A cura do Apocalipse
5 Capítulo 4- Esperança
Notas iniciais
Capítulo 4
Esperança
–Quer dizer que Cabo Frio é a cidade onde você foi escolhida?- perguntou Sarah.
–Sim!- confirmei.
–Isso nos garante que a cidade é segura.-disse David.
–Ainda não tenho certeza!- disse Rony com um olhar distante.- Não acredito que a cidade não tenha sido infectada, o fato de essa ser justamente a cidade em que Rachel foi escolhida só faz com que eu tenha ainda mais dúvidas.
–O que?- Sarah ergueu as sobrancelhas- E por que?
–Porque pode ser uma gravação que foi feita logo depois que ela partiu, eles foram avisados da infecção, e sabiam de onde Rachel era, acreditavam que seria dada uma devida proteção a cidade, o que poderia garantir maior quantidade de pessoas lá... e dinheiro.- Sarah arfou e se recostou no banco.
–Escutem, eu... eu não sei quanto a nada disso mas, ... não foi dito em nenhum momento enquanto estive lá que a cidade em si seria protegida, o anjo simplesmente me escolheu e foi embora, nada mais.- Sarah se virou no banco da frente para me olhar, sua expressão repleta de fúria.
–Eu não vou desistir, Rachel... você foi a única esperança concreta que tivemos até agora, você é real, então por que com a cidade seria diferente?
–Mas como assim? Em nenhum momento foi dito que...
–Você foi anunciada, Rachel... para todo o mundo, os vídeos e as gravações de quando foi escolhida tudo foi transmitido mundialmente... mas se passaram dias, meses, e nada. Passamos a acreditar de que era tudo uma grande farsa. E agora você está aqui,... e eu não vou deixar essa oportunidade passar.- abaixei a cabeça e mordi o lábio inferior. Sarah se ajeitou novamente no banco e cruzou os braços.
–E esse é o momento em que você pede para parar o carro e ir embora.- disse Rony. Ergui a cabeça e o encarei confusa.
–E por que?
–Tenho certeza que você não foi tirada de sua cidade para voltar para lá.- eu abri a boca para negar mais logo a fechei, encarei a janela e engoli em seco. Eu encarava meu próprio reflexo com atenção.
–Isso será por vocês!- eu disse. David me encarou no mesmo instante, surpreso e confuso. Rony tinha razão, não fui tirada de minha cidade para fazer o mesmo trajeto de volta- Me deixem na próxima cidade.-ouvi alguém bufar, olhei para Rony e ele balançava a cabeça transtornado.
–Rony eu...
–Não se preocupe em me pedir desculpas, Rachel, não perca seu tempo com isso!
–Mas eu...-comecei.
–Eu sempre soube que você não iria poder ficar conosco, seu dever é curar aqueles dos quais estamos fugindo... são caminhos opostos!
–Mesmo assim!- elevei o tom de voz, irritada- Eu prometi, Rony.
–Então vamos fazer um acordo, você nunca mais faça promessas que não pode cumprir!- eu pisquei atônita, aquilo havia me machucado, eu não queria ferir a confiança de Rony, até porque, ele já não havia lidado muito bem comigo no começo.
–Me desculpe.- falei tentando transmitir o máximo que eu pude do quanto eu estava arrependida.
–Chegaremos na próxima cidade em quinze minutos!-disse Rony sem parecer se importar com o pedido de desculpas, eu suspirei e assenti.
–Vocês não podem estar falando sério.- disse David.- Rony... ela é a única que pode nos garantir segurança até a cidade.
–Nos mantivemos seguros até aqui, e nós continuaremos seguros até lá.
–Rony, ela é...- começou Sarah.
–Vocês me ouviram ou não?- Rony elevou a voz e bateu no volante impaciente. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, David pegou em minha mão, eu o olhei surpresa e ele respondia ao meu olhar com medo.
–Não nos deixe... não agora!- sussurrou ele para que Rony não pudesse ouvir.- Se Deus não quisesse que você estivesse conosco, não teria te deixado no mesmo lugar que nós... e... já teria contestado com você.- ele umedeceu os lábios- Não é mesmo? Você disse que ele falava com você.
–Não tenho certeza se é Ele.
–Mas a possibilidade é bem grande.-disse David, os olhos ansiosos e esperançosos. Ele queria muito a minha proteção, seria eu capaz de negá-la? Suspirei.
–Sim... ela é.
–Então...- David colocou sua outra mão sobre a minha.- Não nos deixe, Rachel.- engoli em seco. Ele tinha razão, se não fosse para eu estar com eles Deus já teria me dito.
–Não vou!-disse decidida, David sorriu.
–Rony!- chamei.
–Sim, alteza!-respondeu ele com a impaciência ainda vívida em sua voz, revirei os olhos.
–Siga em frente... não irei ficar na próxima cidade.- Rony me olhou surpreso por um instante mas logo voltou seu olhar para a estrada.
–Rachel...
–Eu tomei minha decisão, Rony!- agora eu estava impaciente- Não vou deixar vocês.- minha voz se elevava a cada palavra que eu dizia- Eu prometi proteger vocês... e eu sempre cumpro minhas promessas.- Rony me olhou mais uma vez por um instante, ele bateu no volante e então freou o carro tão de repente que meu corpo foi jogado para frente, os pneus cantaram no asfalto e se não fossem os cintos de segurança, eu tenho certeza de que teria voado.
–Saia, Rachel!- disse Rony sem me olhar.
–O que?- perguntei incrédula.
–Eu disse saia.- repetiu ele. Arfei, por essa eu não esperava.
–Espere, Rony... não faça isso!- disse David desesperado, Rony abriu a porta e saiu do carro, ele deu a volta e abriu a porta para mim.
–Eu vou repetir... saia!- eu não conseguia assimilar aquilo tudo, meu coração estava a mil e minha cabeça parecia girar. – Saia!- gritou ele. Dei um pulo no banco assustada, e em um segundo estava tirando o cinto, saí do carro e encarei Rony que fechou a porta atrás de mim.
–Você vai me deixar?- Rony ainda tinha raiva nos olhos, mas enquanto me olhava essa raiva foi desaparecendo.
–Seria muito egoísmo meu querer que você fosse nossa prioridade!- ele engoliu em seco- Você não está aqui para proteger somente a mim, David ou Sarah. Você está aqui para proteger o mundo, e isso inclui nós três também.- disse Rony.
–Não, Rony, por favor!- pedi.
–Adeus, Rachel!- quando Rony deu um passo para trás eu agarrei seu pulso.
–Quem é você para dizer se é ou não é esse o meu caminho?- ele abriu a boca para responder mas eu o interrompi- Você não é Deus, Rony! E se ele não me impediu até agora, é porque estou no caminho certo.
–Mas...
–Mas nada, eu vou com você!-Rony abaixou a cabeça e assentiu.
–Mas... se sentir que deve partir, vá... eu não vou te impedir ou... te culpar por isso.- ele segurou minha mão, encarei a mão dele na minha e dei um sorriso- Tudo bem?- meu sorriso se alargou.
–Sim!- ele suspirou e assentiu.- Rachel eu...
–O que?- ele puxou o ar e soltou rapidamente.
–Obrigado!- eu dei um meio sorriso e dei nele um forte abraço, abraço esse que ele demorou para responder.
–Eu serei sua estrela, Rony... eu sempre estarei ao seu lado!
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