrás de meu noivo. Coloquei-me perante Gaspar, segurei seus ombros e chacoalhei-o.

— Como. Deixou. Isso. Acontecer?! – gritei.

— Ai, eu não nasci para ser mestre! – o inventor rebateu choroso.

Os lábios de Oliver tremeram e ele agachou-se suspirando de chateação. Eu e meu melhor amigo ficamos estáticos e vislumbramos a expressão triste do rapaz, sentindo nossos corações serem partidos.

Dante expirou, empurrou-me delicadamente para trás e abaixou-se na frente de Oliver.

— Se criou uma sinfonia que os atraiu, não consegue criar uma que os espante? – questionou calmamente.

O aprendiz fixou o olhar em seus sapatos, apertou o tecido de sua calça e inclinou a cabeça para o lado de maneira hesitante.

— Talvez. – Oliver balbuciou. – Eu não sei. – afundou o rosto em suas mãos.

Gaspar cerrou os dentes, entrelaçou seu braço ao meu e puxou-me para um canto. Ele agitou suas madeixas, olhou de soslaio para o rapaz e cochichou:

— Oliver não confia em si mesmo por causa dos problemas da família, você sabe, o que lhe contei sobre ele ser bastardo.

Concordei e observei a cena de Dante conversando com Oliver. O exorcista exalava cautela e o aprendiz limitava-se a curtos acenos e olhares tímidos.

— Não sei como animá-lo, quero dizer, minha mãe fugiu com outro e eu… – Gaspar cruzou os braços e franziu as sobrancelhas. – Só continuei a viver, não sei como, eu apenas continuei. Acha que sou horrível por isso? – encolheu-se.

— Não, você só é o Gaspar. – ajeitei parte de seu cabelo. – Talvez precise de mais paciência com ele e isso eu sei que você tem de sobra, afinal, me criou durante esses dez anos. E deixar de dizer que não nasceu para ser mestre é um bom começo. – apertei suas bochechas.

O inventor ficou vermelho de vergonha, massageou sua nuca e encarou o chão.

— Eu não queria ter dito isso, é que às vezes eu simplesmente fico nervoso perto dele.

Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto, arqueei uma sobrancelha e comentei:

— Ah, céus, você está caidinho…

Bruscamente, Oliver ergueu-se e caminhou de maneira determinada até a bancada de ferramentas, agarrando com destreza coisas que eu sequer sabia o que eram e empenhando-se em fazê-las virar algo.

— Ei, o que disse a ele? – Gaspar indagou abobado.

— Pouca coisa. Lidar com adolescentes não é tão difícil. – Dante bateu uma mão na outra. – Já cuidei de uma irmã mais nova e do meu parceiro de viagem. – fitou-me convencido.

Revirei os olhos, dei-lhe uma cotovelada de leve e fiz um biquinho emburrado. Depois de esboçar uma careta, Gaspar respirou fundo e pressionou o indicador e o polegar no canto dos olhos.

— Certo, Suichiro, hora de trocar os pares. – meneou. – Preciso conversar com o aspirante a cunhado aqui. – torceu o nariz ao analisar Dante.

— Antes, tire o cinto de ferramentas. – ordenei.

— O alicate fica. – Gaspar desamarrou o cinto e jogou-o no chão.

— Gaspar… – coloquei as mãos na cintura e franzi as sobrancelhas.

— Se ele não tiver más intenções, não tem o que temer, tem? – apertou o cabo de seu alicate.

A feição de Dante deixava claro o que se passava em sua mente: “onde é que eu fui me meter?”. Fiz um sinal de quem ficaria de olho em Gaspar e me juntei a Oliver que estava terrivelmente concentrado.

— Gosta mesmo de caixinhas de música. – debrucei-me sobre a bancada.

— É a única certeza que eu tenho em dezessete anos. – ele abaixou os óculos que descansavam em sua cabeça. – Que se eu juntar essas peças, vai sair música. É diferente de outras coisas na vida, por exemplo, se eu tentar algo uma primeira vez, imagine o quanto pode dar errado?

Pressionei os lábios e dei um peteleco em um parafuso, fazendo-o rolar pela bancada e voltar.

— Não vai saber se não tentar. – aconselhei. – E você não nasceu sabendo fazer caixinhas de música, nasceu?

Oliver torceu a boca, semicerrou os olhos e continuou empenhado. Escutei pequenos passos no andar de cima e soube que eram leves demais para serem de Alicat.

— Foi o que seu noivo disse. – o aprendiz contou. – Mas de um jeito menos grosseiro.

Meu queixo cairia se não estivesse grudado. Encarei-o de modo incrédulo e questionei:

— Eu fui mais grosseiro do que o Dante?!

Oliver olhou-me de soslaio, esboçou um sorriso contido e deu de ombros.

— Ah, sou um idiota, me desculpe. – apoiei o peso da cabeça na mão.

— Isso que vocês falaram… Não serve apenas para invenções, não é? – Oliver observou Gaspar por um instante. – Também funciona para sentimentos?

Encarei meu melhor amigo que fazia uma série de perguntas para Dante e inclusive anotava tudo em um bloquinho de notas.

— B-Bem, não importa. – ele agitou a cabeça. – Além de ter entrado tarde para a turma de inventores, fui convocado para as aulas de reforço, então vou ter que morar no internato da guilda.

— Você vai se formar em algum momento, sei disso. – enrolei uma mecha de cabelo. – E como eu vou estar casado, Gaspar vai precisar de uma companhia que não seja Alicat. – fitei-o de canto.

Oliver ganhou um tom de vermelhidão, fechou a caixinha de cor azul com detalhes em branco e girou a manivela.

— Não tenha medo, por favor. – ele pediu.

— Ter medo do q...

O aprendiz abriu a tampa da caixinha, liberando uma melodia rápida e animada. Em questão de segundos, os passos de antes foram novamente ouvidos, agora dez vezes mais altos e descendo as escadas em uma velocidade absurda.

Vultos saíram das fendas do chão e paredes, competindo com Oliver para ver quem chegava primeiro até a porta. O rapaz a abriu e fez uma curta reverência aos ratos e ratazanas que correram para fora de nossa casa.

Sem que eu notasse, estava em cima da bancada com o coração acelerado. Dante e Gaspar ficaram imóveis e Oliver apenas se preocupou em limpar o suor de sua testa e fechar a porta.

— C-Como fez isso? – engoli em seco.

— Só fiz o que sei fazer. – ele passou o dedo pelo curativo de sua bochecha.

— Oliver, você é incrível! – Gaspar abraçou seu aprendiz e rodopiou-o pela sala.

Tenho certeza de que Oliver se esqueceu de como respirar naquele momento e todo seu corpo parou de funcionar. Gaspar riu sem graça, colocou-o no chão e pigarreou.

— Quanto ao Suichiro… – deu um tapa estalado nas costas de Dante. – Eu nunca deixaria de apoiá-lo em uma loucura, mas saiba que ficarei de olho. – jogou seu alicate para cima e pegou-o no ar. – Quem está com fome? – andou até a cozinha.

Oliver retomou seu fôlego, pousou a mão em seu peito e encarou o nada por um tempo.

— O que foi? – Dante perguntou a ele enquanto me ajudava a descer da bancada.

— É como se meu coração estivesse tocando música. – ele franziu os lábios. – E… Mesmo que esteja doendo por ser algo novo, parece tão… Genial. Mesmo que pareça que eu vá morrer. – escorregou pela porta e caiu sentado no chão.

Eu e Dante trocamos um sorriso cúmplice, ele afagou meus cabelos e me mandou uma piscadela.

— Ele vai sobreviver. – sussurrou.

Inventores podiam ter as mais brilhantes das mentes, mas dificilmente conseguiriam ir contra as engrenagens de seus corações. Mas afinal, quem conseguia?

Notas finais
Se nem o Dante assusta o Gaspar, quem vai? Revelando aqui para vocês que apesar do Gaspar não aparecer tanto, ele é meu favorito ♥ E vocês, têm algum favorito? Me contem nos comentários! Até semana que vem! Beijos. —Creeper.