A culpa é das estrelas
10 Recapitulando o capítulo
Notas iniciais
P.O.V. KURT HUMMEL-ANDERSON
RECAPITULANDO A MORTE DE KURT HUMMEL-ANDERSON.
Julian parecia gostar de seu quarto. As paredes azuis com desenhos de trens, a cama em forma de carro e seus brinquedos. Muitos deles.
Eu estava mal, eu havia piorado minha situação, eu sei, mas não resolvi contar para Blaine. Ele é muito dramático com tudo isso e agora que estamos começando uma família talvez seja a hora perfeita para esquecermos um pouco essa história de câncer.
- Papai Blaine. — Gritou Julian quando Blaine entrou no apartamento após chegar de seu serviço. O loiro abraçou o pai pelas pernas com um sorriso enorme no rosto. Como uma coisinha tão pequena pode me fazer tão completo?
- Oi, meu garotão! — Blaine o pegou no colo, fazendo eu dar um sorriso. Era um pai coruja. — Você vai sair?
- Sim. — Falei levantando e indo até a porta. Eu iria ao médico. Eu precisava saber o que estava acontecendo comigo novamente, mas sem meu marido saber. — Vou comprar algumas coisas para o jantar. O que você quer, amor?
- Lasanha. — Disse Julian fazendo nós dois rirmos.
- Ele perguntou pra mim, J. — Blaine deu um beijo na ponta do nariz do filho. — Acho que... Lasanha.
Julian ergueu os braços e abraçou Blaine. Dei uma piscadela e saí do apartamento e assim, do prédio. Alguns minutos dirigindo até chegar ao prédio do meu oncologista, Dr. Phill.
- Kurt... Kurt... — Dizia ele olhando o resultado dos meus exames. — Odeio falar isso, mas você não está nada bem!
- O quê? Meu câncer voltou? Você disse que se eu ficasse cinco anos sem sintomas eu estava curado, e eu quero me curar, doutor.
- Eu sei, mas seu estado é horrível. Eu queria poder mentir pra você, falar que está tudo bem, mas não posso. 70% das células do seu sangue estão contaminadas com o vírus. E se esse número chegar a 100%...
- Eu morro.
- Você morre. Por isso eu quero que você continue tomando seus remédios no horário certo. Quero que você não sofra muitas emoções, boas ou ruins e principalmente, você não pode se incomodar, com nada. NADA. Entendido?
Assenti com a cabeça, mas Dr. Phill não achou o suficiente.
- Entenda, Kurt. Quando você se incomoda ou sofre grandes emoções, o sangue tende a circular mais rápido no seu corpo e sabemos que seu sangue deve ficar descansadinho. Câncer é uma coisa séria, Kurt.
- Eu entendo. — Falei me levantando da cadeira, com um rosto frio. Com esse tempo doente eu aprendi que não adiantava minhas lágrimas. Eu aprendi que a única coisa que adiantava era viver o resto do tempo que eu tiver. — Doutor...
- Diga, Sr. Hummel-Anderson.
- Se eu continuar assim... Quanto tempo eu ainda tenho?
- Odeio falar isso para você, Kurt. Mas aproximadamente 2 a 5 anos. Se continuar nesse estado.
Era o que eu precisava ouvir. Saí daquele consultório e então me pus a chorar. Era isso? Eu não veria Julian se formar na escola, muito menos na faculdade. Eu não veria meu filho ansioso para a formatura levando uma garota... Eu perderia toda a vida do meu pequeno. Entre lágrimas e buzinas durante o estacionamento eu havia decidido viver.
- Pai Kurt saiu pra comprar comida mas não comprou. — Disse Julian assim que eu entrei no apartamento de mãos vazias.
- Eu sabia que isso iria acontecer. — Blaine se levantou do sofá. — Sabe o que isso significa?
- O quê? — Perguntou Julian.
- Significa que vamos ter que ir à pizzaria! — Blaine saiu correndo atrás de Julian que se divertia brincando de pega-pega com o pai. Eu fiquei ali na porta vendo a cena. Blaine era um ótimo pai... Porquê ele teria que ser um pai sozinho?
Os dois foram se arrumar e eu fiquei ali sentado na sala, esperando.
- Kurt, aonde fica a chapinha? — Gritou Blaine.
- Na gaveta de cima. Por quê? — Blaine não respondeu, e eu também não fui checar o que o moreno estava fazendo. Alguns minutos depois Blaine aparece com os cabelos cacheados na sala.
- Você queria a chapinha pra quê? — Perguntei.
- Senhora e Senhores, lhes apresento, Julian Hummel-Anderson. — Blaine apontou para a porta do quarto do menino, e ali saiu Julian com a mão na cintura, fingindo desfilar.
Comecei a rir, então Julian também. Que risada gostosa.
Trancamos a casa e saímos do prédio rumo à Pizzaria, não antes de tirar muitas fotos. Eu queria muitas fotos com meu filho, para que ele nunca esquecesse o pai que eu fui quando eu morrer. Não gosto nem de pensar nisso.
E assim juntos fomos até a pizzaria.
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