Notas iniciais
“Todo mundo sonha com aquele amor de tirar o folego, de nos deixar estonteantes, aquele amor onde há ternura e carinho, um amor meigo... e eu? Bom eu também sonho com um amor assim!”

– quero quem Deus escolher para mim – falei dando ênfase no Deus.

– Que coisa mais clichê amiga! – disse Lany revirando os olhos

– é a verdade! – falei, virando os ombros como quem está desistindo — Deus é quem vai escolher Lany, você tem que entender que essa é a minha opinião!

– e se você não gostar do que o seu Deusinho escolher?

– como é possível não gostar do que Deus escolher? – a maneira como ela coloca a situação é irritante — A vontade de Deus é perfeita e boa, muito maior do que tudo que já sonhei, como não gostar?

– você é uma idiota. Acho que está perdendo seu tempo...

Dei as costas para minha melhor amiga, seguindo pelo corredor da universidade, havia muitas pessoas espalhadas por todo o campus.

“Clichê é achar eu preciso de homens para ser completa... ouvir “você é tola, está perdendo tempo, para de ser boba, Deus tem coisas mais importantes pra fazer, você é egoísta e mesquinha” É apenas o sinal de que vai valer a pena!”

Caminhei com passos pesados em direção ao ponto do ônibus, porém não cheguei até o meu destino....

– eiiiii Helena. – ouvi uma voz que me fez estremecer.

– oi Pedro! – sorri timidamente para o garoto alto de olhos azuis que se aproximava cada vez mais.

– E aí como anda a vida... Pensou? – indagou sem rodeios.

– hmmm – fiz uma careta, simbolizando “na verdade não pensei, no entanto já sei a resposta?!” respirando fundo, procurei focar bem em seus olhos... – então a resposta é não, sinto muito.

– mas Helena, é apenas uma ida ao cinema! – Ele parou um pouco, olhando para o chão, quando finalmente tomou folego e sussurrou — O que tem demais?

– sinto muito, mas, não é pra ser tá bom? Tente me entender, certo?! – Disse como ponto final.

– então tá... valeu por pensar! – Disse ele virando as costas e indo embora...

O observei sair do estacionamento, quando avistei a Lany, irritada caminhando em minha direção, virei e sai andando rapidamente como se não tivesse à visto, mas, não deu muito certo, já estava ouvindo os ruídos quando ela alcançou o meu braço e saiu me puxando até o ônibus.

– eu vi tudo! – exclamou furiosa – você está louca? A maioria das meninas iria torcer para estar na sua pele e ser chamada para sair com o Pedro! E você simplesmente – Lany estava vermelha – por bobagem diz que não?

– Lany, já te disse que não sou uma menina dessas coisas e que eu espero em Deus!

– olha, pra mim isso é tudo bobagem da sua cabeça! Certo, eu respeito mas não quer dizer que vou entender, poxa Hen, você podia dar uma chance a ele e a si mesma, não precisa beijar o garoto ou sair por aí transando – me aperto arregalando os olhos — Só precisa ir ao cinema e fazer tudo que faz quando se é normal!

– Lany, se você realmente respeita não toca mais no assunto certo? Eu não quero sair com ele e pronto, um dia vai chegar alguém... e esse alguém vai fazer do jeito certo! – sussurrei as ultimas palavras apenas para auto confirmar o que havia na minha cabeça — do jeito que é da vontade de Deus!

– olha só Hen, acho que na igreja que você vai dão abobrinhas pra você comer, porque olha tá difícil!

– deixa de falar bobagem Lany, tem muitas meninas da igreja que saem e vão ao cinema com os meninos, mas, eu não vou! É uma situação diferente, cada um tem uma opinião e essa é a minha!

– tá, posso ficar na tua casa hoje? Meus pais brigaram ontem e está a maior confusão. – desabou em tom de derrota.

– uhum – falei forçando um sorriso.

Descemos do ônibus em frente a minha casa, entramos em silencio, um silencio constrangedor, após algum tempo sentadas no sofá. Quebrei o silencio com uma exclamação constrangida — meus pais devem estar no serviço. – tentei me virar para ver sua expressão, mas, ela estava olhando para a janela.

– uhum, olha Hen, posso tomar banho e descansar um pouco?

– uhum, mas, posso te fazer uma pergunta antes! – ela olhou em meus olhos e apenas afirmou com a cabeça.

– vai dormir aqui?

– posso?

– claro que sim – falei sorrindo, como se fosse um pedido de desculpas.

– então eu durmo, mesmo que você me leve para à igreja!

– hmm, que bom! – usei de ironia...

– porque?

– porque hoje você vai à igreja!

– sério? Não posso ficar deitada na sua cama sem fazer nada?

– não, você tem que ir! – disse sorrateiramente.

“Lany tampou o rosto com a almofada. Ela é minha melhor amiga, no entanto não entende minhas escolhas, não acredita em amores eternos e ficou meio perdida depois das idas e vindas dos pais, depois de passar finais de semanas na casa de um e depois de outro e volte e meia passava duas ou três semanas na casa de parentes ou vizinhos. Estudamos juntas a dois anos, no entanto, só viemos conversar de um ano para cá, foi quando os pais dela começaram a se dar mal de verdade e ela quase entrou em depressão e todos os “amigos” a deixaram de lado, então eu me aproximei.”

– Hen quero tomar banho! – ela disse fazendo biquinho

– o banheiro continua no mesmo lugar e as toalhas também! Pode ir, vou esquentar a comida!

Apesar do dia ter passado rápido, de termos tido um almoço proveitoso e dormido o resto da tarde, fechando a noite com um culto maravilhoso, ao final do dia estava morta e questionando a mim mesma... "Papai, porque é tão difícil esperar? Não parece ser algo terrível esperar, mas é! Quando estamos na fila do banco, parece que a eternidade se multiplica por quatro e o tempo se divide em oito! Quando estamos no ponto de ônibus e estamos atrasadas parece que a nossa linha nunca vai chegar e esse momento também é assim! Claro nem todo mundo é feito eu, que escolheu se martirizar... é bem obvio que eu adoraria gritar que sim para o Pedro, mas, não iria ser o certo a fazer, não é algo que provenha do Senhor, ele é muito bonito, e mesmo assim não tem fama de pegador, a maioria das garotas daria a vida para sair com ele, no entanto, eu sou uma das únicas que não dá nem bola para isso, ou melhor, tenta não dar."