A dama e o vagabundo -Cobrade
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Depois de todo o tempo que esperei por ela, estava sendo obrigado a ouvir uma coisa como essa. Já devia ter me acostumado com a ideia de ficar longe dela, mas acho que isso nunca vai acontecer. Eu tinha razão em ficar mal. Não é todo dia que se fica sabendo que a mulher que você ama irá se casar com outro cara. Fiquei perdido nos meus pensamentos e acho que ela percebeu o quão confuso estava.
– Cobra, você está bem? –perguntou preocupada.
– Acho que sim. –respondi sincero- Eu só achei que eu tinha uma importância maior na sua vida. Ou que você tinha um pouco de consideração comigo.
– Eu tenho, Cobra. Isso não significa que eu esqueci você. Eu não esqueci. As coisas apenas... Tomaram rumos diferentes. Entende?
– Claro que não! Esses rumos afastaram a gente.
Ela me olhou e não disse nada. Talvez estivesse pensando em alguma coisa para me dizer ou, apenas, não queria dizer nada. Enquanto esperava por minha resposta vi um cara se aproximando e a pegando pela cintura.
– Jade, vamos?
– Vamos! Mas antes deixa eu te apresentar uma pessoa. Esse é o Cobra, um amigo meu. E Cobra, esse é o meu noivo, Leonardo.
Ela disse olhando fixamente pra mim, sem graça. Ele soltou uma das mãos da cintura dela e a estendeu para eu aperta-la. Olhei para a mão dele e olhei pra Jade novamente. Virei as costas, voltando para o QG e deixando-o com a mão estendida.
– Qual foi a desse cara Jade?
– Não sei. Mas não liga não Léo. Ele é assim mesmo, mas é gente boa.
Fechei as portas do QG e voltei a passar por lá. Eles já tinham ido embora. Peguei um táxi e fui para um bar, sempre ia lá na época de “moleque”. Conhecia o barman. Era um velho amigo que me acompanhava em festas e choperias, e tinha conseguido um emprego por pura sorte.
– Por favor, uma dose de cachaça, uma de Campari e uma taça de vinho.
– Qual vai querer primeiro?
– Qual eu vou querer primeiro? Traga tudo de uma vez. Hoje a noite vai ser longa.
Ele colocou as três taças na minha frente e começou pelo Vinho.
– Isso! Vire bem a garrafa! Capricha! Esqueça o dosador e seja generoso comigo.
Depois de beber umas sete doses já estava completamente bêbado. Era fraco pra bebida. Por isso sempre me punham medidas. Levantei a mão pedindo mais uma taça.
– Cara, para com isso. Escuta seu amigo aqui. Você não tem motivos pra beber tanto assim.
– Eu não tenho motivos? Ela vai se casar. –Comecei a chorar, enquanto ele começava a rir. Como bêbados pagam micos- Do que você está rindo?
– Foi mau cara, mas você fica muito engraçado bêbado. Eu sei que é barra, mas não adianta nada, não vai mudar nada. Escuta, ele é... Melhor que você? –perguntou indiscreto.
– Pra que você quer saber disso? Hein? –questionei e logo depois vi que era uma oportunidade de dizer o que eu queria- Ele é do tipo que possui bíceps grande e que só deve comer gordura em uma refeição da semana. Sabe o pior? Ela vivia dizendo que não gostava de homens muito fortes e que preferia os assim como eu, intermediários. E agora inventou de casar com um marombado! Com certeza é endinheirado também! Ah, esquece. Trás mais uma dose, por favor.
– Você não vai mais beber. Agora você vai sua casa. Me empresta o celular.
– Pra que?
– Vou mandar alguém vir te buscar, não vou deixar você sair sozinho desse jeito ai.
– Cara, eu não tenho ninguém. Vou sozinho, eu sei o caminho.
Não adiantou de nada minhas suplicas. Ele achando que estava sendo um ótimo amigo, ligou para a única pessoa que achou que me ajudaria. E agora eu estava ai, esperando a última pessoa que queria ver naquele momento.
***
Estava na minha casa em um jantar com a minha mãe, o Edgard e o Léo quando recebi uma ligação do Cobra. Não ia atender. Queria cortar qualquer tipo de relação com ele. Não queria confusão para o meu lado. E como ele era insistente! Após três ligações iriam achar estranho eu não atender. Atendi e não era Cobra, era um tal de Renato. Cobra já tinha me falado dele algumas vezes. Disse a minha mãe que teria que sair, Joaquina estava desesperada e precisava me dizer uma coisa muito importante e não podia ser por telefone. Menti descaradamente. Léo insistiu para me acompanhar, mas recusei. Confesso que estava com medo de isso ser alguma armação do Cobra, mas sem me importar com o que iria acontecer, fui atrás dele.
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