A cor dos teus olhos castanhos!
6 ** O estrupo e a volta de Maomé! **
Notas iniciais
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P.O.V : Barbara
“Sentada, quieta, risonha. A pequena menina serena,
observava o movimento de suas pernas, enquanto
sua irmã do meio a balançava no balanço improvisado de pneu.”
[...]
–Uau, ta ótimo! Continue assim e vai roubar o lugar de Clarice Lispector! – David olhava por trás de mim atentamente o papel que seguro, engraçado como ele me faz acreditar que um dia eu chego lá... Que a faculdade de literatura me espera... e que assim os dias ficariam mais suportáveis e só... Optei então por um sorriso fraco e o respondi, ou melhor, questionei.
– David, como eu posso roubar o lugar de quem já morreu?
–Ah sei lá, quem sabe você foi ela em outra vida passada.
– Assistindo muito “Além do Tempo”, é isso?
– Sabe como é né... Eu sou obrigado a assistir. E é claro que eu observo como a Paolla Oliveira ainda continua bonita... Gatona ne? – sorri com mais vontade, até por que... era verdade... – E porque não continua? Ta tão bom... – ele falou apontando para o papel, que eu ainda segurava na mão.
– Por que eu só tive imaginação para apenas três linhas... – é verdade, faz dias que eu não consigo escrever algo coerente. A gente se levantou, olhavam-nos , e agora é a melhor parte de quando estamos triste e temos o David do nosso lado. Com seu jeito todo desajeitado chegou mais perto e beijou minha testa.
– E agora ta melhor?! – perguntou me abraçando, e é claro que havia uma parte de mim que se aproveitaria da situação, ela foi mais forte que eu.
– Quero nutrella! – ele sorriu
– é Nutella! Nu — te — lla !
– tanto faz... — falei
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– HUMM... Cara... isso é perfeito! – falei enquanto saboreava o resto do sorvete que restava no pote... – Pena que não é nutrella...
– Nutella – me corrigiu.
Era uma pena perceber que o sorvete já estava acabando... E que era horrível só de ver que estávamos tristonhos. Tentei observar o olhar do garoto que mantinha — se de cabeça abaixada, era obvio que algo o incomodava... suspirei... e quando ele terminou, saímos da soverteria, cabisbaixos. Confesso que sentir vontade de abraçá-lo e dizer que isso passaria... mas, o que exatamente passaria? O que ele estava sentindo, era a mesma coisa que eu... Rotina, hábito... É como assistir a mesma peça varias vezes...
– Engraçado...
– Engraçado o que? – perguntou me parando de andar.
–Você é uma das melhores pessoas que eu conheci... Ta eu posso não ter conhecido muita gente, mas você é especial... é estranho... mas você é! E não importa se a gente caiu em uma droga de rotina, o importante é que eu cair com você, oras! E que... – comecei a rir – o que eu to dizendo?! Ta parecendo uma declaração de amor!
– Você é péssima em declarações...
– é eu sei... o que eu to querendo dizer é que... vamos aprontar! – pronto me animei... ( se você não conhece esse meu lado bipolar, vá se acostumando!) então,quando eu percebi que o retardado tava confuso, resolvi explicar. — Tipo... assim... Vamos andar com nossas bicicletas sem rumo, gritando pra todos ouvirem... Ou ser expulso e sair gritando pra as outras turmas que tem aula livre... Ou passar trote para a policia gritando dizendo que foi Heloisa que mandou... Ou colocar mentos na coca cola dos meus irmãos, e sair gritando que foi a Graça...AH, colocar fogo no mundo, e sair avisando sobre a chegada de Maomé... E gritar... Gritar!!
– Você não muda não é mesmo?
– Ta então vamos cortar os pulsos, e morrer de overdose!
– Eu tenho credito no celular, minha bike ta na garagem, e pode deixar que eu compro o mentos... – falou andando apressadamente ao mercado ali perto.
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Depois de bastante conversa, achamos melhor começar com algo que fosse “bastante pacífico” então resolvemos começar por gritar nas salas de aulas que tem aula livre. Como não temos aula, resolvemos mentir que esquecemos um livro importante para a prova de amanha, e bem isso foi o nosso passa-porte para entrarmos.
– Então, vamos começar por onde? – perguntou-me respirando rapidamente, enquanto olhava de um lado pro outro.
– Começaremos pelo 9 °D, eles ganharam da gente na Gincana ano passado... – ele sorriu para mim e fomos em direção a sala.
– licença, a gente queria avisar que... TEM AULA LIVRE HOJEEE! – saímos correndo rindo, e fizemos a mesma coisa nas salas do mesmo corredor, até que nos expulsaram, dizendo que se fizéssemos isso novamente, chamariam nossos pais. Rsrsrsrs
– E agora?
– Temos que passar trote para a policia dizendo que foi Heloisa que mandou... E gritar!! – respondi empolgada.
– Ta essa vai ser fácil... – ele pegou o celular, colocando-o em viva voz. – mas voce fala...
* * *
–Policia Municipal, deseja alguma coisa senhor?! – não sei o que me deu, ao ouvir a voz da mulher, travei.
– Vimos aqui reclamar sobre a violência que ocorreu com a minha mulher!
– Éhh — falei
– O senhor está ligando para denunciar é isso?
– Sim, pois o desgraçado queria morder ela, moça!
– Éhh — falei novamente
– O senhor pode me dizer como era o rapaz que queria estuprar sua mulher ?
– Sim, o bendito do pernilongo queria morder ela e chupar o sangue dela!!! Moça isso não se faz!! Principalmente quando a mulher é mais feia que o cão! – (ele ta pegando pesado, hehe.)
– Éhh — falei novamente, Antes que ele desligasse.
* * *
E depois de termos colocado mentos no refrigerante do meus irmãos, pegamos nossas bicicletas e saímos em direção ao campo...
– Eeeehhhhh!! – gritávamos feitos loucos, mal percebemos e já anoitecia, então resolvemos voltar.
Já era noite quando chegamos, então só faltava uma única coisa, colocar fogo no mundo e sair avisando sobre a chegada de Maomé, isso é um pouco complicado... Então nos sentamos na escadaria do teatro, esperando encontrar Beatriz.
– Colocar fogo no mundo é difícil ne?! – eu estava tão exalta que nem percebi a presença de Stell ali.
– Como você sabe? – falamos em coro.
– Barbara acabou deixando a lista de suas loucuras na casa dela. Francamente,vocês não têm vergonha?! Como vocês acham que podem fazer isso sem mim?! — sorrimos todos.
– Você e o Pedro tão namorando serio ne? – perguntou o único garoto que limpava o seu óculos, nunca tinha reparado como ele ficava bonito sem o óculos. Stella sorriu e respondeu toda sem jeito:
– éhh! – suspirou alegremente, ( existe isso? Sei lá, ela ta feliz)então completou — Bem, antes que eu esqueça, eu estou com o um mapa-mundi, acho que é o melhor meio de queimar o mundo, sem que a gente morra.
David arrancou o mapa e o fósforo das mãos da garota e enquanto o mapa queimava, começamos a andar em círculos.
– Estamos anunciando meu povo, a volta de Maomé!!
– Maomé, Maomé!
– Cruzes, isso é macumba é?! –Bia enfim apareceu, tão confusa a bichinha!!
– Bem vinda ao clube! – gritamos!
– Hehe, tinha que ser vocês!
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Continua...
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