A dúvida de te encontrar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Sentei na cama enrolada na toalha de banho, respirando fundo, me afundei na fronha fria, e estremeci... aí meu Deus, não pode acontecer, não agora. Eu consegui superar tudo, estava esperando, daí o Pedro resolve aparecer, assim, do nada?
— filha vai se atrasar – com voz doce e suave, minha mãe fez questão de colocar a cabeça na porta – acho que não é isso que quer... vamos se veste, estamos só te esperando
— já estou indo – respondi já vestindo a calça jeans e o suéter rosa, soltei os cabelos, fiz uma maquiagem simples, pó, lápis, rímel e um gloss nude. Desci rapidamente as escada com a bíblia na mão – estou pronta
— nossa querida, hoje você foi rápida – comentou meu pai enquanto olhava para o relógio – rápida e bonita. – sorri para ele, e balancei a cabeça como quem diz que não acredita em se quer uma palavra.
Meu coração disparou ao velo, sorri e acenei fazendo sinal para que soubesse que era eu, ao se aproximar senti o aroma de seu perfume.
— demorei? – perguntou sorrindo
— não, acabei de chegar! – respondi, procurando ar para responder.
— peguei um pouco de transito, mas, cheguei a tempo... vamos entrar? – perguntou fazendo gesto com as mãos.
— claro, pode me seguir, vamos sentar do lado dos jovens...
Meu corpo inteiro estremecia, meu rosto corou ao notar os olhares das minhas amigas, sorri timidamente, chegando perto do local, fiz sinal para que sentasse primeiro
— Helena, eu não trouxe nenhuma bíblia... e todo mundo ao nosso redor tem uma – falou corando
— tudo bem, eu tenho uma, podemos dividir – respondi procurando ser gentil
— obrigada – respondeu soltando um sorriso.
O culto foi maravilhoso, ao decorrer dos louvores esqueci a presença do Pedro e pude adorar a Deus do mesmo modo que sempre adorei, orei pedindo respostas do Senhor e o porque de todo aquele sentimento repentino, ao fim do culto me despedi das minhas amigas e contei que era apenas para um trabalho da faculdade, o que não foi levado em conta. Saindo para fora dei de cara com o Pedro.
— estava te esperando Helena – ele disse cabisbaixo
— está tudo bem? – perguntei preocupada
— sim, está sim. É que eu não queria ir embora antes de te dar tchau! – respondeu forçando um sorriso.
— é só isso mesmo?
— sim, é só isso... gostei muito da igreja, quando você vai vir novamente.
— amanhã ia ter culto dos jovens... bom no domingo... você vai vir? – tentei procurar palavras mas elas me faltam
— bom, eu tenho que te observar durante uma semana e meia, queria perguntar se posso ir a sua casa amanhã...
— então Pedro, não gosto de ficar sozinha com garotos... assim, em um ambiente só! Mas amanhã de tarde eu tenho ensaio na igreja... pode aparecer?
— bom, é só eu! Não vou te atacar...
— hmm – corei envergonhada – sinto muito, mas, é o melhor.
— ok, que horas é para estar aqui?
— uma e meia!
— ok, então até amanhã – disse se aproximando de mim e me dando um beijo na bochecha.
— uhum, até – falei corando mais uma vez.
No caminho para casa recebi uma mensagem de texto descobri de quem era ao ler... Lany
“Estou maravilhada, tive um dia ótimo ao lado do Calvin, acho que agora eu encontrei o amor da minha vida... depois da sétima transa acho que me apaixonei!!! ”
A Lany é realmente uma figura, não consegue distinguir uma mera paixão por atos sexuais de um grande amor e isso me preocupa.
Deitei na cama olhando para o teto, mais uma vez eu estava ali, me sentindo estranha e entediada. Usaria toda a minha força e fé para voltar ao primeiro ano e não fazer o que fiz ou talvez só fazer diferente. Peguei no sono enquanto viajava em meus devaneios, acordei às onze horas, comi um pouco e me arrumei para os ensaios, fui caminhando para a igreja, quando cheguei na igreja faltam vinte minutos para uma hora, arrumei os papeis para o ensaio, as posições, as cadeiras e limpei o chão onde íamos ensaiar... parei quando as meninas começaram a chegar, sorri, limpando as gotículas de suor que estavam se espalhando em minha testa por causa dos esforços.
— arruma o cabelo Hen, não podemos ensaiar de cabelo solto! – disse Carina sendo grossa e ríspida.
— o que foi que aconteceu Carin? – perguntei perplexa.
— Te mandei arrumar o cabelo... só isso – falou usando sarcasmo
— é só isso mesmo? – indaguei assustada
— acha que arruma um namorado e sai impune? – disse com deboche – acha que todos não viram o selinho? Por favor Helena, pode, por favor parar de fingir! – Carin ficou em silencio procurando palavras, então voltou com toda força – você vai sair dos ensaios!
— o que? – perguntei balançando a cabeça confusa e indo atrás dela – Carina, você está enganada, não aconteceu nada. Ele nem é meu namorado. Meu Deus, ele é só meu colega, estamos fazendo um trabalho juntos!
— aposto que é de biologia! – ela disse sorrindo com ironia
— oi? Não, não é de biologia, é análise de outrem, uma matéria nova da faculdade, Carina pelo amor de Deus, eu não fiz nada! Acho que somos adultas o suficiente para confiar umas nas outras, não houve nada – falei desabando no chão com os olhos cheios de lagrimas – Carina, você sabe melhor do que ninguém que eu não faria isso, Carina... pelo amor de Deus, Carina por favor... – tentei explicar em vão, ela virou as costas e chamou todas as meninas para o outro lado.
Após uns minutos encolhida no chão, ouvi vozes e passos se dispersando dentro da igreja, um deles vinha em minha direção.
— Hen, eu sei que você não está mentindo, você não faria isso! A Carina só está sendo dura com você, porque é nossa líder e ela nem viu nada, foi alguns irmãos que foram falar para ela... e falando nisso o seu amigo chegou – Merli falou enquanto me abraçava, levantei o olhar e o vi, estava entrando olhando para todos os lados – Hen, olha se você chamar ele e explicar para a Carina, ela vai entender que são só amigos. – ela parou para procurar argumentos, mas não encontrou nenhum
— o que ela disse de mim? – perguntei fanhosa
— disse que não viu nada, mas, apenas te conhece e sabe que não é capaz de fazer isso, só que tem que ser dura, no caso de qualquer outra querer fazer o mesmo...
— ela está no escritório? – Merli afirmou com a cabeça – eu vou indo para lá, daqui a uns cinco minutos pode pedir para ele ir? Preciso falar a sós com ela antes...
— cinco minutos... – sussurrou enquanto levantava indo em direção ao Pedro
MERLINDA
“Helena parecia abalada, não sei se porque é verdade ou pela falta de confiança, depois de vela entrando no escritório dei de cata com o seu amigo que estava parado com as sobrancelhas arqueadas como quem não está entendendo nada.”
— Prazer, Merlinda. Mais conhecida como Merli... – disse estendendo a mão.
— Pedro, amigo da Helena... – ele parou procurando palavras e olhando por cima dos meus ombros o escritório – ela estava chorando?
— bom, acho que depois ela te conta direitinho – falei como quem quer se desculpar por algo – você pode ir ali naquela sala daqui a pouco? – perguntei sorrindo envergonhada demais pra rodeios
— sim, claro... eu vim fazer um trabalho com ela, será que vou poder ficar aqui ou tenho que esperar lá fora? – ele perguntou franzindo o cenho.
— se nada se resolver, creio que nenhum será necessário. – disse olhando para o chão – pode ir ali naquela salinha?
— onde a Helena entrou – perguntou apontando.
— Isso mesmo – afirmei
— Claro... já estou indo, obrigada! – respondeu timidamente
HELENA
— Carina, pelo amor de Deus, você me conhece, não sou disso! Nunca fui!
— Sim, eu sei! E é por isso que estou estranhando... – ela parou olhando para a porta que se abria vagarosamente – entre!
— Desculpe, a Merlinda ou Merli... enfim ela só falou para mim vir aqui... – disse Pedro envergonhado – está tudo bem?
— Então... – começou Carina, mas foi interrompida
— Pedro – ele disse.
— hmm... Pedro, meu nome é Carina. E eu tenho uma pergunta para te fazer.
— pode perguntar.. – ele falou franzindo o cenho
— o trabalho é de biologia ou física? – Carina perguntou sorrindo para mim...
— não entendi – Ele respondeu – na verdade nenhum dos dois... é de uma matéria nova de publicidade análise de outrem, se quiser posso pegar aqui na mochila... consiste em resumir hábitos e costumes elaborando assim planos de vendas
— hmm – carina parecia intrigada, ela colocou a mão no queixo e perguntou sem rodeios – qual é o gosto dos lábios da helena?
— o que? – Pedro parecia desconcertado – mas, como assim? Eu nunca beijei ela!
— não? E ontem? – Carina ergueu uma das sobrancelhas
— ontem? – ele balançou a cabeça em sinal de não — o mais próximo que eu fiquei dela foi quando ela derramou suco de laranja na minha camiseta, e só para constar foi sem querer – ele parou para pensar – Eu nunca a beijei, exceto despedidas e não, não foi na boca, foi na bochecha!
— Não tem que se explicar Pedro, temos que ensaiar e não temos muito tempo – Carina olhou para mim sorrindo – estou realmente aliviada Hen, mas, sabe... não posso te deixar – ela cortou a frase olhando para a mesa
— eu entendi, mesmo não tendo feito, você tem que mostrar que qualquer suspeita tem que ser cortada pela raiz. – segurei o nó que estava preso na garganta – quanto tempo?
— apenas essa coreografia, ou seja, três semanas – ela abriu a boca como quem vai falar, mas, não o fez, então voltou seu olhar para mim e disse – eu vou anunciar no púlpito tudo o que aconteceu Hen, e saiba todos vão saber que você não fez nada!
— claro, posso ir para casa? – voltei os olhos para as mãos...
— sim.
Dei tchau para todas e chamei o Pedro que assentiu com a cabeça e me seguiu até o lado de fora
— está tudo bem Helena? Seus olhos parecem vermelhos – indagou com cuidado
— Acho que estou... – respondi
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