Levei minhas mãos ao encontro das dele e as belisquei com força. Ele afastou-se rapidamente de mim, encarando-me com uma expressão confusa.

–Não –Disse dura- Nunca mais faça isso.

– Porque gata? Qual o problema? Não estamos nos divertindo?

– Cobra, eu gosto de me divertir, gosto de jogar, mas eu gosto também de respeito.

Levantei-me e fui me sentar na espreguiçadeira, eu estava visivelmente irritada. Ele finalmente percebeu o que havia feito.

– Desculpe. Foi um ato... Impulsivo. Não vai se repetir. Eu prometo.

– Espero que cumpra sua promessa. Mas está perdoado, eu sei que sou irresistível –ri, arqueando uma sobrancelha.

– Despois eu que sou o convencido.

– E é mesmo... Escuta, sexta vai ter uma festinha organizada pelos alunos da Ribalta. Ta a fim de ir?

– Não sei Jade. Você sabe que o povo de lá não vai com a minha cara.

– Você se importando com a opinião dos outros? Tudo bem, eu consigo outra pessoa pra me fazer companhia.

– Não minha dama. Eu estou brincando. Claro que eu vou com você. Passo aqui pra te pegar.

– Lógico que não, você é louco? A gente se encontra lá. Agora vai que eu tenho que descansar minha beleza.

Cobra foi embora e eu aproveitei pra tomar meu banho, dormir e comer. Sempre que minha mãe estava em casa ficava controlando o quanto eu comia, o quanto eu dormia, já estava saturada disso. O resto da semana eu não vi Cobra, estava muito ocupada ensaiando para a apresentação que teria no fim do mês. Eu vou ser a primeira a se apresentar por isso minha apresentação tem que estar impecável. Quem sabe eu não consiga uma vaga pra um comercial de Tv.

Sexta-feira – 23:00 hrs:

Assim que chegamos à festa, é claro, a mesma praticamente parou com a chegada de Cobra. Todos olhavam para ele e para mim também. Sempre que tinha festas eu era o centro da atenção, todos me achavam linda, que eu estava vestida muito e tal, mas desta vez foi diferente. Escutávamos cochichos do tipo “Jade? O que ela está fazendo ao lado de Cobra?” ou “Que cara de pau desse garoto aparecer aqui” e etc.


Logo após vi Joaquina se aproximando, deixei Cobra sozinho por um momento e fui pegar uma bebida, com ela. Quando voltei Cobra não estava mais no local que eu o tinha deixado. “Onde esse menino se meteu?” –pensei. Logo senti uma mão me pegando pela cintura.

–Oi gatinha!

Eu reconhecia aquela vós... Lírio?

– Ei! – Respondi.

– Ta sozinha?–perguntou

– Não, eu vim com o Cobra, mas não sei onde ele está.

Ele estava com um olhar diferente do qual estava acostumada. Meus pensamentos foram interrompidos quando percebi que estava sendo empurrada em direção a parede.

– O que você esta fazendo Lírio? –Ele não respondeu- Você está... Você está bêbado! –Ele botou um dedo nos meus lábios me calando. Empurrei-o para trás .

– Sai fora. –Ele me olhou meio confuso-

– Você está me recusando?

– Lírio, você sabe que eu gosto muito de você, mas é como amigo.

– Cansei de correr atrás de você e ser passado para trás Jade, mas de hoje você não me escapa.

Ele disse com um ar superior e me empurrando novamente para a parede. “Lírio eu...” — Tarde demais, ele já havia me beijado.
Ele estava diferente do que eu estava acostumada. Estava... Feroz. Eu até riria do meu pensamento se meus lábios não estivessem tomados pelos os dele. A ficha estava caindo. Ele me... me agarrou! Isso não combinava com ele. Não, não, não. Não mesmo. Eu tentava me soltar, mas ele era mais forte que eu.

– Larga ela, cara.