Notas iniciais
olá! Gosto muito desse capitulo e espero que minhas amoras tb

Passei um bom tempo com Suriah na cozinha conversando sobre como era estranho estar em uma história infantil que passei a vida toda ouvindo.

Peter colocou a cabeça dentro do cômodo e procurou por mim até me achar.

– Ele quer ver você- falando isso ele fechou a porta.

Entrei de novo na sala e James estava sentado na mesa com as mãos enterradas no cabelo.

– Ele acreditou na gente?- perguntei.

– Acredito que sim.

– Como ela pode ter feito isso?- James perguntou furioso- Mentiu durante todos esses anos!

– Eu a pedi segredo- Peter defendeu Wendy.

– Não somos um vizinho fofoqueiro- ele levantou de repente- Somos os filhos dela e ela nos colocou em um perigo sem igual.

– Wendy nem sabia que Gancho teve um filho.

– Nem venha com essa! Ela ainda me deu o nome do vilão da história.

– Gancho e Wendy tiveram uma conexão na época que ela esteve aqui.

– Pare de defender ela- falei empurrando Peter- James tem razão, Wendy não tinha porque mentir, foi escolha dela.

– Você acreditaria na sua mãe? Como acreditou em Sinny?

– Sinny tem dez anos de idade e não cem!

– Sei que estão chateados, mas a terra do nunca é um lugar que deve ser conhecido apenas nas histórias.

– Ah cale a boca! É claro que você vai defendê-la.

– Não vou discutir com você Jenny, muito menos com você James.

– Eu não vou discutir também.

– Está tarde- Suriah disse aparecendo- E foi um longo dia.

Eu não fazia mínima ideia de que horas eram. A casa de Peter não permitia que a luminosidade entrasse, pois era repleta de velas.

– Ótimo!- exclamou James- Acordei na terra e vou dormir na floresta encantada.

– Neverland- corrigiu Suriah.

– Dá no mesmo.

– Não querido, não da!- ela se irritou- Não ache que só porque é filho da Wendy, eu vou deixar você usar o meu teto, comer da minha comida e apenas reclamar em troca.

James pareceu notar Suriah pela primeira vez e quando fez isso se surpreendeu com ela. Peter sorriu com a resposta da negra.

Daquele jeito que estávamos parecíamos dois times: os que defendiam Wendy e o que a detestava.

– Sinto muito, não quis ofender- James cedeu ainda com raiva.

– Jenny pode dormir comigo e seu irmão...

– James.

– James pode dormir com qualquer menino perdido.

Meu irmão revirou os olhos como quem dizia ironicamente "ótimo..."

– Vamos Jenny.

Segui Suriah e ela abriu a porta que vinha do teto e saltou graciosamente saindo daquela toca.

–Eu te ajudo- falou Peter atrás de mim.

Ele colocou as suas mãos na minha cintura e pude jurar que levei um choque. Peter me levantou com facilidade e eu consegui sair.

Suriah me esperava em pé do lado de fora.

– Meu quarto fica pra cá.

Estava escuro e a floresta estava assustadora e silenciosa, a única coisa que eu podia ouvir era o barulho dos meus passos.

Chegamos a um lugar que para mim, não tinha nada, mas Suriah puxou uma porta do chão e entrou nela, entrei em seguida.

O quarto era muito pequeno e modesto, tinha uma cama de lã, várias rosas enfeitando o local e algumas peças aleatórias pelo lugar.

– Cada um tem um quarto subterrâneo?- perguntei admirando o lugar.

– Só Peter e eu- ela deu de ombros- Os meninos perdidos dormem todos juntos no buraco onde estávamos.

– Todos esses esconderijos para se esconder de Hook.

– Não podemos simplesmente dormir em uma árvore, principalmente quando Peter não está aqui- acrescentou em um tom triste.

– Sabe que é humanamente impossível Peter ter um irmão mais novo, não sabe? Sabe-se lá a idade de Peter.

– Sei disso- ela falou fria- E quando ele estiver pronto para conversar, vou escutar o que ele tem para dizer.

Percebi naquele momento que Suriah poderia sentir alguma coisa por Peter e isso foi bem estranho.

– Sei que não somos amigas, mas se tiver algum problema comigo, pode dizer.

– Na verdade eu tenho- ela confessou- Peter fez tudo que podia para salvar você daquele navio e explicou para James com toda paciência do mundo onde ele estava e o você fica irritando ele.

– Peter parecia tudo, menos irritado.

– Ele já tem problema sem vocês aqui e então vocês aparecem achando que sabem de tudo.

– Escute aqui Suriah, acha que estou gostando de estar aqui? Porque eu não estou, descobri em um dia que Peter Pan é mais verdadeiro que minha própria mãe... literalmente!

– Então se acostume, Wendy é respeitada aqui e ficar falando mal dela não vai fazer você se sentir melhor.

– Quer saber? Vou dormir na minha cabana.

– Acha mesmo que vai encontrar a cabana?

– Prefiro dormir em uma caverna a ter que dormir aqui.

Me estiquei e consegui subir pela porta sem passar vergonha, o que fez meu orgulho aumentar.

Andei um pouco pela floresta furiosa com o que ouvi.

– Jenny?

Olhei para trás e vi Peter saindo da toca que estávamos.

– O que está fazendo aqui?- perguntou- Achei que ia dormir com Suriah.

– Eu ia...- olhei para o lado- A gente meio que se desentendeu.

Ele soltou uma risada nasal como se aquilo não fosse uma novidade para ele.

– Pode me ajudar a encontrar a cabana?

– Vem comigo, pode dormir no meu quarto.

– Tem certeza?

– Vamos.

Notas finais
e ai? Quem não queria um Peter Pan desses?