A culpa é das estrelas

11 Pizza de Morte, Fatia de Saudades


Notas iniciais
O NOME DO CAPÍTULO FICOU DAORA MANO! KKKKKK dois capítulos hoje por que voces merecem!

P.O.V. KURT HUMMEL-ANDERSON

RECAPITULANDO A MORTE DE KURT HUMMEL-ANDERSON.

Chegamos em nosso apartamento enquanto Blaine alisava sua barriga. Julian estava em meu colo dormindo. Coitado. Não comeu uma fatia de pizza e já dormiu estufado. Coloquei-o em seu quarto e me deitei no meu.

Depois de um banho demorado, Blaine se deitou também.

- Que saudades do meu marido... — Ele sussurrava em meu ouvido. Percebi que pelo fato de ter acabado de sair do banho ele não havia se vestido.

- Blaine, não.

- Por que, Kurtise? Você não sente falta de mim? Dos meus beijos... Do Fred... — Disse entre sorrisos, se lembrando ao nome que dei ao seu membro.

- Blaine... — Sussurrei por que meu marido estava perto demais. — Por favor, não.

- Tem certeza? — Sua voz rouca em meu ouvido. Então Blaine começou a passar as mãos por debaixo de minha camiseta.

- BLAINE, NÃO! — Gritei fazendo meu marido se afastar.

- O que aconteceu?

- Eu... estou doente de novo. — Falei parando de olhar Blaine. O meu marido entendeu a hora. Eu precisava dele comigo, não em mim. Me abraçou e dormimos ali, e tenho que dizer, foi uma das melhores noites da minha vida.

Assim que acordei senti um cheiro de panquecas no ar. Era sábado e Blaine não trabalhava. Fui até a cozinha e encontrei meu marido e meu filho lambuzados de chocolate no rosto enquanto devoravam suas panquecas.

- Bom dia, amores. — Falei me sentando também.

- Papai Blaine tava contando que você ronca. — Julian disse enquanto enchia sua panqueca de chocolate.

- JULIAN! — Gritou Blaine.

- Eu não ronco.

E logo começamos a rir novamente. Éramos uma família feliz. Tudo o que eu desejava ter, eu consegui. Menos essa maldita doença. Terminamos o café da manhã. Deixei Julian na sala pintando alguns desenhos e puxei Blaine para o quarto do pequeno loiro.

- Finalmente está todo decorado. Você fez um ótimo trabalho aqui. — Ele disse olhando o quarto.

- Papais, papais! — Gritou Julian da sala. Eu olhei para Blaine e ele olhou pra mim e o desconforto começou a nos encher. O que havia acontecido com meu pequeno? Saímos os dois correndo do quarto e encontramos Julian normal, segurando uma folha de papel.

- O que foi isso? O que é isso? — Perguntou Blaine.

- É um desenho. — O filho entregou então a folha para Blaine que sorriu. Eu vi o desenho. Era eu, Blaine e Julian. Pelo menos parecia ser.

- Está lindo. Você quer pendurar no seu quarto? — Blaine pegou nosso filho no colo. Fomos até o quarto de Julian. — Nessa parede?

- Sim!

Blaine então procurava por alguma fita adesiva enquanto ainda tinha Julian nos braços. De repente a campainha começa a tocar.

- Você pode atender, Kurt? — Perguntou Blaine. Ele estava com as duas mãos ocupadas e um Julian inquieto no colo. Assenti que sim e fui até a sala. Não sabia o porquê, mas eu senti um frio na espinha.

Passei a mão na maçaneta e senti aquele frio novamente, mas deveria ser apenas besteira. Assim que a porta se abriu dei de cara com um homem loiro, barba a fazer, e mal cheiroso. Aquele era cheiro de... bebida? Ele era Philipe?

- EU QUERO MEU FILHO, SUA BICHA! — Gritou ele invadindo o apartamento. Assim que entrou deixou uns papéis caírem de sua mão. Era um mapa com nosso endereço e um relatório de adoção. Forneceram nosso endereço para esse bêbado?

- EU NÃO VOU SAIR DAQUI SEM MEU FILHO! — Gritou ele, e então eu vi Blaine na sala também.

- Ligue para a polícia, Kurt.

Assenti com a cabeça e fui pegar meu celular, porém fui impedido com o que aconteceu a seguir. Nesse momento eu estava começando a ficar assustado. Droga, eu não podia.

- Ninguém vai ligar para a porra de polícia! — Philipe apontou a arma para Blaine. Ele queria matar o meu homem? Não o meu homem. Me joguei nas costas daquele bêbado tentando fazer que ele caísse no chão ou algo parecido. E consegui.

- Pega a arma, Blaine. — Chutei a arma pra longe e saí de cima do coitado. Eu estava tonto, podia ver tudo girando. Eu me sentei no sofá enquanto Blaine chutava o rosto do bêbado. As cores foram se apagando e o som saindo, e eu acho que estava prestes a desmaiar.

A última coisa que vi foram policiais entrando na casa, o barulho de sirene, Julian correndo até Blaine e então ficou tudo preto. Sonhei com um campo aberto, cheio de lírios. Blaine e Julian corriam nele, sem mim. Eles ficariam felizes. Eles ficaram felizes? Eu morri?

- Kurt! — Gritava Blaine, e então eu abri meus olhos lentamente. Me encontrei em uma cama de hospital e Blaine aflito ao meu lado. Assim que ele me viu acordado se desabou em lágrimas. Demoraram alguns minutos até ele voltar a falar.

- Eu fiquei tão preocupado! — Ele disse segurando minha mão.

- Eu não morri. — Dei um sorriso.

- E nem vai! — Ele apertava mais forte minha mão.

- Aonde está Julian?

- Deixei com Carole, ela está na nossa casa cuidando dele.

- Ele sabe aonde eu estou?

- Nós o dissemos que você estava doentinho e tinha que vir se curar. Ele desenhou isso pra você. — Me entregou um desenho. Era um monstro. — Ele disse que promete que não vai ter mais medo do Sr. Krug se você se curar.

E então uma lágrima caiu em minha face. Como aquela criança iria lidar com o fato de o pai morrer? Ele havia perdido dois pais, e agora iria perder mais um. Comecei então a chorar, depois de tanto segurar aquele choro. Blaine somente me abraçou. Acabei-me por dormir nos braços do meu marido.

Segundo dia naquele hospital. Eu não sei o porquê, mas eu via tudo embaçado. Pude ver Blaine e Dr. Phill embaçados, mas não tinha forças para falar. Eu estava tomando soro e talvez seja por isso que esteja tão fraco. Fiquei acordado ouvindo a conversa dos dois.

- Ele está... muito mal. — Disse o doutor pegando o prontuário.

- Mal como? — Havia aflição na voz de Blaine.

- Mal, tipo muito mal.

Se eu me senti ruim desse jeito, imagina Blaine. Levei minha mão até a dele a apertei. Respirei fundo e roucamente pedi para o doutor sair.

- Ele tem que ficar, vai que acontece alguma coisa... — Blaine disse.

- Eu quero um tempo a sós com meu marido. — Falei com pouca voz.

- Eu te amo. — Ele disse, parecia começar a chorar.

- Eu também. Me promete uma coisa?

- O quê?

- Nunca desista de mim? Eu quero que você me tire desse hospital!

- É claro, meu amor. — Ele me abraçou. E então adormeci novamente. Que diabos de remédio estavam me dando?

Terceiro dia naquele hospital. Acordei e vi Carole sentada no canto daquele quarto.

- Kurt! — Ela correu até a cama quando viu que eu havia acordado. Eu via cada vez mais embaçado.

- Carole, eu não quero... — Tentava falar, mas era quase impossível pois minha voz não saía. — Eu não quero mais lutar. Eu estou perdendo minhas forças.

- Não! — Ela pegou em minha mão e começou a chorar também. — Quando seu pai estava morrendo eu prometi pra ele que iria cuidar de você, e aqui eu estou, cuidando de você!

- Eu quero me despedir de você. — Falei fechando meus olhos.

- Eu nunca vou me esquecer de você. — Foi o que ela conseguiu falar, e então me abraçou.

- Eu também. — E acabei adormecendo novamente.

Quarto dia no hospital. Acordei com Blaine me olhando e segurando minha mão. Não via Blaine, via um vulto. Minha visão estava totalmente comprometida.

- Hey, você acordou. — Sua voz estava embargada. Estava de certo chorando um tempo atrás.

- Eu preciso ir.

- Não, Kurt. Não. — Ele apertou minha mão mais forte. — Por favor, não.

- Blaine, eu te amo. Eu amo Julian. Eu amo nossa casa. Mas eu tenho que parar de lutar. Eu sinto que estou cada dia mais fraco e eu mal consigo te ver.

- Kurt, por favor... — Ele dizia chorando e cada vez apertando minha mão mais forte. — Eu prometi nunca desistir de você. Eu prometi te tirar desse lugar!

- Blaine. Julian. Ele vai precisar de você. Quando ele começar a ir à escola e precisar amarrar os sapatos, você irá amarrá-los e ensiná-lo como fazer isso sozinho. Quando ele começar a escrever, lembre-o que leitura também é bom. Quando começar as paquerinhas, ajude-o. Lhe ensine como é bom amar, e não somente curtir. O ensine como é bom achar alguém para o resto da vida.

- Eu te achei.

- Sim. Mas me prometa uma coisa. — Fechei meus olhos e me senti sem forças em abrí-los novamente. Usei todas minhas forças falando com Blaine e eu senti que estou indo embora.

- Diga. — Blaine apertava minha mão, mas eu mal sentia. Eu não sentia mais nada. Demorei um pouco puxando forças para conseguir tirar voz de dentro. — Diga!

- Não deixe... — A voz rouca rasgava minha garganta. Minha respiração se diminuía. — Não deixe Julian se esquecer que teve um pai. Que esse pai o amou mais que tudo. Nunca deixe ele esquecer a imagem do segundo pai.

- Kurt!

- Eu ainda estou aqui. Lembre-o de quem foi Kurt. E o mais importante, se você achar alguém, um novo marido, por favor, nunca esqueça nossas memórias.

- Eu não irei, meu amor. Nunca.

Não falei mais nada, apenas fiquei ali. Sentia uma dor no coração de deixar Blaine naquele estado, mas eu não podia fazer nada. E como minha visão, minha respiração foi prejudicada também. Eu havia parado de respirar, e como a respiração, a audição também. A última coisa que eu ouvi foi Blaine gritando, chamando as enfermeiras e falando que iria me tirar daquele lugar. Pois adivinhem, ele não conseguiu.

Notas finais
ESSE FOI O CAPÍTULO MAIS TRISTE DE TODA MINHA VIDA! QUERO MORRER!