A culpa é das estrelas
4 As folhas caem no quintal
Notas iniciais
P.O.V. KURT HUMMEL-ANDERSON
– O senhor tem câncer, Senhor Hummel-Anderson.
E foi ali que meu mundo caiu. Eu que sempre fui saudável, que lutei tanto para conseguir o que eu tanto quis tenho a mesma maldita doença que tirou meu pai de mim.
- Câncer, doutor? Você tem certeza? — Perguntava meu marido ao lado da cama, segurando minha mão com força, ainda não acreditando no que estava acontecendo.
- Infelizmente sim. O sr. Kurt tem leucemia aguda. Acontece que as células não amadurecem, não desempenham sua função e ainda interferem na produção normal de outras células sanguíneas. — Disse o doutor. — Foi bom porque descobrimos um pouco cedo e podemos começar um tratamento imediatamente.
- Quais as chances? — O interrompi.
- Chances? De sobrevivência?
- Sim, doutor.
- Geralmente 30%.
Era tudo o que eu precisava ouvir antes de desabar em lágrimas. Meu pai tinha 70% de cura e faleceu por causa de câncer, e eu que tenho apenas 30%? Enquanto chorava Blaine me abraçava e sussurrava dizendo que tudo iria ficar bem. Iria mesmo?
~^~
Faz um mês que estou nessa incansável luta. A radioterapia me deixa sem forças nenhuma para limpar a casa ou me levantar. Parece que meu corpo está definhando e em sinto muito mal por Blaine ter que trabalhar em dois empregos para me sustentar e comprar meus remédios.
Além disso, ele ainda tem que chegar e fazer os serviços da casa. Eu tento ser forte, eu juro que tento, porém da última vez eu estava fazendo comida e desmaiei. Eu estava sozinho em casa, Blaine chegou algumas horas depois e encontrou o gás do fogão ligado e eu caído no chão. Foi terrível ver a preocupação dele comigo.
- Você quer macarrão hoje? — Gritou ele da cozinha, me livrando dos flashbacks.
- Quando você se casou comigo eu aposto que não pensou que teria que cuidar de um bebê. — Eu estava deitado no sofá debaixo de cobertas.
O moreno veio até mim com um olhar confuso.
- Eu gosto de cuidar de você. Vai, levanta. Vamos para a cozinha, você vai me ajudar, isso vai te distrair. — Então ele tirou a coberta de cima de mim e eu me levantei lentamente, ainda meio grog com o efeito dos remédios? — Kurt, o que é isso?
- O quê? — Olhei para ele que segurava um chumaço de cabelo nas mãos, muitos fios que caíam entre seus dedos. Olhei para o travesseiro e encontrei mais um monte deles. Era o efeito da radioterapia.
Eu havia lido algo na internet que os cabelos caíam e a pessoa se encontrava indisposta, mas eu pensei que não fosse meu caso, mas era. Então apenas levantei e juntei todo aquele cabelo, depois jogando-o fora. Blaine me encarava surpreso com minha atitude.
- São só cabelos, Blaine. — Peguei em sua mão e lhe dei um selinho. — Vamos para a cozinha.
Chegando lá, me sentei no balcão e esperei Blaine começar o almoço. O moreno pegou o macarrão, colocou na panela e ligou o fogo.
- Esqueceu da água? — Comecei a rir. Era uma das primeiras vezes que eu ria depois que descobri essa terrível doença, e foi bom ver meu marido rir um pouco também. Ele parecia sempre triste e distante. — Deixa que eu te ajudo. — Então fui até o fogão.
- Ei, não, deixa que eu faço, volte-se a sentar. — Ele disse segurando minha cintura e me puxando pra longe do fogão.
- Qual é, Blaine. Eu não tenho mais 10 anos. É só macarrão.
Voltei ao fogão e mesmo tonto, consegui fazer a comida. Macarrão espaghetti, dois pedaços de bife acebolado e algumas batatas fritas. Qualquer coisa era melhor que aquela sopa de chuchu que Blaine fazia pra mim. Eu estava doente, não morto. Sentamos à mesa.
- Kurt, isso está maravilhoso. — Ele dizia de boca cheia, comendo tudo que estava no prato. Apenas sorri e jantei também. Sentia falta de Blaine assim, contente.
- Está passando o remake de Titanic na tv, vamos assistir? — Perguntei enquanto recolhia os pratos da mesa com a ajuda de Blaine, que assentiu na hora. Fomos até nosso quarto e nos aconchegamos.
Durante uns 10 minutos eu prestei atenção no filme, mas depois não. O remake era péssimo e os atores piores ainda.
- Leonardo DiCaprio e Kate Winslet estão se virando no túmulo nesse momento. — Falei tirando uma gargalhada gostosa de Blaine, que apenas me abraçou na cama, e ali ficamos assistindo o filme novamente.
Eu sentia falta de Blaine. Do seu toque, seu cheiro, seu beijo. Sem exagerar, mas acho que ele não me beija desde aquele dia no hospital. Eu preciso dele, preciso do apoio dele e do pênis dele. Comecei a rir sozinho, criando uma curiosidade no rosto do moreno.
- Do que você está rindo? — Ele me perguntou, mas eu não conseguia responder por que olhar seu rosto confuso fazia tudo parecer mais engraçado ainda. — Está rindo disso? — E ele começou a me fazer cócegas.
Por um momento entre o riso tive um dejavu de uns anos atrás, quando estávamos noivos. Blaine era especial em me fazer cócegas sempre que podia, e eu quase mijava de tanto rir. Parece que estávamos voltando ao normal.
Então, quando ele parou de me fazer rir e eu parei de gargalhar, olhamos um nos olhos do outro e percebi que ali ainda havia a cumplicidade que eu via no começo do namoro, tudo que eu via em Blaine estava ali ainda.
Apenas me aproximei e o beijei, e meu amor correspondeu. O beijo foi calmo e parecia querer recuperar todo o tempo que estivemos separados. Blaine colocou a mão em minha nuca e por um momento parou de corresponder o beijo, então me soltei.
- Porque? — Foi só o que consegui falar. Blaine passou de um olhar apaixonado para um olhar preocupado.
- Mais cabelo. — Ele me mostrou a mão com algumas mechas.
- Eles vão cair, Blaine. Acho melhor eu raspar. — Falei fazendo Blaine ficar aflito. — Ei, está tudo bem. Vamos encarar essa juntos!
E então o moreno me abraçou e chorou. Chorou tudo que ele havia guardado por esses meses. Ele precisava de mim e eu estava ali no momento certo. Combateríamos essa doença juntos e nada tiraria ele de mim naquele momento.
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