Em Avakthor tudo era observado, Astridge estava sempre à espreita, mas morando nessa condição há tanto tempo eu conhecia alguns pontos fracos dela. Sua magia era difícil de enganar, mas eu sabia que os guardas eram uns tolos; Gonahed me ensinara isso há muito tempo, quando escapávamos aos sábados para passear pelo bosque. Então tudo que eu tinha que fazer era pegar um momento distraído de Astridge. O problema era que não havia muitos desses momentos, mas eu conhecia alguns.

No próximo mês ela viajaria então eu tinha que aproveitar uma oportunidade logo, pois quando viajava a vigilância de seus portões mágicos era implacável. Você deve estar achando estranho ela não usar a mesma magia quando estava no castelo. Pois o problema desses portões era que enfeitiçavam todos que estivessem dentro de seus limites para não querer sair de jeito nenhum, criando visões do lado externo aterrorizantes. Nem mesmo Astridge era capaz de resistir, e se ela usasse tal magia estando dentro nunca mais escaparia.

Então eu decidi que o momento mais oportuno seria na próxima lua nova, quando ela se trancava em seus aposentos para um antigo ritual que lhe dava mais poder. Ela o fazia sempre na sexta lua nova do ano, o que significava que a cada ano sua magia se tornava mais poderosa.Nessa ocasião ela aumentava a segurança no castelo, dobrando os guardas, porem como eu já disse, eles eram fáceis de enganar. Eles ficavam em dez na minha porta, mas nem imaginaram que eu não tinha nenhuma intenção de passar pela porta.

Havia uma portinha para a roupa suja que levava direto à lavanderia e como eu era pequena, escorregava facilmente. As criadas só viriam lavar a roupa na manhã seguinte então eu tinha algumas horas para escapar. Essa era a parte fácil. Dali eu descia por uma grande escada que levava ao calabouço.

Infelizmente lá embaixo havia alguns guardas... mas como eram descuidados! Três deles dormiam, outros dois estavam tão bêbados que quase caíam e um sexto guardava as celas de pé e completamente sóbrio e acordado. Esse era meu arqui-inimigo Catrids, o mais devotado servo de minha madrasta.Ele sempre estava lá para impedir meus planos. Mas eu não recuei, armei um plano para enganá-lo.

Eu tinha guardado há muito tempo a chave das celas que mamãe havia me dado em sua partida e a qual eu carregava secretamente por onde ia pois era minha principal lembrança dela. Dessa vez ela teria uma serventia e seria de grande ajuda. Era apenas um guarda para guardar todo o calabouço. E o melhor de tudo, eu conhecia um caminho que levava ao fundo do calabouço que Castrid nem imaginava existir. Um a um fui soltando os últimos presos e combinei que eles o distraíssem para eu soltar os outros. Eu conhecia todos eles, eram servos que se opuseram a nova rainha, enquanto os verdadeiros bandidos andavam livremente lá fora!

Com meu pequeno exercito, não sem muita dificuldade, consegui por fim deter Castrid, sobrando apenas dois bêbados e três desacordados que prendemos na ultima cela.

Finalmente sem impedimentos pudemos descer todos mais uma escada, chegando aos esgotos. Andamos por algumas horas até alcançarmos o mar. Já amanhecia e embora estivéssemos exaustos não podíamos parar pois logo Astridge mandaria patrulhas em nossa busca e então não teríamos chances.

Notas finais
Continuem lendo!